A sua cor
50 A espera
Notas iniciais
Draco treina noite e dia para agir como um espião na Guerra, sob tutoria de Severo Snape. Enquanto isso, os dias sombrios se arrastam até o momento decisivo.
— Está ficando pior. – comentou Hermione, preocupada com o céu cada vez mais cinza.
— O Lorde das Trevas está furioso por não ter localizado o Potter ainda. O tempo está acabando.
Hermione sentiu um gelo percorrer seu estômago, temendo pelo futuro de todos que amava. Os braços de Severo a envolveram por trás, e ela deixou sua cabeça descansar no peito dele. O abraço dele era tão quente e seguro que ela até se permitia sentir-se vulnerável as vezes. Ficava tão pequena no colo de Severo que era como se ele abraçasse todos os seus medos e levasse para longe. Mas logo vinha a ideia de perdê-lo, os pesadelos sombrios que a assaltavam nas noites sem a poção “sono sem sonhos”, e sua mente acordava novamente para aquela realidade terrível.
— Há tanto em jogo. – ela sussurrou para ele, sentindo-o assentir ligeiramente. – E se alguma coisa der errado? Severo...
— Não adianta pensar nos se’s, Hermione – ele a cortou suavemente. – É um exercício inútil.
— Eu sei. – Hermione concordou, sentindo um nó se formar em sua garganta. – Como Draco está se saindo?
— Para alguém que ainda está na escola, muito bem. Para um espião duplo? Nem tanto. Mas o garoto está se esforçando. Ele treina a noite toda.
Hermione assentiu, pensando um pouco antes de falar. — Provavelmente não está conseguindo dormir. Você deveria levar uma poção para ele. – Sugeriu.
— Você tem razão. É uma boa ideia. É horrível que eu seja um mestre de poções há tanto tempo e não tenha pensado nisso?
Hermione riu, balançando a cabeça. – Não, não é horrível. O uso contínuo da poção não tem um efeito eficaz, então você apenas a esqueceu.
— De qualquer forma, obrigado. Ele realmente precisa descansar um pouco.
Eles ficaram parados ali olhando para a imensidão do mar por vários minutos silenciosos, segurando um no outro até que não restava um milímetro de distância entre eles. Não havia muito mais a ser feito agora, e a sensação de ter as mãos atadas diante um futuro tão incerto era ainda mais desgastante que todos os meses de preparação. O silêncio da espera fazia com que todos mergulhassem em suas próprias angústias, pensando no pior, nos se’s mais dolorosos. Severo, em seus anos solitários de experiência, sabia que não era saudável, e decidiu quebrar o silêncio.
— No que está pensando? – murmurou, sentindo o ritmo cadenciado da respiração de Hermione.
— Sei que não gosta de planejar um futuro incerto, mas estava pensando em todos os lugares que ainda não fizemos amor.
— É verdade, senhora Snape. Se bem me lembro, tivemos uma conversa há poucas noites em que disse algo bastante interessante. Na verdade, posso até dizer com as palavras exatas.
— Que seriam? – ela saiu do abraço dele apenas para olhá-lo com olhos divertidos.
— “Como seria se tudo isso acabasse e sobrevivêssemos... se faríamos amor em todos os lugares que fossem possíveis”.
Hermione riu, dando um tapinha no peito dele.
— Severo Snape! De tudo que eu falei naquela noite você só pegou essa parte?
— Correção: essa parte extremamente importante. – disse num tom provocativamente professoral.
— Tem razão, você está certíssimo – concordou, fingindo seriedade. – Bem... – ela suspirou, olhando ao redor do chalé. Quando os olhos dela caíram de volta para a praia, Hermione abriu um sorriso malicioso. — A praia. Não fizemos amor na praia. – antes que ele pudesse falar, ela continuou – Na verdade, temos um dado chocante aqui. Só batizamos a sala e o quarto. E tem tantas possibilidades! – falou teatralmente, deixando Severo Snape chocado.
— Bruxa, não brinque comigo.
— O que? Não estou fazendo nada. – sua expressão não tinha nada de inocente, no entanto.
— Vem aqui – Snape a pegou no colo, girando-a no ar.
— Severo! – Hermione riu, sentindo o coração bater mais forte, a sensação de alegria borbulhando no seu estômago.
— Se não estivesse tão frio, e a água menos congelante, eu te colocaria naquela areia agora mesmo e beijaria cada parte do seu corpo. Não deixaria um milímetro de fora.
