A sua cor
44 Dumbledore sempre sabe
Notas iniciais
– Entraremos em Hogwarts por uma das entradas secretas que os alunos acham que o senhor não sabe, depois forjaremos uma invasão e você encena tentar pegar Harry...
– Sim, Weasley. – suspirou, entediado. Porque Hermione não podia explicar mesmo?
– E quem vai te “impedir”? Digo, de pegar o Harry?
– Minerva, é óbvio. Garoto cansativo!
– E para todo mundo você ainda será um bastardo, para todos os efeitos?
– Ronald! – repreendeu Hermione, ao mesmo tempo em que um sorrisinho sarcástico surgia nos lábios de Severo.
– Para todos os efeitos, Weasley, eu sou um bastardo. – ironizou ele, intimidando o ruivo.
– Não estou com um bom pressentimento desse plano... – tentou Lupin, alheio às provocações de Severo.
– Pressentimentos é função da Trelawney, Lupin, e a menos que tenha se dedicado à Adivinhação durante esse tempo, sugiro que deixe isso de lado e.
– Severo está certo, professor. – a voz de Hermione sobressaiu a seja lá qual tenha sido o restante do comentário mordaz de Severo – É a única forma. Harry precisa estar no castelo, temos quase certeza que a última horcrux está lá. Temos que arriscar.
– Sim, Hermione, mas assim que o Snape sair da direção você-sabe-quem vai querer atacar Hogwarts!
– E é por isso que devemos ser rápidos. – sentenciou ela, e todos estremeceram com a realidade dos fatos: a Guerra ia começar.
– E quanto a você, Hermione? Onde você vai estar nisso tudo? – perguntou Harry, olhos claros pesando sobre ela.
– Ela vai estar comigo, Potter. É o lugar mais seguro para ela. – respondeu Snape.
– E se ele a quiser? Já pensou em como vai sair dessa? – rebateu o menino, alheio ao olhar irritado da bruxa.
– Isso é da minha conta, Potter. Eu sei sobre a segurança de Hermione e...
– E eu sei muito bem falar por mim mesma, obrigada. – cortou ela, irritada, fazendo Snape recuar. Harry, no entanto, já estava acostumado e sabia que tinha irritado a amiga. Sempre firme e independente, era uma ofensa que falassem em seu nome.
– Infelizmente, Harry, ainda não sabemos o que vai acontecer. E se você-sabe-quem quiser me ver, ele verá. – disse, firme, olhando diretamente para Severo – Não acho prudente que Severo se arrisque em mais mentiras.
– Eu sei...
– Lidar com isso sozinho, é claro. – descontinuou ela, nervosa pela maldita autossuficiência de Severo – Mas é diferente agora, já que mais pessoas sabem sobre sua lealdade. Um deslize e... – hesitou – e ele mata você.
Se alguém dissesse à Snape, meses atrás, que estaria cercado de pessoas que genuinamente começariam a se importar – mesmo que minimamente – com a sua vida, ele não acreditaria. Na verdade, ele riria da situação patética. Mas Severo não estava com ânimo para mais ironias e comentários sarcásticos naquela noite. Severo não queria troçar de nenhum sentimento, principalmente – e especialmente – os de Hermione.
A bruxa estava mais ácida e nervosa a cada comentário, isso quando não se abstinha de falar e ficava minutos olhando para o nada, ouvindo as vozes dos amigos como se estivesse em outro plano. Isso estava matando Severo. Ele simplesmente não podia acreditar – e entender – como ela podia estar tão preocupada com a segurança dele. Isso era tão novo e improvável! Mas o fato é que Hermione estava, e Snape tinha que convencê-la a não cometer sacrifícios por ele.
– Eu jamais atenderia um chamado do Lorde das Trevas com você. – a frase veio baixa, cabelos negros caindo parcialmente sobre os olhos enquanto Snape fitava intensamente o chão.
– Severo. – tentou a jovem bruxa.
– Não. Eu não vou fazer isso. Não vou arriscar.
Todos se calaram, de repente sentindo que não deveriam estar ali, no meio de Severo e Hermione.
– A decisão não é sua. – disse simplesmente, cruzando os braços sobre o peito, a expressão digna de Hermione Granger.
– Pelo contrário, a decisão é toda minha.
A lareira nunca pareceu tão interessante para Harry e Rony.
– Você não precisa mais me proteger! Já estamos casados e o pacto...
– Que se dane o pacto, Hermione!
– Mas...
– Mulher tola e teimosa, não vê que estaria caminhando para a morte se aceitasse falar com ele?!
Não tem pouca lenha ali?
– Então para que foi tudo isso?! – estourou ela – Se sou tão incapaz assim, não deveria ter aceitado o maldito pacto!
– Merlin – rogou ele, a mandíbula trincada e o queixo apontando para o teto – Não deveríamos conversar aqui – disse, de repente se dando conta de que todos na sala se moviam de maneira desconfortável com o desenrolar da cena improvável.
– Na verdade, Severo, é exatamente aqui que devemos conversar – arriscou Minerva. Pode ser que juntos tenhamos um bom plano.
Severo só queria ir embora e fazer as coisas do jeito dele, proteger Hermione e levá-la para longe de todo aquele inferno. Se ela ao menos não tivesse aceitado o maldito o plano, ele pensou, não estaria correndo tantos riscos agora. De qualquer forma, a cabeça dele girava, ela estaria caçando horcruxes com o maldito Potter e o idiota do Weasley. E, posto em perspectiva, o que era pior?
– Eu não consigo acreditar que Dumbledore não tenha previsto isso. Quer dizer, ele pensa em tudo! – o comentário de Rony, apesar de simplista, era uma verdade esmagadora. Como um dos bruxos mais poderosos de todos os tempos não previu que isso pudesse acontecer, afinal? Como Dumbledore podia ter sugerido um plano tão descabido para que todos morressem na praia, ao final? Do que adiantou salvar a imagem de Severo? Do que adiantou que ele e Hermione se vissem atrelados por uma magia tão poderosa e natural se não poderiam consumá-la pelo resto de suas vidas?
E foi então que Hermione e Severo, juntos, tiveram o mesmo insight.
– Ele previu. – disse Snape, ao mesmo tempo em que Hermione exclamou ‘Tem um jeito!’. – Draco Malfoy.
...
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