A sua cor
5 Lar
Notas iniciais
Seguindo as instruções de Dumbledore, Hermione organizou seus pertences em sua bolsa utilizando o Feitiço Indetectável de Extensão e acessou a chave de portal que o diretor lhe dera para chegar até a casa que, agora, seria dela e de Snape.
O portal a levou para um lugar que ela nunca tinha visto antes, mas que lhe parecia intimamente familiar...
Hermione
Lembrei-me das palavras de Dumbledore quando perguntei ‘Mas como vou saber qual é a casa certa, senhor?’, e ele simplesmente respondeu ‘Acredite, você saberá minha jovem... Você saberá’, e deu a sua risadinha tão típica. Senti saudades dele. É estranho como que, mesmo não tendo um contato tão íntimo com alguém, podemos sentir a sua falta. Senti meus olhos marejarem, mas logo expulsei os sentimentos nostálgicos e segui em direção a única casa que existia nos arredores.
Quanto mais eu me aproximava, mais estonteada ficava. Não era bem uma casa, era mais um chalé. Rústico, no meio das árvores e das rochas. Era lindo. Por um momento não soube como agir: se continuava andando para entrar logo ou se ficava estagnada admirando aquela paisagem que parecia ter saído direto de um quadro. As minhas pernas involuntariamente decidiram por mim, e quando percebi já estava na varanda da entrada, sentindo as proteções da casa me reconhecerem.
A varanda parecia circundar todo o chalé, e a porta imponente de madeira se abriu sozinha para mim. Hesitei, com medo. Era o passo para uma vida muito diferente da que eu imaginei, se é que eu já havia imaginado alguma. Nada parecia importar mais que notas excelentes, e agora a guerra iminente me fazia pensar no quanto tal preocupação ficara distante. Com uma longa respiração e um pedido silencioso de ‘calma’ para o meu coração acelerado, entrei.
Minha boca parecia não querer se fechar diante do que eu via. A sala era linda, mas não por ter uma mobília impecável ou por ser majestosa. Ao contrário disto, ela era pequena e aconchegante, com um teto um pouco baixo e um longo tapete que se estendia por todo o chão até a lareira. No canto esquerdo, uma estante abrigava inúmeros livros, cobrindo toda a parede lateral. A luz baixa deixava o ambiente ainda mais agradável, instigando ainda mais minha vontade de me encolher na poltrona em frente a lareira e adormecer com um livro nos braços. Por um motivo que eu desconheci no momento, ela – a poltrona – chamou a minha atenção. Balançando a cabeça para as minhas estranhas sensações, continuei meu trajeto. Segui por um corredor que parecia ser longo demais para uma casinha que aparentava ser tão pequena, e no final dele tive outra surpresa. A cozinha era clara – apesar do aspecto rústico – e toda de vidro. E era justamente o que eu via por trás do vidro que me deixou boquiaberta: o mar. Como eu presumia, a varanda circundava mesmo toda a casa, e ao alcançar a cozinha se tornava extensão desta. Havia uma clareira linda nos fundos da casa, e com uma pequena caminhada podia-se chegar à praia. E o que eu imaginei ser um chalé escondido no meio de uma floresta acabou se revelando muito mais do que isso.
Depois de longos minutos admirando a praia, continuei meu trajeto. Voltando para o corredor me deparei com uma porta entreaberta à esquerda. Parecia um escritório, com muitos livros que se amontoavam pela estante, chão e mesa. Alguns pergaminhos também se espalhavam meticulosamente organizados em um baú lateral e eu rapidamente reconheci a letra: fina e apertada. Era dele. Um frio percorreu todo o meu corpo só de imaginar que ele já havia ido à casa e que, pelo que parecia, a frequentava por um tempo considerável. ‘Hermione, deixa de ser estúpida!’, falei para mim mesma. ‘Você vai viver com ele, afinal de contas!’. Com silenciosos passos saí do cômodo e segui pelo corredor até chegar a sala de jantar. De todos os cômodos, este parecia ser o maior e mais majestoso. Uma longa mesa de madeira a preenchia, e velas pendiam do teto deixando o ambiente agradável. Vi jantares acontecendo ali, entre amigos, mas logo me senti idiota por imaginar algo tão surreal.
