A sua cor
35 Decisões
Notas iniciais
Os dias continuavam passando e a tensão ficava a cada dia pior, especialmente quando o assunto Relíquias da Morte surgia. Harry e Hermione entravam num grande embate, ao mesmo tempo em que Rony tentava melhorar o clima gritando aos quatro ventos as horcruxes que já haviam sido destruídas e em quanto eles estavam em vantagem com isso.
Hermione estava com o humor triplamente ruim – talvez até pior que o do próprio Snape; primeiro por não ter notícias, segundo pelo Rony ter perdido o maldito retrato e, terceiro, por saber que estava de mãos atadas. O ruivo até que tentou se aproximar algumas vezes, mas ela – literalmente – respondia com um resmungo; o suficiente para Rony não importuná-la no mesmo dia novamente. A cota de tentativas era de uma num prazo de 24 horas.
Mas talvez o pior – tanto para Hermione quanto para Severo – era não ter o que fazer. Ambos já estavam se arriscando demais em suas missões, e seria loucura um tentar encontrar o outro. Só que para Snape, encontrá-la era sinônimo de levá-la até o Lorde das Trevas, e ele sinceramente não estava esperançoso quanto isso. Como entregá-la ao Lorde sabendo o que aconteceria? Não, ele não podia fazer isso. Ele não faria isso. E se a segurança dela significasse a sua morte, não importava. Findaria o prazo estipulado e Snape não estaria com Hermione; certamente o Lorde o mataria, mas que fosse! Ele já havia contribuído em demasia para a guerra, já tinha feito até demais.
Severo chegou à conclusão de que não arriscaria mais uma vida para manter o tal papel de espião intacto. Muito já havia se perdido por isso, e ele definitivamente não colocaria Hermione no mesmo caminho – bastava o quão visada ela era por simplesmente ser amiga de Harry Potter e nascida trouxa. Não! Ele não a entregaria de bandeja para o Lorde. Hermione certamente o represaria por não deixá-la escolher correr o risco, e era exatamente por isso que ele estava escolhendo por ela.
Irônico, pensou o ex mestre de poções, como seu disfarce finalmente foi posto à prova. Ele imaginara que um dia poderia cair em contradição, ou que Voldemort fosse melhor legilimente que ele oclumente. Mas, definitivamente, não por um sentimento; não por estar amando alguém. Céus, isso soava tão improvável para alguém como ele. Apaixonado? O quão absurdo isso poderia soar para um ex-comensal? Mas era um fato, e ele tinha que lidar com isso. E quanto mais sua cabeça tentava pensar num modo de permanecer vivo para continuar ajudando na guerra, mais ele entendia que não havia a menor possibilidade de isso acontecer.
E mais irônico ainda era que finalmente Snape tinha encontrado o motivo certo para desejar estar vivo, e era justamente por este motivo que ia morrer. Severo só esperava que Hermione não o culpasse por isso, que ela entendesse algum dia o quanto o sentimento que ela dedicara a ele o tornara uma pessoa melhor, e que ele seria eternamente grato por isso, por amá-la e ser amado.
– Não há nada que se possa fazer, Lupin. Não vou entregá-la ao Lorde, não vou expô-la dessa maneira. – sua voz era quase um sussurro, como se estivesse cansado demais de tudo aquilo.
– Severo, deve haver algum meio! Você não precisa se entregar assim... – tentou o lupino, exasperado. Era estranho, mas... ele não queria que Snape se sacrificasse. Lupin entendia os dramas do homem a sua frente, e desejava sinceramente que ele tivesse um futuro melhor.
– Não há outra maneira e você sabe. Você acha que eu quero isso? Que eu quero ir embora sabendo o quanto ela vai sofrer?
– Eu sei, mas...
– Esqueça. – cortou Snape, dizendo com sua voz um pouco mais firme que o assunto estava encerrado – Só... não tente enxergar esperanças onde não tem. Você tem que avisar a Ordem e preparar Minerva; assim que meu disfarce cair os alunos estarão desprotegidos. Enfrentem os comensais que estão lá e recuperem Hogwarts.
– Tudo bem. – suspirou Remo, resignado – Quanto tempo nós temos?
– Duas semanas.
...
No mesmo momento, mas bem longe do chalé, a jovem de cabelos castanhos acordou em prantos, gritando sonoros e desconexos Não’s.
– Hermione! Hermione! – tentou Harry, aproximando-se assustado – Calma! Foi só um pesadelo, está tudo bem... – suavizou, deixando de lado a ironia por trás do ‘está tudo bem’.
Hermione precisou de vários minutos para perceber onde estava e acalmar seu coração apertado. Ela sabia que alguma coisa estava muito errada.
– Eu preciso falar com Severo. – disse simplesmente.
– Hermione...
– Não, Harry, eu realmente preciso.
– Mas não tem como, você nem sabe chegar até ele aparatando. Nós nem sabemos a distância daqui até lá!
– A Toca, a lareira d’Toca... Está ligada a do chalé.
– Hermione... já foi muito arriscado da última vez que estivemos perto de lá. Nos relacionar à família do Rony vai trazer problemas a eles, mais do que eles provavelmente já estão enfrentando.
– Eu sei, Harry, mas... – e o que ela poderia dizer? O amigo estava certo, e ela jamais exporia os Weasley assim – Eu só tive um sonho... angustiante, e tenho a vaga sensação que algo muito ruim vai acontecer.
– E desde quando você se deixa levar por pressentimentos? – zombou o amigo, tentando fazê-la relaxar; era a primeira vez que eles conversavam sem brigar em semanas.
– Não seja bobo... – ralhou ela – eu só... sinto que algo está errado. Talvez eu não esteja mais tão cética assim. – deu de ombros, tentando deixar as cenas do sonho de lado.
– Então talvez seja hora de entender o que eu acho sobre as relíquias... – insistiu.
– Harry, por favor, agora não. – interrompeu ela, fazendo Harry suspirar – Estou realmente preocupada com Severo. Tive um sonho louco em que você-sabe-quem exigia a minha presença. E agora estou pensando... e se não for só um sonho? Não que eu esteja tendo alguma clarividência ou algo do tipo – antecipou, fazendo uma careta – mas é que faz todo sentido. Ele pode querer me usar como isca, e eu não estou lá. Se Severo for descoberto, já imaginou o que pode acontecer?! Já imaginou o que ele fará se descobrir que Severo é fiel à Dumbledore, à Ordem, a todos nós? E, pior, que ele me manteve segura esse tempo todo?
– Hermione, calma, ok? Nós vamos dar um jeito. – e Harry disse a melhor frase que alguém pode dizer à outra pessoa num momento de crise; a frase que não necessariamente traduz uma solução mas que conforta, em que o outro se inclui no problema e compartilha da dor.
– Tudo bem... – concordou Hermione, já meio sonolenta de novo. Mas ela não estava totalmente convencida, e estava ciente do fato de que faria qualquer coisa para tentar chegar até Severo sem envolver ninguém. E ela já até sabia o que ia fazer.
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