A sua cor
13 O Casamento
Notas iniciais
Hermione não conseguiu dormir durante o restante da noite, e quando finalmente estava sendo vencida pelo cansaço os primeiros raios de sol chegavam à janela. Exausta, ela levantou sonolenta e cutucou Gina, que dormia profundamente.
– Gina! – sussurrou.
– Huum... – resmungou, virando de costas.
– Gina, acorda! – chamei, sacudindo-a.
– Hermione, ainda é muito cedo... – retrucou, mal-humorada.
– Estou indo embora... — disse, pesarosa.
– O que? Porque?! – perguntou, se levantando enquanto esfregava os olhos.
– Foi o combinado. Não posso ficar para o casamento... – respondi, dando de ombros.
– Mas Hermione! Não sabemos quando poderemos te ver novamente...
– Eu sei, Gina. Mas é arriscado... Estou como prisioneira dele para todos os efeitos, lembra? E prisioneiras não saem para passear.
– Você vai se despedir deles? – perguntou, com o olhar triste mas compreensivo. E Hermione limitou-se a apenas um aceno afirmativo com a cabeça.
– Boa sorte... – disse a ruiva, enquanto abraçava a amiga. — E pensa em tudo que lhe falei...
– Gina... – Hermione a repreendeu.
– Não fala nada agora, Hermione. Só pensa...
– Você é impossível, sabia? E por favor, toma cuidado. Não sabemos ainda como serão as coisas em Hogwarts.
– Eu sei... Fica tranquila, vou me cuidar.
– Vou sentir saudades... – disse Hermione, abraçando Gina novamente.
– Eu também... – respondeu a ruiva, com a voz um pouco embargada – E pode deixar que cuidarei do Bichento pra você! – completou, recuperando a voz.
– Obrigada... – Hermione, no entanto, não escondia as lágrimas. – Vamos nos ver em breve. – completou, parando na soleira da porta.
– E Hermione! – gritou Gina, sorrindo maliciosamente – Manda um abraço para o professor... – e quando Hermione ameaçou lançar uma azaração, Gina fugiu para dentro do quarto, batendo a porta atrás de si enquanto gargalhava.
...
A cena era no mínimo divertida. Rony dormia esparramado pelo colchão, com os fios ruivos embaraçados e a boca aberta. Já Harry dormia com a expressão tensa, e algumas gotas de suor salpicavam sua testa. ‘Provavelmente teve pesadelos durante a noite’, pensou Hermione.
– Tinttilando! – azarou a bruxa, não contendo o riso.
Em poucos segundos Harry e Rony se contorciam em cócegas, gargalhando incontrolavelmente.
– Her...her...hermi... – tentavam falar, em meios aos risos – Para! Por... por... favor!
– Finito! – contra azarou a jovem, rindo.
– Droga, Hermione! O que foi isso? – bradou o ruivo, mal-humorado, enquanto Harry ria sonoramente.
– Só queria acordá-los de um jeito diferente... – respondeu, inocente – E também me despedir.
– Despedir?! – perguntaram em uníssono.
– Não posso ficar para o casamento... E antes que me interrompa, Rony, vocês sabem muito bem o motivo.
– Ninguém aqui vai dar um de espião para você-sabe-quem, Hermione! – disse Rony, tentando convencê-la. Mas antes que Hermione pudesse argumentar, Harry interveio.
– Hermione, nós sabemos que tem que ir embora. Mas por favor, fique mais um pouco. – pediu o menino-que-sobreviveu – Não sabemos quando iremos nos ver novamente, e nem o que vai acontecer... Então, por favor, fique mais um pouco. – implorou, de maneira atípica, o que foi suficiente para Hermione desejar correr o risco. E abrindo um sorriso característico, ela que só precisava de mais um bom motivo concordou.
– Mas eu nem mesmo tenho um vestido!
– Fleur tem o suficiente para vestir todo o mundo bruxo – disse Rony – É só fazer alguns ajustes. – completou, ganhando um olhar fuzilante de Hermione e um cutucão de Harry.
– Ai! O que foi que eu disse? – perguntou, enquanto massageava o braço.
– Não precisa de ajuste nenhum, Ronald. Ela pode ser parte veela mas meu corpo não é muito diferente do dela. – respondeu, com o olhar queimando.
– Nossa, desculpa! Seu humor está parecendo com o do Snape... – disse, torcendo o nariz.
Por um momento tanto Harry quanto Rony pensaram que Hermione lançaria outra azaração, contudo, ela apenas riu. Na verdade, gargalhou.
– Desculpem... É que talvez você tenha razão, Rony. Acho que mau-humor é contagioso, e o Snape tem de sobra!
– Mas você disse ontem que não era tão ruim assim... – instigou o ruivo.