Uma singela escada de madeira levava para o ambiente superior, e percebi assim que subi que haviam três cômodos. O primeiro deles parecia ser o meu. Tinha tons pasteis nas paredes e uma cama de casal. A mobília era delicada, clara, e no canto esquerdo havia uma estante com muitos livros, e passando pelos títulos pude ver que se tratavam de contos infantis. Achei no mínimo estranho, mas afinal de contas este era Dumbledore. O segundo cômodo estava vazio, mas as paredes tinham um tom tão leve que parecia ter sido feito para uma criança. E o terceiro estava trancado, então presumi que seria o de Snape. Minha curiosidade superava qualquer noção de perigo, então tentei de todas as formas abrir a porta do quarto, mas nenhuma das minhas tentativas funcionava. Estava decidida a desvendar o segredo de proteção, mas um barulho no andar debaixo me fez congelar.
– Professor Snape? – chamei, enquanto descia os degraus, com a varinha em punho. Mas ninguém respondeu. – Professor? – chamei mais alto.
O silêncio irrompeu novamente, e quando eu já havia decidido que estava escutando coisas um gemido veio da cozinha. Reuni minha coragem e segui o som. Era ele.
– Professor Snape? O que aconteceu?! – perguntei, sinceramente preocupada, ao vê-lo encostado na bancada, se contorcendo de dor. Involuntariamente me aproximei dele, tentando ajudá-lo a se manter de pé.
– Esqueça, Granger. Não preciso de ajuda. – ele sibilou, mal olhando para mim.
– Mas senhor...
Antes que eu pudesse continuar ele saiu, com certa dificuldade, e se trancou no escritório, batendo a porta. Pasma, fiquei longos minutos olhando para onde ele estava.
– Começamos bem... – sussurrei para mim mesma. – Começamos bem...
...
Não sabendo como agir após a reação de Snape, Hermione apenas seguiu para o seu quarto para fazer o que sabia de melhor: estudar. Tirou de sua bolsa os livros sobre Horcruxes que havia conseguido ainda em Hogwarts, logo após decidirem que largariam a escola para caçá-las. Um leve tremor passou por ela enquanto segurava ‘Segredos das Artes das Trevas’, imaginando que Tom Riddle pudesse ter conseguido as informações que queria através deste mesmo livro.
– Impregnado de Magia Negra, provavelmente. – murmurou.
“Uma horcrux depende do objeto que a está protegendo, sendo assim, uma vez destruído a parte da alma contida também estará destruída.”
– É claro! – ela gritou para si mesma – Uma vez destruído o objeto a alma também se vai, não pode simplesmente se ‘agarrar’ a outro corpo material! – completou, extasiada pela descoberta.
“Tão forte quanto a própria alma repartida é o objeto que pode destruí-la”
– Tão forte quanto a própria alma repartida é objeto que pode destruí-la – ela leu em voz alta – tão forte quanto... é o objeto que pode destruí-la – repetia, franzindo a testa. – Tenho que mostrar isso para o Harry... – murmurou, mas antes que pudesse se dar conta, um vulto negro a encarava pela soleira da porta.
– Ora, ora, Granger... Não é que a grifinória cheia de princípios resolveu mesmo apelar para a Magia Negra? – falou ele, ácido.
– O senhor me assustou! Custava bater? – ela retrucou, com a mão no coração.
Enquanto ela se acalmava, Snape aproveitou para observá-la novamente, e logo os olhares de ambos se encontraram. Fitaram-se por longos segundos, sem saber o que falar um para o outro. Até que a coragem grifinória venceu.
– Belo chalé, não acha? – ela disse, numa tentativa de iniciar uma conversa. – Dumbledore sempre me surpreende.
