A sombra da torre dos corvos
1 Capítulo 1
Notas iniciais
os personagens de J.K estão seguindo suas vidas e Hogwarts ainda é uma das maiores escolas de bruxaria do mundo...
mas nem todo mundo quer ir pra lá.
Estava furioso...
Guardava suas roupas em uma mala como se fossem lixo em uma sacola, amassadas. Era difícil fechar, mas e daí?
Seu mundo inteiro iria mudar e muito nos próximos dias, já não chorava mais, passou os últimos quatro dias se desfazendo dos livros e dos materiais de estudo que imaginou usar na escola que sonhava frequentar.
Uma roupa em especial, porém, parou sua crise de fúria.
Era o uniforme do primeiro ano da escola Castelobruxo.
Sentiu a garganta apertar, sonhava em ir praquela escola a tanto tempo...
— E aí jovem?
Um homem mais velho estava apoiado na porta. Seu pai sempre soube a hora certa de aparecer ou sumir, mas naquele momento ele errou feio nesse quesito.
— Joga fora pra mim.
A camisa foi lançada no ar e o mais velho a pegou antes de cair.
— Ainda frustrado?
— Furioso.
— Quer ajuda? – Perguntou se encostando a porta.
— Eu me viro. – O pequeno Jason respondeu sem se virar.
Suspirando o mais velho tirou uma varinha de madeira clara do bolso da blusa, um agitar de leve e todas as roupas saltaram para fora do malão e em segundos foram dobradas e agradavelmente postas de forma ordenada em seu devido lugar.
— Sempre adorei magia.... – O garoto disse olhando a mala se trancar.
— Sabe que sua mãe é melhor bruxa que eu.
— Ela não me conhece, não sabe nada sobre mim! – Os gritos ecoaram na casa.
— Jason, sua mãe sabe tudo sobre você, mesmo não morando aqui.
— Ela me largou... E finalmente... Finalmente quando...
Os olhos do pequeno Jason caíram no papel amassado que jazia jogado debaixo da mesinha de canto, o símbolo na cera verde mostrava o brasão de Castelobruxo, a escola de magia que enfim havia o aceitado.
— Ela vai te arranjar uma vaga em uma escola tão boa quanto... eu... não posso... não posso fazer nada Jason.
Jason abraçou o pai com força, os dois não se veriam por muito tempo.
— Vai me escrever?
— Sempre.... E você?
— Todos os dias.
— Eu te amo meu filho.... Não queria que fosse assim.
— Nem eu.
Sair de casa não doeu tanto quanto entrar naquela chaminé, o pó de flu estava como sempre em um vasinho a direita.
—Quando chegar lá, dê lembranças ao Smith.
— Ministério da magia de Londres...
Pó de flu era, como dizer? Divertidamente esquisito, a sensação de se jogar em uma lareira acesa já era em si sufocante, ver as chamas purpuras tomarem conta do espaço miúdo era pior, mas viajar meio mundo em poucos segundos... isso sim era incrível.
A lareira que estava era bem maior do que a que saiu, foi puxado para fora por uma Elfa doméstica, ela parecia irritada no mínimo.
— Atrasado, sempre atrasados os bruxinhos.
Repetindo seu mantra de atrasados ela guiou o garoto pela mão até um elevador.
— Vá para o quinto andar, vire à direita, segunda porta a direita.
A Elfa empurrou Jason para dentro e o elevador se fechou.
O garoto ainda estava surpreso de mais para dizer qualquer coisa, vou pouco do lugar onde estava, mas imaginava ser o ministério da magia inglês.
Respirou fundo, sua mãe não foi recebê-lo na saída da lareira deveria estar ocupada, ela sempre estava.
O elevador parou e abriu a porta, um longo corredor cheio de portas escuras com maçanetas douradas estava a sua frente, respirou fundo mais uma vez e saiu, não foi difícil encontrar a sala que a Elfa indicou, se lembraria de agradecer depois.
Bateu na porta.
Ninguém disse nada lá dentro, ocupada talvez? Bufou, sua mãe estava sempre em reuniões ou ocupada de mais para fazer algo com ele, resolveu bater de novo, mais silencio. Decidiu entrar assim mesmo, quem quer que fosse receberia desculpas, e sua mãe uma boa...
— SURPEEESA!
Um bastão de confete e serpentina fez um sonoro "PAH" e o material colorido brilhante voou por toda parte, assustado, Jason se escorou na porta que se fechou atrás de si.
