A princesa e o gladiador

5 Capítulo 4: O primeiro ministro e a bíblia da revelação


Notas iniciais
Continuação desse exercício/história situado no universo de gran chase :D

O primeiro ministro e a bíblia da revelação

O vento da queda passava rapidamente pelos ouvidos de Sieghart, ao seu lado a princesa de Calnat gargalhava alegre; deixar seu pai e padrinho para trás lhe parecia algo tão natural e divertido que esquecera completamente que estava em queda livre a uma altura onde poucos pássaros se arriscavam a voar.

— Você é louca! — O garoto tinha uma expressão de temor extremo, os olhos arregalados viam o solo se aproximando mais e mais rápido.

Com um estalar de dedos a pequena garota de cabelos azuis fez dois de seus equipamentos se deslocarem até junto do menino. Os WdW emitiram um pequeno brilho ao se encostarem as costas de Sieghart, ele por sua vez sentiu que estava preso por alguma espécie de força emitida daqueles objetos.

— Para de gritar e aproveita a vista seu tonto! — Com uma rápida velocidade a princesa Mari voou para junto dele, via-se que ela fazia uso do equipamento junto as costas com perfeição. — Não se preocupa está tudo bem. — Apontou para o horizonte.

Sieghart viu ao longe a imensa cratera, mais ao fundo os pássaros migravam para o sul em busca de um clima agradável em terras desconhecidas. O jovem reparou que figura das pessoas no solo estava próxima demais e logo ele se esborracharia.

Acreditando que sua vida chegara ao fim o espadachim fechou os olhos, no entanto a situação de medo logo se extinguiu com um grito.

— Abre os olhos e segura a minha mão. — A princesa emparelhava com ele esticando lhe a pequena mão esquerda. — Temos que fugir rápido ou eles vão nos pegar.

— Por que fez isso?— Ele não compreendia em que se metera, mas como não existia outra maneira agarrou-se a menina. — Quem são aqueles?

Do céu acima deles ouviu-se um grito de uma águia ecoar, a princesa já sabia o que aquilo significava e rapidamente ativou os propulsores as costas do garoto.

— Mas o que? — Sieghart gritava incessantemente enquanto os dois reduziam a velocidade da queda. — Não, não, não, não. — Mesmo com o equipamento a distância entre o chão e eles era curta demais.

A garota fechou os olhos em concentração e esticou a mão livre em direção ao solo, com a palma aberta ela empurrou o ar.

— Arrasador! — Sua voz saiu com um tom mais sério que antes.

O efeito fez com que diminuíssem bruscamente a queda evitando que se chocassem diretamente com o solo, porém a lufada de ar os fez ir de encontro a uma fonte de água que jorrava para cima.

— Você é maluca! — Ainda encharcado o garoto esbravejava, no entanto, ele não tinha mais medo e muito menos raiva. Em seu peito a euforia se instalara.

A princesa ria enquanto fazia rodopios no ar, virou-se em direção ao garoto e o segurou com as duas mãos. Dedos entrelaçados, olhos nos olhos.

— Tente não vomitar. — Ela abriu um sorriso entre dentes.

— O que quer dizer com isso? — Sieghart não fazia ideia mais de nada.

Outro grito da ave da rapina ecoou, desta vez ambos os jovens olharam para ver o que era.

Naquele instante viram uma figura de capa roxa caindo rente a torre principal onde eles estavam, o adereço as costas deste iluminou-se e dividiu-se em dois formando um par de asas púrpuras. Aquele que voava rapidamente na direção das duas crianças era Graham, fazendo uso do presente da família real. O item além de destacar a realeza tinha a função de fazer seu portador voar pelo céus.

— É o capitão da guarda. — Constatou o jovem enquanto secava a face.

— Fazia tempo que não via meu padrinho, quando ele foi lá em casa eu estava dormindo.— A princesa flexionou os joelhos, nos calcanhares de seus pés surgiu um brilho. — Vamos ver quem é mais rápido! Arrasador!

Com um impacto estrondoso as duas crianças ganharam velocidade, sobre elas giravam os equipamentos da garota em uma espécie de campo de força que impedia o vento de incidir sobre eles diretamente.

