A sua cor
40 Encaixe
Notas iniciais
Severo a colocou cuidadosamente na poltrona, tão delicadamente como se Hermione fosse sua joia mais preciosa – e na verdade era. E assim que a colocou, deixou enfim a raiva fluir. A mesma xícara de chá que ele tomara na noite anterior foi seu alvo, tornando-se dezenas de pedacinhos após o baque estridente da porcelana chocando com o chão. Hermione, pela primeira vez, estava assustada; não de ficar próxima a ele, mas de saber que ele poderia cometer uma loucura.
– Como ela pode lhe tocar?! – vociferou ele – MALDITA! – e os passos dele eram tão firmes, e seus olhos ônix tão penetrantes, que Hermione simplesmente não sabia como agir para acalmá-lo. E mesmo que ela soubesse, a sensação da maldição ainda era tão vívida que ela podia jurar que alguém, em algum lugar, ainda a estava lançando a imperdoável.
Hermione sabia que era a sua doçura determinada que o acalmava, que ela tinha as armas necessárias para fazer Severo Snape parar; apenas seu nome sussurrado por ela o fez se acalmar. Ela viu seus ombros relaxarem; aos poucos os nós dos dedos foram voltando ao branco habitual, e a mandíbula relaxando para dar lugar a um rosto não mais raivoso, mas preocupado – e culpado.
Longos minutos se passaram nesse silêncio torturante, um evitando o olhar do outro, não sabendo como agir com a presença que desejaram por tanto tempo. Devagar, Snape apenas deixou correr os olhos pelos pés descalços da jovem até as calças jeans surradas, passando pelo braço e visualizando melhor cada cicatriz, cada arranhão, cada marca de sangue, até...
– O que é isso, Hermione? – perguntou, arqueando a sobrancelha – O que está escondendo?
– Nada! – mas ele já estava perto, muito perto... e todos os seus esforços para afastá-lo eram exaustivos e desnecessários.
– O-o que significa isso? – sua voz era baixa, quase um sussurro, mas perigosamente articulada – Hermione, é inútil, mostre para mim... – e com cuidado ele tirou as mãos finas da cicatriz que ela tentava inutilmente esconder.
‘Sangue-ruim’, era o que estava escrito no braço de Hermione, com várias marcas de sangue. Foi preciso que ela o chamasse para ele perceber que estava segurando sua mão muito firme, quase a machucando, na verdade. Hermione podia sentir as emoções por de trás do olhar negro de Severo, que ora expressava ódio, ora remorso, ora cuidado, ora culpa, ora... amor?
– Severo, eu...
– Onde mais, Hermione? – sua voz era ainda mais firme, seu olhar nunca deixando as letras marcadas na pele delicada.
– Só aqui... – mentiu ela.
– Hermione. – sibilou ele, finalmente a encarando – não teste minha paciência. Onde mais?
– Por favor, Severo, não...
– Onde? – e com as lágrimas queimando, Hermione virou-se parcialmente, ficando de costas para ele. E timidamente levantou parte da blusa, revelando cortes ainda mais profundos nas costas.
Severo precisou engolir em seco para não assustá-la com sua raiva. Ele levantouandou; deu voltas intermináveis e respirou fundo; então quando achou que era seguro aproximar-se novamente sem fazê-la perceber o ódio contido, Snape caminhou lentamente até agachar-se ao seu lado.
Sem dizer uma única palavra, ele correu os dedos por cada um dos cortes, como se seus toques fossem capazes de curá-la de alguma forma – e ele não sabia, mas eram; capazes de fazê-la sentir-se protegida e amada. Hermione ainda estava de costas, recusava-se a olhar para ele sentindo-se tão frágil e vulnerável. Mas quando as mãos de Severo levantaram a blusa mais alguns centímetros, revelando mais das suas costas despidas, e ele começou a passar a ponta dos dedos... foi suficiente para ela, suficiente para se render completamente. E quando Hermione pensou que aquele toque era tudo que precisava naquele momento, Snape a surpreendeu com um sussurro ao pé do ouvido:
– Me deixe cuidar de você... – e o que ela precisava responder? De que modo ela responderia para traduzir todos os ‘Sim!’ que gritavam em sua cabeça?
Percebendo a entrega muda de Hermione, Severo a pegou novamente no colo e a levou até o banheiro. Colocando-a de pé e se assegurando de que ela não cairia, ele buscou todas as poções que a fariam sentir-se melhor.
