A sua cor
47 Truly Madly Deeply – parte 1
Notas iniciais
Nos anos em que Voldemort sumiu do mundo bruxo, tentando tornar-se forte o suficiente, a vida Severo resumira-se a Hogwarts e a casa na rua da Fiação – e essa rotina era misturada ao sentimento de espera. Esperar que o menino Potter ingressasse em Hogwarts para protegê-lo de tudo que ele iria enfrentar. E também para satisfazer todas as vontades do diretor.
Severo aprendeu a reconhecer Dumbledore enquanto bruxo, e seria tolo se negasse que o considerava uma espécie de amigo. Não se joga um jogo tão perigoso podendo contar com uma única pessoa e não desenvolver certa... afeição por ela. Não era uma amizade propriamente dita, já que tudo havia começado com uma troca de favores: Snape se arrependendo e pedindo proteção à Lílian, Dumbledore aceitando em troca do papel duplo que Severo desenvolveria a partir de então. Talvez não fosse mesmo uma amizade, mas tinha sido o mais próximo que o sisudo mestre de poções havia tido nos últimos vinte anos.
Mesmo Lílian lhe parecia tão distante agora... o que era uma ironia, já que ela tinha sido sempre o motivo dele aceitar tudo que Dumbledore pedia. Era por Lílian que ele protegia o garoto, era por ela que ele aguentava os alunos cabeças ocas, por ela se arriscava. Era. Até ele perceber, mesmo sem querer admitir, que havia muito mais culpa que amor, e que o amor que restara era tão ingênuo... quase fraternal, na verdade. Ele via a Lílian criança, os cabelos ruivos esvoaçantes, a alegria genuína de uma menina que cativava todo mundo. A verdade é que, no meio de toda a sua miserável vida como professor – como ele mesmo definia, algo havia mudado. E então veio Potter, um menino irritante e arrogante na sua opinião, mas um menino... E Draco. E Hermione...
Hermione. Hermione Jean Granger. Para o inferno: Hermione Snape.
Sua esposa.
Severo riu enquanto o uísque descia esquentando sua garganta. Aquela jovem mulher o havia conquistado em tantas maneiras... Tão forte e decidida. Um pouco irritante, sim, mas ele não poderia culpá-la. Ter opinião num mundo onde todos seguem a cabeça de alguém é exaustivo, e ele sabia disso. A prova era sua vida solitária nas masmorras. Mas então ela apareceu e mostrou que não precisava ser tão sozinho, que a vida podia ser menos amarga.
Hermione tinha ambições e desejos de ser grande e importante academicamente, mas soube trilhar seu caminho para a glória de maneira honesta e simples, muito diferente de como Snape havia buscado. Ele lamentou isso também, ter sido tão imaturo e tolo. Duas características que ele definitivamente abominava agora. Hermione não era assim, e Snape passou a admirar cada traço da personalidade dela: da simplicidade até a sede por conhecimento. Tudo.
O último gole desceu lhe dando a coragem suficiente para encará-la. Ele precisava... ele queria. Conversaria com ela, lhe daria a chance de escolher. Não esconderia mais nada dela. Se o destino havia lhe dado mais uma chance de ser feliz, mesmo que por pouco tempo, agarraria com todas as forças.
A decisão trouxe uma sensação estranha a ele, um frio na boca do estômago que só os muitos jovens ou muito apaixonados sentem. Sentiu-se patético, mas não mudou sua mente. A vontade de vê-la era tanta que ele se viu deixando a sala do diretor para encontrá-la com determinação. Mas antes de partir para o chalé ele precisava fazer uma coisa... melhor, pegar uma coisa.
...
Hermione estava encolhida na poltrona quando Severo chegou, a cabeça apoiada em um lado e os pés pendendo na outra extremidade, exatamente como nas primeiras semanas em que se mudaram para aquele chalé – quando ele ainda achava que podia suprimir qualquer tipo de sensação de conforto que sentia perto dela.
— Agora você é um tolo apaixonado, Severo Snape. – sussurrou, suspirando silenciosamente para não acordá-la.
Os músculos reclamaram quando ele se abaixou para tocá-la, os dedos ásperos levando algumas mechas castanhas para trás da orelha e revelando o rosto sereno e adormecido de Hermione. Severo observou paralisado quando ela se remexeu em seu sono e mostrou a pele nua do ombro e parte da clavícula, tão convidativo ao toque... Ele expulsou esses pensamentos, no entanto, jogando-os no fundo de sua mente, na esperança de que um pouco de racionalidade facilitasse a conversa entre eles.
