Notas iniciais
TÃO feliz com o retorno de vocês em relação ao capítulo anterior. Li os reviews e mensagens inúmeras vezes, apreciando cada palavrinha positiva. MUITO OBRIGADA, isso faz toda a diferença! O capítulo de hoje é mais... cotidiano. É uma coisa que sempre senti falta nas fics - mesmo naquelas que considero perfeitas. Geralmente tem muito sexo e pouco depois. E isso é bem essencial, pelo menos para mim. E em uma relação delicada como a de Severo e Hermione, considero ainda mais crucial. Enfim, aproveitem!

Hermione

Os dedos dele brincavam na minha barriga, fazendo contornos no umbigo. Seu sorriso travesso era tão novo... tão maravilhoso. Tinha completa noção do meu sorriso bobo ao vê-lo tão carinhoso, testando minhas reações. Logo as mãos deixaram minha barriga para dar lugar a suaves beijos, que se espalhavam molhados por todas as partes.

Conversávamos sobre bobagens, nos olhávamos como se quiséssemos guardar aqueles momentos em todos os cantos da nossa memória. A expressão relaxada dele era um conforto para o meu coração, e eu não podia imaginar nada melhor que aquilo.

Gargalhei quando Bichento nos flagrou embolados no que costumava ser o seu tapete. E gargalhei ainda mais quando Severo tentou expulsá-lo direcionando o olhar mais digno do mestre de poções. Minha bola de pelos, no entanto, o olhou indiferente para depois se enrolar na outra extremidade do tapete, mostrando claramente que não se intimidava com Severo.

– Talvez ter uma dona tão intempestiva tenha o acostumado, então... – provocou, sorrindo pelo canto da boca.

– Intempestiva? Claro que não... – provoquei de volta, sorrindo pela minha mentira deslavada.

– Só me lembre de não ser mais o alvo da sua fúria. – o tom foi de brincadeira, mas eu sabia que ele estava falando sério. Eu o conhecia suficientemente para saber o quanto ele temia me magoar de alguma maneira.

– Não vai... – sussurrei, tirando algumas mechas do seu rosto. Senti seu corpo estremecer com o toque simples... Sorri como boba quanto a isso. De novo.

Quando ele abriu os olhos novamente, havia um brilho tão intenso que me senti hipnotizada. O quanto havia por trás daquele olhar? Quanto o passado dele ainda vivia no presente?

– Não sabia que tinha sardas... – ele disse de repente, me fazendo acordar dos pensamentos sombrios – Como não percebi isso antes? — alguma coisa nele me dizia que estava mentindo, que sim, já havia notado. Mas resolvi entrar no jogo e responder a pergunta, fingindo ainda ser imune aos seus sinais; fingindo não saber como interpretá-lo por completo.

– Eu as escondia com feitiços... – revelei, recebendo um olhar curioso em resposta. – Imagine ter dentes grandes, um cabelo cheio e sardas?! – expliquei, fazendo uma careta com a imagem Hermione Granger criança.

– Você não faz ideia do quanto é linda? – Céus! Linda?! – A maioria das pessoas se enfeitiçam para ficarem mais bonitas – ou qualquer coisa perto disso, e você é a única que esconde... – ri pelo comentário, fazendo-o sorrir de volta. Estávamos deitados de lado, roçando os pés, enquanto nossos olhares tentavam transmitir o que aquele momento significava para cada um de nós.

– Não sou tão forte quanto aparento ser. – declarei de repente – Às vezes só quero sentar em um canto e chorar, e dizer que não estou pronta para essa guerra. Mas ninguém se importa muito, sabe? É como se todos pudessem jogar suas expectativas em mim esperando que eu as resolva. – Não sei o porquê de dizer isso para ele, mas me pareceu certo aproveitar o momento íntimo para declarar alguns de meus medos, talvez esperando que ele também o fizesse.

– Não há nenhum problema em admitir que não damos conta de tudo... – respondeu não muito convincente, já que ele mesmo não seguia o próprio conselho. Ergui a sobrancelha por isso. Ele bufou diante a minha imitação barata do seu trejeito e emendou – Ok, dar conselhos que eu siga, certo? – concordei, sorrindo.

– Talvez tenhamos que aprender juntos, então... – murmurei, me aproximando mais dele.

