A sua cor

14 Para o inferno, formalidades!


Notas iniciais
Gente, preciso falar que estou MUITO feliz. Além dos lindos reviews, recebi minha primeira recomendação! Sério, não sabia que me sentiria tão feliz haha Foi bem especial... Então, um muito obrigada à Naomi Prince! Dedico este capítulo a você. Vamos ao capítulo... Nós teremos Hermione e Snape em um momento muito próximo, especialmente porque a nossa querida sabe-tudo fará algo bem espontâneo... Curiosos?! Então leiam!

HERMIONE

– O que aconteceu? – perguntei, confusa, enquanto me esquivava bruscamente dos seus braços.

– No que estava pensando, Granger? – sua voz era baixa, mas claramente furiosa.

– Eu sei que não deveria ter ficado para o casamento... – comecei, temendo a reação dele – mas eu não podia deixá-los, eu... eu... – gaguejei, enquanto ele se aproximava.

– Você estava parada no meio daquela pista olhando para o nada, Hermione! – ‘Desde quando me tornei Hermione para ele?’, pensei, atônita. – Você poderia ter morrido! No que estava pensando, menina? – continuou, enquanto me sacudia pelos ombros.

Imaginei que ele estivesse furioso por eu ter o desobedecido, no entanto Snape estava bravo por eu não ter reagido. Ele definitivamente precisa de um manual.

– Eu não estou entendendo, senhor...

– Isto aqui, Granger – disse, ainda mais estressado, enquanto apontava para a minha varinha – é a forma que tem de se proteger. Diga-me, já esqueceu como utilizá-la? Um dia com os dois idiotas e eles já deixaram seu cérebro danificado? – ele disse, ácido.

– Não diga o que você não sabe, Severo! – era eu quem estava furiosa, a ponto de não me importar com formalidades.

– Você deveria me agradecer por ter lhe tirado de lá. Se dependesse da sua agilidade já estaria morta ou sendo levada pelos outros comensais!

– E você estaria aliviado, não é? – perguntei, cruel, tremendo de raiva. Esperava uma resposta igualmente rude, no entanto ele hesitou, com os olhos negros intensos mantendo o contato. E aproximando-se ainda mais, disse com a voz carregada:

– Não diga o que não sabe, Granger. – e sem olhar para trás ele me deixou com aquelas palavras ecoando na minha cabeça. O que ele quis dizer com isso?

***

SNAPE

– Porque mesmo pensei que ela me obedeceria? — perguntei, balançando a cabeça em negativa.

O combinado era que na manhã do dia primeiro de agosto ela voltaria. Já se passava do meio-dia e nada da Granger voltar. ‘Menina teimosa’, disse, caminhando até a poltrona onde um copo de conhaque me esperava. Dez minutos se passaram e eu já estava de pé outra vez, e quando me dei conta estava andando em círculos.

– Essa garotinha petulante ainda vai colocar tudo a perder. Onde Alvo estava com a cabeça quando a colocou no meio disso? Como se ela já não fosse visada o suficiente: nascida trouxa, amiga do Potter, muito inteligente... – e foi enumerando os incontáveis motivos pelos quais ela corria riscos que me vi aparatando diretamente para A Toca. Sim, foi loucura, mas queria estar próximo se alguma coisa acontecesse.

Depois da tentativa falha do Lorde das Trevas de matar Harry Potter enquanto ele estava sendo escoltado por alguns aurores o havia deixado ainda mais nervoso. E como o Ministério estava cada vez mais infiltrado pelos comensais, poderia cair a qualquer momento. Apesar da confiança do Lorde em mim, ele não revelava todos os seus planos, e pelo que eu poderia supor um casamento seria uma ótima chance de invadir A Toca. ‘E ela está lá! Me fazendo esperá-la como um idiota’, resmunguei, nervoso. Contudo, o que me deixava mais nervoso não era o fato de estar esperando por ela, mas que algo pudesse lhe acontecer.

...

