“Querido diário, não tenho orgulho do que vou relatar, tampouco direi que me arrependo. Minha santa mãe – que Deus a tenha – iria morrer de desgosto se soubesse que a filha tão bem educada se comportara de tal forma, mas agora, com um filho no ventre, sei que o amor materno não se curva à moral. Ainda nem o conheço, mas sei que faria qualquer coisa por essa criança.

Apenas alguns dias depois de ter recorrido a ti pela última vez, tomei conhecimento de que o tempo jamais seria meu amigo e prolongar meu dever faria as coisas mais difíceis. Eu nunca esqueceria Scar e nunca me sentiria confortável o suficiente com Mufasa para fazer as coisas de modo natural. Conhecer melhor o garoto de bonito sorriso e sardas alegres apenas diminuía minha vontade, fazia-me sentir culpada por enganá-lo. Eu não acordaria um dia e estaria pronta para consumar meu casamento com ele. Por isso, tive de tomar medidas drásticas para resolver essa situação. Eu não era a mulher mais experiente do mundo, mas já havia feito algumas vezes com meu amor. O bastante para que com uma boa dose de coragem, incentivada por uma maior de vinho, eu soubesse o que fazer.

Coloquei a camisola branca de musselina quase transparente da noite de núpcias, a mesma que vesti por baixo do vestido de casamento, mas Mufasa nunca chegou a vê-la. Nunca a uso para dormir por ser deveras reveladora. Em seguida, tomei uma taça de vinho, duas – a cota das damas de respeito – três e na quarta meus dedos formigavam, meus passos vacilavam e uma vontade inesperada de rir se apossou de mim. Não sei dizer se estava bêbada, pois nunca estive embriagada antes para garantir, porém, posso afirmar que meu julgamento estava enevoado e senti meus membros relaxados como nunca. Subitamente compreendi por que os homens bebiam para esquecer os problemas ou acalmar os nervos, e achei uma injustiça as mulheres serem privadas de tal proeza.

Esperei por algum tempo sentada no parapeito da janela, observando a noite estrelada de outono e, inevitavelmente, minha mente se voltou para meu amor, quando costumávamos admirar o céu juntos. Scar preferia as noites, afirmava não haver música mais bela do que o silêncio e que quando todos se recolhiam e as vozes cessavam no mundo, os astros poderiam ser ouvidos e contemplados propriamente. Apesar de gostar mais do céu noturno, ele costumava dizer que Mufasa era como o sol e que o invejava por ser o centro. Nunca gostei de incentivar tal rivalidade, mas certa vez comentei que o sol poderia ser mais importante, todavia, era solitário, brilhava sozinho e as pessoas jamais tiravam tempo para contemplá-lo. Ele sorriu, assegurou-me de ser a mulher mais inteligente e doce do mundo e me beijou com tanta paixão que senti todo o ar se esvair de meu corpo. As nossas lembranças passaram a atordoar minha cabeça, me perseguiam todas as noites como fantasmas e, ao mesmo tempo, me mantinham viva no dia seguinte. Porém, se eu me prendesse a elas naquele momento, sabia que perderia as forças.

No instante em que voltei para a cama, a porta se abriu e um garoto de cabelos de fogo entrou no quarto. Eu não precisava realmente olhá-lo para saber quem era, nem perguntar como estava para saber de seu humor. Neste pouco tempo de convivência, aprendi muito sobre Mufasa, sabia reconhecer seu perfume mentolado e quantas sardas possuía no rosto, inclusive a marca de nascença em forma de raio abaixo do lóbulo da orelha. Assim, percebi que havia se banhado há pouco tempo, provavelmente na casa de banho dos reis, pois ele evitava lavar-se no nosso quarto. Também pude aprender que seus passos arrastados significavam cansaço ou nervosismo, como agora.

— Eu não gosto nada daquela mulher, Sarabi. Tara está a todo momento esforçando-se constrangedoramente para agradar-me, como se fosse minha mãe e isso não me comove. O filho dela, Kion, não é tão ruim, um garoto esperto para seus 6 anos, porém, a presença deles me deixa desconfortável. – começou o monólogo sobre o dia. Tara, a ex amante, agora esposa do rei, era um dos alvos de suas reclamações. Em qualquer outra ocasião, eu adoraria ouvi-lo apenas para ter o alívio de distrair-me de meus próprios problemas, mas não poderia ser assim naquela noite, então, respirei fundo e deixei o efeito da bebida agir.

— Tome uma taça de vinho. – ofereci e ele surpreendeu-se pela interação, geralmente eu apenas ouvia.

— Agradeço. – havia muita cordialidade em suas palavras. – Está sentindo-se bem, Sarabi?

