Notas iniciais
OLá, queridosa leiores!

Como sempre, eu tardo, mas nao falho, e és aqui mais um capítulo de "A serpente e a estrela".

Agradeço a todos que continuam a acompanhar minhas histórias, mesmo com a demora.

Ah, no capítulo passado eu havia dito que apresentaria a vocês Saga e Aiolia nesse capítulo, mas infelizmente a fic ganhou vida própria e eles provavelmente só aparecerão no próximo. Trago outros personagens aqui.

Abraços mega afetuosos a todos que acompanham e comentam, ou seja, incentivam essa autora aqui.

Notícias, imagens, glossário, no blog: http://yaoifictions.blogspot.com.br/

É só colar no navegador.

Boa leitura a todos!

Sion Neblina

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Quem vai dizer ao coração,
Que a paixão não é loucura
Mesmo que pareça
Insano acreditar

Me apaixonei por um olhar
Por um gesto de ternura
Mesmo sem palavra
Alguma pra falar

Quando a gente ama – Oswaldo Montenegro


O dia amanheceu no deserto. Quando Ikki acordou, o beduíno já preparava o desjejum fora da tenda. Ele, Ikki, ergueu-se e foi até a tina de água lavar o rosto e mascar a folha de noz, junto com o mel, que higienizava a boca. Ajeitou os cabelos e logo os cobriu com o lenço negro responsável por protegê-lo do sol escaldante da Arábia. Saiu da tenda e cumprimentou o homem de longa barba que fumava um cachimbo enquanto observava pássaros voando à distância.


— Creio que já posso continuar minha viagem, meu amigo — falou o tamudaei. — Obrigado sempre pela companhia.


— É sempre um prazer ter companhia no meio do deserto, então eu é que agradeço. Shukra. — Zahid uniu as mãos e se inclinou de leve, depois pegou o ao e o chá e serviu ao jovem, sobre a esteira de junco. Ikki se inclinou respeitosamente antes de começar a comer, esperando o beduíno iniciar a refeição para só então se servir.


Fora da cabana, o dia começava no Oásis de Al-Hasa com o movimento das mulheres, camelos, homens e crianças, que viviam e comercializavam perto das raras águas do deserto.


Os dois comeram em silêncio e quando terminaram, o beduíno fez uma saudação aos deuses antes de falar:


— Agora, Ikki, antes que eu me vá, conte-me o restante da tua história. Sei que terei só o tempo em que arrumas tuas coisas, mas causa-me tão grande aflição saber de tudo que te aconteceu, meu jovem, que sinto a necessidade de ajudá-lo, nem que seja apenas ouvindo tua dor.


— Não fique aflito, meu amigo — o mercenário sorriu levemente. — Fiz uma promessa há muito tempo e a cumprirei. Não morrerei sem encontrá-lo, então... fique em paz.


Zahid sorriu.

— Então conte-me o que puder contar. Eu me conformo.

— O que posso dizer? Shaka parecia aceitar sua condição de escravo e que deveria permanecer disfarçado até que pudesse fugir. Ele tencionava fugir, eu nunca cogitei deixar que isso acontecesse... Não sem mim. Mas a verdade era que aquele anjinho loiro sabia quem era o escravo: eu. — Ikki falava enquanto arrumava suprimentos em seu cavalo.

— E como foi a vida de vocês nesse curto período?

— Doce... mas complicada...

A Arábia naquela época formava o reino de M’ain, um grande império dividido em vários clãs. Os mais poderosos eram os Tamudaeis de Karna, os quraysh de Makkah e os Sabeus em Ma’rib. Os clãs árabes se reuniam para forjar alianças e guerrear. Alguns, como os quraysh em Makkah, queriam a expansão do império. Omã era um líder militar e político, um Emir, um dos sete chefes hereditários. Então, ele era obrigado a ir a Makkah sempre que havia reuniões, e eu, como herdeiro, precisava estar junto.

Algumas viagens duravam meses. Nesses períodos, eu quase adoecia de saudade do meu amigo. Era no que acreditava: que aquilo era amizade. Eu era jovem e tolo demais para entender que fosse outra forma de amar.

Sempre que íamos a Makkah, comprávamos suprimentos em seu grande mercado. Também visitávamos a Kaaba e fazíamos oferendas aos deuses diante de AL-Hajar-el-Aswad (a pedra negra).

Nesses períodos, Shaka ficava no harém com Jamila. Para um menino era difícil passar o dia sendo penteado, vestido e cuidado por várias mulheres e sem nada divertido para fazer. As concubinas de Omã o tratavam como a um bebê e apenas Jamila sabia que ele era um menino. Shaka aprendia tudo que as mulheres aprendiam, mas não era bom em absolutamente nenhum dos afazeres feminis. Do que ele gostava mesmo era de algo que em Karna lhe parecia impossível exercitar: o desenho e a escrita. O príncipe persa já estava cansado de ler sempre as mesmas coisas, e eu saí com a missão de encontrar novas fontes de diversão e conhecimento para o meu amigo.


