A sua cor

11 A Toca – parte 1


Notas iniciais
Não vou nem me desculpar pela demora rs só espero que possam me perdoar. E para compensá-los, postarei três capítulos seguidos. Então... aproveitem! Sobre este capítulo: bem, muitas coisas estão realmente fieis ao livro Relíquias da Morte - como o casamento n'Toca. Acho que a lógica da história, dos acontecimentos de pano de fundo, não precisavam ser muito modificados, por isso alguns aspectos foram mantidos. E apesar de Snape não aparecer neste, sua presença está marcada ao longo do capítulo. No mais, espero que gostem! Beijos!!

Hermione

Ver a casinha de sete andares me causou uma alegria imensa, com todo aquele clima campestre e familiar. Mesmo ainda um pouco distante eu já podia escutar as inúmeras vozes que preenchiam o lugar, e obviamente a de Molly era a que mais sobressaía. ‘Provavelmente está brigando com os gêmeos’, disse para mim mesma, rindo. E quando me aproximei, vi que estava certa. Fred e Jorge estavam brincando de lançar os pratos do casamento para o alto, com algum feitiço bobo que só eles sabiam onde encontrar. E Molly implorava desesperada que eles parassem apelando para o senhor Weasley, que do seu jeito calmo só fazia com que os gêmeos se divertissem ainda mais.

– Hermione?! – alguém me chamou meio distante, enquanto estava distraída. E de repente todos que estavam do lado de fora da casa me olhavam curiosos.

Eu não sabia o que responder ou como agir... Tentei gaguejar alguma coisa em resposta mas a voz não saía. Até que Harry apareceu e quebrou aquele momento constrangedor.

– Hermione! – gritou, aparentemente aliviado em me ver. De novo eu não consegui responder de volta, apenas corri para um abraço.

– Harry! Oh Merlin, Harry! Que bom que está bem! – eu estava realmente feliz em vê-lo... Em saber que ele estava bem.

– Minha querida! Que bom vê-la! Estávamos todos preocupados! Como chegou até aqui? – disse Molly, me abraçando. – Como você está? Está com fome? Está meio pálida, querida. E magrinha também. Vamos até a cozinha, estou preparando o almoço. – disparou ela, me fazendo sorrir.

– Hermione? – a voz que dessa vez me chamava eu reconheci. Era o Rony. ‘Droga’, pensei. E respirando fundo me virei para encará-lo.

– Rony... – comecei.

– Onde você estava? O que... o que aconteceu? Harry não fala nada, ninguém sabe de nada! O que... como?! – ele estava ressentido, e com razão. E eu não estava preparada para responder todas as perguntas com a família Weasley inteira me olhando.

– Hermione... – era Gina, e com Bichento no colo.

– Gina! – suspirei, em alívio. E detectando meu olhar suplicante, ela me abraçou e sussurrou um ‘Vou dar um jeito nisso’.

– Ronald, ela acabou de chegar! Seja um pouco mais educado, por favor! – ela disse, firme, fazendo Harry olhá-la admirado. – Mãe, vou levar Hermione para o meu quarto e depois nós descemos para a cozinha. – e sem esperar resposta, ela me puxou pelo braço para dentro da casa.

...

– Obrigada, Gina. – disse, afundando em sua cama, com a voz traduzindo toda a minha angústia. Bichento rapidamente pulou em meu colo, e eu o abracei tão forte que em um miado fraco ele me lembrou de soltá-lo. – Como eu estava com saudade de você sua bola de pelos! – disse, acariciando-o, enquanto ele ronronava.

– Hermione – Gina começou, doce, sentando ao meu lado – não vou perguntar o que está acontecendo, pois confio em você. Mas eu só quero saber se está bem...

Gina! Como eu a adorava... Sempre firme e enérgica, decidida e independente, dizendo as coisas certas no momento certo. Mas o que eu poderia dizer? ‘Sim, Gina, estou ótima. Vivo num chalé maravilhoso com o nosso temível professor de poções. Sim, aquele a quem Fred e Jorge sempre fazem piadinhas a respeito do seu cabelo – a propósito nem tão oleoso. E ah! Claro, esqueci de mencionar... Vou me casar com ele!’. Definitivamente não era assim que eu contaria isso a ela.

– Gina, estou bem. Mesmo... E obrigada por acreditar em mim. É minha amiga e confio muito em você. Mas eu preciso conversar com o Harry e o Rony agora... Preciso enfrentar o seu irmão. – suspirei, me levantando. – Mas como estão as coisas por aqui? – perguntei, desviando o assunto.

– Minha mãe está enlouquecendo... Ela usa o casamento do Gui como forma de distrair a todos, e também como um modo de evitar que conversemos uns com os outros... – ela disse, dando de ombros, e no meu olhar interrogativo ela continuou – Minha mãe sabe que vocês três tramam alguma coisa, e ela acha que dando inúmeras tarefas para o Harry e para o Rony vai conseguir impedi-los de conversar a respeito do plano de Dumbledore. – concluiu, abrindo um sorriso forçado.