— Perfeitamente bem. – ri e ele notou minhas vestes, engolindo em seco. – Tire essas roupas pesadas, você está muito tenso, deixe que sua esposa lhe ofereça uma massagem. – até agora não sei de onde tirei tanta segurança para representar aquele papel, parece que outra pessoa assumiu o controle e meu verdadeiro “eu” virou apenas um expectador. Hesitantemente, Mufasa fez como solicitei e sentou-se de costas para mim, trajando apenas a camisa fina e longa, usada para dormir. – Relaxe. – sussurrei em seu ouvido antes de começar a massagear seus ombros, estavam tensos e eu podia exalar sua desconfiança no ar. Meus dedos percorreram a gola em v da camisa frouxa e encontraram a pele quente do pescoço, apertando suavemente a região, então, meus lábios substituíram o toque e pude senti-lo estremecer. Minhas mãos deslizaram para sua frente, ainda dentro do tecido e acariciaram o peito firme de Mufasa.

— Sarabi... – ele chamou, havia receio na voz, eu sabia, mas o ignorei, lambendo luxuriosamente o pescoço sardento. – Sarabi. – foi mais firme dessa vez, parando o percurso de minhas mãos com a própria. – O que está fazendo? – virou o rosto de perfil a fim de mirar-me.

— Não está claro o que pretendo? – tentei beijar seus lábios, mas ele esquivou-se, me irritando. Eu estava me doando de bandeja, me despindo de todo respeito e orgulho perante ele, não iria aceitar uma rejeição. – Quero consumar nosso casamento. – tentei ser sedutora, mas a impaciência estava presente em meu tom.

— Eu já deixei bastante claro que não pretendo forçá-la a nada e a julgar pelo vinho que bebeu, creio que não queira realmente isso. – por que ele precisava ser tão gentil? Tão cavalheiro e atencioso? Se fosse Scar ali, certamente já teria me tomado de corpo e alma, me possuído por inteira. Eles realmente eram diferentes como o sol e a lua.

— Não sou eu quem está a negar. – argumentei. – Não me desejas, Mufasa? – ele retirou minhas mãos vorazes de si com um suspiro resignado e virou-se de frente para mim, acomodando-se na cama.

— Aconteceu algo? Alguém está desconfiado de que não consumamos o casamento? – fitou-me profundamente com os olhos castanhos compreensivos, e assim, ele já não parecia mais um menino que completara 15 anos na semana passada, mas alguém muito maduro. Por um instante, pensei em revelar-lhe toda a verdade, porém, a história de Ana Bolena passou-se rapidamente por minha cabeça, me lembrando que uma mulher sempre seria um bode expiatório para os caprichos de homens poderosos. Meu marido é bom sujeito, mas nenhum futuro rei aceitaria um herdeiro bastardo.

— Precisamos ter filhos, o reino precisa de herdeiros. – falei, meu coração martelando desesperado contra o peito. Ele sorriu bondosamente e tocou meu queixo.

— Eu sou jovem e você também, temos tempo suficiente para nos conhecermos e fazer isso de outra forma. – e então, diário, uma raiva misturada ao desespero tomou conta de mim e estapeei sua mão.

— Como espera fazer isso, Mufasa? Por amor?! – cuspi e ri com escárnio, as palavras escorreram venenosamente de minha boca. Aquilo não era minha culpa e não creio que um dia seja capaz de amá-lo como mulher, a parte reprimida de minha mente que o acha responsável, de certo modo, por tudo o que aconteceu, explodiu. Quase imediatamente me arrependi ao ver o homem maduro abandonar os olhos de Mufasa e retornar o menino, não gostei da tristeza que vi no mar castanho, muito menos de saber que fui a causadora. – Mufasa...

— Irei dormir em outro quarto esta noite. – ele levantou-se e pegou a calça para vestir. Eu sabia que tinha estragado tudo, mas não teria outra abertura tão cedo, precisava apostar todas as minhas cartas naquela noite.

— Não, Mufasa! Me perdoe, me perdoe. – implorei, o puxando para a cama novamente, ele parou de relutar e bufou, aguardando o que eu tinha a dizer. – Olha, eu não sei se um dia vou poder te amar como... como a ele... Mas, eu quero tentar, preciso tirá-lo da minha cabeça, eu preciso de você. Eu estou tão sozinha, Mufasa, tão destruída que, às vezes, até mesmo respirar parece impossível. – as lágrimas rolaram sem permissão e meu coração rasgou-se, foi a primeira verdade que falei a ele desde que entrou no quarto.

Suas expressões suavizaram, ele beijou docemente minha testa, enxugando as lágrimas com o polegar e depois me abraçou com ternura, permitindo que eu soluçasse em seus braços fortes. Era agradável estar perto dele, seu cheiro e calor eram reconfortantes, muito mais do que eu merecia por tentar enganá-lo e, ainda assim, era o irmão errado, não eram os braços pálidos, musculosos e sardentos que eu desejava. Eu me pergunto, diário, se um dia Deus poderá me perdoar por amar tanto um ser mortal, é um sentimento que me consome, incendeia e destrói simultaneamente. Às vezes, penso que a dor é a única amiga que tenho, ela é um lembrete constante de que tudo o que vivemos foi real e eu não estou pronta para me desapegar, não ainda.