– Surpreende?! — respondeu, levantando o canto inferior do lábio – É um belo eufemismo para ‘assusta’. — continuou, bufando.
Hermione riu, assustando a si própria e ao seu professor, que até então não havia se dado conta que tinha sido, no mínimo, agradável.
– Desculpe, senhor. – ela respondeu, recompondo-se.
– Nós temos que conversar, Granger. Organizar nossas tarefas aqui. Tenho uma lista de poções que precisam ser feitas, e alguns estoques de poção polissuco que estão em andamento. Não sei o que você e os outros dois estão planejando ao certo, mas creio que precisarão. Não terá problemas em acompanhar a polissuco, terá? – perguntou, irônico, deixando uma Hermione mais vermelha que os cabelos de Gina.
– Não, não terei problemas senhor. Eu já... – hesitou – a estudei muito. Em livros, digo.
– Sei... – respondeu, de forma lacônica. – Me acompanhe, Granger.
Rapidamente a moça se levantou e seguiu seu professor. Passando pelo quarto cuja porta estava trancada, Hermione não hesitou em perguntar.
– Desculpa, senhor, mas... Este é o seu quarto?
Snape apenas parou, e sem se virar apenas a olhou por cima do ombro.
– Não.
– E onde dorme, então?
Parando ao fim do corredor que parecia ter se esticado magicamente, ele finalmente a olhou.
– Acredito que isso não seja de seu interesse, Granger. – e com sua varinha em punho, murmurou um feitiço enquanto a encostava na parede. – Para abrir a sala em que faremos as poções é só dizer “Ostende te”, e apenas encoste-a na parede. As proteções já estão programadas para reconhecê-la.
Assentindo, Hermione seguiu seu professor enquanto uma grande sala se revelava. O perfume que exalava do conjunto de ingredientes era delicioso, pelo menos para ela que apreciava poções. O teto era baixo, e parecia ser segurado por algumas colunas de mármore. O chão amadeirado deixava o ambiente mais confortável, enquanto uma janela permitia uma linda vista para a floresta. Mas antes que a bruxa pudesse apreciar, Snape fechou as cortinas apenas com um aceno, fazendo uma Hermione frustrada o olhar imediatamente.
– Não gosto de muita claridade. – disse, com desdém.
– Mas eu gosto. – ela retrucou, indignada.
– Então é uma sorte que possa ir lá fora aproveitar toda a luz que o sol possa te proporcionar. – respondeu, satirizando da maneira mais cruel que conseguia.
Hermione fechou as duas mãos com força, como tentativa de segurar toda a sua vontade de respondê-lo. Mas com alguns segundos ela se recompôs e o respondeu igualmente irônica.
– E é uma sorte que o senhor prefira ficar aqui dentro. – disse inocente, em tom ameno. E na expressão interrogativa de Snape ela continuou – Com todo esse preto o senhor poderia nublar a minha vista. – e com um sorrisinho ‘inocente’ ela começou a andar pela sala, dedilhando os inúmeros frascos que se estendiam pelos armários e bancadas.
Enquanto a jovem fazia seu percurso extasiada, o professor se viu perdendo-se em seus devaneios uma terceira vez ao observá-la, tão compenetrada. ‘A menina gosta mesmo disso’, ele pensou, satisfeito. Em toda a sua carreira acadêmica, ele podia afirmar que nunca vira um aluno tão dedicado quanto Hermione Granger. Haviam alguns Corvinais, sim. Mas apesar de inteligentes, eles não tinham nem um terço da sede que Hermione tinha por conhecimento. Expulsando o turbilhão de pensamentos que lhe passavam, ele resolveu continuar.
– Não estarei sempre aqui, por motivos óbvios. – ele começou, fazendo Hermione observá-lo instantaneamente. – Muitas poções devem ser feitas, e seria bom que se apressasse, já que em poucas semanas Potter fará 17 anos. A proteção cairá e ele precisará agir por conta própria. Imagino que já deve ter pensado em uma forma de deixar Potter e o Weasley mais seguros...
