A princesa e o gladiador

4 Capítulo 3: A canção da Princesa


Notas iniciais
Queria falar sobre uma curiosidade desse capítulo. Foi dificil escrever ele, vocês vão ver que no decorrer dele existe uma música, pois é a melodia já existia mas nenhuma letra até então fora criada. Bom, eu escrevi a letra . Ouça a musica: https://www.youtube.com/watch?v=dfqdPn23o4Y

A canção da princesa

Imerso no vazio que o sono profundo lhe proporcionava Sieghart repousava. O contador em sua maca já chegara ao zero, a animação suspensa e o coma induzido finalmente haviam se dissipado. Seu corpo apenas descansava em um sono tranquilo em meio ao silêncio da sala em branco.

Um retumbar de batidas ecoou.

A mente do espadachim despertou, seus olhos, no entanto, recusaram-se a abrir.

Outra sequencia de estrondos.

— O que está acontecendo? — O jovem sentiu o corpo revigorado e a cabeça pesada, os sons davam-lhe a nítida impressão de tabor sendo batido.

O jovem buscou o cabo da espada, quando não a encontrou seu coração acelerou-se. Abriu os olhos. A luz do sol banhou sua face o cegando momentaneamente. Um cantarolar doce chegou-lhe aos ouvidos. Seu coração acalmou-se. Logo em seguida uma voz feminina iniciou um canto forte e alto.

Cada passo dado para frente é uma pegada atras

Para avançar no escuro era preciso luz

MAS NÃO MAIS!

A voz mudava a entonação, alternava entre o edificante e o épico, a música era uma espécie de hino de guerra. Sieghart pôs-se sentado e com a mão sobre os olhos pôde discernir uma figura pequena próxima de sua cama. Ela caminhava aparentemente no ar saltitando nas pontas dos pés. Circundando seu pequeno corpo diversos adereços flutuavam harmoniosos. Alguns possuíam a forma predominantemente esférica, no entanto, quatro deles destacavam-se pelos movimentos rápidos e sua forma diferenciada.

Era sobre o equipamento tecnológico chamado de WdW que a garota pisava e dançava. O objeto parecia prever seus movimentos. Seus saltos sempre eram amparados pelo apoio do item formado por quatro bases voadoras independentes.

Essa e a hora o momento para então se reerguer

Pois tu és um guerreiro que caiu

E QUER VENCER!

— Mas o que é isso?

A confusão de Sieghart fora devido ao cenário que surgira imediatamente atrás da garota. O monumento se assemelhava a uma antiga catedral repleta de vitrais coloridos, nele existia uma figura muito difundida. A imagem das três deusas criadoras era atingida pela luminosidade gerando um efeito multi colorido no corpo da garota.

A criança saltou para o que o jovem espadachim julgou ser o vazio. Os cabelos longos e azuis escorreram em um movimento leve no ar, sua queda era lenta e harmoniosa.

Nas paginas do destino

Eu sempre caminharei

Ao lado de sua alma viverei

Não importa o tempo, os perigos ou o que for

A lembrança de seu sorriso manterei…

Como uma bailarina graciosa ela dançava em pleno ar. Com um giro lento revelou-se em suas costas dois equipamentos presos, estes eram pequens propulsores que a mantinham voando. As batidas retumbaram com mais força enquanto a voz da garota ganhou o tom de marcha.

VENCER! VENCER! VENCER!

SEI QUE PODEMOS

VENCER! VENCER! VENCER!

SEI QUE PODEMOS

O espadachim de cabelos negros sentiu seu coração pulsar mais forte, a musica mexia com sua energia. Sentiu naquele instante o mesmo sentimento que os grandes guerreiros, a honra, o dever e a necessidade da batalha ganharam um novo significado em sua mente. Era para proteger vidas como daquela garota que muitos homens se sacrificavam em batalhas.

Em um momento os olhos deles se encontraram. Ela possuía heterocromia, uma anomalia genética que causa uma dualidade de cores nos olhos, no caso dela o olho esquerdo era vermelho e o direito azul.

— Você acordou! — Seu sorriso alegre e inocente fez Sieghart sentir como se seu corpo fosse uma casca vazia.

Como saltos rápidos ela dirigiu-se até ele, pisava nos adereços esféricos voadores e nos WdW que a circundava. Já a beira da maca a princesa Mari Ming Onette esticava suas pequenas mãos em direção ao jovem de madeixas negra.