Após algum tempo naquela posição, levantei-me e lavei o rosto na bacia de porcelana, enxugando-o na toalha de algodão, pendurada ao lado. Quando encarei Mufasa novamente, ele estava desconcertado e eu já não sabia bem o que dizer, nunca me senti tão desconfortável na presença dele antes.

— Acho que vou dar uma volta. – Mufasa anunciou, quebrando o contato visual. Uma sineta soou em minha cabeça, me alertando que eu precisava tomar o controle da situação novamente. “Pelo meu filho, pelo meu filho”, eu havia jogado minha felicidade fora por ele, precisava levar adiante aquela farsa.

— Não, Mufasa! Por favor! Não me deixe! Eu preciso de você! – implorei, bloqueando seu caminho na porta. – Eu quero você, eu preciso esquecer, me faça esquecer. És meu marido... – sussurrei, ele esfregou o rosto, cansado. – Você não me quer? – retomei a pergunta, o ruivo parecia se entreter muito com a madeira da porta, pois não me olhava por nada no mundo. Ele não respondeu, então senti que precisava incentivá-lo a ficar, peguei sua mão livre e coloquei sobre meu seio direito. Ele me olhou com um misto de dúvida e curiosidade. – Sente isso? Eu estou aqui para você, Mufasa, você me nega? – apertei mais sua mão sob a minha e senti meu corpo reagir ao calor de sua palma. O álcool no sangue, a solidão e a ânsia de dar um bom pai ao meu filho também se fundiram em desejo, eu passei a querer aquilo.

Ele engoliu em seco e soltei sua mão, que agora massageava com delicadeza meu seio sem precisar de auxílio. Por mais que Mufasa quisesse respeitar princípios, ainda era homem feito de carne, manipulável. Meus dedos se embrenharam nos cachos vermelho-vivos e sentiram sua maciez para, assim, tomar seus lábios entre os meus. Ele hesitou num primeiro momento, talvez nunca tivesse beijado uma garota antes, mas correspondeu prontamente. Eu o guiei naquela noite, tomei todas as iniciativas, seu corpo apenas respondia a mim, mas ambos conseguimos alcançar o prazer. Achei que minha alma se partiria ao entregar-me a outro homem, mas, pela primeira vez desde que ele partiu, pude sentir prazer. Por alguns segundos minha mente ficou vazia, focada em algo que não a dor. A parte ruim veio mesmo depois, quando Mufasa me abraçou pelas costas. Não sei explicar, diário, mas aquele ato me pareceu mais íntimo do que o que fizemos na cama.

A partir de então, Mufasa e eu temos vivido propriamente a vida conjugal. Talvez meu coração estivesse para sempre impenetrável, porém, meu corpo ainda estava acessível e apreciava seus toques quentes. Ele era sempre respeitoso, garantindo que eu chegasse ao prazer, no começo eu conduzia o ritmo, depois, ele foi aprendendo e tornou-se um bom amante. Mufasa, sexo e nossas conversas se tornaram tão interessantes quanto a dor que cultivei. A cada dia nos tornávamos mais familiarizados e naturais com a presença um do outro. Semana passada, ele me fez gargalhar com a história de um camponês e sua galinha em uma audiência com o rei, ri até meus membros doerem. Achei que nunca mais poderia rir daquele jeito, diário, e nesses momentos tão bons a culpa me corrói.

Um mês depois de nossa primeira relação, contei a Mufasa que minhas regras não desceram. Ele ficou tão feliz, tão reluzente, que saiu gritando à plenos pulmões pelos corredores do castelo que teria um filho. Naquele instante eu realmente desejei aquele filho ser dele, queria poder proporcionar de fato tal felicidade. E então, eu decidi, faria de tudo para Mufasa ser realmente feliz, o compensaria por minha mentira. Ele seria pleno, nosso filho saudável e eu aguentaria o peso dos segredos e do mundo nas costas por eles. Às vezes, quando estivesse insuportável, agarraria minha velha dor e o teria novamente, livre, rebelde e magnífico como a lua nas profundezas de minha mente e coração.”

...

“Querido diário, meses se passaram desde nossa última conversa. Meses preguiçosos e cheios de regalias por minha gravidez, e gostaria de dizer que meu parto foi a mesma calmaria. Minha barriga não aparecia muito por conta dos vestidos largos que passei a usar diante dos outros. Já Mufasa não tinha muita noção de como se dava o crescimento de um bebê no ventre para ter desconfianças dos meses, tudo parecia encaminhar-se bem. No entanto, quando tive as primeiras contrações, senti que algo estava errado.

