–Sou eu! –logo vi uma mulher de estatura média, com longos cabelos ondulados e castanhos. Era Truska, a vidente barbada. Truska era muito legal comigo, apesar de não nos falarmos tanto. Ela tinha o poder de fazer com que uma barba crescesse em seu rosto a hora que bem entendesse. E tinha também algumas visões.

–Oi Truska!

–Precisa de ajuda?

–Eu... preciso!

–Venha comigo! –ajudou-me a levantar e me levou para sua tenda. Chegando lá sentei em uma poltrona que ficava de frente para um espelho e quase não me reconheci! Meu cabelo negro estava enorme, batendo na cintura e eu parecia uma alma penada de tão branca. Estava com olheiras e meus olhos castanhos pareciam mais opacos do que nunca.

–Um bom banho vai fazer com que se sinta melhor. –disse Truska.

Levou-me até sua banheira e , enquanto eu tomava banho, ela mexia em algumas roupas. Quando terminei, ela me deu um short e uma bata para vestir e fez alguns ajustes. Então sentou-me em frente ao espelho e perguntou o que eu queria fazer com o cabelo, e eu disse que se fosse para cortar, que cortasse mesmo! Truska cortou meu cabelo de maneira a me deixar bem descolada, um chanel moderninho. Eu adorei, mas estava muito cansada!

–Como se sente?

–Outra pessoa! –aquilo tinha feito com que eu me sentisse um pouquinho melhor. –Obrigada, Truska!

Trocamos algumas palavra e ela me disse para voltar sempre que precisasse de uma amiga. Quando eu ia saindo ela pegou no meu braço e disse:

–Medo. Silêncio. Dor. Tortura. Revelação. Vingança. Sangue... O que eu disse?

Ela tinha entrado em transe e acho que eu também!

–Ah... disse que eu deveria tomar cuidado! Eu vou indo nessa... –o que ela disse me assustou e me fez lembrar da conversa que tive com Sr. Tino antes. O que eu deveria fazer?

Eu comecei a pensar se deveria ou não contar ao meu professor sobre o Tino, mas decidi que talvez fosse melhor não dizer nada e parar de me preocupar com o assunto, de repente ele apenas estava tentando me assustar...

Eu tinha outro problema: sangue! Larten estava certo quanto à isso, mas eu não queria tomar sangue humano, o que me preocupava era o que ele faria quanto à isso! Ora, ele não poderia me obrigar a tomar! Ou poderia? Estava pensando nisso quando me dei conta que já tinha saído dos limites do acampamento. Levei um susto ao ver que estava perto da estrada e então resolvi voltar logo antes que Crepsley sentisse a minha falta, pois já tinha me proibido de sair do acampamento, se descobrisse que saí eu estava perdida! Dei meia volta e quando me virei vi uma pessoa vindo à minha direção. Era um garoto, e estava de skate, comecei a andar tentando não chamar atenção e quando ele estava próximo de mim uma das rodas do skate soltou e ele caiu na minha direção. nos batemos e a força do tombo nos jogou para longe!

–Nossa! Você está bem?

–Ai ai ai! –eu não sabia onde sentir dor. Mas tinha algo muito pesado em cima de mim!

–Me desculpe! –disse ele, a coisa pesada em cima de mim era ele!

O garoto se ergueu e ajudou-me a sentar. Eu estava tonta e não conseguia vê-lo com clareza.

–Você pode me ouvir? Está me entendendo? –perguntou, com o rosto próximo do meu.

–Aham... Acho que sim! – enfim consegui ver seu rosto. Era um garoto de uns 18 anos no máximo e tinha olhos castanhos e cabelos ruivos bem curtos. Era alto e corpulento, mas tinha uma voz agradável! –Você se machucou?

–Eu só um pouco, você me salvou! –disse e sorriu. –Machucou a cabeça? Quer que eu te leve a um hospital?

–Não! –respondi imediatamente. –Não precisa não! Eu to legal, foram só alguns arranhões...

Ele me ajudou a levantar e eu vi que tinha ferrado os joelhos e cotovelos. Tinha arranhões nas mãos e pernas, eu estava toda machucada.

–Tem certeza que não quer passar num hospital? Olha me desculpa mesmo...

–Foi um acidente! E não se preocupe, eu to legal! –era mentira, mas eu não poderia aparecer em um hospital nunca!

–Meu nome é Daniel, como você se chama?

–Beatrice! –me arrependi imediatamente de ter dito a ele meu nome! Sr. Crepsley sempre disse pra nunca revelar meu nome a estranhos, mas ele parecia legal.

–Bem, eu posso ao menos te levar em casa? –perguntou.

–Ah... eu... acho melhor não! Meu pai não vai gostar! –foi a única coisa que passou-me pela mente na hora.

–E o que ele vai dizer quando chegar toda machucada?

–Vou arrumar uma desculpa! Mas o que foi que aconteceu?

–Não sei. –disse ele indo até o que sobrou do skate. –Acho que ele deu perda total! Estranho...

–Que pena! Bem, Daniel, foi um prazer amortecer a sua queda, mas agora eu tenho que ir!

Começamos a rir depois do que eu disse e então ele perguntou:

–Ok! Já que eu não posso te acompanhar até sua casa, posso te levar para tomar um sorvete amanhã? Como um agradecimento por amortecer minha queda?

–Não sei...

–Não precisa me responder agora!

–É que eu...

–Amanhã estarei aqui te esperando às três horas!

–Mas... –antes que eu pudesse dizer algo ele já tinha ido embora. –Mais essa! Voltei rápido para o circo torcendo para que meu maestro não estive me esperando, mas ele estava!

Notas finais
E agora? Qual será a reação de Crepsley ao descobrir que Beatrice estava fora do acampamento? Ela vai contar ou não sobre sr. Tino?