Notas iniciais
Gente, mil desculpas pela demora, mas meu computador resolveu que não funciona mais e as coisas estão bem difíceis para postar! Mas não abandonei a fic! Mais um capítulo da nossa saga com todo carinho pra vocês!

Ele me chamou para caminhar ao seu lado enquanto saíamos do Salão de Osca Velm para os nossos alojamentos. Ele foi me mostrando os outros salões e dizendo seus nomes –a maioria eu não decorei –Dizia também que eu logo iria me adaptar e saber as histórias por trás de cada um daqueles nomes.

A rede de túneis de acesso para os alojamentos era fria e úmida, iluminada apenas pelos archotes na parede. Os quartos eram pequenos, como nichos cavados nas rochas, eram claros e aquecidos por archotes potentes. Seba perguntou se queríamos um quarto grande para todos ou se preferíamos dormir separados.

–Separados! –respondeu Larten imediatamente. –Se eu tiver que ouvir os roncos de Gavner por mais algum segundo vou enlouquecer!

–Haha engraçadinho! –rosnou Gavner.

–Tawer e eu não nos importamos de dormir no mesmo quarto, certo? –disse eu á Tawer.

–Por mim... tudo bem! –concordou.

Os quartos eram todos guarnecidos com caixões e uma mesa simples de madeira. Não fiquei muito feliz com a ideia de dormir em um caixão e Seba disse que traria uma rede caso eu preferisse na próxima noite.

–Vou mandar um dos meus homens para você amanhã. –prometeu. –Diga a ele o que precisa e ele providenciará! Cuido bem dos meus hóspedes.

Perguntei a Tawer se ele ficaria bem num caixão, depois que Seba saiu e Larten o chamou. Ele disse que sim, pois se adaptava a qualquer lugar. Os pequenos quartos não tinham portas, mas algumas “cortinas” tinham sido colocadas recentemente nas entradas.

Nos despedimos e quando deitei no caixão não pude fechar a tampa. Eu estava com sono, mas então me lembrei do livro!

Evanna tinha colocado algumas coisas na minha bolsa antes de partirmos e uma delas era um exemplar dos livros do escritor Darren Shan, que estava lançando obras sobre vampiros reais, que de certa forma não faziam ideia do que estava acontecendo.

Peguei-o na bolsa, e notei um vidro com cheiro de lavanda com um bilhete.

“Na montanha não tem sabonetes e os vampiros não cultivam o hábito de usar desodorante! Não queremos que surte então aproveite dessas coisas. A loção não vai acabar, eu fiz uma pequena brincadeirinha com ela! Boa sorte, vou contatá-la em breve! Evanna!’

Eu fiquei muito feliz com aquela gracinha! Peguei o livro e comecei a lê-lo. Agora o garoto estava no circo sendo o assistente do Sr. Crepsley! Não havia duvidas de que ele era Sr. Crepsley! Turrão como sempre!

Eu estava cansada demais e acabei dormindo para ter sonhos estranhos!

Gavner nos acordou no dia, ou melhor, noite seguinte (na Montanha era difícil de saber quando era dia ou noite, mas ele me disse que logo eu me acostumaria). Mostrou-me o “banheiro” que na verdade era apenas um cubículo com um grande buraco que no fundo dava para uma correnteza forte de águas escuras e profundas. Ele me disse que era a maneira mais fácil que tinham de se livrar dos dejetos.

–O que significa esse “WC” na porta?

–Water Closet!

Depois disso seguimos para o Salão Kheldon Lurt, que Sebá tinha mencionado antes e me disse que era onde as refeições eram servidas e também me falou um pouco sobre Kheldon Lurt, um general eque morreu salvando ouros vampiros na luta contra os vampixiitas quando houve a separação.

Vampiros gostavam de contar historias de seus ancestrais, mas quase não havia nada escrito. Eles gostavam mais de transmitir oralmente de uma geração à outra.

