A sua cor

43 De volta à Mansão


Notas iniciais
Acreditam que faz pouco mais de um ano desde que comecei a postar A Sua Cor aqui no Nyah? Acreditam que faz pouco mais de um ano que rompi vários medos para finalmente me aventurar no caminho desconhecido que é mostrar sua escrita para outras pessoas? Eu não consigo acreditar. Vocês não tem noção das portas que essa fic abriu para mim, dos medos que superei escrevendo-a. Por mais que seja uma fic, por mais que os méritos sejam da J.K. por ter criado personagens tão incríveis, ainda é uma responsabilidade muito grande fazer histórias paralelas aos originais, e eu tenho muito orgulho por ter 'construído' isso, essa história... E é por toda essa responsabilidade que eu não permitiria postar um capítulo ruim, sem essência, fraco. Não sou nem de longe uma boa escritora - eu sei porque já li muita coisa realmente boa por aí - mas eu me esforço muito. Foram meses de seca criativa, e eu achei que ela não fosse mais acabar haha até que uma notícia me fez muito feliz essa semana e toda a inspiração veio como um avalanche. Minha querida beta sabe como foi difícil fazer esse capítulo sair, e eu espero sinceramente que vocês gostem - porque eu estou amando escrever A Sua Cor. Vamos ao capítulo! Muitas pessoas me perguntaram como a Hermione escapou da Mansão, se tinha sido o Severo, se não tinha... enfim, o que aconteceu de fato. E eu já tinha em mente que isso seria revelado por um flash back. E é nesse capítulo que vocês descobrem! Então... aproveitem!!

– Hermione! – Harry correu para a amiga, o alívio suavizando sua expressão tensa. – Você... Você está bem? Está ferida?

– Calma, Harry – tranquilizou ela – estou bem.

– Porque não veio antes? – questionou Ron, ignorando completamente a figura posicionada bem ao lado de Hermione – Recebemos seu patrono no mesmo dia que saímos da Mansão, mas era a voz era... Enfim, o que ficou fazendo nesses dois dias? – Hermione corou até a raiz dos cabelos.

– Ela está aqui agora, e é isso que importa. – cortou Minerva, aparecendo na sala. Snape a agradeceu mentalmente. Merlin o livrasse de ter sua vida íntima – e sexual – exposta para um Potter e um Weasley.

– Já perdemos muito tempo. – respondeu, seco, eliminando qualquer sinal de desconforto.

– Mas como saíram da Mansão Malfoy? Eles não desconfiaram de nada?

– Severo conseguiu virar o jogo e a culpa recaiu sobre a Bellatrix – explicou Hermione, estremecendo com as lembranças de dois dias atrás.

– Ela provavelmente ficou tão neurótica de decepcionar você-sabe-quem que nem desconfiou – comentou Ron.

– Provavelmente – concordou Hermione – Mas de qualquer forma não podemos arriscar...

– Bellatrix não confia em mim – interrompeu Snape – mas, sim, temos alguma vantagem.

– E como escaparam? – perguntou Harry, fazendo Severo bufar numa clara demonstração de impaciência. Mas na verdade, Snape não queria lembrar. Não queria reproduzir todos os eventos daquela noite horrível novamente, em que por muito pouco Hermione escapou.

Malfoy a conduziu sem cuidado até Bellatrix, puxando pelo braço que já estava marcado por uma das torturas da bruxa.

– Sangue-ruim imunda! O que você fez? O que você fez?! – gritou, jogando-a no meio da sala.

– O aconteceu, Draco? O que ela fez? – perguntou Narcisa, com a expressão aflita.

– Responda, menino! – gritou Bellatrix, fazendo o menino loiro se retrair.

– De alguma maneira ela tirou os prisioneiros de lá! – apressou ele – Eu não sei como ela fez isso, mas quando voltei para buscá-la eles já haviam sumido!

– SUA BRUXA IMUNDA! O QUE VOCÊ FEZ? O QUE VOCÊ FEZ? CRUCIO!

– Por favor, eu não fiz nada! – engasgou ela, tremendo e se contorcendo.

– Não minta pra mim! Sangue ruim! IMUNDA! CRUCIO!

E de repente Hermione não tinha mais força; era o esgotamento total. Ela queria conseguir resistir, queria muito. Mas tinha sido tudo muito intenso: a guerra, a iminente morte do menino que não sobreviveria uma segunda vez, o casamento, Severo... E de repente se descobrir amando-o para, então, não tê-lo por perto; ela tentou ignorar a dor, pensar em qualquer outra coisa, e foi a voz dele que surgiu como um sussurro, distante... tão distante que ela percebeu que não era real.

Os espasmos vinham em ondas finas de choque, passando pelo corpo dela como correntes elétricas que se intensificavam... e então não era mais dor, era o nada; a voz histérica ia se tornando distante até sumir de vez, fazendo Hermione pensar que tudo tinha acabado. Mas vinham outras e outras ondas, e ela podia ouvir a voz de novo. Não era mais a imperdoável, eram vários outros feitiços de magia negra que Hermione não reconhecia. E o braço, que até então ela não sentia, começou a formigar de maneira incômoda, até que o ‘incômodo’ se tornou insuportável.