Meu pai estranhava minha alegria ao comprar aquelas coisas para o loiro. “Pensei que mulheres gostassem de tecidos e perfumes”, ele observava e eu sentia meu sangue gelar nesses momentos. O Chacal não entendia o que poderia ter naqueles pedaços de couro e papiro que interessasse a Shaka, já que ele também, tal como eu, não sabia ler. Eu também não entendia, mas se aquilo fosse fazer o najariano feliz, eu compraria todos os pergaminhos de Makkah. O grande problema era que, na maioria das vezes, eu só conseguia mapas das rotas beduínas; nada mais que isso. As histórias que em Najah eram registradas em couro, na Arábia eram transmitidas oralmente de geração a geração.


Eu também percebia o interesse de Omã por Shaka. Ele estava sempre o observando. Ele o cobiçava em silêncio, pois o líder do clã era um homem que não podia voltar atrás na palavra empenhada, e o ariano era meu; era meu por determinação do Emir, e nem o próprio rei possuía o direito de tocá-lo; isso poderia desencadear uma maldição.


Nossos retornos a Karna eram sempre comemorados com festas. Geralmente, festas proibidas, fora da grande fortaleza. Eram festas d’A dádiva, e mulheres e crianças ficavam fora delas. Somente as escravas, “espólios de guerra” que não interessavam ao clã, participavam como nada mais que instrumentos para a satisfação dos homens...


Ikki estava sentado ao lado de Omã. Eles tinham acabado de voltar de Makkah, e o príncipe só pensava em tomar um banho e abraçar Shaka. Contudo, o pai exigiu que ficasse ao seu lado até o final da noite.


— Permitirei música estrangeira em Karna — o rei declarou bebendo da sua caneca de vinho.


— Música estrangeira? — Ikki franziu as sobrancelhas confuso.


— Sim. Jamila deseja dançar e ensinar sua dança às outras mulheres, e desejo satisfazê-la. Já mandei buscar uma banda de Sabá, lugar onde as mulheres dançam.


O garoto assentiu com a cabeça e continuou bebendo seu vinho. Os homens cantavam suas cantigas militares e as novas escravas os acompanhavam, algumas sorrindo e outras chorando.


Uma das novas aquisições de Omã se aproximou da mesa em que eles estavam assentados. Os olhos escuros da mulher miraram o príncipe e ela abriu os botões do vestido que usava, ficando completamente nua.


O Chacal sorriu e fitou o filho.


— Ela o deseja, Ikki. E é jovem e formosa. — Olhou a mulher achando graça nela. — Quantos anos tens, criança?

A mulher passou as mãos de longas unhas negras pelos cabelos cacheados e acastanhados.

— Dezesseis, meu senhor.

— E qual o seu nome?

— Shyna, meu senhor.

— De onde vens, Shyna?

— Etrúria.

O Chacal sorriu e mirou o filho novamente.

— A queres para ti, Ikki? Mais uma concubina para quando cansares da menina persa.

O moreno mirou a mulher com atenção. Ela era bonita e sensual, mas ele não teve nenhuma impressão além dessas.

— Fico. — Respondeu com desdém. Shyna ficaria no harém, e ele pouco se importaria com ela. Era o que pensava.

“E eu nunca saberia que aquele ato pueril e impensado seria a minha perdição.”


A Serpente e a Estrela

الثعبان والنجوم


Atrás do castelo do Grande Faraó havia um imenso pátio onde os nobres praticavam seus esportes preferidos: o galope e o tiro ao alvo. Ali também era o local onde Defteros, irmão ilegítimo do soberano, passava a maior parte do seu tempo.

Ele treinava muito com a intenção de se tornar um grande soldado e servir ao Egito nas guerras, tal qual seu irmão Aspro. Porém, Defteros ainda não alcançara a patente que o irmão possuía. Aspro fora tutelado por Hades desde o seu nascimento, e coube ao gêmeo mais novo, Defteros, cuidar de sua mãe, eternamente doente, e servir ao faraó. O jovem gostava da vida que levava, embora aspirasse um dia poder fazer as longas viagens que Aspro e Kanon executavam ao redor do mundo e para isso ele treinava incessantemente.

Quando terminou o treinamento daquela manhã, o rapaz banhou-se e foi para casa onde acompanhou a mãe no desjejum. À tarde, ele seguiria para o grande castelo onde ofertaria ao príncipe Mu, futuro faraó, aulas de tiro ao alvo e equitação; embora achasse que a criança não se interessasse muito por essas coisas.

Ele sorriu com esses pensamentos; Mu era um rapaz doce, mas tinha uma alma bastante voluntariosa que Nefertari e Saga tentavam domar, mas isso não seria fácil.

— Tens notícias de Aspro? — Nájila perguntou depois de lavar as mãos nas pequenas cuias sobre a grande esteira de junco.

