Acordo e percebo que o lugar está claro, então percebo que não estou em casa, minha visão ainda está um pouco embaçada, acredito que foi pelo motivo de que acabei de acordar, estou no hospital percebo, o medo me invade e em seguida o pânico, lembro do que aconteceu, de como Andrew me trouxe de volta uma memoria da minha infância, e lembro de tudo, me lembro de que deveria odiar ele por ter se afastado de mim, então alguém abre a porta, um médico percebo, ele é muito novo pra ser médico, deve estar em treinamento, ou acabou o ensino médio mais cedo, parece ter 22 ou 23 anos, e percebi que ele era lindo, não como o Andrew, afinal, porque lembrei do Andrew? Isso não consta, mas ainda é lindo, olhos castanhos claro, cabelo loiro, alto, aproximadamente uns 1,89, e seu nome é Thomas, ele percebeu que eu estava o encarando e disse:
– Como você está Isabelly Avelar?
Fiquei surpresa por ele saber meu nome e quase desmaiei novamente, não me entendem mal, não é que eu babe por qualquer homem, muito pelo contrario, minha melhor amiga, Laura, vive brigando comigo por isso, mas ele é lindo, na verdade, se você olhar direito, ele é perfeito, não há nenhum tipo de imperfeição, se Natally estivesse aqui, seria amor a primeira vista, já perdi a conta de quantas vezes ela já amou, apesar de que eu nunca concordo com ela, amar pra mim é mais que atração física, é complexo, eu não posso definir ainda porque eu nunca senti, mas eu sei que não é somente assim, e então eu sai da minha ilusão porque lembrei de que ele é um médico e de que está me atendendo o que justifica muita coisa.
– Hum, estou bem , obrigada, quando vou sair daqui?
– Você terá alta daqui a uma hora, e depois seus pais só terão que terminar de assinar os papeis.
Por um momento fiquei triste, não vou ficar perto dele, mas ai me lembrei de que nem o conheço, só sei que se chama Thomas, ou melhor, Doutor Thomas, como está no crachá. Comecei a olhar pra ele novamente, procurando qualquer tipo de imperfeição mas não encontrei nenhuma e então sai do transe porque percebi que ele estava saindo do quarto do hospital, eu não queria que ele saísse, parece até que estou enfeitiçada por ele , o que é irônico já que não existe magia.
– Não, não saia.
Ele sorriu, seus dentes eram perfeitos como todo o seu corpo, e o seu sorriso era , não sei, era diferente, mas também lindo.
– Vou avisar seus pais que você já pode receber visitas.
Eu apenas assenti, sabia que minha mãe ia me deixar presa em casa durante um bom tempo, ela se preocupa demais comigo, uma vez, quando eu apenas a perguntei sobre minha infância, ela me disse um monte de coisas, eu não lembrava de nada é claro, mas a noite, eu sonhei com algumas coisas, só que era estranho e eu fui dormi novamente depois de horas, quando acordei fui contar esse sonho pra minha mãe, ela me levou ao psicólogo, a noite eu a ouvi conversar com meu pai , ela estava chorando, diz ela que ainda não era a hora e meu pai somente a mandava ficar calma. Após alguns minutos minha mãe chega, mas ela está sozinha, acho que meu pai está assinando os papeis. Olho em seus olhos e me espanto por não encontrar o medo que eu sempre via, agora eu só encontro tristeza , o que não faz sentido já que foi um simples desmaio, e apesar da tristeza em seus olhos percebo o quando ela é linda, minha mãe já tem os seus 41 apesar de não parecer nem um pouco, ela tem cabelos pretos lisos e longos como os meus, olhos verdes claros, como os meus também a única diferença de nós duas é que enquanto ela tem 1,80 de altura, eu tenho somente 1,64, não que eu reclamasse, eu me sentia bem com meu próprio corpo, mas ela era diferente, minha mãe é deslumbrante, não importa a roupa que ela usasse, ela continuava linda. Ela sentou ao meu lado na cama e começou a mexer em meus cabelos e a cantar pra mim, ela sempre cantava pra mim, sua voz me acalmava, me enxia de vida, me deixava forte, eu sempre perguntei a ela o porque dela não querer ser cantora, ela só dizia que não gosta de chamar atenção o que eu sempre achei impossível já que ela era diferente, diferente das outras mães, das outras pessoas, não sei porque , mas ela possui um brilho próprio, nunca soube explicar, então uma duvida veio em minha mente.
– Mãe, quem está me esperando?
Ela olhou em meus olhos e não desviou o olhar , acredito que estava esperando uma explicação pelo meu desmaio, mas ela não me perguntou, somente respondeu.
–Seu pai , Thaynara, Laura e Natally.
Suspirei de alivio, não sei porque, mas não queria que mais ninguém estivesse aqui, minhas melhores amigas estavam e nesse momento, o que eu mais preciso é de amigas, filme e sorvete. A porta abriu e Thomas entrou e sorriu pra mim e pra minha mãe, por um estranho momento pareceu que ela estava encantada com ele, mas depois não, seus olhos estavam estranhos, estavam com algo que vi poucas vezes, ela estava apavorada.
– Você já pode ir Isabelly.
Minha mãe olhou pra mim, acho que pra ter certeza de que eu estava bem, em silencio a disse que sim, e quando percebi Thomas já não estava mais lá, ela me ajudou a levantar e finalmente pude tirar essa roupa de hospital, eu as odeio. Quando sai do quarto percebi que minhas melhores amigas estavam ali me esperando, elas estão com cara de medo, mas mesmo assim estão lindas, enquanto Naty é linda com o seus olhos claros, Laura é linda com o seu cabelo longo e castanho claro, ela é o tipo de mulher que deixa qualquer um apaixonado, não somente pela beleza, mas pela gentiliza e modo de tratar as pessoas, não importa se é do tipo dela ou não , é um ser humano, já a Thay é uma graça, gentil com todos, super educada, e consegue ser menor que eu, mas ela é linda até mesmo assim. Quando elas me veem, vem correndo me abraçar e quase caio no chão, mas eu apenas penso: Como eu amo essas meninas.
Thay me pergunta com toda paciência do mundo como sou, enquanto Helena diz.
– A próxima vez que você fazer isso comigo, você vai ver, você me deixou preocupada, na próxima vez eu mesma te mato.
Percebi que ela estava chorando, e quase a abracei, mas algo chamou minha atenção, ele estava ali, Andrew, então olhei novamente e ele não estava mais, percebi que devo ter batido a cabeça já que estava pirando. Então procurei por Naty e vi que ela estava viajando em algo atrás de mim, olhei e vi que era Thomas, sempre soube que conhecia minha amiga, ela está quase pedindo o numero dele somente com o olhar. Então Helena percebeu que eu estava olhando pra ele também e chamou Naty em um canto, não consegui ouvir o que ela estava dizendo porém sei que é sobre ele, depois de uns segundos chamei todos para irem embora, eu , Naty, Thay e Laura fomos no carro de Natty , ele era um Toyota Camry preto, era confortável, mas durante o trajeto todas ficamos em silencio, quando chegamos Helena quebrou o gelo.
– Vamos tomar sorvete?
Eu olhei pra ela e agradeci com o olhar, fui buscar o sorvete , peguei 5 de chocolate, quando voltei já estavam todas sentadas assistindo Orgulho e Preconceito. Elas ficaram em minha casa até o filme acabar, após isso , apenas nos despedimos e eu fui pro meu quarto, quando cheguei lá , apenas cai na cama e dormi, com a mesma roupa e até mesmo sem tomar banho.
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