Sozinha no banheiro, Hermione percebeu que os espasmos não eram tão fortes, que a dor fina não mais a incomodava. Tudo que ela sentia naquele momento era o toque quente de Severo, a voz firme e rouca em seu ouvido pedindo para deixar de lado a dor, pedindo permissão para tocá-la.
Talvez ela tenha ficado tempo demais pensando, ou ele que foi muito rápido, mas quando se deu conta mãos grossas já tocavam seus ombros, fazendo-a acordar do transe e se virar para tomar as poções. Tudo era tão calmo, delicado, silencioso, que parecia outra dimensão; uma que só os dois entendiam.
Quando Snape indicou que ia cuidar dos ferimentos nas costas, surpreendeu-se com os braços levantados de Hermione, permitindo que ele tirasse o que bem entendesse. E foi exatamente o que ele fez. Passando delicadamente os dedos pela barra da blusa, ele a levantou, fazendo a ponta dos dedos encostarem-se à pele e levando o tecido consigo. Dando tempo para ela o repreender se quisesse, Snape tocou o fecho do sutiã; ela apenas olhou por sobre os ombros e assentiu, e ele fez a pequena peça escorregar de seus ombros delicados. Por mais que ele desejasse apenas cuidar dos ferimentos, era impossível ficar alheio ao fato de que a mulher que amava estava parcialmente nua, e foi preciso mais autocontrole do que ele poderia admitir ter para tocá-la e senti-la tão perto sem poder fazê-la sua.
Controlando todos os seus nervos, ele preparou a banheira sem olhá-la uma única vez, colocando uma concentração exagerada na preparação de um simples banho apenas para desviar seus pensamentos. Quando tudo estava pronto, e ele achou que poderia sair em ‘segurança’, deparou-se com uma Hermione totalmente nua. Ele estava tão concentrado em controlar seus ímpetos de tomá-la nos braços que não a ouviu fazer um único movimento.
Nem de longe Hermione estava confiante para ficar nua na frente dele, mas o pensamento de que há pouco ela havia escapado da morte a deixou com um bocado de adrenalina.
– Er... – pigarreou ele, tentando formular alguma frase que fizesse algum sentido – vou... eu... – respirou – Eu vou estar na sala se precisar. – finalmente concluiu, lutando para não descer o olhar. – E também vou enviar um patrono para o Lupin avisando que já está segura... Seus amigos devem estar preocupados.
– Sim... obrigada. – murmurou ela, sentindo-se tola por ele não fazer nenhum movimento.
– Sim... Então eu vou indo... – mas ele não ia, e teve que fazer um esforço gutural para tirar os pés que pareciam colados ao chão, e os olhos que muito provavelmente era o polo oposto ao ímã que era o corpo de Hermione.
Com a distância segura de uma porta, ambos soltaram o ar que estavam prendendo. E sem dores ou espasmos, Hermione caminhou para a banheira, memorizando cada momento em que o corpo dele esteve minimamente em contato com o seu.
...
– Merlin! – praguejou Snape, tentando colocar as imagens do corpo de Hermione no fundo da sua mente. Mas era inútil, porque não era isso que ele queria. Ele a queria, isso sim.
Mas quando seus pensamentos recaíram na pele alva, inevitavelmente vieram os machucados, as cicatrizes, o sangue... Ele sabia que não poderia ir até Bellatrix, mas sorriu satisfeito ao lembrar-se do corpo dela agonizando no chão da Mansão Malfoy. ‘Não por tempo suficiente’, ele pensou, sentindo-se inútil. Ao se dar conta, o gosto amargo do whisky já estava escorrendo pela sua garganta. Era o escape do seu ódio.
Um resmungo abafado fez Bichento perceber, sabiamente, que era oportuno sair da vista do professor, e o gato seguiu seu caminho andar acima. Apoiando a cabeça em uma das mãos e com o copo de whisky em outra, Snape tentou se concentrar em outro caminho que não aquele que o fazia sentir vontade de matar todos aqueles que machucaram Hermione. E de novo o toque dela lhe veio à mente, fazendo-o arrepiar somente com a lembrança.