– Não tiro a razão dela. Está preocupada... Ela sabe que os planos do diretor tendem a exigir muito da pessoa incumbida. – disse, com certo ressentimento, que não passou despercebido por Gina.

Dumbledore envolveu a todos em situações complexas. E o fato de saber que há muito tempo a morte de Harry era prevista me fez sentir um certo ressentimento do diretor. E para completar, o que ele designou a Snape também não ficava muito longe...

– O que quer dizer com isso? – ela perguntou, levantando uma sobrancelha. Mas por sorte, antes que eu precisasse bolar alguma coisa para responder, alguém bateu na porta.

– Hermione, nós temos que... – era Harry, e sua voz morreu ao ver a Gina.

– Anda, Hermione, ele já está na sala. – interrompeu Rony, um pouco ansioso, não percebendo os olhares entre intensos que pairavam no quarto.

– Ele quem?! – perguntei, curiosa.

– O ministro. – respondeu Harry, sério, voltando o olhar para mim.

– Rufo Scrimgeour? – perguntei, apreensiva. – Porque?

– Eu não sei, mas ele quer conversar com nós três – disse Rony.

Não era prudente que o ministro soubesse que eu estava na Toca. Temi que isso provavelmente chegasse até Voldemort e que Snape tivesse problemas. Mas não tinha como fugir.

Descemos as escadas em silêncio e encontramos o homem magro esperando ao lado do senhor Weasley, que trocava olhares furtivos e preocupados com Molly. Ele disse que queria nos falar em particular e seguimos até a sala de estar.

Ele começou dizendo que queria conversar com cada um de nós em particular, mas Harry foi taxativo quanto a permanecermos juntos e ele cedeu.

– Tudo bem... – murmurou em desagrado — Estou aqui pelo testamento de Alvo Dumbledore.

E então entendemos tudo. A conversa discorreu com algumas indiretas e ironias, e era evidente que o ministro suspeitava que escondíamos algo. Ele também estava decidido a achar que o diretor queria dizer algo com cada um dos pertences que nos foram presenteados, mas a primeira vista todos eles pareciam inofensivos. Até ele mencionar a espada de Godric. Eu e Rony ficamos boquiabertos, mas nossa reação nem chegou perto da atitude de Harry, que no meio da conversa acabou se rendendo a indignação que sentia aos absurdos que o ministério encobria. Scrimgeour ficou nervoso e os ânimos precisaram ser acalmados pelo Sr. e pela Srª Wesleay, que abriram a porta violentamente.

– Ele se foi! – gritou Molly, aliviada, depois de acompanhar o ministro até a porta.

Nos entreolhamos num misto de curiosidade, receio, alarde. Mas logo estávamos sendo puxados para fora do cômodo em direção ao jardim. Todos perguntaram curiosos sobre os objetos e fizeram as mesmas perguntas que eu me fiz internamente. Já estava anoitecendo e eu sequer havia conseguido trocar mais que vinte palavras com Harry e Rony, o que estava começando a me preocupar. Gina estava certa, Molly não deixava que ficássemos menos de um metro próximos, e quando isso acontecia ela corria inventando alguma função para o casamento.

O jantar foi então servido, seguido pelo bolo de Harry e o coro de ‘Parabéns para você’. Depois de conversas, risos, doces e brincadeiras, a festa acabou. E antes que eu pudesse enfim procurar por Harry, ele veio ao meu encontro e sussurrou para que eu os encontrasse quando todos já estivessem dormindo.

...

Segui para o sótão fazendo o mínimo de barulho que eu conseguia, e quando cheguei no quarto vi Rony analisando o apagueiro e Harry organizando algumas coisas que ele levaria consigo.

– Muffiato – sussurrei, fazendo Rony me olhar assustado. Mas antes que ele pudesse dizer alguma coisa, o cortei. – Agora me dê o apagueiro.

Analisei-o, ignorando os olhares curiosos que eles me lançavam. Apertando-o, a luz que iluminava o ambiente se apagou e, logo depois, apertando-o novamente, se acendeu.

– Certamente não é só para acender a luz que Dumbledore deu a você. – disse, intrigada. – Tem alguma coisa nesses objetos, mas o diretor certamente sabia que o ministério os confiscaria.

– Então você acha que Dumbledore quer nos dizer alguma coisa com eles? – perguntou Rony, alternando o olhar entre mim e Harry.

– Bem... sim. – respondi, simplesmente. – Mas nada aconteceu quando você pegou o pomo, Harry... eu podia jurar que alguma coisa aconteceria.

– Sim, eu também... Mas talvez ainda possa. – ele disse, girando o pomo entre os dedos. Lancei um olhar interrogativo, e ele simplesmente respondeu: Lembram como eu peguei meu primeiro pomo?