Cortinas vermelhas cobriam as paredes e uma estatua de Kheldon Lurt estava no meio do salão. Como todas as outras esculturas, essa também era feita de ossos de animais. O salão era muito bem iluminado e estava quase cheio quando Tawer, Gavner e eu chegamos.

Sentamo-nos com Sr. Crepsley, Seba Nile e vários outros vampiros que eu não conhecia em uma mesa grande. Vozes altas e ásperas falando sobre batalhas, grandes feitos e resistência.

Acho que passei mais tempo observando os vampiros do que comendo. Não tinha estado entre tantos e notei que não eram tão diferentes dos seres humanos, exceto pelas cicatrizes e logicamente a ausência de qualquer tipo de bronzeado!

O que me deixava incomodada era que o cheiro não era dos melhores... Não usavam desodorante, embora usassem colares ou pulseiras de flores silvestres! No mundo exterior é lógico que tinham o cuidado de se lavar, um cheiro forte poderia indicar para um caçador onde esta sua presa, mas na Montanha, com toda aquela fuligem e terra dos salões poucos se importavam com isso!

Eu estava, na realidade, procurando garotas e só encontrei umas duas mulheres entre a multidão, o que me intrigou, e notei que haviam poucos velhos. Seba parecia o mais velho ali e perguntei para ele o motivo.

–Poucos vampiros chegam a envelhecer –disse-me –Embora vivam mais que os seres humanos, poucos chegam a idade de setenta ou oitenta anos.

–Como assim?

–Vampiros medem a idade de duas maneiras. Anos da Terra e anos de vampiros. A idade de vampiros é a idade do corpo. Fisicamente tenho oitenta e poucos anos! A idade da Terra se refere à quanto tempo o vampiro já viveu! Eu fui transformado muito jovem, portanto tenho setecentos anos terrestres!

SETESSENTOS! Isso era incrível!

Então me explicou que não era fácil um vampiro chegar a essa idade por causa do estilo de vida arriscado da espécie.

–Então como viveu tanto?

–Beatrice! –disse Larten, olhando furioso para mim.

–Não censure a menina! Interviu Seba rindo –A curiosidade dela é estimulante. Há muitas décadas me pediram para ocupar o cargo de Intendente, o que não é muito invejável, já que significa viver aqui dentro e muito raramente sair, mas seria falta de cortesia minha recusar. Se eu estivesse livre já estaria morto há muito tempo. Os que não dependem de muito esforço tendem a viver mais!

–Para mim parece coisa de louco! Por que se esforçam tanto?

–É nosso modo de vida e alem do mais, temos mais tempo livre do que os humanos o que o torna menos precioso. Se em anos de vampiros um homem de sessenta anos tivesse sido transformado quando tinha vinte, esse terá vivido mais de quatrocentos anos. Um homem se cansa da vida quanto vive tanto!

Eu queria ver com os olhos dele, mas era complicado! Talvez quando eu estivesse com duzentos anos eu pensasse diferente.

Gavner se levantou da mesa antes de terminarmos de comer.

–Aonde vai? –perguntei.

–Ao Salão dos Príncipes.devo me apresentar e falar sobre o urso e sobre os planos de Vancha.

Quando ele saiu eu perguntei ao Sr. Crepsley o porquê de não irmos com ele.

–Não nos compete apresentarmos aos príncipes. –explicou. –Gavner é um General, tem o direito de pedir para falar com os príncipes quando quiser. Como vampiros comuns devemos esperar por um convite!

–Mas você foi um General. Eles não se importariam se aparecesse para dizer olá, não é?

–Claro que sim! –disse com cara feia. Depois se virou para Seba e disse –Ela está custando para aprender nossos costumes.

Seba riu.

–E você esta custando para aprender à ensinar, Larten! Esquece com que avidez questionava nosso modo de vida quando se tornou um vampiro? Lembro-me da noite em que entrou com uma tromba em meu quarto e jurou que nunca seria um General. Disse que eles eram imbecis retrógrados e que devíamos olhar para o futuro e não viver no passado!

–eu nunca disse isso! –retrucou, ofegante, o meu maestro.