— Ele esteve em terra há pouco tempo, mas apenas visitou Hades e Kanon — disse o filho, bebendo um pouco da cerveja do seu copo.

— Tome cuidado com seu irmão, Defteros. Hades não é um homem de coração e sinto que Aspro muito aspira dele. — Volveu Nájila.

— Aspro nos ama, mãe — resmungou Defteros.

— Tua ingenuidade o matará, criança — falou a mulher, cujo azedume se acentuara com o passar dos anos. No fundo de sua alma, embora nunca houvesse confessado, Nájila aspirava se tornar esposa do faraó. Sabia que seus filhos nunca herdariam o trono, já que o sangue real era passado pelas mulheres, mas almejava um dia habitar o grande castelo e não aquela casinha humilhante dada como esmola pelo soberano. A dor da rejeição amargou-lhe a vida e mesmo que não de forma intencional, ela incutiu esse amargor às suas crianças.

— Eu preciso ir — falou Defteros inclinando-se e reverenciando a mãe.

— Defteros, abandonaste a casa de vida?

O jovem parou e coçou os cabelos revoltos e azulados.

— Sim. Eu não gostava de lá. — Confessou.

— Estúpido! Já és filho de uma escrava e ainda por cima relegas tua educação? Nunca serás como Aspro dessa forma!

— Não quero ser como Aspro! — resmungou irritado.

— Pois bem. Então sigas sendo o capacho do príncipe e do faraó, porque enquanto pensares com tamanha pobreza, é isso que serás para sempre! E que os deuses tenham pena de ti no tribunal de Osíris!

Defteros irritou-se, mas apenas virou nos calcanhares e partiu. Não sabia discutir, não sabia se defender das maldições da mãe. Sabia, todavia sentir raiva; raiva das palavras e raiva das comparações que ela sempre fazia entre ele e o irmão.

Ele chegou ao castelo, mas não encontrou o sobrinho. Um dos Medjai lhe informou que o jovem-faraó havia saído cedo, pois acompanharia a comitiva do pai naquela manhã.

O gêmeo de Aspro resignou-se e caminhou para outra área do castelo; o grande jardim real. Ao chegar nela, encontrou sua irmã Pandora tocando um instrumento de cordas que ele não conhecia. A jovem vestia uma saia que a cobria dos pés até a barriga, e seus seios fartos e rijos estavam à mostra, fazendo uma curvatura graciosa sobre o tecido. Os cabelos do mais intenso negror caíam sobre a pele branca. Ela ficou um tempo sem parecer notá-lo, mas quando o viu, sorriu de forma sensual, lambendo levemente os lábios rubros pela púrpura de Tyr.

— Defteros! que surpresa, entre! — a bela o convidou.

— Não. Eu só fui atraído pela música, estou de saída — respondeu o rapaz.

— Ora, não seja tímido. Aspro não é assim! — continuou Pandora soltando o instrumento e caminhando até ele com sensualidade, o tecido justo exibindo todas as formas da sacerdotisa de Bastet. — Eu sinto sua falta — ela falou. — Não me visitas desde que nos tornamos adultos...

— Não a visito desde que se tornou esposa de Miquerinos. Por falar nisso, o que faz aqui? — Defteros não conseguiu esconder o quanto o casamento da irmã com Hades o havia magoado.

Pandora sorriu e segurou as mãos dele, levando-as até seus seios nus.

— Não digas que não me desejas ainda com aquele mesmo frêmito da nossa juventude... — ela sussurrou.

Defteros mordeu os lábios para conter a excitação, mas seus dedos moveram-se sobre os bicos duros e salientes dos seios da irmã, fazendo-a gemer e jogar a cabeça para trás de forma lânguida e entregue. Pandora sabia como seduzir o meio-irmão. Ela era a mulher mais bela do Egito, como muitos diziam. Seus olhos violeta, suas curvas perfeitas, a pele branca que não conhecia o sol. Tudo nela instigava os poetas e cantadores, embora nos últimos anos, ela houvesse ganhado um poderoso rival, que a irritava e enciumava; Shaka, sacerdote de Háthor.

A bela irmã do faraó achava um desatino que se dissesse que Háthor e Hórus habitassem o corpo de um cortesão estrangeiro que para ela não passava de um eunuco sem atrativos. Mas enquanto o belo nunefer não atrapalhasse seus planos, seus ciúmes ficariam controlados, pois, antes de tudo, a bela princesa era astuta e fria.

— Pandora... — Defteros gemeu enquanto era empurrado para um gazebo cheio de almofadas coloridas e macias, feitas com penas de íbis. Mas o jovem não permitiu que a irmã o levasse para sua teia. Segurou a mulher fortemente pela cintura e tomou-lhe a boca com violência, abafando uma exclamação de protesto que ela iniciaria, sufocando-a com sua língua quente.