Sua mãe, Harold Smith, o atual namorado/marido dela e a Elfa lá de cima estavam esperando por ele, a sala dela tinha um punhado de letras flutuantes que formavam um "vem bindo" escrito em dourado. Uma velha brincadeira dos dois, não pode deixar de sorrir.
Sua mãe lhe agarrou assim que pode, beijava duas bochechas e dizia coisas como, "como você cresceu" e coisas como "nossa como está bonito, dever ser um perigo para as meninas solteiras".
Claro que não era verdade... mas quem resiste a um mimo ás vezes. Sua mãe enfim o soltou e Harold veio lhe cumprimentar.
— E um prazer conhecer você Jason.
— O prazer é meu. – Era mentira.
— Esta e a Tik, nossa Elfa.
Nossa Elfa... aquilo doeu de ser ouvido, tratavam a pobre como uma coisa.
— Prazer jovem mestre.
Ela fez uma reverencia digna de uma rainha, Jason sorriu e a imitou o melhor que pode.
— Oh meu bem, tão educado... tem tanta coisa pra gente conversar.
— Mãe eu...
— Não, não, agora não, você vai primeiro se instalar em casa, a Tik já levou suas coisas pra lá, agora e sua vez... Aaai deixa eu te abraçar de novo... eu estou tão feliz.
— Sega bãe... eu dão respirrrro....
Marcela finalmente largou o filho, sorria bobamente, mas Jason sabia que aquele sorriso era se não falso, temporário.
— Tik leve ele pra casa, quando quiser, ela vai levar você ao beco diagonal, tão ansiosa pra ver sua varinha...
— Eu... já tenho uma, papai me deu a dois meses.
O clima ficou tenso por um segundo, Jason sabia que o clima entre os pais era pesado, só não imaginou que fosse tanto.
— Ah... tudo bem... tem outras coisas que vai precisar...
— Claro mãe.
— Tik, leve ele pra casa, mostre tudo e mais tarde leve-o ao beco.
O tom de ordem era... palpável... seja lá o que isso significasse.
— Meu filho em Londres... Ai que orgulho.
Essa foi a coisa que Jason ouviu antes da porta fechar e ele e Tik se encaminharem ao elevador.
— Mestre Jason, por aqui.
Tik tinha a voz de alguém mais velho, ele não saberia dizer a idade dela, era a segunda vez que via um Elfo na vida.
Com habilidade a elfinha saltou e apertou o último botão de cima.
— Obrigado Tik.
Ela o olhou surpresa.
— Não agradeça mestre Jason, meu trabalho e servir os Silvias.
Silvia... sobrenome da heroína de guerra que no fim ele chamava de vovó.... Passou a olhar apenas o chão do elevador, não sabia bem o que sentir quanto a estar ali.
O elevador parou com uma sinetinha indicando a porta abrindo.
— Venha, vamos.
Tik era pura gentileza, segurava sua mão de forma firme, mas sutil, guiou o garoto por vários corredores e salões.
Cada um ornado de sua maneira, Jason poderia passar os próximos anos apenas observando a arquitetura do lugar, por fim pararam diante a um balcão num andar quase vazio.
— Meu mestre Jason Silvia.
— Na verdade, Jason Augusto Silvia.
A Elfa observou o garoto por um segundo, sabia bem de quem o sobrenome era, mas se manteve calada quanto ao que pensava.
Alguém pôs a mão para fora do vidro, um homem ao que pareceu.
— Papéis por favor.
Tik entregou uma pilha de papéis escritos a pena, pelo que pode ler rapidamente, o garoto viu que eram seus papéis de guarda legal.
— Identificação por favor.
— Seu nome mestre. E idade.
— Jason Augusto Silvia, 11 anos.
—Obrigado. Aqui está.
Quem quer que fosse atrás do vidro entregou de volta os papeis que Tik pegou e fez sumir com magia, logo depois uma carta selada com cera foi exposta, Tik acenou com o nariz para o garoto pegar e assim ele o fez.
— Leia mestre Jason, leia.
Suspirando ele abriu, e leu.
— Temos o prazer de informar que vossa senhoria tem uma vaga na escola de magia e bruxaria de Hogwarts....
