A profundeza do destino
2 O estranho
Eu via um garotinho, ele tinha uns seis anos de idade, era um garoto tão meigo, e eu conseguia me enxergar através dele, eu o chamei, chamei e ele não respondeu então eu simplesmente sai correndo pra dentro de casa, eu perguntei a meus pais se eles o conheciam, eles somente disseram que eu devia estar sonhando, mas os meus pais estavam estranhos, e aquele lugar não era a minha casa, a casa estava toda rabiscada, estava frio, muito frio, eu estava com medo e me faltava ar, eu queria fugir mas não conseguia , não podia lutar, eu sabia, se eu lutasse eu perderia, mas lutar contra o que? Era como se a vida estivesse sendo sugada de mim, e eu percebi que na verdade não era rabiscos o que havia na parede da casa e sim letras, em todo lugar, estava a mesma frase:
“Está na hora.”
E então eu acordei.
Levantei e fui me arrumar para o café da manhã, já são 7:00 horas e é um milagre minha mãe ter me deixado ficar acordada até tarde, meu quarto está mais claro que o normal, ele é um quarto belo apesar de tudo, paredes cor de pêssego, apesar de que em uma o que mais tem é fotos minhas, desde fotos de quando eu era bebê a fotos do cotidiano com minha família ou com minhas melhores amigas, meu quarto é grande, o que é bom já que preciso de espaço pra colocar livros. Minha casa estava quieta, e eu não conseguia dormir mais, não conseguia parar de pensar naquele garoto, eu o conheço eu sabia disso, o seu olhar, ele me trazia um conforto que eu sempre procurei e nunca encontrei, ele preenchia um vazio que eu sempre tive no meu coração. Sai do meu quarto e me preparei para descer as escadas, minha casa também era grande e bonita, e praticamente em todo os lugares havia quadros , o que mais me impressionava era um da Tarsila do Amaral chamado Abaporu, conheço varias pessoas que o acham feio, a tela mostra um gigante solitário, pés monstruosos, sentado em um terro verde, o braço dobrado num joelho, a mão sustentando o peso da cabeça minúscula. Em frente do “monstro” tem uma flor saindo de um cacto, mas tem algo nele, não a beleza mas o que há por trás de cada traço, uma beleza incrível que na verdade é a mensagem, por trás de cada parte do corpo deformada há uma opinião escondida, e por estar tão concentrada em meus pensamentos levei um susto quando todos gritaram:
– SURPRESA.
Caramba, tinha esquecido que era meu aniversario, meus 17 anos, finalmente. Minha mãe sempre dizia que gostaria que eu continuasse com 16 anos pra sempre, eu pensava que ela estava brincando, que era coisa de “mãe”, mas quando eu olhei nos seus olhos eu percebi que havia algo errado, o olhar que antes possuía um brilho de alegria e que era capaz de transmitir alegria a todos já não se localizava mais ali, o que havia naquele olhar agora era algo diferente pra ela, lá havia apenas medo. Depois eu olhei novamente e ela estava sorrindo pra mim, acredito que estava imaginando as coisas, então cai na real, estavam fazendo uma festa pra mim, pude perceber que vários dos meus amigos estavam lá, incluindo o Andrew , o que ele estava fazendo ali eu não faço a menor ideia, franzi a sobrancelha e acho que fiquei com uma cara muito estranha porque todos que estavam sorrindo pra mim pararam aos poucos, devem ter pensado que não gostei da festa, claro que gostei, mas o Andrew? Por que ele está aqui? Nem somos tão amigos assim, erámos, mas a partir do momento em que ele começou a ficar distante, sempre escondendo algo, passei a desconfiar, claro, ele era um cara legal , quase ficamos uma vez, ele é lindo, provavelmente uns de 1,85 de altura, cabelo castanho escuro com um corte social , olhos verde mar, mas eu nunca me senti segura ao lado dele, parece que há um lado nele que me deixa ao contrario, me deixa com medo, isso começou ano passado, era estranho porque antes eu gostava de estar ao lado dele, nunca rolou nada além de abraços mas eu gostava, só que agora não, ele é frio, contei isso a Natally uma vez, mas ela disse que era apenas cisma minha, bom , com Naty sempre é assim , ela é bonita também, cabelo castanho escuro, não muito alta, olhos castanhos claros, ela tem um corpo definido, não muito nem pouco, em algumas pessoas ficaria simples, mas nela é lindo, apesar de nossas brigas, ela provavelmente é uma das minhas melhores amigas, e simplesmente ama qualquer homem bonito que ver, não ama necessariamente, mas baba completamente, ela é um pouco reservada quando o assunto é homem, mas até que entende muito sobre isso.
Então minha mãe me chamou, fui abri os presentes e senti um pequeno calafrio, não sei porque, mas sinto isso sempre que Andrew está por perto, o problema é que não é um calafrio bom, na verdade é muito ruim, quando ele está por perto eu me sinto só, parece que de alguma forma, uma parte de mim sumiu, que falta algo na minha vida, o que é estranho , praticamente falta mesmo, não lembro de nada da minha infância, mas meus pais disseram que foi porque eu sofri um acidente e tive amnesia, e eu simplesmente nunca quis saber nada sobre isso, pra que relembrar algo ruim, certo? A única coisa lembro é de quando alguém me deu uma pulseira, não que eu ainda a tenha, porque eu não tenho, mas eu me lembro dela, da forma com que eu ficava com ela o tempo todo, de como aqueles pingentes de onda me deixava tranquila, mas não lembro de ela era ou de quem a deu a mim, mas eu me lembro que ficava tranquila com ela e de que com ela eu me sentia completa o que eu já não sinto mais.
Andrew estava me entregando meu presente, mas algo novo aconteceu, quando ele chegou perto não senti o calafrio, senti medo, não por ele, mas porque quando fui aceitar o presente eu o toquei e quando fiz isso, senti a tranquilidade que lembrava que sentia com a pulseira, me senti completa, e em questão de segundos me senti fraca, vi o seus olhos, e neles eu enxerguei o mar, não o lado do mar quente que eu costumava ver, e sim o lado mal do mar, o lado que quer nos afogar tirar a nossa vida e essa foi ultima coisa que vi.
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