Pandora já conhecia o vigor de Defteros e adorava a voracidade com que ele amava. O meio-irmão a levou para atrás de algumas palmeiras do jardim e fez sua saia em pedaços rapidamente, deixando-a completamente nua. Livrar-se do saiote que vestia foi muito fácil para ele.

Pandora gritou e apertou os braceletes de ouro nos braços fortes do homem quando ele a ergueu pela cintura e a penetrou profundamente, fazendo suas costas delicadas baterem na parede negra de basalto.

— Sua vadia... Veio aqui louca para ser fodida, não é? — ele sussurrou mordendo o pescoço da mulher que riu e gemeu de dor — Aquele velho necrófilo não sabe fazer direito pelo visto! — falava e arremetia rápido e com força, fazendo Pandora gemer e gritar.

— Não... Ele... Ahhh... Ele não é como meus irmãos... — murmurou envolvendo a cintura de Defteros com as pernas, o corpo sendo balançado pelos movimentos intensos, os seios sendo chupados e mordidos por ele. — Defteros... Ah... Def... — ela gemia ensandecida de prazer, chegando ao orgasmo rapidamente numa mistura agônica de risos e lágrimas.

Defteros ejaculou enchendo a irmã com seu sêmen e recostando o corpo no dela em seguida com a respiração ofegante, resfolegando como um garanhão que termina uma corrida.

— O que você quer, Pandora? — ele perguntou. Conhecia-a muito bem e sabia que seu abrir de pernas tinha preço. Sempre tinha um preço.

— Amanhã... no jantar da família real... — a bela jovem começou ofegante enquanto beijava os cabelos cheirosos do irmão predileto — não quero que venha... Não quero que passe nem por perto do castelo.

— Por quê? O que acontecerá aqui? — Defteros se afastou para olhar o rosto suado e ainda enrubescido da irmã.

— Eu não sei. Mas sei que Hades e Kanon pretendem fazer algo. Não sei exatamente o quê. Promete-me ficar distante?

— Eu não venho aos jantares dos nobres, sabes muito bem disso — resmungou o rapaz saindo do corpo da irmã e indo à procura de suas vestes.

— Mas esse será especial. Pelo que sei, Aspro virá, e ele pode exigir sua presença como um presente. Soube que Faraó está muito feliz com os feitos militares do nosso irmão.

Defteros resmungou algo que Pandora não entendeu, mas ela sorriu percebendo que conseguiu inflamar o ego do gêmeo mais novo.

— Eu não venho, fique despreocupada.

Pandora se aproximou dele e tocou-lhe os ombros largos com carinho.

— Sabe o quanto o amo, meu irmão. Não o quero exposto às maldades de Hades.

— Mas deixa exposto Saga... — volveu Defteros mirando os olhos violeta de Pandora com mágoa. — Sabes que sirvo a ele fielmente.

— Eu também o sirvo, mas o Deus tem a proteção de Osíris, não precisa de mim, como você — ela abraçou o mais velho. — Por isso é meu dever cuidar de você e de Aspro, dos dois.

Defteros era quatro anos mais velho que Pandora, mas era ingênuo. Fora criado pela mãe, afastado das intrigas da corte e acreditava realmente nas boas intenções da irmã.

— Eu cuido do Faraó, Pandora. Então se sabes de algo...

— Não tenho certeza...

— Diga...

— Nefertari. Ela procurou meu marido em busca de um veneno. Sabes que Hades é versado na necromancia e nos feitiços. Temo pelo faraó e por ti, se estiveres nesse banquete...

Defteros se afastou da irmã e ajeitou a roupa.

— Preciso advertir Saga.

— Não sejas tolo, ela é a grande esposa real, ele não vai acreditar em ti! — tornou Pandora. — Não temos provas, e eu nunca falei tal coisa, Defteros, ouviste bem?

— E o que podemos fazer então?

Pandora passou as mãos nos cabelos longos como se pensasse.

— Ah... Melhor pensando..., acho que deves ir ao jantar. Assim estaremos por perto e não permitiremos que Nefertari sirva nada ao faraó.

— Ela pode encarregar algum servo — volveu o rapaz pensativo.

— Então eu me certificarei de que Saga só beba do vinho e da cerveja que tu o servires, Defteros.

— Como? Mas eu não sou um...

— Acabaste de dizer que és servo fiel de Faraó. Qual o problema em servir-lhe vinho e cerveja? — Pandora questionou. — Se não podes fazer isso, eu mesma o faço. Não me envergonho, é uma honra servir ao Deus na terra.

— Eu o servirei. — Volveu Deftero. — Quando é o jantar?

— Amanhã. Estarei no castelo. Por favor, nada do que lhe falei pode sair daqui, meu irmão. Faraó corre perigo e precisamos protegê-lo.

— Sim, minha irmã, sim.

Pandora caminhou até suas vestes rasgadas e as vestiu. Logo se cobriu com um longo manto negro e voltou a se aproximar do meio-irmão o beijando apaixonada.

— Amo-te. Tu sabes, não sabes?

— Sim. Eu sei.