– Talvez já estejamos fazendo isso. – E aquele olhar, aquele corpo, aquele sorriso, aquelas mãos... aquela boca. Eu precisava senti-lo de novo. E de novo, de novo... Sempre.

Surpreendi com um beijo, colando meu corpo no dele, entrelaçando nossas pernas. Ele prontamente respondeu, rolando para cima de mim e prendendo minhas mãos ao lado do corpo. Estremeci com minha posição vulnerável, e senti meu corpo implorar para ser tocado, beijado... preenchido.

Senti sua língua em volta do meu seio, lambendo-o, enquanto uma das mãos apertava o outro com força. Tão bom. Logo a mão que apertava meu seio desceu por entre as minhas pernas, apertando a parte interna da coxa. Eu não sabia o que sentir... A presença dele era marcante em todas as partes; em cima, embaixo, dos lados... dentro. Tudo era Severo. Seus toques ardiam, possessivos e firmes. Deuses.

– Severo... – gemi quando seus dedos entraram em mim. Movimentos circulares, pressão, alívio, entra, sai, gemidos, pressão, movimento, entra, sai... entra. Severo! Eu nem ao menos sabia que podia sentir todas essas coisas.

Nenhum som coerente saiu da minha garganta quando ele finalmente me penetrou, fundo. Meus gemidos pareciam deixá-lo ainda mais excitado, embora controlado para não me machucar ou se render; trouxe seu corpo para mais perto enroscando meus pés nas suas panturrilhas. Nossos lábios se encontraram num beijo descompassado, mãos apertavam o corpo um do outro, tentando segurar alguma coisa enquanto nossa consciência se perdia no ápice do prazer.

Tremendo, soltei Severo do meu abraço aos poucos, sentindo-o me deixar para deitar-se de lado. Logo seus braços me puxaram para o seu peito e, ofegantes e suados, dormimos.

...

O dia amanheceu frio e úmido, e Hermione acordou sozinha na aconchegante sala. Sorrindo sozinha, ela passou os dedos na bochecha como que mentalizando os locais por onde os lábios dele haviam passado, e olhando para a almofada que há pouco ele dormiu, tateou se perguntando onde ele poderia estar. Foi uma entrega pura, de alma e de corpo. E Hermione estava irradiando felicidade.

Acariciando Bichento que jazia enrolado próximo a lareira, ela vestiu o roupão e seguiu a procura dele. Como previa, estava só. Imaginou que ele fugiria, mas desejava ardentemente que ele ficasse, que não fosse tão complicado. Algumas lágrimas insistiram em cair enquanto ela sentia a solidão do lugar, até que a presença que tanto a completava surgiu.

– Tive que resolver alguns assuntos em Hogwarts. – disse o bruxo, depois de um pigarro. Hermione, sem se dar conta dos olhos vermelhos, virou-se bruscamente sob a incredulidade de saber que ele estava ali. – Eu deixei um bilhete desta vez! – completou Snape, em tom de desculpa.

– Eu não vi nenhum bilhete! – respondeu, entre divertida e indignada.

– Então a culpa não é minha... – rebateu, aproximando-se lentamente. Hermione suspirou e fechou os olhos enquanto os dedos ásperos limpavam uma lágrima que escorria, para depois beijá-la na testa.

– Pensei que tinha se afastado de mim... – declarou, um pouco angustiada.

– Admito que foi a minha primeira ideia. – admitiu, em sussurro – Mas não acho que tenho forças para resistir a uma irritante-sabe-tudo. – brincou, mordiscando o lóbulo da orelha de Hermione.

– Me chame de irritante-sabe-tudo novamente e... – começou, fingindo irritação, mas foi interrompida por um beijo inesperado. – Não pude resistir. Perdoe-me... – desculpou-se após se afastar de uma Hermione corada e sem ação.

– Está... tudo bem – disse, com dificuldade, olhando para o chão.

Silêncio.

– Isso é estranho... – falou Hermione.

– Terrivelmente estranho. – concordou Snape, encostando na parede.

– Como será agora? – perguntou a jovem, franzindo a testa.

– Não faço ideia. – respondeu, sincero.

– Seria mais fácil se você ainda fosse o temível professor de poções e eu a irritante-sabe-tudo... Rótulos facilitam as coisas. Mas agora eu simplesmente não sei como agir em relação a você. – declarou, suspirando angustiada. E ao encará-lo, percebeu que sua máscara havia cedido para um quase imperceptível tom de frustação, que jamais seria notado por alguém que não o conhecesse. Mas Hermione conhecia, e tratou rapidamente de desfazer o mal-entendido.