Eu estava furioso! Ela estava parada no meio daquela pista idiota, com pessoas correndo e gritando e aparatando, sem se mover! Olhando para o nada! Ela parecia não se dar conta do que estava acontecendo, só olhava para o vazio. Correndo o risco de ser visto, não pensei duas vezes e encarei a multidão até chegar nela com a ajuda de um feitiço. Sem avisá-la, a segurei pelos ombros e desaparatamos.

Já no chalé, Granger estava nos meus braços, ainda sem se dar conta do que tinha acontecido. E quando entendeu que já estava longe d’Toca e, pior, que se agarrava na minha capa, afastou-se imediatamente.

– O que aconteceu? – perguntou, claramente confusa, enquanto se esquivava.

– No que estava pensando, Granger? – perguntei, tentando controlar a fúria que eu sentia.

– Eu sei que não deveria ter ficado para o casamento... – começou, pesarosa – mas eu não podia deixá-los, eu... eu... – Não era por isso que eu estava furioso.

– Você estava parada no meio daquela pista olhando para o nada, Hermione! – ‘Desde quando eu a trato informalmente mesmo? Pro inferno a formalidade! – Você poderia ter morrido! No que estava pensando, menina? – sem pensar já estava sacudindo-a pelos ombros. E também se puder não me tocar mais, eu agradeceria. Todas as vezes que se aproxima acaba me machucando de alguma forma.”, eram essas as palavras que me lembraram de soltá-la imediatamente, temendo tê-la machucado.

– Eu não estou entendendo, senhor...

– Isto aqui, Granger, é a forma que tem de se proteger. – falei, enquanto apontava para a sua varinha – Diga-me, já esqueceu como utilizá-la? Um dia com os dois idiotas e eles já deixaram seu cérebro danificado? – disse, me arrependendo no instante em que os olhos dela faiscaram.

– Não diga o que você não sabe, Severo! – ela estava realmente furiosa... E eu mais, pelo modo como me enfrentava sem medo, sem reservas.

– Você deveria me agradecer por ter lhe tirado de lá. Se dependesse da sua agilidade já estaria morta ou sendo levada pelos outros comensais!

– E você estaria aliviado, não é? – e pronto, foi o suficiente para eu não saber o que dizer. Eu era realmente um monstro para ela.

– Não diga o que não sabe, Granger.

***

– Talvez eu tenha exagerado. Tudo bem, eu exagerei. No que estava pensando quando falei com ele daquele forma? Como se ele não se importasse com a morte de outra pessoa... – falava incansavelmente para si mesma uma Hermione atordoada. – Ótimo! Agora vou ter que pedir desculpas a ele!

Ela deu inúmeras voltas do lado de fora da chalé, com o vestido esvoaçando de um lado para o outro e os sapatos de salto nas mãos. E Severo Snape apenas a observava pela janela, divertindo-se. Ele quase podia escutar os pensamentos da menina, que brigavam dentro dela, deixando-a confusa. “Se eu a conheço bem”, pensou, “ela deve estar arrependida do que me disse... E não dou dois minutos até que o sentimentalismo grifinório vença o orgulho e a faça vir me pedir desculpas”, completou, deixando um sorriso malicioso escapar dos lábios.

Em menos tempo que isso e Hermione fez exatamente o previsto por ele. Subiu cautelosamente as escadas que davam para a fachada do chalé, pensando no que e como falar. Respirando fundo, recuperou a coragem e entrou.

Snape estava sentado em sua poltrona e bebia o seu whisky quando Hermione parou próxima a porta. Ele olhava para a lareira enquanto esperava que ela falasse alguma coisa. No entanto, para a surpresa dele, ela passou pela sala diretamente para a cozinha, e no minuto seguinte estava de volta com uma garrafa de cerveja amanteigada em uma mão e um copo em outro. Sem a menor cerimônia, a bruxa sentou no tapete e encheu o copo. Severo apenas a olhou intrigado, e foi quando ela levou o copo a boca e deu um longo gole que ele se pronunciou:

– Granger, o que está fazendo? – perguntou, com o seu melhor olhar de indiferença.

– Bebendo! – ela respondeu impaciente, como se dissesse ‘Não está vendo?!’.