— Mas... – Hermione nunca se sentira tão mulher, tão forte, tão... desejada. Naquele momento ela se sentiu realmente bonita. Não, ela se sentiu linda. O fogo no olhar dele, a mãos grandes e possessivas apertando seu corpo... Céus, Hermione se perguntou se havia algum limite para desejar tanto alguém como ela desejava Severo naquele momento.
— Mas... por sorte, nós temos vários outros cômodos neste chalé.
— O chão da cozinha, a mesa do escritório, o balcão da sala de poções...
— Hermione – ele avisou, sua voz rouca nublada pelo desejo.
— ... o chuveiro, a escada.
— Merlin, eu criei um monstro. — tropeçando pelo corredor, Severo a pressionou na parede com força, mergulhando o rosto na curvatura do pescoço dela.
Hermione enrolou suas pernas na cintura dele com ainda mais força quando sussurrou: — Eu preciso de você dentro de mim.
Severo nunca imaginou que o sexo pudesse ser tão absolutamente incrível. Todas as vezes que tinha ido para a cama com uma mulher havia sido mais sobre o seu prazer que o da parceira, e ele nunca tinha ficado completamente nu para outra pessoa, porque isso significaria exposição, e Snape nunca fora muito bom em se abrir. Mas com Hermione era tão diferente... Era como se estivesse fazendo tudo pela primeira vez. Ele gostava de dar prazer a ela, de sentir a pele macia dos seios em contato com o seu corpo, os dedos delicados entrelaçados no seu cabelo. E quando ele entrava nela... Céus, tinha certeza que poderia ficar ali para sempre.
A sua vida inteira ele achava que o amor era doloroso e egoísta, mas na verdade era o oposto. Amar era libertador. E enquanto ele poderia ficar profundamente triste por perceber isso aos 37 anos, Severo estava profundamente grato de ter tido a chance de amar assim, com tanta intensidade e ao mesmo tempo tão simples, e ainda ser amado de volta. A vida era realmente cheia de surpresas.
— Você é deliciosa – o sussurro veio com uma mordida no lábio inferior de Hermione, e ela só conseguiu gemer em resposta – Eu não consigo ter o suficiente de você.
Hermione não poderia concordar mais. Ela simplesmente não conseguia ficar longe dele, o que era irônico, porque sendo a bruxa racional que era sempre achou muito irritante casais apaixonados que não desgrudam nunca, mas ela não poderia se importar menos enquanto era pressionada pela parede por um homem que a fazia sentir as coisas mais sensacionais. Ela estava casada, e amava seu marido. E era amada de volta. Era desejada. Um marido absolutamente incrível que a correspondia intelectualmente, emocionalmente e fisicamente. Um marido que a tocava com tanto calor, falando coisas eróticas com aquela voz dos deuses, rouca e profunda, sexy e hipnótica.
— Tão molhada para mim.
— Só para você. É só para você. – e ele a penetrou fundo. Uma, duas, três vezes. As mãos dela percorriam o corpo dele para trazê-lo ainda mais perto, como se não fosse o suficiente.
Com apenas uma mão Severo segurou os braços dela na parede, deixando-a completamente a mercê enquanto suas investidas ficavam mais rápidas e profundas.
— Você gosta disso, Hermione? Gosta de ficar totalmente nua e aberta para mim?
— Deuses, sim!
— Você é tão boa para mim, bruxa. Isso é tão bom.
— Sim. Mais forte! – o corpo dos dois tencionava de prazer, fazendo Severo a pressionar cada vez mais forte na parede. Até que ambos gozaram. Juntos. Se perdendo na sensação única do orgasmo, no silêncio erótico do momento, das respirações pesadas, da pele pegajosa, do suor brilhando, do coração saltando do peito.
— Deuses, eu amo você. – ela gritou, a voz rouca e anestesiada de prazer.
O orgasmo foi tão forte que ele vagamente percebeu que seria melhor colocá-la no chão enquanto ainda tinha forças. Aos poucos ele soltou os pulsos dela, que buscaram apoio nos ombros dele para escorregar pela parede. As testas coladas, eles sentiram a respiração pesada um do outro aos poucos ser substituída por um sorriso satisfeito.
— Nós nem conseguimos chegar na mesa do escritório – disse Hermione, a voz divertida e as bochechas coradas.