— Mari minha querida não sabemos nada desse estranho! — O padrinho da garota esbravejava pelos céus, ela no entanto, o deixou para trás sem ouvir o que ele dissera.— Droga isso é péssimo. — Levou o pulso junto a máscara.— Arteep reúna a equipe de elite. Estou em perseguição.

— Sim senhor, já nos encontraremos. — Houve relutância na resposta. — Não estamos falando de uma nova fuga da princesa estamos?

— E… — Envergonhado com a situação constrangedora Graham evitou confirmar.

— Certo senhor, já estamos indo. Só pedimos que o senhor pare de incentivar essa menina a banca a destemida. Ela é a portadora mais forte do geas, se algo acontecer a ela…

— Eu sei! — Gritou o comandante pelo comunicador. — Eu não tô nem aí para os poderes que ela carrega ou os riscos disso, ela é minha afilhada em primeiro lugar.

Mais a frente os dois adentravam por um portal instantâneo desaparecendo em pleno ar. O guerreiro de armadura completa reduziu a velocidade, ao fazê-lo o ar que passava pelas fendas de sua armadura ecoou novamente o som do grito de uma águia.

— Eles se dirigiram para a área civil, procurem-nos com cautela.

O portal levou os dois para um local aparentemente aberto, porém a área civil da cidade ficava grande parte no subsolo. Lá as casas tinha tamanhos e formas bastante usuais e reconhecíveis para o garoto. Um reino hiper tecnológico como aquele preservava sua dose de tradição nas construções, muradas, plantações etc.

O céu ali era visto normalmente como se estivessem realmente na superfície, o efeito causado pelas engenhosas máquinas do reino, estas faziam as pessoas se sentirem confortáveis da mesma maneira que na superfície, até mesmo vento era o mesmo quena área externa.

— Vamos nos esconder. — A princesa reduziu a velocidade até pousar sobre o telhado de uma grande construção. — Os cavaleiros do meu padrinho logo virão, vem vamos entrar. — Ela indicou um alçapão logo a esquerda. Entraram.

O lugar era uma imensa biblioteca com mais de cinco andares repletos de livros escritos a mão, impressos ou holográficos. Logo que desceram a escada que dava acesso ao quinto piso a princesa localizou preso a um prego duas capas semelhantes as que o garoto usava. Os WdW que ela disponibilizara para que voasse se desprenderam das costas do jovem.

— Você me meteu em problemas menina. — Sussurrava o espadachim enquanto colocava a roupa. — O que pode acontecer se me pegarem?

— Tortura, prisão, desmembramento, julgamento popular por sequestro a princesa ou pelotão de desintegração instantânea. — Parou por um instante com o indicador sobre os lábios tentando se recordar de mais algum tópico.— É, a ultima vez que eu conferi o tomo de leis essas eram as punições para quem tentasse me machucar.

— O que? — Gritou Sieghart. A garota levou a mão a seus lábios buscando o calar. Ele percebendo o deslize voltou a sussurar.— Eu não vou me meter em enrascadas por você.

— Cala a boca...— Ela novamente colou a mão em sua boca. — Ninguém vai nos encontrar assim tão fácil então…

— Fugindo de novo princesa? — A voz masculina veio de um corredor ao lado deles. — Quem é esse garoto com quem vossa majestade se encontra?

Munido com um livro branco nas mãos o homem deu a volta na estante ficando cara a cara com as crianças. Suas vestes tinham detalhes em dourados sobre o tecido roxo escuro, este possuía um cabelo vermelho vivo, seus olhos de mesma cor os encaravam com certa repreensão. Aquele era o primeiro ministro de Calnat, o homem que detinha o poder administrativo de toda a capital da tecnomagia.

— Só um instante. — Colocou o livro debaixo do braço e retirou de um bolso um pequeno item que emitia uma holografia. — É meu alerta diz que você está sendo procurada pelos soldados de Graham. — Pressionou o item suavemente e o guardou no bolso.

— É...talvez. — A menina sentia um certo medo daquele sujeito, talvez fosse a imponência que esse tinha em sua forma de andar e falar.— Mas eu só quero mostrar um pouco de Calnat para esse garoto.