– Sim, não tanto quanto eu imaginei. – respondeu, pensando que na verdade não estava sendo ruim. — Mas vamos deixar esse assunto de lado e descer... Ainda preciso encontrar uma roupa pra mim!
...
O pomar estava muito bonito, com uma longa marquise que se estendia por todo o local, abrigando mesas e cadeiras douradas. Mas nenhuma decoração fazia A Toca perder seu requinte característico, que se impunha apesar de todos os enfeites. E dentro do quarto, uma noiva ansiosa e mulheres empolgadas soltavam gritinhos de excitação.
– Fleur! Você está... linda! – disse Molly, sincera. Apesar de a loira ser um tanto irritante, todos reconheciam seu amor por Gui e estavam aprendendo a lidar com o gênio forte da moça. E Molly não poderia desejar que seu filho tivesse um destino mais feliz que casar-se com alguém que o amasse verdadeiramente.
– Obrigada, Molly... – respondeu com o sotaque francês carregado enquanto a abraçava, selando um acordo de paz. Até que uma Hermione insatisfeita irrompeu à porta.
– Não sei, tem alguma coisa errada com esse vestido... – ela disse, olhando para o próprio corpo enquanto apontava as mãos para o tecido. E todo o murmurinho das mulheres presentes cessou. Ela estava linda. Os cachos pediam pelas costas, castanhos e brilhantes, enquanto uma maquiagem leve marcava quase imperceptivelmente o rosto, dando mais vida aos lábios. O vestido era um lilás esvoaçante, que mostrava toda a beleza que Hermione insistia em esconder por trás dos velhos jeans e das blusas de frio.
– Hermione... Está incrível! – exclamou Gina, que também não ficava atrás. O cabelo, que parecia ainda mais vermelho, contrastava com a pele clara. O vestido, apesar de simples, não ocultava nem um pouco sua beleza natural.
– Só espero que não mais que a noiva! – brincou Fleur – E o vestido é assim mesmo, está perfeito.
– Você deveria se arrumar mais vezes, querida. Está realmente linda... Todas estão! – disse Molly, chorosa.
E assim, empolgadas, as mulheres ajudaram Fleur a se arrumar – embora não precisasse de muito – e a conduziram para onde aconteceria a cerimônia.
Tudo parecia correr muito bem... Os convidados se acomodaram perfeitamente e deliciavam-se com as bebidas servidas. Por um momento, todos tentaram esquecer o que acontecia além das proteções d’Toca e buscaram se divertir.
A cerimônia aconteceu de maneira emocionante, e tanto Fleur quanto Gui irradiavam felicidade. Depois que o casal sumiu na multidão que os parabenizava, Hermione e Rony foram para a pista e dançaram juntos, enquanto Luna rodopiava sozinha e ‘Harry’, disfarçado, – por precaução havia tomado a poção Polissuco – conversava com Victor Krum.
Algum tempo depois, uma Hermione feliz e cansada aproximou-se de um Harry atônito.
– Harry, está tudo bem? – perguntou ela, franzindo a testa. Mas antes que ele pudesse responder, uma luz prateada parou no meio da pista de dança, dando vida à voz de Kingsley.
– O Ministro caiu. Scrimgeour está morto. Eles estão chegando.
***
Hermione
Tudo aconteceu muito rápido. Olhei para Harry desesperada e logo depois voltei meu olhar para pista, a procura de Rony.
– Rony, onde está você?! – gritava, com a voz vacilando.
Poucos segundos depois vários comensais invadiram A Toca, e a angustia se tornou geral. A proteção havia caído. E foi então que percebi que era o momento de me separar de Harry e Rony. Tão rápido quanto encontrei Ron, entreguei a bolsa reduzida para Harry e os instruí a aparatar, fazendo com que um segurasse o braço do outro. Por um nano segundo cogitei ir com eles, já que era muito, muito difícil deixá-los... Então eles me lançaram um olhar compreensivo enquanto os meus só mostravam lágrimas, e antes que eu tivesse a chance de dizer qualquer coisa, ou mesmo de agarrá-los para aparatar também, eles partiram.
Não sei quanto tempo fiquei parada olhando para onde eles estavam, só sei que não tinha a mínima vontade de sair do lugar. Ouvia as pessoas gritando e os feitiços passando por cima da minha cabeça, mas eu só conseguia pensar se tinha feito a coisa certa. Tudo que parecia ter acontecido tão rápido há poucos segundos ficou lento, e a varinha em minha mão se tornou inútil, já que eu não tinha a mínima pretensão de me mover. E antes que pudesse me dar conta, a sensação característica de aparatar me surpreendeu, e quando eu pude enxergar novamente já estava no chalé, nos braços de Severo Snape.
...
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