– Harry! – apontou Rony, tentando controlar a ansiedade – É aquele pomo... você... o engoliu! – disse, finalmente.

E então Harry o levou a boca, e uma frase foi se formando: ‘Eu abro ao fechar’, recitou, e tão logo as palavras desapareceram.

Pronunciamos a mesma frase inúmeras vezes, das mais diferentes formas, e nada de encontrar algum significado. Desistindo, começamos a falar sobre a espada e depois sobre os livros. Rony nos disse que eram contos infantis no mundo bruxo, o que soava ainda mais estranho Dumbledore tê-los dado a mim. Quando não tínhamos mais o que supor, o silêncio se fez presente e eles me olharam receosos. Respirei fundo e comecei a falar.

– Bem, sei que vocês tem muitas perguntas... Mas de início prefiro mostrá-los tudo que podem precisar quando fugirem. – disse, pesarosa.

– Espera... – disse Rony, me olhando de maneira inquisidora – Como assim ‘quando fugirem’? Não vai conosco? Harry disse que isso poderia acontecer, mas sinceramente, não acreditei.

– Rony, eu não posso... – comecei, tentando falar mais.

– Não pode? Hermione, não vamos sobreviver sem você!

– Então é sobre isso?! Não vão sobreviver sem mim? – explodi, magoada.

– Não, Hermione! Você sabe que não é sobre isso... – disse Harry, intervindo. E sim, eu sabia que não era o que Rony realmente queria dizer...

– Desculpa... – murmurei, me acalmando.

– Desculpa também – disse Rony, arrependido – Mas é que não saber onde está ou o que está acontecendo é realmente ruim... – declarou.

– Eu sei, Rony... Eu vou contar a vocês. Mas antes preciso alertá-los sobre algumas coisas.

Ambos assentiram e eu continuei. Mostrei a eles tudo o que estava na bolsa: Poções, bebidas, um pouco de comida, a cabana, livros, roupas, enfim, tudo que imaginei ser importante.

– E como não dá pra fazer comida do nada, de acordo com as cinco principais exceções na Lei de Transfiguração de Gamp, vocês vão precisar caçar e colher e... cozinhar. – declarei.

– Enfim, nessa bolsa tem tudo o que podem precisar. E tem mais uma coisa que descobri... – comecei, hesitante – Andei lendo sobre as horcruxes num desses livros de magia negra e...

– Você? Lendo magia negra? – perguntou Rony, zombeteiro.

– Cala a boca, Ronald! – retruquei, rindo – Enfim, e eu descobri algumas coisas sobre como podemos destruí-las. – disse, rapidamente ganhando o olhar apreensivo dos dois.

– E o que descobriu? – perguntou Harry, aflito.

– Descobri que o objeto que pode destruir uma horcrux deve ser tão forte quanto ela mesma, ou seja, o antídoto deve ser raro. Por isso conseguiu destruir o diário de Tom Riddle com a presa do basilisco, Harry.

– Lágrimas de Fênix! – ele Harry.

– Sim! Exatamente... O único antídoto. E esse é o problema... Não dá pra se carregar veneno pra todo lado! É muito perigoso... E há mais uma coisa sobre as horcruxes. Os objetos que guardam parte da alma da pessoa costumam se ‘afeiçoar’ com aquele que a carrega, por isso tomem cuidado. – disse, franzindo o cenho em preocupação.

O silêncio pairou sobre nós novamente, e eles voltaram o olhar para mim. E eu logo captei o que eles queriam. Não dava para fugir mais.

– Ok, vou chegar ao ponto que desejam. – disse, suspirando. – Mas Rony, você tem que confiar em mim. Promete? – perguntei. Ele assentiu, pesaroso, e eu continuei.

– Bom, Harry já sabe parte dessa história. E por favor, Rony, não pense que é porque não confiei em você, mas porque temi sua reação. – disse, num só fôlego. Eu realmente achei que ele ficaria bravo, mas ele concordou e pediu que eu continuasse.

Contei toda a história, desde o momento em que Snape me surpreendeu na biblioteca de Hogwarts até a nossa convivência na casa. Bem... não toda a história, claro. Não a nossa ‘relação’ – que pra ser sincera nem eu mesma entendia – mas como era viver com alguém que até então desconfiávamos.

E quando terminei, nenhum dos dois disse nada. Esperava que Rony fosse ficar me interrompendo a todo instante, mas no entanto, ele apenas me olhava estático.

– Rony, você está me assustando. Fala alguma coisa... por favor. – pedi, suplicante.

E tudo aconteceu muito rápido. No instante seguinte ele já estava de pé, batendo a porta atrás de si, e descendo as escadas de modo estrondoso. Fechei os olhos com força... Ótimo.

– Eu... eu vou falar com ele antes que acorde a casa inteira. – disse Harry, calmamente.

– Vou com você.

...