— Severo? – ela chamou, focando o olhar no vulto negro a sua frente.
— Desculpe, não quis assustá-la.
— Não assustou. Percebi que era você. – Severo sorriu ao vê-la tentando domar os cachos que pendiam para todos os lados, ainda um pouco sonolenta. – Está tudo bem?
— Sim, está. – respondeu, suave, pedindo lugar na poltrona enquanto a puxava para o seu colo, qualquer evidência da conversa anterior suprimida pela vontade que um sentia do outro.
Nada foi dito por um tempo considerável, ambos perdidos em pensamentos sombrios, no destino – ou intromissão de Dumbledore – que os tinha levado até ali.
— Sinto muito – Hermione quebrou o silêncio, sua voz dolorosamente culpada.
— Não sinta, Hermione. Você não tem nada pelo que se desculpar.
— Mas...
— Não. – interrompeu, finalmente encontrando o olhar dela – Você tem todo o direito de querer saber do futuro. Do nosso futuro.
— Eu sabia onde estava me metendo quando aceitei me casar com você, e já desconfiava dos meus sentimentos. Aceitei ir em frente com isso e agora não posso simplesmente exigir de você algo que não está no nosso alcance. É só que...
Hermione hesitou. Não sabia se seria prudente tocar no assunto novamente quando estavam tentando se entender.
— O que? Hermione, apenas diga. Temos que ser sinceros um com o outro para isso funcionar. – ele disse calmamente, tocando o queixo dela para olhá-la nos olhos novamente.
— Tudo bem. Então me diga a verdade.
— Desculpe?
— Não sou idiota, Severo! — num segundo e ela já tinha pulado do colo dele para o outro lado da sala, sangue grifinório explodindo em todo o seu corpo como magia. – Sei que não está me dizendo tudo e agora você vem com “temos que ser sinceros um com o outro para isso funcionar”? Pro inferno você e esse discurso de professor Snape!
— Hermione. – ele tentou.
— Não. – ela colocou um braço para impedi-lo de chegar mais perto – Nem pense em me colocar de lado nisso. Existe uma grande diferença entre a incerteza de um futuro em meio a guerra e a certeza de que não existe futuro de jeito nenhum. E você, Severo Snape, parece saber muito bem. Então vou perguntar pela última vez: o que você não está me contando?
Snape sentiu sua confiança esvair, algo absolutamente raro para alguém como ele e na posição dele, mas que estava acontecendo com uma frequência alarmante quando o assunto era a bruxa irada encurralando-o pela verdade.
E o que ele responderia? Que as chances de sair vivo da guerra eram praticamente nulas? Assombrá-la com um futuro infeliz? Ele sabia que chegaria nesse ponto e, no entanto, foi fraco, egoísta o suficiente para não afastá-la. E ela sofreria por isso, por ele.
— Essa guerra... a minha posição... as chances... – ele suspirou – Por favor, não me pergunte isso.
— Você fala como se tivesse a certeza que... a certeza que não vai sobreviver.
— Sou um espião duplo, Hermione. As chances são pequenas.
— Que droga, Severo! Parece que você não quer estar vivo, que você não está dando a mínima!
— Nunca mais diga que eu não me importo! Como você pode dizer uma coisa assim quando tudo que me importa é você?! Inferno, Hermione! Não torne isso mais difícil, está agindo como uma tola! – explodiu ele, arrependendo-se no segundo seguinte ao ver lágrimas comichando no canto dos olhos geralmente brilhantes e vivazes dela. – suspirou. Aquilo não estava chegando a lugar algum.
— Apenas esqueça, tudo bem? Esqueça que eu perguntei sobre isso. — Hermione disse, sentindo-se extremamente tola e emocionalmente quebrada. Ela tinha um pressentimento muito ruim a maior parte do tempo sobre tudo, e especialmente sobre Severo. E por mais que seu ímpeto de sempre querer entender estivesse gritando, ela sabia que era errado colocar Snape contra a parede sobre algo que ele não tinha controle.
Ela se assustou quando sentiu a mão dele na sua, um toque reconfortante. Snape respirou aliviado quando ela não recuou.
— Acredito que tenha mais um pergunta que não abordamos – ela o fitou desentendida – A pergunta era “e se eu viver?”. Se eu sobreviver a esta guerra, Hermione, não sei como poderia viver sem você ao meu lado. E mesmo que você não me queira mais, em algum momento, eu ainda vou estar ao seu lado, mesmo que nas sombras, me certificando que está feliz.