– Sim... Desde que nós três decidimos adiar nossos estudos eu tenho organizado essa fuga. Quebrei minha cabeça inúmeras vezes pensando em tudo que poderíamos precisar. E já que... bem, já que eu não vou mais, tenho que deixá-los a par de tudo. – ela concluiu, confiante, olhando diretamente nos olhos negros que a fitavam.
Constrangida, Hermione desviou o olhar, tentando pensar em algo para quebrar o silêncio. Por incrível que pareça, nada lhe ocorreu. Absolutamente nada. Hermione Granger havia ficado sem palavras, e pior, na frente daquele que tanto a humilhara. E pior ainda, havia ficado sem palavras por causa dele.
Vendo o embaraço da bruxa, Snape tentou contornar o momento estranho. Embora com alguma dificuldade de formular uma mísera frase, ele conseguiu depois de engolir em seco.
– Está liberada agora. – disse – Prepare-se e esteja aqui em uma hora. – continuou em tom professoral, recuperando a frieza.
Embora eles não fossem mais professor e aluna, Severo preferiu manter a formalidade pois sabia que assim poderia evitar, mesmo que por pouco tempo, a curiosidade da aluna que agora dividia uma casa. Talvez com títulos ela ainda teria algum receio em lhe fazer perguntas pessoais, o que se tornou falso logo após ela perguntar onde ele dormia.
Observando a aluna sair apressada da sala ele se encostou em uma das bancadas, aliviado por estar finalmente sozinho.
***
Hermione
– Merlin, Hermione! O que foi isso?
Meu coração estava em pulos e eu não fazia ideia do motivo que me fez perder as palavras por causa dele. Joguei a culpa na intimidação daqueles olhos carregados e em todo aquele preto. ‘Talvez seja medo’, pensei. Mas eu sabia que não era. O mais curioso é que eu sabia tudo aquilo que não era: não era medo, não era pena, não era desconfiança, não era ódio ou raiva. Também não era mais indiferença. Mas o que era?
– Eu não sei o que é, mas de qualquer forma isso não faz diferença. – murmurei sozinha, enquanto guardava os livros espalhados pela cama.
Senti muita falta de Bichento, ao menos com ele por perto eu tinha a desculpa de estar falando para alguém. Ele estava com Rony, que depois de muitas perguntas e discussões aceitou ficar com Bichento sem saber o real motivo. Senti uma saudade absurda dele também. Eu realmente queria estar com eles, ir com eles. Mas alguma coisa me dizia que eu poderia ajudar melhor ficando aqui. Sempre fui muito racional, sempre vi tudo de forma muito lógica. Mas desde aquela fatídica noite em que conversei com Dumbledore venho agindo mais pelo coração que pela minha cabeça. ‘Estou parecendo a Luna!’, pensei. E o mais estranho de tudo isso é que eu não tenho dúvidas quando o escuto, parece simplesmente o certo a se fazer.
***
Snape
– Com tanta coisa pra pensar, com tanto a se fazer, e essa menina me fazendo perder tempo! – exclamei em voz alta, logo após a saída apressada dela. – E toda aquela petulância, toda aquele sentimentalismo... – enquanto enumerava as inúmeras ‘qualidades’ da jovem irritante, senti minha cabeça doer de modo insuportável.
Lembrei de quem havia sido a absurda ideia. ‘Dumbledore...’, sussurrei. Como me odiei por tê-lo matado. Como sinto nojo de mim mesmo por isso. Ele deveria ter imaginado o que isso faria comigo. Mas ele não estava mais aqui. Lílian também não estava. ‘E com sorte, talvez eu também não esteja mais quando a guerra acabar’, era o que eu esperava sinceramente. ‘E assim ela se livra do fardo que é estar comigo’, falei em voz baixa, massageando as têmporas.
– Desde quando me importo com ela mesmo? Inferno... Preciso de uma poção. – Mas ao me virar, fui surpreendido por uma voz doce mas um pouco nervosa, como se ponderasse em falar.