Dizem que mães possuem um elo eterno com os filhos e creio que parte de mim também morreu quando segurei o corpinho miúdo e sem vida de minha filha, minha Lyra, fruto de um amor interrompido. Prefiro crer que ela está em um mundo melhor, onde poderá morar para sempre no reino perfeito da inocência, sem conhecer as mazelas e sofrimentos desse mundo. Imagino minha doce mãe ninando-a nos braços até que seja a minha hora de conhecê-la. Porém, após dolorosas horas de parto, com cada osso e músculo de meu corpo dolorido, não ouvir o choro de minha menina foi o pior silêncio de toda minha vida. A parteira não queria entregar meu bebê e Mufasa, que entrara no quarto há pouco tempo, liberado por minha dama de companhia, estava com um aspecto temeroso.

— Meu bebê! Quero.. meu filho... – balbuciei esticando meus braços fracos em direção ao embrulho. A mulher me olhou com pena e meu coração falhou uma batida, mas ela aproximou-se mesmo assim, junto a meu marido.

— É uma menina... – disse com pesar. – Parece que não desenvolveu-se muito bem. – Não importava o que diziam, para mim, ela era perfeita, a bebê mais linda do mundo. A parteira me entregou e eu abracei minha filha, como se pudesse despertar vida nela ou então transferir a minha própria. Lágrimas brutais escorriam de meus olhos.

— Sinto muito, minha rainha. – ele beijou minha testa e, em seguida, a dela. Mufasa também possuía lágrimas nos olhos, discretas, mas podia ver seu sofrimento. Aquilo apenas aumentou a dor em meu coração. Eu o forcei a amar aquela criança sem vida, que nem mesmo era dele.

— Ahhhhhhh!! – gritei de dor. Não foi pelo luto, algo estava errado comigo. Senti mais dor e contrações.

— Parece que mais um vem aí. – A parteira anunciou, olhando entre minhas pernas. O semblante de Mufasa se iluminou como uma lamparina na escuridão. – Empurre, Alteza. – ordenou ela, mas minha força física e emocional havia se esvaído. Eu não tinha vontade, apenas agarrava minha pequena. – Só mais um pouco. – suplicou em vão, fechei os olhos, tudo o que queria era morrer.

— Sarabi! – a mão de Mufasa em meu rosto me despertou. – Olhe para mim! Eu sei que dói, não posso nem dimensionar o quanto. Mas temos outra criança que também precisa de você. Tudo vai acabar logo, confie em mim, segure minha mão. Estou aqui, meu amor – sua voz inspirava confiança e autoridade de tal forma que acreditei. Não sei por que, diário, mas eu me apeguei a suas palavras como uma fonte de vida, seus olhos castanhos encorajadores me lembravam da promessa de fazê-lo feliz e ter uma criança saudável. Assim, comecei a empurrar com tudo o que havia dentro de mim. – Isso, Sarabi! Está indo bem, tão bem! – ele incentivava, já não sabia se eu apertava sua mão ou ele a minha, mas certamente aquilo iria deixar marcas.

— Estou vendo a cabeça! – anunciou a velha parteira, mais animada. – Apenas mais um pouquinho, Alteza. – Alguns segundos depois de meu empurrão mais forte, pude ouvir um choro esganiçado e ele ser puxado para fora de mim. – É um menino! Saudável e forte como um leão! – bradou a mulher e todos no quarto celebraram. Ela o embrulhou em um lençol e trouxe-o para mim. Era pequeno, menor do que os bebês recém nascidos costumavam ser, mas estava bem.

— Eu sempre gostei de Lyra, se fosse uma menina. – suspirei, meus dois bebês comigo, um em cada braço, não da maneira que esperava.

— O menino se chamará Simba. – Mufasa anunciou e sorri fracamente, em suaíli, língua materna de Uru, significava “força”. – É apropriado. – sorriu para mim como se me agradecesse pelo esforço.

— Meu pequeno Simba. – sussurrei ao amamenta-lo pela primeira vez. O vazio de Lyra sempre estaria lá, assim como o de seu pai, mas Simba abriu um espaço em meu coração que irradiava emoções fortes. Amor, o mais puro possível e medo de perdê-lo. Queria tê-lo assim, para sempre junto de mim.

Após alimentá-lo com meu leite, apaguei em exaustão. Dois dias depois, fizemos um pequeno funeral para Lyra, que foi sepultada próxima à avó.

Sabe diário... Eu nunca realmente vi Ahadi sorrir, quando olhava para Mufasa, eu podia notar o orgulho, com a nova esposa havia maior leveza no semblante, mas num geral, estava sempre sério. Porém, ao ver o neto pela primeira vez, seus lábios se repuxaram e os dentes amarelados ficaram à mostra em verdadeira alegria. Suas visitas eram tão recorrentes ao nosso quarto, que chegavam a ser incômodas.

— Está nervoso? – questionei-lhe quando Simba finalmente pegou no sono. Mufasa o tomou de mim com delicadeza e colocou no berço próximo à cama.

