A sua cor

42 Senhora Snape e pronto


Notas iniciais
Aproveitem este capítulo, pois a partir dele as coisas não serão tão fáceis... E desculpem mesmo a demora.

– Estava pensando... – começou Hermione, brincando com a xícara de chá distraidamente. A frase solta ganhou a atenção de Severo, que deixou o jantar de lado para fitá-la. – que você poderia ir comigo até o Chalé das Conchas.

– Absolutamente. – negou, seco, ignorando completamente a expressão irritada de Hermione.

– Porque eu devo conversar com os meninos quando você pode muito bem explicar tudo a eles pessoalmente? – ela tentou soar o mais paciente possível, mas aqui e ali a voz um pouco mais exasperada mostrava seu (péssimo) humor.

– E porque eu preciso aguentar a presença desgastante dos seus amigos quando você pode muito bem repassar o plano a eles sem falhas? – a resposta igualmente mal-humorada a fez sorrir internamente ao invés de deixá-la ainda mais brava. O motivo? O elogio intrínseco nas palavras dele, além da confiança plena.

Num súbito momento de compreensão, Hermione percebeu o real anseio de seu marido. Não era apenas por ter que aturar Harry, Rony, Minerva e Lupin, mas ter que fazer isso sabendo que seus sentimentos estavam expostos para eles, que todos agora tinham consciência do coração que batia por baixo de toda a fortaleza negra e expressão indiferente; essas eram as armas de Severo, e elas estavam perdendo a força ao lado de Hermione.

– Você ainda é o temível professor de poções para eles, Severo... – começou num tom suave e paciente, enquanto pousava a mão sobre a dele – a diferença é que eles sabem que você não é o vilão. Eles te respeitam. – e abrindo um sorriso divertido, continuou – E se isso ainda não é o bastante para convencê-lo, Rony tem mais medo de você que de aranhas... – o bufo seco dele a fez perceber que estava quase lá, mas que alguma coisa ainda o angustiava.

– Seus amigos nunca vão aceitar esse... relacionamento. E dessa vez devo concordar com eles, infelizmente.

– Você não quer esse casamento?

– Não seja tola, Hermione – ele recuperou a mão de Hermione ainda mais rapidamente que o ato repentino dela de afastar-se. – Achei ter sido bem claro ontem à noite... — e o modo como ele disse, encarando-a, com a voz baixa mas um pouco trêmula, a fez corar.

– Eles são meus amigos, Severo, mas você é meu marido. Achei que tivesse deixado isso claro durante todos esses meses aqui. – respondeu ela, um pouco ácida demais ao devolvê-lo as próprias palavras.

– Hermione...

– Não, eu vou terminar. Achei ter sido bem clara quando aceitei o plano de Dumbledore, achei ter sido bem clara quando vim morar aqui, quando confiei cegamente em você, quando te beijei, quando me casei e, especialmente, quando me entreguei a você ontem à noite... – a vontade com que as palavras saiam era tão grande que Severo podia senti-las – o que não faz muita diferença porque meu coração já era seu mesmo antes de eu me dar conta. Provavelmente muito antes de eu admitir o quanto senti sua falta quando precisei ficar n’Toca; ou quando meu peito apertava a cada minuto que você demorava mais que o normal, um medo terrível de não ter ver de novo ou de sequer cogitar que pudesse estar sendo ferido. – e lágrimas insistentes decidiram cair pelo rosto dela, deixando ainda mais claro o quanto era importante que ele entendesse – Então não venha com ‘Hermione’ ou ‘esse relacionamento não vai dar certo’, quando é você quem está dificultando tudo. – pronto. Ela tinha dito.

– Só quero que entenda que não estou te cobrando nada... – continuou quando o silêncio se tornou insuportável e a postura estática dele estava começando a assustá-la – Também entendo que esse não é o momento certo para discutirmos isso, mas não se esqueça que começamos com o plano justamente para ter a confiança da Ordem. Não estou pedindo que se torne amigo do Harry e do Rony, muito menos que sentem e conversem informalmente sobre a próxima partida de Quadribol. – e a sobrancelha levantada dele foi o único sinal de que ele realmente estava ouvindo – Não quero que nada mude em você, só quero que coloque nessa sua cabeça dura que estou aqui. E se conceber a ideia de que estou do seu lado como esposa ainda é muito, entenda apenas que estou como sua verdadeira – enfatizou – amiga.