Aquilo foi a gota final... algumas lágrimas mancharam a carta, havia recebido outro convite a alguns meses, seria estudante de Castelobruxo... seria um aluno modelo como o pai, conheceria tudo sobre herbologia e trato das criaturas magicas, ficaria amigo da diretora a Sra. Dourado, com quem já tivera alguns minutos de prosa..., mas tudo isso acabou... e aquela carta em sua mão era o último prego do caixão.
Desabou em lágrimas sem conseguir se controlar, Tik e o homem se olharam por um segundo.
— Eu já vi ficarem felizes com essa carta mas isso é ... demasiadamente inapropriado. – O homem da cabine disse.
— Calma jovem mestre... — Tik pareceu perceber que o choro não era de alegria, ela o abraçou carinhosamente.
— Quer um lenço? — O homem atrás do vidro ergueu a mão mais uma vez mostrando um lencinho branco com um W bordado.
Jason nunca soube por que lenços para alguém que chora, mas se controlou, respirando descompassado, se levantou e deixou o abraço de Tik.
— Obrigado... senhor? – Era difícil conversar com alguém de quem não podia ver o rosto.
— Percy... Percy Weasley.
— Obrigado senhor Weasley... vamos Tik.
O homem ficou alguns segundos dizendo que não precisava e que aquilo era só o trabalho dele, Tik o apanhou pela mão, não era uma ordem, Tik sabia bem diferenciar, o pequeno apenas saiu andando com a carta molhada e amassada na mão.
— Quer ir pra casa jovem mestre?
Jason pensou, ainda fungando resolveu que não queria ver a tal casa nova.
— Primeiro... quero que pare de me chamar de mestre.
— Claro senhor.
— Não... nem mestre nem senhor... só Jason...
— Isso seria rude mestre Jason.
— Não sou seu mestre Tik.
— É claro que é...
— Quero dizer... quero ser seu amigo, se eu precisar de algo eu pedirei com educação... mas não quero ser seu mestre está bem?
A Elfa pareceu confusa, mas aceitou com a cabeça.
— Agora... quero ir ao tal beco digonal.
— Diagonal.
— Sim esse aí... ela disse que eu teria que comprar mais coisas.
Tentou desamassar o papel, mas estava completamente destruído, riu de si mesmo, poderia não ir pra Hogwarts por falta de material talvez?
— Permita-me ajudar jovem...Jason.
Sorrindo, Tik concertou a folha com um estalo de dedos, agora Jason podia ler toda a lista de materiais para seu primeiro ano.
— Agradecido...
O elevador finalmente chegou, já tinha até se esquecido de onde estava, o lobby do ministério era no mínimo magnifico, as estatuas, as pessoa, até o jornal, Tik o levava pela mão, pequena como uma vovó, mas ágil como uma garotinha, andava rápido e ele penava para acompanhar, não levou muito tempo e estavam descendo as escadas em direção a uma parede de tijolos com latões de lixo espalhados, o lugar cheirava a xixi e deus me livre o que mais.
— Me dê um segundo.
Tik tocou os tijolos em uma ordem aparentemente aleatória, a coisa se moveu... um a um os tijolos dobraram e mudaram de forma, uma passagem se criou do nada e Jason estava diante de um lugar menos fedido e muito mais vivo.
— Beco diagonal...vamos, primeiro ao Gringotes.
O nome “beco” fazia jus a coisa, havia pouco espaço para tanta gente, Tik que era pequena, mas forte, seguia abrindo caminho entre pernas e saias. Jason não pode ver muito do caminho mas jurava ter esbarrado em uma cópia de uma das estatuas do ministério.
O banco era enorme, um castelo na visão do garoto, Tik esperou com ele em uma fila, as criaturas que trabalhavam lá eram... diferentes.
— Tik...
— Pois não.
— O que são...
— Duendes... não são amigáveis, nem confiáveis.
Tik parecia ter algum problema com eles.
Não tardou a chegar a vez dos dois.
— Identifique-se.
— Tik, sirvo a casa dos Silvia, cofre 28.
— E ele?
O duende dirigiu um olhar frio ao garotinho.
— Não precisa se identificar.
— Não... sem problema... eu sou Jason Augusto Silvia.
O duende não mudou a expressão, anotou algo nos papéis e voltou a perguntar.
— Tem a chave do cofre?
— Sim. -Tik respondeu. — Como se estivesse sempre lá ela ergueu a mão mostrando a chave.
— Venha comigo por favor.