— Está ouvindo isso? – franzi o cenho. – Exatamente. – então ri baixinho. – Céus, que força ele tem para chorar. – sorriu, mas percebi o quanto estava cansado com os preparativos da cerimônia e os choros agudos de Simba.

— Ele sente seu cheiro quando está por perto, já sabe que é você. É um mimado procurando atenção. – brinquei.

— E eu o mimarei o quanto puder. –ficou sério por um instante. – Falo sério, Sarabi. Eu serei um pai melhor do que o meu, prometo.

— Eu sei que vai. – afaguei suas costas tensas. – Você já é. – assegurei e ele estalou rapidamente os lábios nos meus, agradecendo. – Mas voltando ao tópico inicial... Está nervoso? – ele soltou o ar pesadamente.

— Não. Não é este o ponto. É que... Me parece errado. – começou com receio e eu entendi, não costumávamos falar sobre ele, era doloroso para ambos. – Eu nunca realmente almejei o trono, mas Scar pensou que sim... Me arrependo de não o ter defendido de meu pai. Sempre me calei, mas eu tinha medo de receber o mesmo tratamento. Mesmo assim... Eu devia... – engasgou-se.

— Você não pode responsabilizar-se pelas escolhas dele. Você foi honrado e desafiou seu pai ao não matá-lo. – garanti. Já não sinto mais nenhum remorso em minha delação, como poderia, se Mufasa tem sido tão bom?

— E eu nem sinto raiva dele, será que sou tolo? Eu ainda o amo, apesar de tudo. O que eu sempre quis foi que ele gostasse de mim. – uma lágrima desceu de seus olhos, mas logo foi enxugada. Engoli em seco e mudei de assunto, não queria me aprofundar, eu não poderia ser essa pessoa para Mufasa conversar sobre isso.

No dia seguinte, Mufasa e eu fomos coroados rei e rainha, unindo enfim Xártis e Reichstein para a manutenção da aliança dos 25 reinos menores. Depois, Simba foi apresentado a todos como o príncipe e legítimo herdeiro dos dois reinos, caso meu irmão Dário, agora rei de Xártis, não tivesse filhos.

As coisas estão mais calmas agora, diário, como nunca pensei que estariam. Porém, quando olho para Simba, dormindo tranquilamente em meus braços, uma inquietação toma minha mente...”

Kiara acordou com um peso quente sobre o braço direito e sentiu o cheiro de óleo e papel queimado. Abriu os olhos em alerta e viu que a lamparina que usava para ler o diário não fora apagada, ela adormecera e em algum momento o objeto virou na cama e caiu sobre as páginas do velho livreto. A princesa pegou a colcha e tentou apagar o fogo, mas ele já havia consumido praticamente todo o conteúdo, exceto a capa grossa. Toda a história de sua avó queimada e apagada, não haveria mais provas de que aquele amor proibido entre ela e Scar realmente aconteceu.

Ela queria ter peso na consciência pelo descuido, porém, foi alívio que sentiu por não ter que preocupar-se mais com seus antecedentes. Ficou com uma pulga atrás da orelha para saber qual era a inquietação da avó sobre o pai. Mas, se qualquer forma, já obtivera a verdade, Simba era mesmo o filho de Scar e aquilo não mudaria absolutamente nada. Ela esperava que após a revelação algo se transformasse dentro de si, mas o mundo estava como sempre esteve, ela ainda era ela, o pai ainda estava irritado, Scar e Sarabi mortos, o sol matinal aquecendo o quarto e o pensamento em Kovu ainda fazia seu coração dar rodopios no lugar.

— Princesa. – Razel saudou entrando no quarto e arregalou os olhos. – O que aconteceu?!

— Ahnn... Um pequeno acidente, Razel, mas está tudo bem. Eu me visto sozinha, apenas limpe essa bagunça, por favor. – como sempre a criada engoliu suas dúvidas e fez o que fora ordenado.

Kiara pulou o café da manhã, comendo apenas uma maçã e uvas no quarto, estava muito ansiosa para colocar qualquer coisa mais consistente no estômago. O baile das flores ainda a assombrava em pesadelos e os acontecimentos eram um borrão. Sua mente parecia ter apagado boa parte do que aconteceu naquela noite, mas o rosto de Felix tentando violá-la e suas mãos nojentas jamais a deixariam em paz. A todo instante precisava lembrar que estava forte agora, estava preparada para lutar como uma igual.

O castelo estava de pernas para o ar com o baile de despedida dos príncipes e demais convidados. Em qualquer canto que escolhesse matar o tempo, sentia-se sufocada, então resolveu ir até a sala de música e visitar as cordas de sua harpa. Aquela sala estava sendo pouco utilizada ultimamente, mas pode perceber que o instrumento ainda estava afinado. Gostava dali, era afastado, claro e emanava uma paz austera, que ela realmente precisava no momento para poder organizar os pensamentos e focar nos acontecimentos da noite.

