A salvadora
2 Eu, a diferentona.
Notas iniciais
Quando acordei, abri levemente os olhos por causa da luz. Quando me acostumei, observei o local onde estava. Estava em um quarto pequeno, com mais dois adolescentes. O limite do quarto era uma cortina, e por uma fresta dela eu podia ver um estreito corredor, vazio. Além da conversa das pessoas ao meu lado, estava um silêncio calmo.
Ao perceber que eu havia acordado, eles se apresentaram como Kaya e Koren. Foram simpáticos, mas provavelmente não gostaram de mim.
Ninguém gosta de mim.
Depois de algumas perguntas usuais, como " Como você está? ", " De onde você vem?" e " você é órfã de pai ou mãe? ", descobri que estava na América. Dá para acreditar? Na A-M-É-R-I-C-A! Eu raramente saia de Londres, imagine ir a outro continente! Aquilo explicava o ar menos úmido, as pessoas mais bronzeadas. Se comparada com Kaya, eu parecia um fantasma. Como ela era linda!
Depois de um tempo analisando alguns remédios, Kaya saiu da enfermaria, deixando Koren com a missão de me explicar por que eu estava ali. Ele olhou para mim, como se tentando achar características familiares em mim. Tomou fôlego e falou:
— Laguna, oque eu vou falar agora pode fazer parecer que eu sou doido, mas vou tentar simplificar o máximo possível. Os deuses gregos existem, e eles têm filhos com os mortais, os semideuses. Aqui no Acampamento Meio-Sangue, a maioria é de semideuses. E, de acordo com Herter, você é uma de nós.
Ali, minha cabeça já girava. Como assim? Deuses? Gregos? Semideuses? Já não bastava eu ser a estranha excluída, agora eu era uma verdadeira anomalia?
Tentando manter os pensamentos em ordem, falei com a voz trêmula:
— Isso deve ser um engano. Provavelmente vocês me confundiram com alguma outra Laguna. Agora, se me dá licença, preciso voltar para a Inglaterra.
Antes que eu conseguisse escostar meus pés no chão, Koren segurou minha mão e falou:
— Você não entende os perigos que já passou e vai passar na Inglaterra? Aprenda uma coisa: onde há semideuses, há monstros. E sem treinamento, você não vai conseguir dar dois passos antes de morrer.
Fiz que sim com a cabeça, engolindo em seco. Ele olhou uma ficha onde eu podia ver uma foto minha, e disse:
— Vá até a Casa Grande. É uma construção azul, virando a esquerda daqui. Vá para a varanda para falar com Quíron. Ele falará o que fazer depois. Boa sorte!
Nervosa, perguntei:
— Vou precisar?
Ele riu, e perguntou:
— Você não costuma socializar muito, não?
Corei. Normalmente as pessoas nunca falavam comigo como se fossemos amigos, apenas faziam as formalidades e voltavam a babar minha mãe.
Ele riu de novo e abriu a cortina para eu passar.
Eu passei por ela, olhei para os dois lados e localizei a porta na esquerda. Fui andando até lá, mas o solo irregular me fez tropeçar algumas vezes. Nesses momentos, Koren apenas ria um pouco e perguntava se eu nunca saíra de casa. Corei. Quase nunca saia do castelo, realmente.
Depois de alguns tropeços, nenhum em público, graças a Deus ( ou graças aos deuses? Ainda estou confusa. ), cheguei a Casa Grande. Na varanda, estava uma garota e um garoto, mais ou menos da minha idade, e um homem em uma cadeira de rodas. Koren adiantou-se para falar:
— Quíron, esta é Laguna. Sem conclusões.
Quíron me encarou por um tempo, como que me avaliando. Fiquei um pouco tensa, pois depois senti o olhar das duas outras pessoas. Depois, fui apresentado para eles. Eram Percy e Annabeth. Depois de me explicar melhor a existência dos deuses, eles foram para dentro e eu esperei na varanda. Ouvi alguns pedaços da conversa deles:
— Ela tem os olhos, o cabelo e a pele de Thalia, mas ela é muito calma. Não parece nem um pouco em temperamento de um filho de Zeus.
— Será Afrodite? Ela é bonita, bem bonita, mas acho que uma filha de Afrodite talvez fosse mais mimada, será?
— Ei! Nem todas as filhas de Afrodite são mimadas, ok?
— Eu sei, Piper. Estava apenas generalizado.
— Temos que lembrar que ela é a Herdeira da Inglaterra. Querendo ou não, não vai passar muito tempo aqui.
— Bem, a garota não tem o perfil completo de nenhum semideus olimpiano. Será que...
— NÃO. Não há a menor possibilidade dela ser filha de um deles. Há muito estão parados.
— Sempre há a possibilidade. Mas, apenas para garantir, eu quero dar alguma aula para ela. Mas temos que contatar os deuses. Ou talvez Rachel saiba algo.
— Pois bem. Reunião encerada.
Sem querer ser pega espiando, rapidamente sentei numa cadeira com minha melhor postura " sou uma santa ".
Todos saíram, e vi que havia doze adolescentes, ali além de Quíron.
Todos passaram olhando para mim, e analisei cada um rapidamente, tentando achar semelhanças comigo. Nenhum correspondia. Fiquei muito triste, então tentei olhar para outro lado, evitando chorar de tristeza. Por que eu tenho sempre que ser a diferente? A que não se encaixa? Mesmo entre os semideuses eu sou estranha.
Fui direcionada por Annabeth ao chalé de Hermes. Estava um calor infernal, então consegui uma cama de beliche em cima, para ficar mais fresco. Tomei um banho rápido, pensando no que faria para não ser tão diferente. Uma garota que também estava lá, Arya, que tinha cabelo preto e olhos também pretos, da mesma idade que eu, parecia ser a única que se dava ao trabalho de falar comigo:
— Aqui no chalé de Hermes ficam os filhos de Hermes e os que ainda não foram reclamados pelos pais. Eu também não fui reclamada, então você não está sozinha.
Ela foi na loja do Acampamento e comprou uma camisa do Acampamento para mim, além de um All Star preto cano alto e um short jeans. Eu agradeci, mas ela notou quando olhei torto para o short. Ela riu tanto que os outros estanharam quando eu disse que nunca havia usado um short por que não gosto de minha pernas. Ela me falou sobre a guerra com Gaia, Cronos e de tudo que já acontecera ali. Ela falou que haviam semideuses romanos e gregos vivendo naquele acampamento. Perguntei sobre todas as pessoas das quais eu tive contato hoje, e descobri que Percy é filho de Poseidon, Annabeth é filha de Atena e Koren é filho de Apolo. Ela me convenceu a usar os shorts afinal, mas não acho que ficou bom. Ela disse que estava lindo, então não discordei.
Não queria perder a única amiga que já tive.
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