A grifinória finalmente se permitiu fechar os olhos, deixando as lágrimas caírem livremente enquanto ela se afundava no abraço dele.
— Como eu poderia não querer você, Severo, se a cada dia eu me apaixono mais? – ela disse tão baixo e misturado a soluços que ele teve dificuldades em escutar.
— Hermione, você deve saber que mesmo que eu sobreviva não vou sair impune da guerra. Fiz coisas ruins. Servi ao Lorde antes de servir à Dumbledore...
— Você se arrependeu e ajudou a Ordem...
— Torturei pessoas.
— ... colhendo informações valiosas, se arriscando...
— Droga, Hermione, eu matei! Matei!
— Você não teve escolha! – gritou, lutando contra o abraço dele.
— Sim, eu tive! Há muito tempo eu escolhi isso. Minha vida foi repleta de escolhas ruins. Portanto, não tente ser condescendente que não vou tolerar.
— Não estou sendo condescendente ao seu passado! – gritou, fechando os punhos para tentar se acalmar – Também não estou sendo condescendente a sua posição atual. Só estou dizendo que merece mais do que está se colocando. Não vou tolerar que se ache menos digno da felicidade.
Severo só pode suspirar diante a fé e otimismo inabalável dela, chocado com a confiança que depositava nele. Nunca tinha sido assim.
— O dia foi terrivelmente longo e nós dois precisamos descansar. – Snape se viu concordando com indiferença, sem força para ver a rejeição nos olhos dela. Ele ouviu cada ranger da escada, sentindo a distância física e emocional que ele mesmo impusera aos dois.
— Você vem para a cama comigo? – seu coração deu um pequeno salto com o convite, mais um vez se surpreendendo com a jovem mulher que ele agora tinha como esposa.
Ele subiu em silêncio atrás dela, desejando absurdamente tocá-la, aproximá-la, envolvê-la em seus braços... Reprimiu a ideia, no entanto, se sentindo sortudo por ao menos não perde-la em tudo.
Foi um pouco estranho quando Hermione finalmente saiu do banheiro e caminhou no escuro até a cama, puxando a pesada coberta e se enfiando debaixo dela, longe do corpo quente de Severo. Ficaram assim por longos minutos, até que a bruxa explodiu em gargalhadas.
— O que é tão engraçado? – Severo a olhou chocado enquanto ela perdia o fôlego e enxugava as lágrimas.
O quarto já não era mais tão escuro agora, já que a luz da noite começava a cair gradativamente através das cortinas.
— Só pensei em algo engraçado. – disse, deitando-se de lado para ver um Snape a olhando desconfiado.
— Compartilhe.
— Só pensei que com todo esse espaço – apontou para o vão entre eles – o Hagrid poderia caber entre nós. – Severo bufou, divertido.
— Eu não precisava dessa imagem na minha cabeça, Hermione. – ele a escutou rir em resposta.
— Então é melhor fazermos alguma coisa a respeito. – provocou.
— É melhor eu chegar mais perto então... – disse, a voz rouca atingindo todos os sentidos da bruxa ao seu lado.
— Não há nada além desse espaço frio te impedindo. – brincou, maliciosa.
— Achei que tivéssemos brigado há menos de uma hora. — o tom não era mais de brincadeira, e Hermione pode sentir o tom inseguro na voz dele. O coração dela apertou por isso, se encheu com a dolorosa constatação da insegurança dele, do quanto ele havia dado e permitido que ela, apenas ela, visse.
— Discutimos, sim, Severo, mas eu não estou indo embora. Não estou deixando você. Por favor entenda isso.
O toque dela, tão suave, queimava na pele áspera dele. Severo fechou os olhos quando sentiu os dedos finos dela em seu rosto, traçando linhas finas de preocupação e medo, acalmando e ao mesmo tempo incendiando cada terminação nervosa dele. Ela era uma bruxa impossível, sim, e ele a queria mais que tudo.
— Hermione – ele sussurrou, puxando-a com força contra o corpo dele, abraçando-a e apertando-a tão firme como se ela fosse sua tábua de salvação. E ela era, na verdade.
— Shh – ela o embalou como um menino desamparado, sufocada com a súbita vontade de chorar por aquele homem impossível, incrível, brilhante, sarcástico e sozinho. Ferido. Machucado. – Estou aqui com você, Severo. Eu não vou te deixar.
