A salvadora
3 Deixo de ser o centro das atenções ( por um tempo! ).
Notas iniciais
Eu estava conversando com Arya no quarto quando alguém bateu na porta. Fui atender, e quando abri a porta fui recebida pelo olhar nervoso de Percy.
Não sei por que, mas na minha primeira semana no Acampamento, eu havia criado uma certa antipatia por Percy, a qual minha educação se esforçava para esconder. Não havia motivo aparente para o desgosto, mais parecia um tipo avançado de girl hate. Ele notava, e se esforçava para me fazer gostar dele. Eu não via motivo para alguém querer a minha aprovação, mas eu gostava da preocupação dele de agradar os outros.
Com sua voz altiva de sempre, ele falou:
— Ei, Quíron quer falar com você. Mas não se preocupe. Além de algumas semanas lavando pratos, não tem por que ficar nervosa!
Eu forcei uma risada, que como sempre soou horrorosa. Eu sempre fui horrível em mentir, principalmente quando se trata de forçar riso. Parecia um guaxinim com prisão de ventre.
Passei por ele, e pude ouvir ele perguntar para Arya: " Por que ela não gosta de mim? ". Ela apenas riu, e ele voltou para a arena, confuso.
Fui até a Casa Grande. Quando cheguei lá, Quíron estava falando com Annabeth, como sempre. Ela era namorada com Percy, mas dela eu gostava.
Quíron me viu e pigarreou, começando a falar:
— Laguna, como você ainda não foi reclamada, Annabeth vai lhe acompanhar por um tempo nas aulas até você se acostumar.
Confusa, perguntei:
— Mas Arya também é acompanhada? Por que ela também não foi reclamada.
Annabeth olhou preocupada para Quíron e falou:
— Você é diferente.
Assenti e olhei pagar os lados, tentando disfarçar o nervosismo. Sempre odiei ser o centro das atenções, o que já me causou muita vergonha. Uma vez derrubei vinho no vestido de minha mãe porque tropecei na escada. Óbvio que todos riram de mim.
Levantei quando Annabeth levantou, e acompanhei ela até a arena de treino. Depois de uma apresentação básica as armas e golpes básicos, ficou decidido que eu era melhor com a lança. Não que eu fosse boa, eu era apenas melhor do que com a espada.
Saindo de lá, fui até o alto de um morro, onde tinham vários alvos parra flechas, e Kaya estava lá para me ensinar. Aprendi a segurar, ajeitar a flecha e a atirar, e até que era boa nisso. Não que eu conseguisse dar um duplo twist carpado e atirar uma flecha com o nariz, mas consegui acertar o alvo algumas vezes e fui para alguns mais longes.
Fui ao almoço, e pela primeira vez no dia estava sem Annabeth nem Arya. Comecei a procurar desesperadamente pela mesa de Hermes, então achei Arya acenando para mim e me acalmei.
Peguei alguns pedaços de carne e bastante frutas, e ofereci um pedaço de carne especialmente bonito para qualquer deus aleatório que por sorte, viesse a ser meu pai algum dia.
Passaram-se meses lá e eu comecei a ficar paranóica. Será que meu pai teria vergonha de me reclamar? Pensei em pedir para ir ao Olimpo. Talvez pudesse subornar algum deus para que ele me livrasse da humilhação.
Para me distrair desses pensamentos, tentava pensar na Inglaterra, mas isso só me trazia mais desespero. Oque estariam fazendo para me achar? Comecei a me odiar por deixar minha mãe sem nem avisar.
Um dia, resolveram que eu estava pronta para participar do caça-bandeira. Nosso chalé tinha aliança com Ares, Deméter, Hefesto e Dionísio. Me colocaram na defesa, em cima de uma árvore, com o arco e uma lança. Eu mal conseguia me mexer com a armadura, o que era bom, já que nao podia fazer muito barulho. Por muito tempo nada aconteceu, ouvi apenas alguns gritos longe dali. Depois de um tempo, apareceu um dos irmãos de Annabeth, Eric. Mirei o melhor que pude, mas não tinha treinado com alvos em movimento. Errei o primeiro tiro, cravando uma flecha na grama. Ainda bem que Eric estava muito preocupado em achar a bandeira de meu time. A segunda flecha estava no meu arco quando rapidamente passou pela minha árvore, esbarrando nela fortemente. Ela estremeceu, fazendo com que a lança caísse das minhas costas. O cabo dela acertou a cabeça de Eric, o que fez ele olhar diretamente para minha árvore. Algumas folhas e o costume de ser invisível me fizeram passar despercebida por ele, mas a minha lança estava inalcançável e minha mira não era das melhores, então minhas chances de ser útil para meu time foram a abaixo de zero. Consegui me concentrar novamente, então consegui acertar uma flecha em seu pé. Eric deu um urro de dor, e dessa vez não pude evitar que me visse. Sussurrou, a voz coberta de raiva:
— Você... Você...
Sacando sua espada, ele puxou me pé, fazendo eu cair de costas no chão. O ar escapou dos meus pulmões. Quando ele descia a espada sobre meu braço, eu rolei para a esquerda, deixando um longo corte em meu braço direito. Consegui pegar a minha lança, que levantei rapidamente para parar a espada de Eric. Tentei me levantar, mas o peso da armadura me impediu. Eu recuei arrastando a bunda, até bater com as costas numa árvore. Apesar do peso nos braços, consegui erguer a lança de novo, batendo com a base da lança em seu peito. Ele se desestabilizou, dando um passo pra trás. Foi tempo o suficiente para uma filha de Ares passar correndo pelas árvores que limitavam nosso território, carregando a bandeira do outro timeI. Ela foi seguida por todo nosso time, que estava comemorando com gritos, saltos e abraços a vitória. Vi Arya me chamando para me juntar a eles, e um sentimento de amizade, de pertencimento invadiu meu peito, e me puz de pé com dificuldade. Já havia dado alguns passos quando, subitamente, todos os gritos pararam. Todos foram se afastando do centro da clareira onde estavam.
Se afastando de Arya.
Depois de algum tempo, consegui ver de longe o que acontecia. Sobre a cabeça de Arya pairava um símbolo que eu não entendi. Quíron se aproximou lentamente, mas não chegou muito perto, ficou um pouco a frente do círculo de pessoas. Arya ainda olhava pelos lados, tentando entender o que acontecia. Foi quando Quíron chegou que ela finalmente olhou para cima de sua cabeça e viu o já quase transparente símbolo. Ela empalideceu.
Quíron se ajoelhou nas patas da frente, e vi que os outros começaram a se ajoelhar também. Rapidamente me ajoelhei, já acostumada com tal gesto, e ouvi, com uma voz grave, Quíron finalmente se pronunciar:
— Salve Arya Redskull, filha de Plutão, deus do Mundo Inferior e senhor das riquezas.
Todos murmuraram " Salve " e eu acompanhei um pouco tarde, desafinando um pouco. Ainda estava perplexa. Arya, a sempre alegre Arya, filha do deus do Mundo Inferior? Agora eu já não tinha nenhuma amiga no chalé de Hermes. Lentamente todos se levantaram e foram aos seus respectivos chalés, menos eu, que me levantei e sentei encostada numa árvore. Arya me seguiu, e perguntou:
— Isso não muda nada entre nós, né?
Forcei um sorriso fraco e falei:
— Claro que não. Nao vamos passar tanto tempo juntas, mas nada vai mudar.
O sorriso dela fez o meu ficar mais verdadeiro.
Fale com o autor