–Ah disse sim! –insistiu Seba. –E tem mais. Você era um jovem esquentado e pensei muitas vezes que nunca iria se acalmar. Muitas vezes pensei em dispensar você, mas desisti! Resolvi deixar que continuasse com suas perguntas e extravasasse sua raiva e com o tempo você notou que não era o mais sensato do mundo e que os costumes tinham valor.

–Alunos nunca valorizam seus maestros ate que conheçam mais do mundo –continuou – Aí sim notam o quanto devem aos que lhe ensinaram a viver. E bons professores não esperam elogios ou o amor dos jovens. Esperam que o tempo traga isso no momento adequado.

–Está me repreendendo? –perguntou Sr. Crepsley.

–Sim, estou. –sorriu Seba. –Você é um bom vampiro, Larten, mas tem muito o que aprender sobre a arte de ensinar. Aceite as perguntas e a obstinação de Beatrice. Responda pacientemente e não a censure quando der sua opinião. So assim ela poderar aprender e amadurecer como aconteceu com você.

Eu sentia um prazer quase culpado de assistir o Sr. Crepsley descendo um pouco do pedestal. Eu era muito chegada ao vampiro, mas sua atitude de superioridade as vezes me dava nos nervos. Era muito gostoso ver Larten ser chamado atenção!

–Pare de sorrir satisfeita! –disse ele quando olhou para mim.

–Ora, ora –censurei-o –Lembre-se do que o Sr. Nile disse :seja paciente e procure me compreender!

Ele se preparava para gritar quando Seba tossiu discretamente. Sr. Crepsley olhou para o seu antigo maestro e sorriu timidamente perdendo todo o embalo. Ao invés de descarregar a ira, pediu-me educadamente para passar um pedaço de pão.

–O prazer é meu, Larten! –disse secamente e nós três rimos muitos logo depois.

Após o desjejum Sr. Crepsley e eu fomos, finalmente, para o Salão de Perta Vin –Grahl omde havia os chuveiros para o banho. Eu levei meu sabonete é lógico o que fez Larten caçoar um pouco. Era uma enorme camara com estalactites e duas cachoeiras naturais, uma perto da outra à direita da porta. A água caia de grande altura num lago feito pelos vampiros e corria para um buraco perto da parte de trás da caverna, onde ela escorria para encontrar os outros regatos da montanha.

–O que acha das cachoeiras? –perguntou Sr. Crepsley erguendo a voz acima do barulho da água para ser ouvido.

–São lindas! –respondi no mesmo tom –Mas onde estão os chuveiros?

Então Larten sorriu sadicamente e eu entendi onde eles estavam!

–Fala sério! –gritei. –A água deve estar um gelo!

–Está! –concordou Sr. Crepsley tirando a roupa –Mas é o único banho que existe na Montanha do Vampiro!

–E tomamos banho com os outros? Vou ter que tirar a roupa na frente de... Ver pessoas nuas e...

Comecei a protestar. Ele apenas riu e foi até a cachoeira mais próxima e entrou na água. Senti meus ossos doerem só de ver a cenaEu não fiquei muito alegre com aquela situação. Mas eu queria muito tomar banho e ele ia mesmo caçoar de mim pelo tempo em que estivéssemos na Montanha... Tirei a roupa muito desgostosa e sem pensar muito me joguei nas águas da segunda cachoeira.

–Meu Deus! -berrei.

Sr. Crepsley gargalhou e disse bem alto.

–Agora entende porque os vampiros não cultivam o costume de tomar banho aqui!

–Explicação claríssima! -disse esfregando a pele super irritada com a esponja ensaboada.

Larten saiu de sua chuveirada passando a mão no cabelo laranja só para se sacudir como um cachorro depois.

–Tem alguma lei contra água quente

? -perguntei nervosa.

–Não exatamente... Mas não faz bem para muitos animais então preferimos não aquecer aqui...

–Oh que lindo!

Havia toalhas grossas.

–Revigorante! -disse ele enquanto se enrolava na toalha.

–Assassinato isso sim!