Tik apertou mais a mão do garoto, Jason se sentia um bebê sob os cuidados de sua babá, seguiram por um longo salão aberto e entraram em uma porta adornada com flores de prata.
Jason quase teve um treco ao se ver diante a um abismo escuro e sinistro, o duende os guiou pela lateral onde uma serie de portas estavam fechadas, por fim desceram um lance de escadas e pararam diante uma porta redonda.
— Chave por favor.
Tik entregou a chave, o duende encontrou uma fechadura em meio a múltiplos desenhos na porta, estava tão bem escondida que Jason jamais a encontraria sem ajuda, a enorme porta se abriu, Jason ficou diante de um punhado de coisas brilhantes, taças e troféus que ele nunca tinha visto, provavelmente de Harold, um amontoado de papeis, documentos de sua mãe, mas o que chamou mais atenção foram as milhares de moedas de vários tamanhos, tantas que jamais acabaria de contar, e acima delas uma caixinha verde com um papel colado em cima.
"Jason, ao ler isto saiba que eu, assim como sua mãe, estou muito feliz em ter você conosco, fizemos tudo que podíamos para que estudasse em Hogwarts a escola que nos formou e que tanto temos orgulho, dentro desta caixa vai encontrar alguns galeões para suas despesas materiais, alguns dos melhores doces que já comi e um trio de coisas que somente eu poderia te dar, esperando que goste. Harold."
Assim como Tik, Jason sabia que aquela gentileza era formal de mais para ser sincera, suspirou, arrancou o papel e abriu a caixa, um punhado de moedas estava preso com um tipo de ima, ao lado uma caixa azul com a escrita "sapos de chocolate" em cima, e do lado disso uma chave como a de sua mãe, nela estavam escritos os números “462”.
— O que e isto?
Ele perguntou ao duende.
— Chave de cofre.
Suspirou, eram esses os segredos?
— Pode me levar até lá?
— Sim... já terminou?
Tik tinha razão, duendes eram estranhos irritantes e mal-educados.
Jason fechou de novo sua caixinha, mas antes de sair apanhou um bom punhado de moedas, se Harold queria ser "bonzinho" não iria se importar.
O duende fechou a porta e entregou a chave a Tik.
— Chave por favor.
Jason tirou a chave da caixa e entregou ao duende ele observou por um segundo antes de falar de novo.
— Por aqui por favor.
Lá iam eles escada a cima mais uma vez, mas não saíram caminharam até um beiral onde um tipo de carrinho os aguardava.
— Sentem por favor.
Tik apertou a mão do garoto.
— Se quiser pode esperar aqui Tik.
— Vou com você.
Ela pareceu decidida, juntos se sentaram no carrinho e sem aviso algum ele se moveu.
Tik se agarrava as roupas de Jason que apenas deixou acontecer, o carrinho dava voltas, subia e descia juma velocidade absurda, já estava gostando da coisa quando ele parou, o duende saltou e abriu caminho para os dois descerem, Tik parecia estar em fuga tamanha a velocidade que saiu da coisinha.
— Por aqui por favor.
Andaram por alguns metros até chegarem a um outro cofre, o duende abriu a porta e Jason suspirou mais uma vez. O espaço estava quase vazio, apenas um par de moedas em cima de uma caixa de madeira, apressado ele apanhou as coisas e saiu.
— Vamos ver lá fora.
O duende fechou a porta e devolveu a chave, Tik relutou por um segundo em voltar para o carrinho, mas era melhor do que ficar ali, subir era mais lento, mas não menos emocionante.
Tik foi a primeira a saltar do carrinho dessa vez, guiados até a saída pelo duende chegaram ao sol da tarde do beco que ainda estava bem movimentado.
— Está com fome Tik?
— Se quiser posso levá-lo ao Sarissa, é um bom lugar para comer.
Ele percebeu que ela não respondeu, mas não iria forçar nada a Elfa.
— Assim seja então.
Sorrindo ele foi puxado pela mão, carregava o par de caixas com cuidado, não sabia o valor daquelas coisas, o tal lugar onde a Elfa o levou era um tipo de lanchonete, um grupo de pessoas comia animadamente o que pareciam minhocas vivas, Jason se arrepiou e passou por eles. No balcão, Tik pediu dois especiais da casa, ela pagou com 4 moedinhas prateadas e sem dificuldade levou a bandeja com os dois lanches para uma das mesas.