— Qual é o seu nome rapaz? — O primeiro ministro abaixou-se para encará-lo de perto. Os olhos negros de Sieghart não se abalavam com a presença ilustre daquele homem. — Perdão, é muito descortês perguntar o nome de alguém sem antes se apresentar. Meu nome é Bardinard ou Bardinar, tanto faz, eu vou entender da maneira que for dita.

— Sieghart. — Respondeu o garoto sem desviar o olhar. — Apenas Sieghart.

O primeiro ministro sentiu-se incomodado, porém apenas levantou-se com um sorriso falso estampado.

— Bem, se você quer conhecer a cidade vamos lá. Não vai ser necessário nem sair desta biblioteca para isso.

O primeiro ministro os guiou até o terceiro andar da biblioteca, naquele mesmo piso, em uma mesa entulhada de livros estava um jovem de longos e loiros cabelos, sua roupa azul celeste era a que os pesquisadores e cientistas da cidade usavam. Por estar de costas qualquer um poderia tê-lo confundido com uma garota, no entanto, o primeiro ministro ao chamá-lo deixou claro qual seu nome.

— Ei Caxias!— O primeiro ministro Bardinar colocou o livro que carregava junto a pilha e rapidamente pegou o tomo que seu amigo consultava. O jovem loiro tomado pelo susto esboçou um nervosismo como se estivesse fazendo algo proibido. — Você está lendo um livro? — Questionou.

— Me devolva isso! — O jovem rapaz se levantou como se saísse de um transe. Pegou o livro nas mãos. — Tolo...— Indicou a capa. — Você sabe que livro é esse?

— É a bíblia da revelação...— Revirou os olhos. — Parece chato. — Bardinar observou uma movimentação agitada do lado de fora do estabelecimento.— O que você está fazendo aqui sozinho durante as festas? Vamos! — Pegou o livro e o colocou em baixo do braço.— Vamos sair! Eu vim até aqui te buscar!

— Estou fazendo uma pesquisa importante! — Caxias recuperou o livro das mão de seu amigo e o colocou sobre a mesa.

— Hahahaha! Garotas não gostam de pesquisas! — O primeiro ministro não debochava de seu amigo, porém em seu interior achava realmente graça em seu empenho nos estudos. — Prometo que te ajudarei com essa sua pesquisa boba depois!

O pesquisador Caxias tentou voltar seu foco de onde parara, porém logo notou que seu amigo de infância não estava sozinho. Junto a ele estavam duas crianças que tentavam esconder suas faces, uma realmente lhe era estranha, já a outra...

— Bom dia vossa majestade, fugindo de novo? — O jovem loiro nem precisou se virar completamente para constatar a presença da realeza, bastava apenas sentir sua energia. — Seu pai, nosso rei vai acabar colocando vossa majestade no calabouço.

— Isso não vai acontecer, tenho certeza. — A princesa se sentira incomodada pela afirmação. — Volta para seus livros Caxias. Vamos… — Ela empurrou o primeiro ministro.

Os três desceram mais dois andares pelas escadas de madeira firme, o espadachim observava atento para as obras de arte que existiam no local. Muitas delas retratavam como o mundo fora criado, como as três deusas usaram seus poderes para moldar aqueles reinos. Quando chegaram ao térreo uma imensa mesa eletrônica esperava acesa, junto a ela um rapaz pouca coisa mais velho que Sieghart os aguardava.

Com um gládio preso as costas o guerreiro sem armaduras os viu se aproximar, grande parte de sua face estava coberta por uma máscara forjada de metal. Apenas os olhos eram visíveis, estes ao se encontrar com os de Sieghart transmitiam-lhe um ódio terrível.

— Descansar Sec. — Com o comando do primeiro ministro o guerreiro relaxou a postura. — Você quer apresentar a cidade para ele não é?

— Não era bem dessa forma que.—

— Sem problemas — Bardinar interferiu.

A mesa elevou sua luminosidade e uma holografia imensa se projetou sobre o vidro da mesma. Nele era possível ver toda a nação da tecnomagia desde o castelo real até as residências do subsolo.

— Estamos na parte leste da área civil da cidade, vê aqui? — O homem apontou para um ponto vermelho pulsante no mapa. Sieghart observou com cautela. — este é o exato local onde estamos. Mais adiante ficam os locais das festividades juntamente com a área comercial de Calnat. Ninguém está autorizado a manter comercio fora das limitações daquele lugar sem autorização especial.