— Voltarei para Queb, nos vemos amanhã. — Ela se afastou do irmão e caminhou para fora do jardim. Defteros esperou alguns instantes e fez o mesmo. Precisava pensar, pois sua cabeça fervia com aquela história.

Quando os dois deixaram o jardim, uma figura de astutos olhos se exibiu à luz. Ele estava ali há algum tempo, desde que a mulher chegou e ficou a tocar sua harpa. Ouvira toda a conversa inacreditável e se enojara com a ingenuidade daquele rapaz.

Shaka livrou-se do lenço negro que cobria seu rosto e respirou fundo, sentindo o cheiro adocicado de sexo e do óleo de jasmim que Pandora usava.

“Imbecis, nem ao menos conferiram se o ambiente estava seguro”, pensou irônico deixando o jardim em seguida.


A Serpente e a Estrela

الثعبان والنجوم


Ikki ainda teria algumas horas com Zahid, antes de seguir seu caminho em direção ao litoral, já que o beduíno também viajaria para encontrar o mar e visitar sua família, antes de retornar à solidão noturna no deserto.

Na manhã azul da Arábia, eles seguiam sobre seus cavalos em direção ao litoral.

A rota já estava traçada no pergaminho que o jovem tamudaei trazia amarrado em sua cintura, dentro de uma capa de couro de cabra. Ele sentiu o vento que levava um pouco de areia aos seus olhos muito azuis, e seu olhar se perdeu no horizonte enquanto ele pensava em algo mais azul do que todo aquele límpido céu. Bateu o pé com força na barriga do animal e assoviou por baixo do tecido que cobria seus lábios. O cavalo negro se pôs em disparada, e as lembranças voltaram a povoar sua mente.

Uma amizade profunda se fez entre eles. Quando estavam juntos nada mais importava. Shaka não gostava de fingir-se de menina, mas quanto mais o tempo passava, mais aquilo parecia perder a importância para o garoto de Najah. Em verdade, ele parecia nem notar mais esse detalhe, a não ser quando alguém exigia que ele dançasse, isso sim o ariano odiava. Como todo menino, ele estava mais interessado em combates e espadas, mas havia algo muito maior que o envolvia: a leitura e a escrita. E para ele chegou um momento em que tornou-se inadmissível que Ikki não pudesse compartilhar isso consigo.

Eles passavam as madrugadas em conversas infinitas, o árabe falava sobre guerras e o persa falava sobre os deuses. O que sobrava no moreno em conhecimento bélico, faltava em conhecimento cultural, e Shaka era impressionantemente culto para a sua pouca idade. O persa explicou ao árabe que passava muito tempo trancado no castelo lendo, que nunca tinha saído da sua cidade e que tudo que sabia era teórico. O jovem príncipe de Najah era mais culto que a maioria dos anciões árabes. Música, poesia, astronomia, matemática e muitas das várias línguas faladas na península eram conhecidas por ele. Tivera mestres de diversos lugares, embora seu pai nunca permitisse que ele deixasse Najah. Naquela cidade, era como se ele fosse uma criança, bem diferente de Karna.

Quando Ikki voltou certa manhã, cheirando a vinho, Shaka estava no quarto, sentando sobre as pernas, tentando desenhar algo em uma tira de couro sem cor. Ele usava um pedaço de carvão que manchavam as pontas dos seus dedos de negro. O árabe entrou no quarto e jogou o alforje cheio de presentes sobre a cama, antes de correr para o quarto de banhos, pois sentia-se sujo e suado.

Ikki banhou-se e lavou a boca, voltando para o quarto, mascando hortelã e noz, coisas que limpavam os dentes e desodorizava o hálito.O moreno estava completamente nu e observou o amigo por um tempo. Shaka parecia bastante concentrado no que fazia.

— Ei, não me viu chegar? — ele indagou meio irritado.

O loiro virou os olhos para ele e voltou a observar o desenho, indiferente.

— Shaka! — Ikki chamou-lhe atenção novamente.

— Vista-se! Não conversarei com alguém despido — replicou o loiro com petulância.
— Eu me visto se eu quiser, aqui eu sou seu...

— Amigo. Tu és meu amigo e só — o loirinho recolheu o couro, o enrolando como um pergaminho e guardando os pedaços de carvão numa caixinha de madeira. Depois ele sentou-se na cama, ajeitando a longa túnica e cruzando os braços, fechando levemente os olhos.

O príncipe árabe soltou alguns palavrões, mas se conformou em pegar uma calça num cesto e a vestir, sentando-se em seguida ao lado do persa. Estava irritado. Geralmente Shaka pulava sobre si quando ele voltava de viagem e agora estava ali, completamente indiferente à sua presença.

— O que foi que eu fiz? — a voz do árabe saiu um murmúrio magoado.

O garotinho loiro revirou os olhos.