Kiara começou a dedilhar A time for us e lembrou-se de como aprendera aquela música. Nala costumava tocá-la e Simba acomodava-se no canapé estofado para ouvi-la, enquanto tomava seu vinho favorito. Um dia, Kiara sentou-se ao lado da mãe e imitou o movimento de dedos, claro, ela tinha um tutor de música, mas aquela foi especial por ter se tornado a herança de Nala. Era uma música sem letra, mas contava uma história por meio das notas melódicas, começando lenta, como alguém que conta um segredo, cheia de esperanças e sonhos. Então crescia apressada, transmitindo paixão e emoções conturbadas, depois tornava-se sofrida e terminava melancólica. Ela pensou no romance de Sarabi e Scar, no da avó e Mufasa, de seus pais e o relacionamento entre os três e...

– Entre. – o rapaz franziu o cenho. – Eu o ouvi chegar. –explicou ainda de costas.

— Vossos sentidos estão mais aguçados, vejo que minhas aulas não foram um total desperdício. – deu um sorrio afetado.

— Não, não foram. – assentiu sorrindo marotamente, ele estava ao seu lado agora, sentado num banco, os joelhos quase se roçando. A proximidade a intimidava, mas era bom tê-lo assim, ouvir sua voz grave e aspirar seu cheiro almiscarado produzia sensações eletrizantes. – Sabe tocar? – ele balançou negativamente a cabeça. Kiara tocou delicadamente três notas fáceis e ele repetiu grosseiramente. – É uma harpa, não uma espada. – riu de leve e colocou os dedos sobre os dele, repetindo o movimente com suavidade.

A princesa quebrou a regra que impôs sobre os toques, mas já não importava, pois descobriu que não o temia. Antes, tinha medo das próprias reações perante o exilado, todavia, ela já havia admitido para si e para o diário que Kovu a atraía. Do mesmo modo que os pássaros eram atraídos pelos ares, era impossível para Kiara não se arrepiar com o contato e não o desejar. Não havia mais como negar.

Quando terminou de conduzir os dedos dele para um arpejo, a princesa levantou o olhar e percebeu que Kovu não estava muito concentrado na ação. Os olhos esmeraldas a fitavam com curiosidade e... fome? Sim, ele estava faminto pelo beijo interrompido precocemente.

— Está com medo? – perguntou num fio de voz, procurando preencher o silêncio.

— Não, é um bom plano, tudo vai correr bem. – assegurou Kovu. – E vossa Alteza?

— Apavorada. – confidenciou. – Não da morte, mas que meu povo pereça. – explicou, e era verdade, se ser princesa significava proteger Reichstein, se esse era seu propósito de vida, ela temia falhar. – Mesmo assim, eu gostaria de dizer algo, caso... Caso o crepúsculo caia sobre mim nesta noite. Assim, poderei partir em paz, pois estas palavras têm atormentado minha alma desde...

— Então não diga. – interrompeu. – Quem precisa de paz? – ele sorriu de lado e ela não entendeu, não compreendia a maioria das coisas que Kovu lhe dizia. – Em poucas horas enfrentaremos o inimigo, vosso espírito precisa estar vingativo ou não terá a energia necessária para lutar. Estou certo de que a Princesa terá um amanhã para revelar tal inquietude. – a princesa respirou e assentiu, toda coragem se esvaindo diante da relutância dele de escutar. – Ah! – ele pareceu lembrar-se de algo e retirou um embrulho do gibão.

— O que é isto? – questionou retirando a fita de veludo do pergaminho.

— Um presente. – ela franziu o cenho. – Fui muito rude contigo no baile de aniversário, então... Espero compensar. – Kiara ofegou ao ver um desenho seu na noite da torre, ela sorriu e corou. Era perfeito, os traços delicados do desenho, os cabelos contra o vento, as sombras, a chuva e seu olhar determinado, muito diferente de seus retratos nas paredes do castelo, em que aparecia sempre recatada e perfeita. Kiara sentiu-se livre naquela imagem singular e seu coração se encheu de emoções, o exilado conseguira captar como ela se sentia ao estar com ele.

Kovu já não sabia se fazia aquilo por ter que dar continuidade ao plano ou porque realmente não consegue mais afastar-se da princesa. Não importava mais se era por obrigação ou desejo. Ele beijou a mão dela com toda a delicadeza e Kiara engoliu em seco.

— Kovu... – o que quer que a princesa fosse dizer, foi interrompido por Demetrius, que pigarreou.

— Kovu, precisamos receber as instruções para as rondas noturnas, nenhum soldado foi liberado. – explicou pelo fato do exilado ser o guarda pessoal da princesa. Os dois se olharam profundamente mais uma vez e com uma reverência, Kovu seguiu o outro. – Você tem que tomar cuidado, se o rei o flagrasse tão próximo à Princesa, faria mais uma visitinha na calada da noite. – relembrou Demetrius.