— Soa egoísta, eu sei, mas não quero que você me deixe. Você é incrível, Hermione, tão linda, esperta, divertida e irritantemente inteligente. Não mereço você e...
— Severo.
— Você é boa, Hermione, e eu fiz muitas coisas terríveis. Meu futuro é incerto e...
— Não diga iss-
— Mas por favor não desista de mim. – a urgência e fragilidade nas palavras dele vieram como um soco para Hermione. O homem estava completamente desnudo para ela agora, totalmente entregue e vulnerável.
— Eu não vou. – a resposta decidida dela veio com um beijo urgente, nariz lutando contra nariz, mãos se confundindo pelo rosto, pescoço, nuca. Ele a puxou ainda mais firme pela cintura, trazendo-a para si, enquanto os dedos dela tiravam a blusa branca dele.
Em poucos segundos e pele com pele se tocava, o suor da urgência, do desejo pulsante, do sentimento inesperado que a cada dia ficava mais forte. Naquele momento, entre os gemidos e nomes sussurrados, Hermione percebeu que não importava qual fosse o futuro dos dois. Ela não cobraria nada, ela só se entregaria – e de bom grado, esperando que ele pegasse tudo que ela oferecesse: todo o carinho, toda a admiração, todo o amor.
Sentir as mãos dele pelo seu corpo, seu toque possessivo e inseguro, tímido até. Essa mistura de vulnerável e forte que estava levando-o a loucura – e que Hermione estava aceitando de bom grado.
Severo bebia cada reação dela: o rosto corado, a boca entreaberta, os lábios vermelhos. Ele provou um seio, depois o outro, sugando e massageando, sentindo-os se intumescer na sua boca. Deixou uma trilha de beijos ao longo da barriga, descendo até o abdômen e passando para o lado interno da coxa.
— Severo! – ele a ouviu arfar, percebendo o sinal para ir em frente.
Suavemente, Snape a instigou a afastar as pernas, a se abrir para ele. Quando ela o fez, ele penetrou um dedo, sentindo-a molhada, e seguiu para os pequenos lábios até encontrar o clitóris. O bruxo massageou, devagar, pressionando levemente até senti-lo inchar. Afastou o dedo por um instante e lubrificou no próprio líquido dela, deslizando facilmente para dentro e para fora.
Hermione respondia aos estímulos se agarrando ora aos lençóis, ora aos cabelos negros e finos dele, puxando com força à medida que ele a penetrava mais. Ela sentiu o orgasmo violento se aproximando quando ele a chupou. Definitivamente, ela não estava preparada para aquilo. A textura da língua de Severo no seu ponto mais sensível quase a fez desmaiar de prazer. A voz não saía, e ela não conseguia discernir em pensamento o que ela mais gostava nos toques dele. Tudo era absolutamente incrível.
— Deuses! – gritou.
— Não tão rápido, bruxa. – ela não tinha força para abrir os olhos, mas podia imaginar o sorriso malicioso no rosto dele.
— Por favor, Severo, por favor! – implorou quando ele a deixou para deitar novamente por cima dela. Hermione sentiu o membro duro na entrada dela, e então a boca dele a beijando, misturando o gosto dos dois pela saliva. – Deus!
— O que você quer, Hermione?
— Você! Deuses, eu quero você! Dentro de mim!
Severo finalmente entrou nela, sentindo a umidade e o calor da bruxa em volta do seu membro. Não tinha sensação mais deliciosa que estar dentro dela, ele decidiu. O som do gemido, os olhos fora de foco, os seios balançando suavemente... e seu pênis se afundando cada vez mais fundo nela.
— Her... Hermione – ele tentou, enquanto se aproximavam do clímax.
— Merlin, SIM! – gritou de volta, incoerente – Dentro de mim, Severo.
— Porra! – foi a única coisa coerente que se fez audível quando ele jorrou dentro dela.
Snape desabou em cima de Hermione, ainda com os ombros tremendo, e sentiu os braços dela o envolvendo num abraço. Ele nunca se sentiu tão em casa, tão pertencente, quanto nos braços dela. Se sentindo extremamente feliz – apesar do futuro nada promissor – Severo deitou ao lado dela e a puxou para si. E pela primeira vez ele não lutou contra o sono. Deixou-se mergulhar fundo nele na esperança de que os sonhos trouxessem a pintura de um futuro com Hermione. Ao menos nos sonhos...
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