— Venha, vamos nos divertir um pouco.— O sorriso encantador revelava toda a pureza de sua alma.

O jovem relutou. Não sabia o que acontecia e muito menos como chegara ali. Entendendo o recado a garota continuou com a canção, só que, diferentemente de antes, estavam cara a cara.

Uma nova era nos espera basta se levantar

A enfermidade que o aflige

JÁ VAI PASSAR!

Cada batida dentro do peito é uma tortura sem fim

Mas é para isso que vivemos nesse mundo, transformando solidão e sofrimentos em sorrisos.

Em um instante os sons da musica que a menina cantava passaram a vir de todos os lados, um coral invisível parecia a acompanhar juntamente com o toque doce de uma flauta.

Nas paginas do destino

Eu sempre caminharei

Lutando com minha espada

Eu nunca esquecerei

Não importa o tempo, os perigos ou o que for

A lembrança de seu sorriso manterei para…

Novamente a voz dela ganhou um tom de marcha de guerra e com o punho fechado e erguido ela seguia a batida.

VENCER! VENCER! VENCER!

SEI QUE PODEMOS

VENCER! VENCER!

Subitamente ela segurou seus pulsos e o puxou para fora daquela cama. A força que possuía não era física, mas sim mágica. O corpo do espadachim de um instante para o outro passou a ser mais leve que o próprio oxigênio presente ali. Ela o levara para junto da construção como se este fosse um prisioneiro resgatado.

Nas paginas do destino

Eu sempre caminharei

Lutando com minha lâmina, as trevas derrotarei

Não importa o tempo, os perigos ou o que for

A lembrança de seu sorriso manterei

pois sei que vou vencer…

Os vitrais da catedral se estilhaçaram e passaram a cair sobre eles, estes no entanto desfaziam-se em poeira brilhante antes de atingir-lhes diretamente. Ela o puxou para sí e o abraçou, era mais baixa que ele, seu rosto ficava na altura de seu torso.

VENCER! VENCER! VENCER!

SEI QUE PODEMOS

VENCER! VENCER!

Pois e para isso que eu vivo nesse mundo,

batalhando com as trevas clareando o caminho, por ti...

As batidas cessaram, todo o ambiente retornou a sua forma vazia e branca de antes. Sem reação ele apenas sentia o calor do corpo da garota, seus corações sincronizaram em batimentos acelerados. Algo inexplicável aconteceu naquele instante em suas almas.

— Quem é você? — Perguntou Sieghart ainda sem conseguir desvencilhar-se do abraço.— O que aconteceu aqui?

— Estamos na sala de terapia intensiva da realeza de Calnat. — Ela o observou com a parte superior dos olhos.— Eu sou Mari Ming Onette, princesa de Calnat e eu sinto muito pelo seu amigo.

Naquele momento seus pés tocaram o chão suavemente, as ferramentas flutuantes retornaram a orbitar a princesa lentamente. A feição de Sieghart entristeceu-se, a recordação da seta perfurando sua mão e logo em seguida o coração de seu amigo não lhe escapavam da mente.

O abraço terminou, porém a garota recusava-se a largar as mãos do rapaz. Ele por sua vez percebeu só naquele instante que suas roupas haviam desaparecido e que a única coisa que trajava era um manto fechado de cor preta que o cobria totalmente desde o ombro até os pés. A garota usava um vestido branco que chega até os joelhos, este possuía desenhos em azul do brasão da família real na parte das costas e na base da saia.

— Qual é o seu nome guerreiro?

Ele pensou em dizer seu nome, a boca chegou ser aberta mas nenhum som saiu. Lembrou que da ultima vez que o dissera seu amigo perdeu a vida. Aqueles olhos de duas cores o faziam temer pela possibilidade de reviver aquilo.

— Sieghart, meu nome é apenas Sieghart.— Seus olhos desviaram dos dela, tentou disfarçar a mentira, mas seu esforço foi em vão. Bem no fundo de seu âmago a princesa sabia que ele escondia seu verdadeiro nome.

— Entendo. — Percebendo a relutância ela não insistiu. — Você já esteve em Calnat alguma vez? — Ele meneou a cabeça em negativa. Já estivera nas fronteiras, porém nunca se atrevera a entrar na cidade da tecnomagia. — Quer vir comigo conhecer um pouco do lugar?

