A saga de Beatrice- A aprendiz de vampiro
11 A discussão
Notas iniciais
Eu poderia ter me escondido e entrado de fininho na minha tenda, mas ele estava justamente na entrada do acampamento e já tinha me visto. Respirei fundo e continuei andando em sua direção, tentando pensar numa desculpa para ,primeiro, ter saído do acampamento e depois para explicar o meu estado. Crepsley me esperava de pé, com os braços cruzados e expressão séria. Seus olhos claros faiscavam de longe, seu manto vermelho o deixava ainda mais assustador, e eu tinha a ligeira impressão de que minha vida estava chegando ao fim a cada passo que dava em sua direção.
Tentei usar minha saliva para fechar os cortes enquanto voltava para o circo, mas como eu não era uma vampira completa não deu muito certo. Fiquei a um metro de distância de Larten esperando que ele dissesse alguma coisa. Por alguns minutos ele só me dirigiu aquele olhar terrível de quando ele estava chateado. Deu dois passos na minha direção e eu gelei. Então perguntou sem esconder a raiva:
–Posso saber onde você estava, Beatrice? –voltou a me chamar pelo nome completo. Eu tinha me ferrado muito!
–Eu estava... Eu...
–Onde, Beatrice? –assustou-me quando perguntou novamente.
–Eu estava aqui perto, mas já voltei!
–E por que está toda machucada?
–Eu caí... quando tropecei em um... uma pedra! –eu não contaria sobre Daniel para ele jamais. Do jeito que era desconfiado iria atrás do garoto.
–Uma pedra? –perguntou e semicerrou os olhos, ele nunca acreditaria naquela estória. – Pedra? É a melhor mentira que pode inventar?
–Eu não menti!
–E eu nasci ontem! –disse furioso e com cinismo. –Eu vou te dar mais uma chance de me dizer a verdade!
Eu não podia dizer-lhe a verdade, mas precisava dar um jeito naquilo.
–Eu caí quando estava voltando para cá correndo, pois eu...
–Você...?
–Saí escondida e não queria que soubesse! –talvez aquela mentira me deixasse em pior situação, mas foi o melhor que consegui fazer.
–Qual parte de ‘’não saia do acampamento’’ você não compreendeu?
–Eu...
–Quando vai entender que as coisas mudaram e não é mais como antes? Estamos no final de uma guerra, e você está sendo perseguida por Desmond Tino, alguém com poderes muito estranhos, e parece que você quer morrer!
–Eu não quero morrer! –respondi furiosa. –E eu sei que as coisas não são como antes, pois vejo você todos os dias e não tem como esquecer que arruinou minha vida! Eu te odeio!
Fez-se um silêncio naquele momento e Crepsley me olhava furioso, mas não dizia nada! E para minha surpresa eu sentia um pouco de arrependimento por ter dito que o odiava.
–Digamos que você não é a melhor assistente do mundo também! –disse finalmente. –Mas infelizmente, para mim, depois dessa maldita guerra tudo o que o Tino quer é considerado suspeito e por isso, e só por isso, não lhe entrego a ele agora! –estranhamente o som de sua voz enquanto dizia aquilo cortou-me a carne, não achei que escutaria algo daquele tipo vindo de Crepsley ,e o mais estranho é que acho que fiquei com medo e arrisco dizer que um pouco triste!
Dito isso virou-se de costas para mim, disse que era para voltar imediatamente para a tenda e não o aborrecer por um bom tempo. Disse com bastante rispidez e saiu, e eu me vi obedecendo-o prontamente.
Enquanto andava em direção à tenda eu não conseguia parar de pensar nas coisas que Crepsley disse. Afinal, ele não me entregaria ao Tino não é mesmo? Talvez tenha dito aquilo da boca pra fora, ou talvez não! Talvez ele me odiasse também! Eu não devia ter dito que o odiava, mas como assim? O que estou pensando? Eu o odeio mesmo! Ou não? Uma coisa era certa: eu estava me sentindo culpada!
Ofídio me perguntou o que havia acontecido e eu disse a verdade para ele.
–Relaxa! Acho que ele não falou sério!
–Você acha?
–Tenho certeza! Crepsley não estaria te protegendo só para provocar o Tino, ele vive tentando manter distância dos problemas dos vampiros desde que voltou para o circo.
–Mas ele falou tão sério...
–Mas você também não deixou por menos né...
–Eu sei! Vou pedir desculpas amanhã!
–Espera! –Ofídio me olhou surpreso. –Você vai pedir desculpas ao Crepsley? Essa eu quero ver!
–Hahaha muito engraçado! Mas estou me sentindo mal por isso e tem também a história do Daniel.
–Que eu acho que deveria contar a ele!
–Mas nem pensar! E você prometeu não...
–Não contar! E eu não vou, mas você devia!
Conversamos um pouco e logo fomos dormir, o dia seguinte seria cheio!
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