— Você trouxe uma menina... — Shaka o encarou irritado. — Por que trouxe uma menina? Justo uma menina! Meninas não sabem conversar sobre nada que não seja vestidos! Elas são chatas! Por que não trouxe um menino para me fazer companhia?

— Não quero que seja amigo de outros meninos — Ikki resmungou raivoso.

— Por quê? — Shaka franziu a testa intrigado.

— Porque não quero. Foi Omã quem a deu pra mim, eu nem queria — disse movendo os ombros, demonstrando indiferença.

— E o que fará com ela? — Shaka indagou curioso.

— Nada. Ela ficará no harém. Se você não gostou dela, eu posso vendê-la ou matá-la — o árabe deu de ombros, e o persa por sua vez socou-lhe o braço.

— Já lhe disse que não podemos vender e matar pessoas, que isso é hediondo, seu parvo!

— Sim, disse, mas não me disse o porquê – interrogou o árabe curioso. Ele não conseguia entender o senso do ariano. Por que não podia matar? Matar foi tudo que aprendeu, era o que deveria fazer. Agora vinha aquele menino estrangeiro e dizia que era errado. Ele simplesmente não entendia.

Shaka moveu-se na cama e pegou o pedaço de couro que havia, com muito esforço, escrito em carvão.

— Abre, Ikki — ele pediu, e o moreno obedeceu. O couro estava marcado com vários desenhos, símbolos que o tamudaei não conhecia.

— O que é isso?

— Uma cartilha. Esses sãos os símbolos da escrita do meu povo, não do meu povo original da Ária, mas a escrita de Najah. É o akkad. Você precisa aprender, e eu serei seu mestre!

O árabe arregalou os olhos surpreso.

— Você quer que eu... que eu aprenda? — murmurou chocado.

Shaka sacudiu a cabeça positivamente.

— Ao menos vamos tentar. Se não conseguir é porque você é muito burro! — provocou com um sorriso sapeca.

— Ah, eu vou te mostrar quem é o burro aqui! — ele ameaçou, e o loiro saiu correndo, sendo perseguido de perto por seu amigo.

...

— No que está pensando, meu jovem amigo? — a voz de Zahid o despertou das lembranças, e Ikki suspirou triste. Teriam muito que cavalgar e por enquanto tudo ainda era deserto.

— Lembranças, meu amigo, lembranças... — repetiu pesaroso.

— Então continue compartilhando-as comigo.

— Estou pensando nas aulas que tive...

— Aulas?

— O príncipe de Najah decidiu que precisava “educar-me”, disse que eu precisava aprender o que ele sabia. Em Karna nunca se deu muita importância para esse tipo de conhecimento. A superstição e a ignorância do povo permitiam que os líderes de clãs dominassem de forma cruel e totalitária.

— Parece que ele teve êxito em educá-lo — sorriu o beduíno ao passo que eles alcançavam uma nascente. — Vamos dar águas aos cavalos, antes de continuarmos.

Zahid sugeriu. Os dois apearam e caminharam na direção da nascente d’água.

— Sim, eu aprendi muitas coisas, ler e escrever em várias línguas, astronomia e o melhor de tudo... — Ikki sorriu de lado, um sorrisinho que o amigo já conhecia bem. — Aprendi o selo de amor...

— Como? — Perguntou o homem empolgado e surpreso. — Conte-me isso!

Ikki ruborizou e riu de leve.

— Em Karna, não conhecíamos o beijo, não era algo de nossa cultura, e agora vejo o quanto tudo naquele lugar era animalesco. Mas em Najah, o beijo era algo natural entre as pessoas, e um selo de amor, como Shaka me disse, era a confirmação do mais nobre e puro dos sentimentos.

— Sim, sim, mas pule essa parte, quero saber como ele o ensinou o selo de amor! — o beduíno pediu com uma excitação infantil.

O tamudaei balançou a cabeça, divertido.

— Quer mesmo saber disso? — de certa forma, Ikki se sentia acanhado. Mesmo sendo para Zahid, ainda era algo muito íntimo para se contar.

— Eu não perco isso por nada, menino! Confie em mim, sabes que não irei julgá-lo — encorajou o homem mais velho batendo de leve no ombro do mais jovem.

Ikki suspirou e depois de experimentar a água límpida da nascente, voltou a falar:

Alguns dias se passaram desde a chegada de Shyna, mas até aquele momento, a nova concubina se comportava bem, obedecendo às ordens de Jamila e permanecendo no harém a maior parte do tempo, enquanto Shaka passava todo o tempo possível no pátio do meu quarto.

Felizmente para o loiro, eu era um aluno aplicado e de rápido raciocínio. Não demorou a que conseguisse entender e reconhecer os primeiros símbolos. O Akkad não era tão complexo quanto imaginei inicialmente, ainda assim, eu me confundia e me irritava facilmente com a leitura e a escrita...