Severo ficou tanto tempo a fitando que, se não fossem pelos dedos que num movimento involuntário – e nervoso – ainda brincavam com a taça, ela teria ficado preocupada. Hermione sabia que ele não teria nada a dizer a respeito da quase declaração, e mesmo que tivesse ele não falaria. De início ela sentiu-se estúpida por ter falado tão abertamente de seus sentimentos, mas porque negar, esconder? Bons relacionamentos são honestos.

– Enquanto estava fora uma coisa aconteceu... – desviou, depois de colocar os pratos na pia de maneira trouxa – o quarto misterioso está aberto. Só me dei conta depois que saí do laboratório.

– Alvo... – bufou, fazendo-a concordar – Encontrou algo relevante?

– Um armário, uma escrivaninha em madeira – muito bonita, na verdade – uma coleção de livros bem raros e... – hesitou – uma cama... de casal. – Severo sabia muito bem o que Alvo sugeriu com aquele quarto, assim como também sabia que Hermione chegara a mesma conclusão que ele, contudo...

– Primeiras edições? – Hermione o fitou confusa – Os livros.

– Ah sim, primeiras edições. – Hermione não o deixaria brincar com as palavras assim para fugir do assunto. Não com ela. – Agora não vai mais precisar dormir na poltrona... – se atreveu, corando ao tocar no assunto apesar de convicta; Snape se remexeu desconfortável na cadeira.

– Eu... não quero incomodá-la.

Sem esperar que ele dissesse mais alguma bobagem, Hermione pegou-o pela mão e o conduziu até o quarto. Snape não sabia como ela podia agir tão naturalmente, tão puramente. Mas não tinha forças para lutar contra ela. Quando se deu conta já estava sendo conduzido até o quarto recém-descoberto, e antes que pudesse protestar a voz doce se antecipou.

– Dorme comigo essa noite? – Hermione pediu sem soltar as mãos dele.

...

Snape

– Dorme comigo essa noite? – Merlin! Merlin e todos os outros!

A minha total apatia provavelmente serviu de resposta, e ela começou a desabotoar minha capa lentamente, deliciosamente. Os seus movimentos suaves estavam ruindo a minha fortaleza de vez, e não havia nada que eu pudesse fazer. Ou que eu quisesse fazer.

O modo como Hermione carinhosamente tirou minha roupa foi libertador... a forma como suas mãos percorreram meu peito para chegar até os braços, tirando a peça pesada... a maneira como ela me beijou... Tudo era reconfortante e provocante. Logo foi a vez das botas; delicadamente Hermione as tirou, seguido das meias. Tão logo e só a minha calça restava.

Puxei-a para o meu colo e fechei os olhos quando os dedos dela começaram a fazer caminhos no meu peito. Estava tão entregue que beirava à inércia.

– Tão lindo... – ela sussurrou, e inevitavelmente bufei com o elogio absurdo – Tão meu. – e fui completamente puxado pela pequena frase. Meus olhos se abriram de uma forma que transparecia todo o meu desejo.

Puxei-a para mais perto no meu colo de modo que ela entrelaçou as pernas por trás das minhas costas. Minhas mãos buscaram a blusa dela enquanto a beijava de maneira feroz. Deliciosa.

– Severo...

E merda! Como eu podia resistir a ela? Ao carinho? Ao corpo? Tudo?

– Foda-se! – Hermione não ligou para a minha explosão. Desejávamos um ao outro com tanta vontade que não havia outra forma de demonstrar. E o amor que fizemos foi ainda mais intenso; não tive medo de machucá-la, e ela não teve receio em se entregar.

A maneira que me senti enquanto tremia sobre o corpo dela, naquela noite, foi... foi diferente. Não havia nada nos impedindo ali, nem um mísero pensamento negativo da minha parte. Não foi como na noite anterior, em que apesar de desejá-la mais que tudo ainda me considerava impuro por me deitar com ela. Depois, houve a vontade de fazê-la sentir tanto prazer quanto o que ela havia me proporcionado. E então... aquela noite. Pela primeira vez me senti perfeitamente capaz de amá-la da maneira que ela merecia; pela primeira vez agarrei a oportunidade de ser feliz sem pensar em nada. Ela era a Senhora Snape e pronto.

***