E como um desejo que é realizado, Hermione materializou-se na frente dele, fazendo-o olhá-la intensamente. No olhar tinha tudo: um pedido de desculpas, um pedido de carinho, um pedido de redenção, um pedido de amor, um pedido de desejo... E para Hermione ele não precisava pedir nada disso, ela já estava ali. Ela já era dele. Com um gesto calculado a jovem tirou o copo dele, e fez esta mesma mão pousar em seu rosto. Sem saber ao certo o que estava fazendo, mas decidida que era isso que queria, Hermione afrouxou o nó do roupão, fazendo-o deslizar até cair na altura dos quadris.
O olhar do bruxo desceu dos castanhos expressivos até o colo, com os seios de Hermione a mostra. A mão que ainda acariciava o rosto desceu para o pescoço e escorregou até parar entre os seios, sentindo a batida acelerada do coração dela. Ele finalmente se levantou e pousou a outra mão nas costas, aproximando-a até que todas as partes do corpo um do outro estivessem em contato.
Os lábios finalmente se encostaram, trêmulos, enquanto as respirações se misturavam, entrecortadas. Quando as mãos dela apertaram ainda mais o abraço, Severo não aguentou mais se controlar e intensificou o beijo. A língua dele logo veio passear no pescoço Hermione, enquanto as mãos finas dela tateavam cegamente o fecho da longa capa preta. Um riso abafado a fez parar, seguido de um ‘Calma’ sussurrado e arrepiante.
Surpreendentemente, ele a colocou em seu colo após sentar-se na poltrona, e beijos ferozes eram distribuídos enquanto seus longos dedos desabotoavam a própria capa. Pouco tempo depois e só uma camisa separava o contato pele a pele, fazendo-o olhar seriamente para Hermione como se perguntasse ‘Tem certeza?’. E, sim, mil vezes sim! Ela tinha certeza.
Severo deliciou-se com a entrega dela, e num segundo já estavam sobre o tapete. Lentamente, ele terminou de tirar o tecido que ainda a envolvia, deixando-o deslizar pela pele macia. Levantando-se, o bruxo tirou as roupas que ainda faltavam, sob olhar constante de Hermione. O corpo dele não era escultural, definitivamente. Mas para Hermione, era lindo. O peito branco com pelos negros a deixara fascinada desde o dia que cuidara dele, imaginando que nunca mais teria a oportunidade de vê-lo assim novamente; as cicatrizes davam um tom ainda mais interessante ao conjunto excêntrico que era Severo Snape, e a jovem se recriminou por achar isso atraente, sendo que foram adquiridas com tanto sofrimento. Mas o que ela podia fazer se até as imperfeições dele a deixavam fora de si? Sim, a lógica e certinha Hermione Granger sentia prazer ao imaginar as mãos dele a tocando, sentindo o corpo dele pesando sobre o seu, desejando que aquelas mãos corressem pela sua pele...
E quando os lábios dele desceram entre os seios e caminharam para o umbigo, Hermione sentiu-se inexperiente. Certamente que Snape era um excelente amante, e ela se questionou como ele poderia estar com ela agora. Pensou nas belas mulheres – sim, mulheres – que se deitaram com ele, atraentes e habilidosas. E ela nem ao menos sabia o que fazer com suas mãos! Era magra, seios médios nada convidativos... E era, bem, a irritante-sabe-tudo de cabelos cheios. Todos esses pensamentos passaram tão rapidamente por ela... Mas Snape percebeu que algo estava errado, e quando pode fitá-la se deparou com um rosto rubro e levemente apavorado, enquanto as mãos tentavam esconder um pouco do corpo nu.
Estúpida, foi como Hermione se sentiu. Minutos atrás ela estava confiante na frente dele, quase implorando que a tocasse. E então, estava fugindo como uma garotinha assustada.
– Hermione – a voz dele era calma e temerosa – fiz alguma coisa errada?
– Não! Merlin... não, não é isso! – ela correu para se explicar – Eu-eu só... bem, isso é novo para mim e não queria parecer tão... inexperiente. Não sei o que fazer... – completou, corando até a ponta dos cabelos cacheados. E Severo, achando-a ainda mais encantadora e finalmente entendendo do que se tratava a repentina mudança, sorriu discretamente e segurou uma das mãos dela que timidamente escondiam parte da sua nudez.
– Hermione, você é tão... linda. Tão... deliciosa. Eu nunca desejei tanto uma mulher quanto a desejo agora. Não tente se esconder de mim... – e então, decidindo que já havia sido tola o suficiente, sustentou o olhar dele de volta enquanto deixava-se cair no tapete novamente.