Havia uma pilha de pergaminhos no chão do quarto. Ikki conseguira muitos pergaminhos e pedras escritas como um presente para o príncipe de Najah, depois de uma nova pilhagem. Shaka estava sentado com as pernas cruzadas e lia em voz alta uma pesada pedra com ilustrações sobre astronomia. O árabe ouvia o que ele falava atento, igualmente sentado ao seu lado, mas já estava cansado e impaciente. A dado momento, ele arrebatou a pedra da mão do loiro e a jogou longe com violência, fazendo-a em pedaços. Há mais de três meses tinha aquelas aulas e para alguém inquieto como ele, as lições eram muitas vezes torturantes. Não tinha paciência para virar a noite estudando como queria Shaka e nem achava que um dia precisaria daquele conhecimento. Opinião que se mostrou completamente errada no futuro.

— Chega! cansei! — falou se estirando no chão.

— Faltam apenas duas partes para terminarmos o texto — reclamou o loiro. — Tenha paciência.

— Não quero mais e não me questione, não esqueça que aqui você é meu...

— Mestre. — Interrompeu Shaka pedante. — Sou seu mestre.

— Escravo! — Corrigiu o príncipe árabe.

O loiro suspirou e revirou os olhos.

— Melhor escravo que concubina. — Falou, e o moreno riu, o que acabou provocando o riso do ariano também. Shaka se deitou ao lado do outro, apoiando a cabeça na mão e segurando o queixo do moreno. — Se você ler, eu lhe dou um beijo.

O tamudaei franziu as sobrancelhas, mirando o amigo.

— Não quero beijos hoje! — resmungou, e Shaka riu corando.

— É um beijo diferente dos que te dei até hoje... — cantarolou para despertar a curiosidade de Ikki.

— Diferente? — o moreno franziu a sobrancelha curioso.

— Sim. Tenho certeza que você não conhece esse beijo!— declarou pedante como um rei.

— Certo, então mostre! – ordenou impaciente.

— Então termine de ler.

— Não quero, as favas com suas escrituras! — ralhou irritado.

Shaka não se importou, riu e afastou os cabelos que cobriam a túnica longa que usava.

— Se você terminar de ler o livro, eu mostro a você o que é um selo de amor.

Os olhos do moreno se voltaram para ele curiosos.

— Só algo muito bom me faria ler essa pedra enfadante! — sentenciou birrento.

Shaka aproximou-se dele e o beijou vagarosamente no rosto.

— Gosta desse beijo? — o persa perguntou com malícia infantil. Ikki não respondeu, então ele continuou — O selo de amor é melhor que esse.

"Eu não sabia por que fiz aquilo, era jovem demais para entender o que sentia. Eu deveria odiar o filho do homem que violou e matou minha mãe, que destruiu meu reino, que matou toda minha família, mas quando estava perto dele, eu só sentia algo completamente estranho e único, algo que nunca morreu, mesmo depois de tanto tempo."

O príncipe egípcio se empertigou. Mu sempre gostava de visitar Shaka no início da noite e ouvir suas histórias sobre o Oriente. Tornaram-se amigos desde que o belo dançarino chegou ao castelo e, na verdade, ele era o único amigo que tinha ali dentro, já que todas as outras pessoas que o cercavam constituíam mais espiões que amigos.

— Não entendo como veio parar aqui, Shaka. Ele o expulsou? Vocês brigaram em algum momento? — indagou curioso, percebendo como os olhos de diamantes do loiro se tornavam mais brilhantes ao falar daquele passado.

Shaka suspirou e sorriu de forma amarga.

— Aquele era um segredo que não poderia ser guardado por muito tempo, Mu. O príncipe tamudaei aos catorze anos já era um homem feito. Em Karna, as pessoas nessa idade nada mais tinham da infância, eu, no entanto, era uma criança e estava crescendo...

— Entendo, mas conte-me, você o beijou? — os olhos verdes do príncipe mais novo brilhavam de ansiedade.

Shaka soltou um risinho debochado.

— Interessa-se demais por essa história, alteza, por qual motivo?


Mu corou sem jeito passando a mão nos cabelos lilases.

— Ah, apenas conte, por favor.

Shaka sentou-se ao lado dele.

— Beijei...

...

Ikki franziu ainda mais as sobrancelhas, encarando o rosto travesso do ariano.

— Então mostra vai! — falou com desaforo cruzando os braços e balançando a perna de leve.

— Só se você ler. — Demandou Shaka.

— Eu não estou conseguindo! — reclamou o árabe quase choroso.

— Eu ajudo, vamos... — o príncipe de Najah falou com doçura, e o tamudaei fez esforço até que conseguiu decodificar os símbolos.

— Parabéns, alteza — o loiro fez uma mesura. — Depois que aprender a decodificar tudo, eu o ensinarei a escrever!

— Certo. Agora eu quero saber o que é esse tal selo de amor!

O loiro afastou-se um pouco para olhá-lo nos olhos, ajeitando os cabelos com uma expressão solene no rosto.

— Levante-se,Ikki.

— Por quê?

— Porque estou mandando e agora sou seu mestre, esqueceu? — empinou o narizinho.