— E você ficaria ao meu lado desta vez ou apenas observaria? – na maior parte do tempo, a relação dos dois era amigável, mas a menção da fatídica noite o enfureceu. – De qualquer forma, é provável que eu esteja morto antes do amanhecer. – riu, tentando atenuar as palavras.

— Estou falando sério, Kovu. – Demetrius o parou num corredor movimentado e baixou a voz. – Precisa refrear seus afetos pela Princesa, isso não acabará bem. – alertou, então lembrou-se de uma questão pendente. – E quanto à sua irmã... Vitani, não é? Ela estava no baile, eu a reconheci. Como ela entrou no castelo? – Kovu sentiu o sangue gelar, não acreditava que Tani pudesse ter sido tão descuidada.

— Vitani apenas sentiu saudades e foi me visitar, apenas isso. – o exilado analisou o quase amigo por um momento, as orelhas vermelhas e bochechas coradas. – Espere... Ela é a moça misteriosa que roubou seu coração com uma conversa? – ele gargalhou alto e continuou a andar, o cavaleiro ruborizou ainda mais e acompanhou. – Apaixonou-se por minha irmã e está preocupado comigo? Tsc tsc. – balançou a cabeça, zombeteiro. – Boa sorte, companheiro. Vitani é louca.

— É uma mentirosa e ladra, isso sim. Disse-me que era nobre e roubou o vestido de uma garota. – relembrou rancoroso por ter se enganado.

— Como eu disse, ela apenas quis me ver. Deve ter devolvido a roupa. – deu de ombros, uma pequena mentira comparada à todas que estava contando ultimamente.

— Bom... E como ela é? – perguntou o loiro, disfarçando o interesse com casualidade.

— Ela é uma exilada, Demetrius. Agora que sabe, isso não te importa? – arqueou uma sobrancelha, diminuindo o ritmo das passadas.

— Você também é. E eu não sou nenhum príncipe. – cutucou a ferida, o outro revirou os olhos e voltou a caminhar rapidamente. – Ah, por favor, Kovu, me fale mais! – seus protestos foram ignorados ao percorrerem o longo caminho até o pátio, onde o general Atom já dava as ordens aos soldados. Kovu foi designado para a proteção do salão, o que foi excelente, assim poderia estar próximo à Guarda e à Princesa para executar o plano.

Depois das instruções, uma parcela dos homens foi dispensada da reunião e apenas os guerreiros de mais confiança e mais bem treinados, permaneceram. Kovu era muito melhor na espada do que qualquer um deles, mas tinha certeza de que não se encaixava na descrição “de confiança” do general, principalmente para a trama que ele tinha certeza tratar-se da invasão ao exílio. Demetrius permaneceu, ele tinha sido escalado para a execução do plano – não tão secreto – de sir Thompson, em que Atom era apenas uma marionete estúpida por acreditar em ameaças vazias de um superior.

No período da noite, cada um desempenhava a função social esperada. O castelo estava elegante, sofisticado e sereno, não como o baile de aniversário, que exultava em alegria. A própria decoração passava a mensagem de que aquilo era realmente para a realeza, não uma brincadeira de criança, todos já sabiam a real intenção de estarem reunidos ali. Queriam que a princesa fizesse uma escolha e as flores já não tinham mais utilidade, já não disfarçavam mais os propósitos políticos do festejo.

Ao longe, Kovu mirava a princesa em seu longo vestido carmim, belo e sóbrio, fazendo-a parecer mais velha. Kiara conversava com os príncipes, um por um, parecia cansada e dispersa. Ele se perguntava se em algum canto da mente da jovem, seus pensamentos a traíam e ela estaria cogitando casar-se com algum deles. A invasão do exército de Utah estava perigosamente próxima e era um problema real para lidar, mas, se vencessem, Reichstein ainda corria o risco de passar fome no próximo inverno, pois, mesmo estando na primavera, no último ano chovera pouco e o solo dos campos de plantação não estava fértil. Ademais, havia o perigo de Reichstein ser banida da aliança dos 25 reinos se Kiara não aceitasse se casar com algum daqueles príncipes. Bom, agora eram 24, pois Utah foi banido no baile de aniversário por Felix ter sido desrespeitoso.

Isolados, eles não tinham chance nenhuma de escapar do confronto da rainha Mary Stuart e Elizabeth, a sanguinária. A Escócia estava buscando aliados para tomar o trono inglês e a Inglaterra praticava um bloqueio econômico aos reinos fracos, que não tomavam posicionamento no embate. A aliança dos reinos menores foi uma forma de se protegerem dos gigantes. Que reino ficaria ao lado de Reichstein se a princesa descumprisse a lei do casamento? Xártis talvez? O rei Dário, primo de Simba, porém, mesmo que o apoiasse, seriam engolidos. Ele precisava pensar nessas questões quando os exilados tomassem o poder e ele fosse rei.