Severo se deitou sobre ela e recomeçou de onde havia parado, mas antes, pegou uma das mãos dela e a conduziu para suas costas, mostrando que ele queria apenas senti-la, que tê-la já era (mais que) suficiente. Os beijos então tornaram-se mais possessivos; a língua quente passou pelos seios, intumescendo-os, enquanto ele chupava e beijava com vontade. Hermione não se preocupou em abafar o gemido dessa vez, e suas costas arqueavam a cada onda de prazer. Como ele podia fazer isso com ela? Deixá-la tão... vulnerável, entregue? E, pior, só com beijos e carícias?
Os olhos caramelados só se abriram novamente quando ela o sentiu afastar-se; era como se com ele alguma coisa dentro dela também fosse embora. Mas seu sentimento de perda foi rapidamente preenchido por um Severo Snape ainda mais nu, chutando a cueca para junto do amontoado de roupas negras. Quando ele se curvou sobre ela, Hermione pode sentir todo o desejo que emanava daquele homem que todos imaginavam não ter sentimentos ou expressões. Num pensamento relâmpago, ela imaginou o que diriam todos se pudessem vê-lo agora, com ela, dando tanto prazer e, ao mesmo tempo, sendo tão carinhoso – até demais, para o seu próprio gosto. E querendo mostrar para ele que ela o queria, suas mãos inexperientes pressionaram as costas dele, trazendo-o mais para perto, para depois recair um pouco abaixo das costas, brincando perigosamente naquela região. Ele gemeu com a sensação, e sentiu-se mais confiante em testar o próximo passo.
Os dedos começaram a brincar com o último tecido que ainda a envolvia. Afastando-se um pouco, Severo passou a ponta dos dedos por dentro da calcina e a fitou, pedindo novamente permissão. Hermione, no entanto, nem se deu ao trabalho de abrir os olhos. Apenas exclamou um ‘Faça’ com toda certeza que a consumia. E sim, ele faria.
De maneira provocante, quase torturante, ele desceu a peça por entre as pernas da jovem, enquanto seu olhar memorizava cada parte adorável daquele conjunto. Quando Hermione finalmente estava nua e Snape pode ver toda a jovem que com tanta veemência se entregava a ele, não pode fazer nada a não ser jogar tudo para o alto e se entregar também, perder-se em todo o prazer que fluía daquele momento tão íntimo.
Ele necessitava tocá-la, precisava do contato dela. E precisava tanto que ardia... Com movimentos sutis ele testou cada avanço no corpo dela, até enfim recair no lugar em que o desejo era mais pulsante. Hermione abriu os olhos com o susto de sentir os dedos de Severo dentro dela, mas logo o olhar assustado cedeu lugar a uma expressão de desejo crescente; cada movimento circular ou cada pressão mais forte era motivo para um gemido alto. E que Merlin o perdoasse, mas ver o desejo estampado nas feições doces de Hermione quase o fez gozar.
Enquanto ela choramingava por mais, Severo pegou-se pensando em como sua esposa era única. ‘Será que ela tem alguma noção do quanto é provocante?’, pensou, para logo depois ouvir o resmungo insatisfeito de Hermione com a falta de contato quando ele parou de estimulá-la, seu corpo pedindo por mais. E Severo atendeu prontamente, entrando nela cuidadosamente e sentindo seu membro reagir expressivamente, mesmo no mais sutil contato.
– Severo... – ofegou ela, mal se reconhecendo – Por favor... – implorou ela, abraçando-o mais forte e mais forte.
Era uma doce tortura sentir seu prazer expandindo e implorando que ele se enterrasse fundo nela, e os gemidos e o nome dele sussurrado tornavam tudo muito mais difícil. Hermione se contorcia sob o corpo dele, envolvendo-o com as pernas e trazendo-o para dentro dela de vez.
– Hermione... – ele sussurrou, encontrando forças para esperar até que ela estivesse pronta.
– Está tudo bem... só... continue. – E ele continuou, entrando e saindo lentamente, dando leves estocadas enquanto sentia as unhas dela cravando na sua pele. Hermione podia sentir o hálito dele bem próximo ao seu rosto, enquanto seus braços tremiam pelo prazer contido. Ela queria dizer a ele que tudo bem se entregar, mas a secura em sua garganta e o prazer cada vez mais acentuado em seu ventre a deixava inútil.