— Tik, sabe o que é isso?
Ele mostrou a caixa de madeira que ainda não tinha aberto.
— Não.
— E isso? — Mostrou as moedas.
— Acredito ser um Espectogrum.
— Espec oque?
— Espectogrum, isso te conecta a alguém, faz com que sempre saibam se o outro está bem ou se está em perigo, ele aquece quando estão bem e esfria se estão tristes, coisas assim não são comuns... nem baratas.
— Entendi... bom acho que tem a ver com a caixa... como abro isso?
Tik estalou os dedos e os pregos simplesmente saltaram de seus lugares.
— Prático... obrigado.
Feliz ela atacou suas batatas fritas.
A caixinha estava repleta de papel amassado, em meio a eles encontrou duas fotos, e um par de cordões de metal brilhante, prata talvez.
— Ora veja só...sua mãe...
Tik observava a primeira das fotos, Rafaela observava uma janela sem perceber ser fotografada, uma xicara de algo fumegante em mãos.
Jason reconheceu o lugar, foi tirada em casa... na sua antiga casa... mas reconheceu também a tristeza perpetua que a mãe parecia ter dentro dos olhos.
A outra foto era diferente, Rafaela e Harold dançando no gelo, ele sorria, mas ela... estava maravilhosamente feliz, Jason nunca soube o que causou o fim do relacionamento dos pais, mas era visível como sua mãe estava bem naquela foto, reparou que os dois usavam moedas como as que ele ganhou como colares.
— Tem algo escrito atrás da foto. -Tik disse baixinho.
Ele virou o papel.
" divida coma alguém que mereça dividir a vida com você"
H.
Harold era bom com presentinhos, tinha que admitir.
Ficou calado pelo resto do lanche, se é que poderia dizer que lanchou, mal mal comeu uma batata e bebeu seu suco, Tik o arrastou de lá para inúmeras lojas, caldeirões, roupas, sapatos, por fim pararam em uma loja de vassouras.
— Pode esperar aqui se quiser Jason.
— eu... já tenho uma vassoura Tik.. Mas preciso de algumas... peças de reposição.
— Então venha comigo.
Os dois entraram, a loja era limpa e totalmente polida, madeira por toda parte, mas o que mais chamava a atenção era a vassoura na vitrine.
'Excalibur', a vassoura do ano, podia chegar a velocidades nunca antes atingidas e ir a alturas antes nem sonhadas, Jason sorriu, besteira pensou ele.
— Que peças precisa Jason?
Tik já tinha achado um vendedor e já tinha pego algumas coisas com ele, pasta de polimento e uma escova para as cerdas, Jason tratou de pegar tudo que queria, além de tudo que precisava algumas outras coisinhas lhe vieram a calhar, gastou quase metade do que tinha na caixa apenas naquela loja, e assim como o resto das coisas Tik sumiu com tudo num estalo.
— Agora precisamos dos seus livros, de sua varinha, e... um bicho.
— Eu já... um bicho?
—Sim, para a escola é permitido ter e levar um sapo, um gato ou uma coruja.
— Wow... gosto dessa ideia.
— Então vamos pra lá escolher um.
Juntos andaram quase toda a extensão da rua, já no fim encontraram a loja de animais.
— Espero você aqui fora.
— Certo.
Jason entrou e o som logo tomou outro patamar, pios e miados, coaxantes sapos de todos os tamanhos, o lugar era no mínimo fantástico.
— Posso ajudar?
— Ahhmmm. Sim... eu acho.
— Acha que posso ajudar?
A atendente riu.
— Eu estou indo pra Hogwarts...
— Deixa eu adivinhar... coruja?
— Eu sinceramente... não sei. Nunca tive nada assim.
— Ora então este tem que ser especial, o primeiro mascote de um bruxo tem que ser memorável
Ela andou por toda a loja e voltou com uma gaiola.
— Essa aqui veio do norte, uma coruja parda, quando a comprei ela estava vindo de navio deus sabe de onde, conhece muito do mundo.
A coruja de enormes olhos amarelos apenas o observou.
A moça veio com outra gaiola.
— Este rapaz aqui e um sobrevivente, uma coruja como essa e única no mundo, tem só um ano.
Era todo cinza e tentou bicar seu dedo quando se aproximou, sorriu.
— Talvez eu não seja bom com aves...
— Ceeeerto, que tal... a sim... bisquers...