— Coelinho... Preciso falar com você. – uma voz sussurrou em seu ouvido.

Claro, ainda tinha a questão “Mérope” para lidar. Ele gostava dela, era uma boa distração, um corpo quente para afogar seus anseios, mas percebia o modo enciumado como Kiara a olhava. No começo era bom, trazia até certo prazer, porém, ele percebeu que já passaram deste ponto e precisava acelerar as coisas com a princesa. Ela já estava rendida a ele, sabia disso. Poderia imaginar o que Kiara diria na sala de música, mas não era uma boa hora. Não queria que confissões fossem trocadas em um momento de insanidade, como a ameaça de guerra; queria que ela estivesse sã para fazer isso, que amá-lo fosse uma decisão e não um impulso confuso. Era o que tentava justificar a si mesmo. Porém, havia uma pequena parte de si que simplesmente não estava preparada para ouvir, muito menos sentir, algo sincero.

— Tudo bem. – Kovu assentiu e olhou ao redor, ninguém estava realmente prestando atenção nele, não faria mal sair. Os dois andaram com discrição até a sacada mais próxima. – Estamos sozinhos, pode falar. – abriu seu sorriso charmoso e logo a moça começou a chorar.

— Eu te amo, Kovu, sabe disso. Porém, meu paizinho.... – e começou a chorar novamente, tentando ser silenciosa. Suspirou, ele odiava quando ela colocava as palavras no diminutivo. – Meu paizinho me prometeu ao príncipe de Lisandro! Acredita nisso? Imagine eu, casada com aquele trasgo! É vexante! Já estive em Teltov, nunca vi reino mais feio e lamacento! – continuou a chorar.

— Mas seria uma rainha, que é muito mais do que posso oferecer. – por enquanto, pensou. Mas talvez estivesse mesmo na hora de liberar Mérope. – O que você respondeu?

— Que não aceitaria, claro! – exclamou com a voz aguda, mas abaixou o tom para complementar. – Mas paizinho falou que não está nas mãos dele, disse que a própria rainha Elizabeth –megera horrorosa– ordenou que buscasse aliança com Teltov. Parece que os portos de lá são geograficamente favoráveis para novas expedições marítimas às Índias.

— Hmm... – aquilo era informação interessante. – Meu coração ficará em ruínas, querida, mas se não há o que ser feito... – abaixou a cabeça, tornando o momento mais emotivo.

— Oh Kovu! Eu nunca o esquecerei! Pensarei em ti a cada momento! Talvez... Quem sabe no futuro haja esperança para nós! – exclamou em meio às lágrimas.

— Quem sabe, minha bela? – beijou seus lábios mais uma vez, sentindo o gosto salgado.

— Eu passarei em seus aposentos mais uma vez nesta noite, para nos despedirmos. – prometeu e ele assentiu depois de ser beijado mais uma vez. Kovu sabia que aquele era o adeus, não teria outra despedida, os acontecimentos da noite não permitiriam.

Perder Mérope não era trivial, ela era importante no seu jogo. Kovu planejava tomar o trono e torná-la rainha a fim de ter aliança com os ingleses. Mas pensando bem, como os demais reinos veriam Reichstein tomada pelos exilados? Talvez seria melhor mesmo ter Kiara ao lado, assim, teria o respeito dos reinos menores. Para isso, ele precisava que a morte de Simba parecesse um acidente, ninguém poderia ligá-lo ao crime. Quem sabe acharia uma brecha para fazer isso em meio à confusão da invasão? Sim, seria uma boa oportunidade. Assim, nada estaria em seu caminho para o poder e para ter Kiara realmente. As palavras de Vitani soaram na cabeça e lhe alegraram “Você não precisa matá-la, Kovu, apenas Simba”. Não que ele estivesse apaixonado por Kiara, jamais perderia a cabeça por alguém, aquilo era para os fracos. Porém, a princesa não era tão inútil como aparentava, estava se mostrando corajosa, inteligente, era bela e Kovu tinha passado a apreciar sua companhia. É, talvez ele pudesse fazer essa substituição de rainhas em seu tabuleiro, Kiara era melhor do que Mérope, com certeza. E ela enfrentou o “paizinho”, disse não. Não se vendeu para nenhum daqueles príncipes e ele sabia que tinha peso naquela decisão. O coração de Kiara já era dele, apenas precisava conquistar sua mão. Para isso, tinha de focar-se na tarefa de eliminar Simba.

Kovu voltou ao posto a tempo de perceber que o salão se silenciou para assistir ao teatro. Uma flauta doce começou a entoar uma música alegre enquanto os atores faziam uma dança esquisita no palco improvisado. Demasiadamente barulhentos, “uma perfeita distração”, pensou. A plateia ria alto do que quer que estivesse sendo apresentado, mas Kovu vasculhava o olhar pelo salão à procura de Kion II e Kiara. E então percebeu o sinal do ruivo, tinha começado.