— Ah, você é um metido, isso sim! — resmungou, mas ergueu-se, percebendo que agora ele era míseros centímetros maior que Shaka e que provavelmente isso não continuaria assim. Não soube por qual razão isso o incomodou, mas incomodou.

— O que foi? — o loiro perguntou intrigado, pois conseguia perceber cada alteração no semblante do moreno.

— Não foi nada, mostra logo o tal selo.

Ficando na ponta dos pés, Shaka se inclinou e juntou seus lábios aos do moreno. Ikki recuou instintivamente, o que fez o loiro olhar em seus olhos.

— Não gostou?

— N-Não... Quero dizer, é que... É estranho.

— É só outro tipo de beijo. — Respondeu o príncipe de Najah tranquilamente. — Abra a boca...

— Para quê?

— Vi beijos em Najah, as línguas precisam se tocar... É assim que são os selos de amor...

— Selos de amor? I-Isso é nojento, não?! — volveu o árabe nervoso.

Shaka se afastou levemente do amigo e voltou a concentrar seus diamantes dentro das safiras escuras do árabe.

— Ikki, você me ama?

— Amo.


"E minha convicção era tanta nessas palavras que em nenhum momento eu fui capaz de duvidar ou me questionar sobre qual era aquele tipo de amor. Eu simplesmente amava-o, amava-o com todo meu ser, com toda minha respiração e com todas as minhas forças..."


— Então beije-me!

O árabe obedeceu. Não sabia o que fazer, mas uma força maior o guiou e seus lábios tocaram os lábios do ariano em um beijo rude, mas cheio de amor e devoção.

"Um beijo totalmente desajeitado, molhado, inquieto, esquisito. Mas ainda hoje é a melhor das lembrança..."

...

Shaka passou as mãos nos cabelos e se ergueu para que Mu não percebesse que ele estava emocionado.

— Mu, já está quase na hora do seu pai retornar. Precisas ir.

— Eu queria poder ajudá-lo, Shaka — o príncipe murmurou triste. Aquela história mexia profundamente consigo.

— Já ajuda-me — o loiro sorriu verdadeiramente. — Tu me escutas e isso para alguém que vive confinado como vivo já é de grande valia.

— Eu queria poder ajudar mais — replicou o mais jovem e olhou dentro dos olhos do homem mais velho. — Quando eu for faraó, tu terás tua liberdade.

— Quando você for faraó, com sorte, estarei dentro de um sarcófago no templo de Dendera. Agora vá! — fez um sinal com a mão, enxotando o príncipe mais novo que saiu pensativo.
Ele então mirou os últimos raios de sol que cortavam as dunas do deserto e sorriu com as lembranças...

Os lábios não queriam mais se separar. Línguas, dentes, boca, tudo se tocava, e os dois riam com isso, sentindo um jubilo crescente que vinha do centro do peito e expandia-se por todo o corpo de forma cálida, como um toque carinhoso do vento.

Os corações batiam forte e a pele tremia levemente, descobrindo uma nova conspiração dos sentidos ali naquele ato simples de unir lábios, línguas e saliva.

— O-O que... achou? — Shaka murmurou ao afastar os lábios levemente e apoiar a testa na do amado.

— M-Molhado... Quente... — sussurrou Ikki de volta e exibiu seus dentes alinhados e muito brancos num sorriso — Mas bom...

— E-Então... Se as duas partes concordam... Estão selados. — Shaka disse, repetindo o que ouvia nos rituais de união da sua gente. Ikki apenas assentiu com a cabeça e riu de leve, apertando o persa forte nos braços e voltando a beijá-lo com incerteza e também prazer.


...

O mercenário mirou o último raio do sol que se escondia no horizonte. Virou-se para o amigo com um sorriso afetuoso.

— Nos despedimos aqui, Zahid. Chukra. — Uniu a mão agradecendo.

Zahid sorriu para o jovem, aproximou-se e, solicitando mudamente que ele se inclinasse, o beijou no topo da cabeça.

— Que os deuses o abençoem e iluminem sua busca, meu filho. Estarei esperando por notícias.

— Eu as trarei quando fizer o caminho de volta com Shaka, em direção a Najah, meu velho amigo.

— Aí eu seguirei contigo e farei morada na tua cidade — sorriu o beduíno.

O jovem tamudaei sorriu de volta. Montando em seu cavalo negro. Ele disparou pelo deserto da antiga Arábia em busca da sua estrela.


Meu amor,a vida passa num instante
E um instante é muito pouco pra sonhar


Quando a gente ama,
Simplesmente ama
É impossível explicar
Quando a gente ama
Simplesmente ama!

http://letras.mus.br/oswaldo-montenegro/555821/


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Notas finais
Obrigada a quem leu e comentou.

BEIJOS MAIS QUE AFETUOSOS DA SION.

ATÉ A PRÓXIMA!

SION NEBLINA

POSTADO EM 27/04/2013