Quando voltamos ao meu nicho encontramos um jovem vampiro que nos ofereceu ajuda para achar roupas. Nos levou até os depósitos da Montanha que estavam cheios de tesouros, armas e comida. Não prestei muita atenção lá e seguimos para a ala onde ficavam as roupas.

Eu tratei de procurar algo que se parecesse com as roupas que eu usava no dia a dia... Mas digamos que minhas roupas de boneca só madame Truska fazia... Difícil foi achar algo feminino! Não achei... Então arranjei uma calça chino... sarja... tipo cáqui que ficou larga, mas dava para prender com um cinto e uma camiseta de couro preta. Larten escolheu algo parecido ao que ele vestia normalmente. Com um manto vermelho, não tão vivo quanto o seu, mas mesmo assim marcando bastante seu gosto. Notei que Seba e ele se vestiam de maneira muito parecida e perguntei a ele o motivo.

–Eu me inspirei em Seba em muitas coisas. -disse — Quando ainda era um aprendiz eu o imitava e disse-lhe que queria ser como ele um dia!

Ele fez uma careta.

–O que foi?

–Foi a minha ruína! Quando eu disse que queria ser como ele, Seba me forçou a estudar e treinar duro. Tive que aprender a falar direito, andar e me portar com classe e sempre que eu errava algo ele me arrancava os pêlos do nariz!

–Está brincando?! -disse numa risada.

–Não! Seba pode parecer dócil, mas é muito rígido quando quer! Eu desisti de me parecer com ele e disse que não queria mais continuar...

–E então?

–Ele não aceitou! Disse que não tinha mais como voltar atrás! E então, quando eu já não aguentava mais ele arrancando os pêlos do meu nariz tive uma ideia genial! Queimei-os com ferro em brasa para que não crescessem mais!

–Meu Deus! Não fez isso!

–Sim e não recomendo a ninguém!

–Então resolveu o problema?

–Bem... -fez outra careta -Digamos que ele arranjou outro lugar para arrancar pêlos!

–Qual?

–Ah não! Não direi... É muito constrangedor!

Insisti um pouco, mas Larten não disse de maneira nenhuma! Em outra ocasião perguntei a Seba Nile, que, abrindo um sorriso sádico, me disse "os pêlos das orelhas!" .

–E eu vou ter que me parecer com o senhor? -perguntei após minhas tentativas falhas de lhe arrancar a informação, enquanto o ajudava a ajustar a roupa.

–Não, a não ser que queira... E se quisesse eu não seria como Seba nesse aspecto! Você não precisa ser uma continuação de mim, Beatrice. Basta que seja digna da herança da nossa gente, o que, obviamente, você é!

Alegrei-me em ouvir sr. Crepsley dizer aquilo, mas não quis demonstrar muito.

Quando voltávamos do depósito encontramos Tawer carregando uma caixa que parecia bem mais pesada do que eu.

–Tawer, o que está fazendo?

–Resolvi ajudar... Seba Nile ...com algumas... coisas no... depósito!

–Que legal! Quer ajuda?

–Não precisa... Estou fazendo...pouca coisa!

–Ok! Depois me fale como foi a noite!

Ele acenou positivamente com a cabeça e seguiu para o depósito.

Seguimos por alguns salões, com Larten me dizendo o que cada um era e então voltamos para Osca Velm onde encontramos Seba a nossa procura.

–Larten, precisamos conversar! Os príncipes querem te ver o mais rápido possível.

Eu não gostei muito de ouvir aquelas palavras e encarei meu maestro preocupada.

–Não tem relação com a srta Angeline! -explicou intendente.

–Então o que houve? -perguntou sr. Crepsley sério.

–É confidencial, Larten! -disse Seba devolvendo o olhar obscuro à Larten. -Tem que ser agora!

Eles se encararam uns momentos e então Larten disse pra mim que o esperasse no salão, mas caso ficasse cansada poderia ir pro meu quarto. Apenas pediu que eu alimentasse madame Octa.

Eles dois saíram apressados e me deixaram preocupada e muito curiosa sobre o assunto!