— Aqui fica o temporizador. — A princesa apontou para a base do castelo real. Levou o dedo até a esfera que ficava no alto da mesma. — Esta torre era onde estávamos, ela é o que mantêm o campo de força da cidade e que também controla o clima que vêmos e sentimos aqui dentro. E lá está o centro médico onde você estava repousando por esses dois dias.

O jovem estava deslumbrado com as imensas estruturas que ainda não vira enquanto voava com a princesa. A projeção mostrava em tempo real os cidadãos se locomovendo de cá para lá a pé ou por meio de portais. Nos arredores também via-se a cratera de um quilômetro que ele deixara.

— O que é isso? — O garoto de cabelos negros apontou para uma região que aparentemente estava sem nenhum tipo de detalhe, esmaecida, censurada. — Por que não dá para ver nada lá?

— Esse é um caso a parte. — Bardinar cruzou os braços e fez um sinal para seu guarda costas. — Aquele lugar é o centro de treinamento dos soldados de Calnat. Mas a razão para estar censurada é que ali também se situa o complexo onde nossos prisioneiros são mandados. E você rapaz,— Apontou para Sieghart. — vai para lá imediatamente!

O guarda costas sacou a arma e a colocou rente ao pescoço do jovem, a princesa percebendo a situação se recusou a largá-lo.

— Bardinar solte-o agora! — Seu grito fez toda a biblioteca se alertar. Todos com excesso de Caxias. — Eu estou ordenando que você o solte!

— Não posso fazer isso minha senhora. — O primeiro ministro olhava impassível para a roupa do jovem.— Tenho a informação que ele é o causador do abalo de dois dias atrás, a prioridade é contenção. Nem mesmo suas ordens estão acima do bem dos civis minha princesa.

Naquele instante a porta da biblioteca foi aberta, por ela passaram quatro guerreiro de armaduras completas. Logo em seguida o líder deles adentrou.

— Padrinho! — Mari gritava para Graham. Este se aproximou da pequena tirando a luva da mão esquerda. Colocou a palma sobre sua cabeça.

— Ela está bem. — O lider da equipe levantou o elmo revelando a face suada para logo depois dar um tapa leve na nuca da garota de cabelos azuis. — Tá ficando doida? Fugir de mim sozinha é uma coisa, agora com um desconhecido que nunca vimos na cidade é outra totalmente diferente mocinha!

— Não façam nada com ele, deixem ele em paz! — As lágrimas escorriam pelos olhos de cores distintas. — Ele não têm culpa de nada, não façam nada contra ele!

Graham se aproximou do garoto com os dois punhos cerrados. Não sentia raiva, a preocupação que sentira era tamanha que não lhe permitia ter ódio ou nada parecido. Tirou o elmo deixou os cabelos claros visíveis juntamente com a barba de mesma cor.

— Mata um urso gigante sozinho, explode meia floresta protegida e ainda foge com a princesa. — Meneou a cabeça. — Você é impressionante mesmo. Vamos! Sei bem o que fazer com você. — O líder puxou Sieghart pelo braço o separando da garota de cabelos azuis.

A princesa Mari em prantos se apoiou na mesa, as mãos apertadas esboçavam a angustia crescendo.

— Droga! — Seu grito fez todas as luzes, equipamentos e até mesmo armaduras de Calnat ocilarem suas energias brevemente.

— Desculpe majestade, meu dever é proteger nosso povo. Por isso os segurei aqui até seu padrinho chegar. — Bardinar não se sentia arrependido, cumprira com seu dever.

O primeiro ministro tocou no ombro da pequena. Ela sem se quer erguer a face fez seus equipamentos WdW entrar em posição de ataque frente ao homem de cabelos vermelhos. O guarda costas pensou em reagir, mas logo o perigo ao seu senhor cessou, as armas baixaram.

— O que acha que farão com ele? — Ela ainda choramingava.

— Não faço ideia minha senhora. — Bardinar viu o grupo desaparecer em um portal do lado de fora da biblioteca. — Não faço ideia do que Graham planeja.

Notas finais
Aqueles que jogaram a ultima missão devem conseguir se recordar daquele diálogo do Caxias com Bardinar :D