— De fato. – murmurou Severo, preguiçosamente – Você ainda vai ser minha morte, bruxa. – e com um último selinho ele subiu a calça e pegou as roupas dela que estavam espalhadas pelo chão. – Eu nem sequer me lembro de ter tirado sua roupa. O que você faz comigo?
— O que você faz comigo. Nunca imaginei que eu seria tão...
— Sexual? – ele terminou por ela, entendendo o significado.
— Sim, exatamente.
— Entendo o sentimento. – ele a conduziu para a biblioteca, puxando-a junto com ele para o sofá.
Alguns minutos de agradável silêncio se passaram até que Hermione se remexeu inquieta no abraço de Severo.
— Algum problema? – Severo perguntou suavemente, num tom de voz que ele reservava somente para ela.
— Não, nenhum problema. – mentiu – Por que?
— Algo que queira compartilhar? – insistiu.
— Porque você acha que eu quero perguntar alguma coisa?
— Hum – ele bufou, acenando distraidamente com a mão para indicar o óbvio — Não se esqueça que fui seu professor por seis anos infernais.
— Hey! Não pode ter sido tão ruim assim.
— Na verdade pode. E mesmo de costas eu poderia saber que quer me fazer uma pergunta.
— Hum – murmurou, um pouco mal-humorada – A coisa de ser tão transparente e etc.
— Não, é aquela outra coisa de eu conhecer você, sua mente, seu corpo e alma. – disse pausadamente, fazendo Hermione ofegar com toda a sinceridade em suas palavras. – E então...
— Bem – hesitou, escondendo o rosto na curvatura do pescoço dele. – Antes de nos casarmos... Você se relacionou com muitas mulheres? – depois de alguns segundos de silêncio ela arriscou olhar para ele.
— Você quer realmente falar sobre isso agora, Hermione? Ou em algum momento?
— Não. – e com raiva ela tentou sair do abraço dele, sentindo-se tola. “Idiota, Hermione, idiota! Estou com ciúmes do passado dele? Irracional.”
— Hermione. – chamou, segurando delicadamente seu braço – Desculpe. Eu fui um idiota. Nós somos casados e você tem todo o direito de saber. – Seu olhar era profundo quando Hermione finalmente se virou para ele.
Quando viu que tinha atenção dela, Snape suspirou e hesitou por um momento, incerto de como falar sobre isso. A verdade é que havia tido, sim, algumas mulheres em seu passado. Ele era jovem e tolo, amargurado, e as procurava com único intuito de esquecer sua vida infernal e compensar suas necessidades físicas. Mas era sempre frio e objetivo, calculado. Não tinha nada a ver com o que Hermione e ele possuíam.
— Tive algumas mulheres sim, Hermione. Mas era apenas sobre o meu prazer, algo puramente físico. Casos rápidos, apenas. E depois de um momento, pouco depois de começar a dar aulas em Hogwarts, aquilo não fazia mais o menor sentido para mim e comecei a procurar cada vez menos por sexo.
— Antes da nossa primeira vez — Hermione parou por um momento, pensando em como perguntar – bem, antes de ficarmos juntos, há quanto tempo você não...
— Desde que Potter voltou para Hogwarts, na verdade. – Respondeu com sinceridade. – A presença dele intensificou a culpa e as lembranças que sempre me atormentaram, até que o sexo deixou de fazer sentido. Fui me abstendo de tudo que me dava prazer ou me deixava menos infeliz.
Um silêncio incômodo pairou entre eles.
— Severo – ela finalmente falou, olhando-o com ternura – Você esteve celibatário por anos.
Ele deu de ombros, desviando seu olhar para a lareira. Simplesmente não conseguia olhar para ela, sentindo-se tolo. Podia sentir seu rosto arder com a humilhação.
— Obrigada por me contar – Hermione disse, segurando sua mão na dele para quebrar o momento tenso – Eu estava... Eu só... droga – ela riu, nervosa.
— Só... – instigou.
— Com ciúmes, é claro. – respondeu relutante.
— Ciúmes? – Severo estava chocado. – De mim?
— Ora, de quem mais seria? – ela sorriu ao ver a expressão de choque dele, até que a compreensão a atingiu como um soco. Snape nunca tinha estado com alguém que realmente se importasse com ele. – É bobo, mas a ideia de outra mulher te tocando é... terrível.
— Eu sou seu, Hermione Snape. Todo seu. Nunca tive um relacionamento com ninguém antes de você, ninguém nunca captou a minha atenção e respeito como você fez. Tudo em você é incrível, e eu sou completamente seu.
...
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