A estranheza, o medo do desconhecido e o constrangimento da mentira o inclinou a recusar o convite. Tomou fôlego.

— Por favor, vamos! — Ela o puxou pelo braço. A feição transmitia um temor inocente semelhante a de alguém que teme pela decisão dos pais.— Eu garanto que você vai se divertir.

A decisão do espadachim de um instante para o outro foi revertida. Ele não possuía forças para resistir a ela.

— Vamos, preciso entender que lugar é esse.— Sua resposta foi acompanhada de um sorriso que ele não sabia que possuía preso dentro de sí.

— Obaaaa — Respondeu com um giro no próprio eixo. — Você vai adorar vamos!

Em um instante o ambiente que era um vazio completo deu lugar a uma visão transparente da cidade a tecnomagia. Pareciam estar observando o lugar por meio de uma janela completamente limpa, esta no entanto era um campo de força invisível.

Os caminhos que se via eram dominados por plantas, a cidade hiper tecnológica mantinha um equilíbrio incrível entre a natureza e a evolução. Pessoas andavam tranquilamente nas ruas do solo. Com elas nenhum veiculo dividia espaço, no lugar do que deveriam ser as estradas existiam rios de água doce perfeitamente limpos. Prédios revestidos de captadores solares transformavam luz em energia elétrica, desta maneira a cidade não gerava poluentes e portanto não danificava o mundo.

Deslumbrado com a engenharia da cidade Sieghart apoiou-se no campo de força. O formato dos estabelecimentos estava muito aquém do que ele conhecia e estava acostumado. Ele observou um amontoado de prédios a sua frente no entorno deste via-se diversos arcos metálicos. Abaixo de cada um destes existiam portais que eram usados para transportar desde alimentos a armas de guerra, o método de transporte presente ali era de uso público fazendo com que o uso de outros veículos fosse desnecessário.

— O que é aquilo? — Sieghart apontava naquele momento para uma imensa esfera que e circundava a torre mais alta do complexo a sua frente. O objeto flutuava a mais de dois mil metros de altura

— Aquela torre é onde a familia real vive, meu quarto fica no ultimo andar. — Ela apoiou-se em seu ombro. — A esfera é a sala de terapia intensiva da realeza de Calnat. — Ele virou-se para ela em sinal de estranheza. Sem nem ao menos dizer nada sua dúvida ficou clara. — Sim, estamos vendo uma holografia projetada do lugar onde estamos. Vamos ver mais de perto!

Ao lado da maca onde o garoto de cabelos negros repousava surgiu um brilho, em um instante este deu lugar a imagem do rei e seu fiel subordinado, o lider dos soldados da cidade, Graham.

— Vamos agora!

O campo de força se desfez juntamente com a holografia, sem equilibrio as duas crianças caíram em um abismo de dois kilometros. Junto com eles os equipamentos flutuantes da princesa os acompanharam.

— Mari! — O soldado tentou correr e passar pelo campo de força, no entanto este se fechou rapidamente e uma vez fechado somente alguém da família real poderia abrir.

— Filha! — O rei não teve reação

O grito de desespero de ambos ecoou pelo espaço semi vazio. O dirigiu-se até a maca onde o garoto dormira pelos últimos dias.

— Droga isso é perigoso, não sabemos quem é aquele garoto. — Apertou um lençol da cama. — Isso é culpa sua sabe disso né? — O rei dirigiu-se para seu subordinado em tom preocupado, mas ainda assim não o reprendia. — Você fica incentivando sua afilhada a se aventurar por aí…

— O padrinho serve pra essas coisas mesmo. — Ele coçou a os cabelos, o elmo na mão esquerda foi logo colocado sobre a cabeça. Graham virou-se para seu amigo. — Não se preocupe se ele fizer qualquer mal a ela eu mesmo trato de acabar com ele.

O rei sinalizou positivamente com a cabeça, ao fazê-lo um portal surgiu aos pés do guerreio a sua frente. Cinco segundos depois o mesmo já desaparecera.

— Crianças são totalmente imprevisíveis.— Divagou o rei solitário ao sentar-se na maca.

Notas finais
Eu agradeço por ter lido, se quiser deixar um comentário ficarei extremamente feliz