– Tem algum estoque pronto ou o senhor quer que eu faça?
Parei com a voz dela. Estava tão absorto que nem a ouvi chegar, e sem pensar me virei com um olhar furioso, assustando-a.
– Desculpe, professor. Não quis ser intrometida. Mas as proteções não estavam ativadas e a porta estava aberta e... e já se passou uma hora. Achei que pudesse entrar... Me desculpe... – ela não parava de falar, minha cabeça doía tanto que já não a ouvia mais. Com os olhos fechados e o dedo indicador no ar, fiz sinal para que ela se calasse. Massageei um pouco a testa e disse, curto e seco como sempre.
– Granger, só comece o seu trabalho.
Assustada, a menina assentiu e começou. Dei algumas breves instruções a ela, como se ainda estivéssemos em aula. Observando-a por cima das caldeirões, vi uma jovem bruxa com as mangas arregaçadas até os cotovelos, os cabelos cacheados bagunçados e úmidos com o vapor da poção, as maçãs do rosto levemente rosadas e um olhar completamente focado, compenetrado. Podia ouvir seu cérebro trabalhando... Acho que quase sorri quando a vi tentando entender o que estava fazendo de errado, mas logo me recuperei e intervi.
– Não, Granger. Está fazendo errado. – disse, impaciente.
– Mas, senhor, são as instruções. – ela respondeu, alternando o olhar entre mim e o livro aberto.
– Nem tudo está nos livros, acredite. – falei, aproximando-me. Vendo o olhar raivoso que ela lançou, completei: — Granger, sei o quanto gosta das suas leituras, e sei que pensa que tudo pode ser respondido por elas. Eu entendo, mas eles não são tudo. Você pode adequar o que lê ao que você faz, cada um tem o seu jeito de transpor a teoria à prática. – Ignorei o olhar assustado que ela me lançou e meu ato impensado, mas quando dei por mim já estava do seu lado.
– Não pique, amasse. O que importa é o que se extrai, não o modo como se faz isso. – disse, enquanto lhe mostrava como fazer.
Relutante, ela colocou a mão na cintura, lançou seu melhor olhar de sabe-tudo e disparou:
– Mas senhor...
– Não tem mais, Granger. Só faça. – a cortei, me afastando. – Estamos no meu laboratório, portanto, siga minhas instruções.
Quase pude sentir a respiração ofegante da menina e me arrependi no segundo seguinte por ter falado de modo tão autoritário, pois sabia que ela viria com uma resposta direta.
– Desculpe, mas SEU laboratório?! Achei que a casa fosse NOSSA! – ela exclamou, com a voz nervosa.
Não consegui me controlar e acabei explodindo. Não com ela necessariamente, mas com tudo. Ela foi apenas a pessoa em quem joguei toda a minha raiva.
– NOSSA? – vociferei – Não há nada que nos seja comum, Granger. Não há nada, repito, NADA que seja NOSSO. Há uma porcaria de uma casa no meio do nada e uma porcaria de relacionamento forçado o qual você e aquele velho me submeteram! Sim, o mesmo velho que pediu para eu matá-lo! Os planos dele não tem dado muito certo, tem? – já estava próximo dela novamente, segurando seu braço. Ela me olhava com um misto de medo e confiança. Como isso era possível? Anotei mentalmente que ela era uma jovenzinha paradoxal. Imaginei que viria com alguma resposta ácida carregada de sentimentalismo grifinório, mas ao contrário disto Granger falou friamente, e isto definitivamente não combinava com ela.
– Não vou objetar quanto as suas instruções, senhor. Eu só estava curiosa. Mas se agora puder me soltar... E também se puder não me tocar mais, eu agradeceria. Todas as vezes que se aproxima acaba me machucando de alguma forma. – e me olhando nos olhos, ela se soltou. Não sei em que momento afrouxei os dedos, mas o que ela disse me chocou. Nunca quis machucá-la. Mas porque isso me importava, afinal?
***
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