– Sim, estou vendo. Mas eu não me lembro de ter te convidado para se juntar a mim.

– Claro que não, senhor, e suspeito que nunca fará algo parecido. – e deu outro longo gole. – Enfim, me desculpe pelo que eu disse mais cedo. Não quis soar tão fria.

– Granger, não precisa ficar bêbada pra dizer que sente muito.

– Não estou bêbada, e eu não estou bebendo por isso. – e com um último gole eliminou todo líquido do copo.

– Não acha melhor ir com calma? Não estou nem um pouco interessado em te carregar escada acima... – ele disse, de mau-humor.

– Eu sei o que estou fazendo, professor. – respondeu, irritada por estar sendo controlada.

– Tudo bem, mas se quer beber é melhor comer alguma coisa antes. Se não fosse a sua brilhante luta em defesa dos elfos domésticos certamente haveria um aqui para preparar uma comida decente, ao invés das porcarias que vem comendo nas últimas semanas.

– Não pretende trazer nenhum, pretende?

– Para você libertá-lo antes mesmo dele terminar o jantar? Não, Granger, estou tentando não me irritar com você mais do que o normal. – disparou, voltando o olhar para a lareira.

– Que honra, professor! – ela respondeu, irônica, rindo um pouco mais que o necessário.

– Posso te fazer uma pergunta? – continuou, deixando o copo vazio de lado.

– Não.

– Mesmo assim vou perguntar. Eu quero aprender oclumência. O senhor poderia me ensinar? E antes que diga outro ‘não’, quero expor meus argumentos. – disse a jovem, tentando pousar de sabe-tudo e falhando miseravelmente ao tropeçar as palavras.

– Argumentos? – zombou ele, divertido. Não era todo dia que se via a comportada Hermione Granger alterada, mesmo que minimamente.

– Sim... – ela o ignorou, continuando — Suponhamos que você-sabe-quem queira me ver em algum momento... Tenho que aprender a controlar meus pensamentos e a filtrar o que ele pode ou não ver. – concluiu, satisfeita.

Snape ponderou ao respondê-la, pois sabia que ela estava certa. ‘Menina irritante’, pensou. E de fato ele já havia pensado na possibilidade de ensiná-la antes, mas prometeu a si mesmo que não deixaria que Voldemort se aproximasse tanto da garota, a ponto dela ter que aprender como controlar os pensamentos. Mas se tratava do Lorde das Trevas, e não era prudente arriscar.

– Granger, pare de me olhar assim! – disse, estressado.

– Assim como, senhor? – perguntou inocente.

– Assim! – gesticulou com as mãos, apontando para o rosto dela – Com esse olhar de quem está pedindo algo extremamente valioso. – completou, bufando, e voltando o olhar para a lareira.

– Mas eu estou... – disse, dando de ombros – Bem, de certa forma. – completou, corando.

– Não vou negar que seria importante que aprendesse...

– Então vai me ensinar?! – perguntou empolgada, deixando um sorriso há muito contido se abrir. E Snape, que insistia em fixar o olhar no crepitar da lareira, o desviou para a garota, preparado para zombar da sua excitação. Mas foi desarmado pelo sorriso estonteante que ela abriu. E o melhor: o sorriso era, de certa forma, para ele.

– Tudo bem, Granger. – concordou, depois um pigarro. – Mas antes de ficar animada, saiba que eu vou exigir muito. A arte da oclumência não é fácil de ser desenvolvida... – falava Snape, arrancando olhares atentos da jovem grifinória – O Potter não obteve sucesso no seu aprendizado. Espero que seja diferente, Granger. Não vou ficar desperdiçando meu tempo mais do que o necessário com a senhorita. Fui claro?

– Perfeitamente, senhor. – disse Hermione, concordando com a cabeça enquanto se levantava. E talvez tenha sido o dia cansativo e dramático, ou o fato de ela não ter comido praticamente o dia todo, ou talvez o álcool que ela não estava acostumada, mas ao levantar milhares de pontos coloridos dançaram a sua frente, fazendo-a vacilar e perder o equilíbrio. Em questão de segundos Snape se levantou e a segurou firme pela cintura.