Ela apanhou um gordo gato malhado de trás do balcão.
— O bisquers aqui e só amor, nunca fez mal a uma mosca.
Jason sorriu e acariciou o gato, descobriu assim que ele não era gordo, era peludo.
— Claro temos também....
Miau.
Algum deles miou alto...Jason procurou com os olhos até encontrar, um gato completamente preto estava deitado perto de seu pé.
Jason se abaixou para acariciar o gato negro, ele se enroscou nas próprias patas se tornando uma bolinha peluda.
— E esse carinha aqui?
— Ah... eu não sei nada sobre ele, alguém deixou a porta aberta e ele entrou e nunca mais foi embora...
Como se soubesse que falavam dele, o gato ergueu os olhos, incrivelmente preto exceto por uma mancha branca no olho esquerdo, um olho escuro e outro azul esbranquiçado.
— Wow... você é bonitão.
A vendedora teve um arrepio e Jason notou.
— O que foi?
— Esse gato... me lembra alguém, um bruxo das trevas.
Os olhos de Jason e do gato se encontram...
La fora Tik esperava, a porta se abre e Jason sai com uma caixa de transporte e um gato nos braços.
— Tik... esse é o Gellert.
Caminharam juntos por quase todo o beco, Jason conheceu as lojas uma a uma e com a ajuda de Tik comprou tudo que precisava.
— Agora sua lista está completa...
— Eu gostei de vir aqui... vou voltar quando puder.
— Você deveria vi nas férias, fica bem menos movimentado.
— Quem sabe... vamos pra casa?
— Sim, sim.
Jason jurava que iriam andando como na vinda, mas assim que segurou a mão da Elfa ela estalou os dedos e com um solavanco, estavam na porta de casa.
Gellert saiu de sua caixinha se sacudindo, espreguiçou-se lenta e gostosamente e se sentou diante do dono.
— O trem para a escola sai amanhã as 8 em ponto, eu devo receber ordens de leva o senhor até lá, enquanto espera fique à vontade mestre Jason.
Primeiro quis chamar a atenção da Elfa sobre o "mestre", mas bastou olhar para a grande janela da sala para ver Harold observando que Jason entendeu... ali não era território amigável.
Suspirando pegou o gato no colo, a casa da mãe era enorme e seria fácil perder o felino de vista, as portas se abriram sozinhas e ele entrou na sala mais "branca" que já viu na vida, o piso de mármore polido, as paredes texturizadas, o teto e os móveis, tudo magistralmente branco.
Sua mãe estava sentada com as pernas encolhidas num sofá enorme, Harold segurava um copo de vidro com alguma bebida amarelada, silencio... apenas o som da lareira crepitando.
— Ah Jason, que bom que já voltou.
— Sim, obrigado por me receber Harold.
— E vejo que você tem... um novo amiguinho.
— A carta dizia que eu deveria levar um...
Ele sabia que o termo correto era 'poderia', mas não sabia o que fariam com Gellert se não pudesse ficar com ele.
— Filho...- sua mãe falou. — Nossa família tem uma coruja própria, não sei por que a Tik não lhe contou.
— Ela contou sim, mas eu queria algo meu. – Não era verdade, mas algo dizia que foi melhor seguir daquela maneira.
Os dois adultos trocaram um olhar, suspirando Marcela se levantou e se aproximou.
— Então que assim seja meu bem, Tik vai conseguir alguma ração pra hoje, e você vá se lavar, vamos jantar em breve.
Jason foi guiado por uma Tik muito silenciosa pela casa, as escadas eram lindas, suspensas por magia, tinham apenas três degraus que acompanhavam os passos de quem a usava, o segundo andar era amplo, um mezanino de madeira cercado de vidro espesso, Tik o levou até um dos quartos, simples mas bonito, uma cama de casal que caberia facilmente uma família, um guarda roupas, uma mesinha com uma luminária, carpete felpudo por todo o piso, e a iluminação era uma pequena lua que brilhava em azul clarinho.
No canto havia uma porta simples, descobriu ter um banheiro simples, se lavou, estava suado e cansado, vestiu-se com roupas leves e se jogou na cama, Gellert saltou do piso com magistral elegância, era leve nos passos, Jason sorriu vendo o gato se ajeitar entre suas pernas, ouviu o ronronar suave e antes que percebesse dormiu...
Fale com o autor