– Não estou arrependida, se é o que está pensando. – explicou a jovem, aproximando-se do bruxo.

– Não faço ideia do motivo que te levou a acreditar tanto em mim. – admitiu, encarando-a – Você é louca – bufou, fazendo-a sorrir. E lentamente quebrou a pouca distância que os separava, aproximando os lábios aos de Hermione, suavemente, enquanto as mãos perpassavam a cintura fina.

Hermione, reunindo a coragem e driblando a inexperiência, decidiu ficar mais ousada ao intensificar o beijo, dando mais liberdade a Snape. O homem estremeceu com a atitude dela, apertando-a ainda mais contra ele à medida que as mãos brincavam de subir e descer pelas costas da jovem de modo possessivo.

Ofegante, Snape encostou a testa na de Hermione, que respirava com dificuldade. Tímida, ela não conseguiu fazer mais nada além de sorrir para o homem que a olhava preocupado, como se dissesse a ele: está tudo bem, nós dois fizemos isso.

Com muita dificuldade separaram-se, enquanto Snape rapidamente assumia a velha postura. Hermione riu internamente, pois sabia que ainda teriam que viver muito até que ele realmente se sentisse confortável em estar com alguém. E ela não se importava nem um pouco em esperar.

– Bom... – hesitou depois de um pigarro, totalmente desconfortável. Hermione, apesar da timidez que a consumia, parecia mais à vontade com o momento, já que foi ela quem contornou a situação.

– Alguns estoques de poções ficaram em baixa depois que... bem, você sabe. Então pensei em cuidar disso. – declarou, num tom Hermione Granger.

– Ótimo. E eu tenho que voltar à Hogwarts. – respondeu, bem digno a um mestre de poções.

E de novo um silêncio. Ele a beijava? Ela se despedia apenas com palavras? Como seria a partir de agora?

– Então eu vou indo para o laboratório... – declarou Hermione pausadamente, instigando-o a tomar alguma atitude. Contudo, ele apenas assentiu e abriu espaço para que ela passasse. Confusa e constrangida, a bruxa seguiu o seu caminho pensando em como ele podia enganar Voldemort ficando no meio de uma guerra e ficar deslocado na presença dela.

Snape, por sua vez, se achou o mais completo dos idiotas. ‘Velho tolo!’, xingou-se mentalmente. ‘Não é como se estivesse diante o seu maior desafio, é só se despedir dela!’, continuou irritado, andando de um lado a outro da cozinha. Quase meia hora depois, Snape seguiu escada acima rumo ao laboratório, decidido a mostrar a Hermione que ele não era o idiota que demonstrou ser.

Quando entrou, encontrou a jovem de costas para a porta, já concentrada em começar sua poção. Os cabelos pediam rebeldes num coque mal feito, dando-lhe um ar ainda mais natural que emprestava à sua beleza uma singularidade que inebriava o bruxo.

Aproximando-se silenciosamente, colocou as mãos nos ombros de Hermione, assustando-a. Mas logo a boca de Snape já estava brincando no pescoço dela, fazendo-a perder-se totalmente.

Severo deslizou os lábios do pescoço até o lóbulo da orelha, enquanto as mãos passavam da cintura até a barriga, fechando-a num abraço. Totalmente entregue, Hermione pendeu a cabeça para trás, sem forças, ofegante com o simples toque, e Snape deliciava-se com as múltiplas sensações que provocava na jovem. E num estilo um tanto sonserino, sussurrou com a voz arrastada:

– Só vim me despedir, senhora Snape. – completou, malicioso, vendo que ela acordava do transe completamente corada. E a deixou pedindo mais, sorrindo pelo canto do lábio enquanto ela tentava proferir alguma ofensa.

– Seu... seu... bastardo sonserino! – disse, irritada, fazendo-o rir ainda mais.

E parando sob a soleira da porta, continuou: — E a propósito, essa poção está pior que as do Longbottom. – e girou os calcanhares, deixando uma Hermione indignada para trás.

– Snape! – gritou, mas ele já havia saído. – Como ele pode? Arrogante, sonserino, e... – ao tentar pensar em mais adjetivos, parou ao se lembrar do toque e da presença dele. Ela era tão e completamente apaixonada por ele. – Droga.

Notas finais
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