Meu professor, estranhamente, caprichou nas minhas tarefas e, como não estava bem, terminei tudo quase à noite. Era a hora do jantar e eu estava com uma fome terrível, mas não conseguia comer nada! Fui andando em direção à tenda de refeição quando Sr. Crepsley cruzou o meu caminho.

–Boa noite, Bia! –ele me chamar de Bia era uma novidade. –Como foi seu dia? –perguntou com um tom inocente, mas eu sabia que ele estava contente por me ver exausta.

–Maravilhoso! -respondi.

–Está indo jantar?

–Sim! –sorri cinicamente. –E o senhor?

–Eu irei com você, pelo o que estou vendo não parece muito bem! –devolveu o sorriso.

–Eu estou ótima!

–Você já começou a rejeitar a comida? E as tonturas? –ele estava realmente se divertindo.

–Eu já disse que estou ótima e que não preciso de sangue nenhum! –respondi contrariada.

–Hum...É o que eu quero ver! Uma semi-vampira que está a quase quatro meses sem sangue e continua ótima é uma coisa nova!

Ele estava me pirraçando, e eu a ele, mas eu tinha uma coisa me atrapalhando nessa queda de braço: ele tinha razão! Estava indo comigo e logo notaria que eu não estava mais suportando comida humana. Chegamos à tenda e Sancho duas panças entregou-me meu prato.

–Aqui está ,Bia. – agradeci- Oi Larten, acordou mais cedo?

–Pois é, Sancho, o que você fez hoje?

–Tem frango assado, saladas, arroz e algumas batatas.

–Hum, parece ótimo! O que acha, Bia? –ele estava querendo me provocar!

–Uma delícia! –eu queria matá-lo.

–Que bom, vou ajudá-la a pôr seu prato.

–Ah... Não precis...

–Eu insisto! –Larten tirou o prato da minha mão e encheu-o de comida, caprichou bastante nas batatas e na salada. Sentou em uma mesa, colocou meu prato sobre ela e indicou-me que sentasse à sua frente. Ele sorria malignamente.

Sentei-me e ele empurrou o prato para mais perto de mim. Encarei a comida por alguns segundos e a minha vontade era correr. Olhei para ele, e agora estava sério. Fez um gesto com a cabeça para que eu começasse a comer.

–Vai me vigiar enquanto janto agora?

–Até que se dê conta de que precisa de sangue ou vai morrer sim!

–E se eu não me der conta?

–Vou ter que intervir e não será agradável!

–Nunca é...

–Ah, minha querida, você ainda não viu nada!

Ficamos em silêncio por um tempo e logo ele disse:

–Já mudou de ideia?

Nesse momento peguei o garfo e levei-o até a minha boca, tentando parecer normal. Eu engoli a comida antes que pudesse sentir o sabor. Larten me olhava com um misto de prazer e indignação no olhar. Fiz a mesma coisa mais umas três vezes.

–Está bom? –perguntou.

–Uma delícia! –respondi.

Ele tinha colocado um copo de suco para mim.

–Tome um gole!

–Eu... eu...

–Você... o quê?

Tirei o copo de sua mão e levei aos lábios, eu realmente pensei que iria vomitar nesse momento, mas o destino me sorriu e Sr. Tall chegou dizendo que alguém tinha chegado e que estava atrás de Sr. Crepsley.

–Gavner? Eu já estou indo! –disse ele ao Sr. Tall e logo olhou-me e disse: -Não acabamos!

Quando ele saiu eu respirei fundo e logo saí correndo para vomitar! Sentei-me no chão e fechei os olhos, mas ouvi alguém chegando.

–Beatrice?

–Quem está aí?