– Tem noção do que fez, sangue-ruim?! – Bellatrix estava desesperada, insana. Não era apenas por odiar Hermione ou por odiar nascidos trouxas, mas por ter perdido o controle. E isso, aos olhos do Lorde, poderia significar um total descrédito à sua mais fiel seguidora. — Fale de uma vez ou...

– Chega disso! – vociferou Severo, fazendo com que todos estagnassem diante a voz imponente.

Quando a voz que Hermione tanto desejava tornou-se real, ela foi puxada para um pequeno sopro de consciência, apenas para poder reunir forças e conseguir olhar – finalmente olhar! – para ele. Seu marido, Severo Snape.

– É inútil, Bella. Ela não vai falar. Mas eu posso descobrir... – completou, sorrindo maliciosamente. A voz fria, cortante, fez Hermione sentir medo. Não era ele, não era o mesmo homem a quem ela entregou seu coração, a quem ela beijou. Aquele homem que olhava para ela de cima, trajando aquelas roupas que nunca lhe pareceram tão negras... a máscara em sua mão... não, não era Severo. Era um Comensal. Mas tudo isso também não fazia parte de quem ele era? A cabeça de Hermione girava, e eram tantas dores diferentes – reais e metafóricas – que ela não queria mais olhar, não queria mais ouvir. Ela só queria que tudo acabasse de uma vez.

– Então faça logo, Severo. – cuspiu Bellatrix, incitando-o.

– Farei isso mais tarde, depois que tiver a torturado bastante, a ponto de não ter que ouvir a voz dela pelas próximas semanas. – sussurrou, como se destilasse o prazer de cada sílaba dita.

– Você sabe que não vai se safar dessa, não sabe? – falou ela, circulando ao redor de Severo. – Não confio em você... – sussurrou, para depois afastar-se.

– Estou profundamente tocado. – retrucou Snape, sarcástico – É uma pena, então, que quem deva confiar em mim é o Lorde e não uma subordinada. De qualquer maneira, quando ele retornar explicarei tudo. E, claro, não omitirei que foi o seu teatrinho que possibilitou a fuga da Lovengood e do Olivaras. Ele vai ficar bem satisfeito, não acha? – provocou, erguendo o canto dos lábios ao saber que tinha atingido a bruxa – Então, Bella? Não vai chamar o Lorde? Não esqueça de fofocar toda a verdade para ele...

– Mas foi VOCÊ quem deixou a sangue-ruim escapar! É com VOCÊ que ele vai ficar furioso!

– Bella, tão ingênua... Lancei na Granger um feitiço rastreador, eu saberia o paradeiro dela mesmo que estivesse do outro lado do mundo.

– Então porque demorou tanto para pegá-la?! – gritou ela, sentindo-se tonta. Snape apenas suspirou, entediado.

– Só queria que ela aprendesse a lição. Estava tudo sob controle até você interferir, com essa sua mania de loucura, com essa obsessão em matar fora da hora certa. Você não está raciocinando direito... Pelo visto não foi só a sua beleza que pereceu em Azkaban.

– Seu BASTARDO! CRU...

– SECTUMSEMPRA! – lançou antes, fazendo Bellatrix cair e se contorcer através de gritos estridentes.

– SEVERO! Você está louco?! – gritou Lucius, sendo ignorado por Snape, que apenas caminhou até a bruxa que urrava de dor. Com passos friamente calculados, alheio a dor da mulher, ele se abaixou calmamente e disse numa voz perigosamente baixa:

– Pense muito bem antes de lançar qualquer merda contra mim, Bella. – e deslizando apressado pela sala, agarrou Hermione pelo pulso e desaparatou.

Ninguém ouviu ou se deu conta, mas Draco suspirou aliviado. Talvez houvesse uma chance afinal.

– Então para você-sabe-quem a culpa é da Bellatrix? – perguntou Lupin, encaixando os fatos.

– Não exatamente, professor, já que ele ainda não voltou. Não sabemos em qual versão ele vai acreditar. – explicou ela, estremecendo com a mera possibilidade de você-sabe-quem se voltar para Severo. – Tudo é frustrantemente incerto. Se ao menos eu não tivesse seguido a ideia estúpida de dizer o nome dele...

– Ouso dizer, senhorita Granger – começou Minerva, olhando-a daquele modo severo que não a deixava – que se não fosse por essa atitude irresponsável e insensata, estaríamos sem esperanças agora.

– Ele vai querer vê-la, vai querer confirmar a versão dos fatos – raciocinou Harry, de repente assombrado com o rumo dos eventos que se formavam na sua cabeça – e então ele vai descobrir!

– Acontece que eu preparei Hermione para isso, Potter – cuspiu Snape, mal se dando conta de como havia a chamado – e embora eu vá fazer o impossível para que ela não tenha que ir ao encontro do Lorde, ela saberá como proceder se não vou houver outra saída. – e antes que Harry ou qualquer outro pudesse fechar a boca para então formular outra pergunta, continuou – Tudo o que podem fazer agora é não serem capturados. Portanto, a menos que aprendam oclumência nas próximas 24 horas, se atenham ao plano. Fui claro?

– Pode ser nossa melhor chance – completou Hermione, e todos se calaram para ouvir.

...