Os dedos dela o apertavam e o arranhavam, tentando segurar em alguma coisa palpável quando todos os seus sentidos a levavam para longe do próprio corpo. Curioso como que um ato tão físico a elevasse tanto... E quanto mais ele estocava, mais ela o queria. Parecia não ser suficiente cada vez que ele a penetrava, pois ela o desejava mais fundo.
Ele pareceu entender o recado, e estocou com mais força e mais rápido, fazendo-a agarrar os cabelos negros e puxar com força à medida que o prazer ia chegando a níveis mais altos.
– Severo! – e foi demais para ele. Vê-la se contorcendo sob ele, gritando o seu nome.
– Hermione! – e ele jorrou inteiramente dentro dela.
Ver Snape perder o controle a deixou, num primeiro momento, estagnada. Vê-lo se desmanchar sobre ela, sem forças, a deixou satisfeita. Mas senti-lo tão entregue e tão... seu, fez um sentimento de posse se apoderar dela. Nunca mais deixaria aquele homem. Nunca mais deixaria outra mulher lhe dar prazer. Nunca mais seria tocada por mãos que não aquelas, quadradas e firmes, possessivas.
Severo e Hermione fizeram amor. Consumaram não só um casamento, mas o que sentiam um pelo outro. E enquanto ele a penetrava, profundamente, Hermione gemia com vontade. Dor? Bem... era parte do processo. Se ele tivesse entrado de uma vez ela tampouco se importaria; queria finalmente sentir o que era ser preenchida. E ela estava enlouquecidamente extasiada, mesmo não tendo atingido o próprio orgasmo.
Submersos naquela sensação pós-sexo, em que o casal não consegue fazer mais nada além de tentar encontrar a própria respiração, Severo afundou a cabeça entre os cachos de Hermione. Preocupado em não machucá-la com seu peso, ele ameaçou deixá-la para deitar-se de lado, e foi quando ela encontrou a voz.
– Não... – e com a única palavra dita entre arfadas, ele estagnou, com medo de tê-la machucado – Continue aqui...
– Hermione, eu vou esmagá-la.
– Não importa. Só... continue dentro de mim, em cima de mim... Só... fique. – e a risada abafada que ele soltou emitiu ainda mais ondas de prazer em Hermione, que com toda a força que ainda sobrara o abraçou forte, como se ele ainda não estivesse perto o suficiente.
Minutos se passaram quando Hermione cedeu ao fato de que Snape era demasiadamente pesado, e deitando-se de lado ele a abraçou, fazendo-a se encaixar em seus braços. Era curioso como tudo entre eles se encaixava... E tão perfeitamente.
Hermione se enrolou nele, deixando o seu corpo tocar todas as partes possíveis do dele. Ela estava tão... feliz. Havia sido tão maravilhoso, tão diferente de tudo que ela já havia escutado. Se ela ao menos pudesse saber se ele se sentia da mesma forma...
– Desculpe. – a palavra solitária a fez acordar, concentrando-se na dor que ele depositou num pedido tão sussurrado.
– O que? – perguntou, confusa.
– Eu... eu não consegui... – tentou ele, completamente envergonhado tanto pela atitude quanto para falar sobre aquilo com ela – Você não... – suspirou – Era pra ser a sua noite, e não a minha. Desculpe ser tão egoísta, eu só... É que você, com você... Eu não consegui me segurar. – pronto, estava dito. E o coração de Hermione se encheu com a visão de um Snape tímido, sem lugar.
– Você está se desculpando pela noite mais especial da minha vida? – Hermione perguntou, suave, tentando transparecer tudo que ela estava sentindo ali, nos braços dele.
– Exatamente, sua noite especial. E eu a estraguei. – Hermione suspirou, lembrando que estava nos braços de um homem difícil. Seu homem difícil.
– Você vai estragá-la se continuar com isso. Por favor, Severo, acredite quando eu digo como foi incrível para mim... – e a urgência nos olhos dela, a necessidade de fazê-lo entender, de mostrar o quanto tinha sido incrível... Ele não podia fazer mais nada além de acreditar. – E além do mais – continuou ela, escondendo o rosto na curvatura do braço dele – A noite ainda não acabou... – provocou, fazendo-o finalmente sorrir.
– Sim, Senhora Snape. Ainda não acabou...
...
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