A passagem do milênio
4 A Ordem da Cruz de Kyo
Notas iniciais
Aqueles que seguiam Kyotsugo estavam agindo.
Uma parte do grupo vivia na Vila Hanyou e foi socorrer os membros que haviam sido atacados. O lugar foi devastado, haviam pessoas mortas e gravemente feridas. O problema foi que a árvore no centro da Vila que era usada como um “cemitério” também foi atacada e haviam dois corpos para fora: o de Rihan e o de Yamabuki Otome. Os dois estavam vivos e Kyotsugo ordenou que Otome fosse selada em uma estátua e protegida 24 horas por dia sem descanso e que Rihan fosse tratado e tivesse sua vida fora de risco para então ser devolvido ao Clã Nura. As outras pessoas da Vila também foram tratadas e socorridas pelos membros do grupo de Kyotsugo.
Outra parte do grupo de Kyotsugo vivia na região Oeste do Japão. Eles socorreram os membros do Clã de Yura, as divindades e os youkais que precisavam. Uma divindade em particular Kyotsugo exigiu que fosse muito bem protegida; ela era uma bela mulher de longos e liso cabelos negros e usava uma kimono rosa com o desenho de flores de cerejeira: era Yohime! Uma parte daquele gripo ajudaria os youkais da Hagoromo Kitsune, outra as divindades, outra os Omyoujis, outra ajudaria o clã de Tamazuki e outra socorreria os outros clãs e pessoas que precisassem.
A parte do grupo que vivia no Sul ajudou os clãs, pessoas e divindades que haviam sido atacadas lá; a parte do centro teve que ter muito cuidado para que a Yakuza Youkai não os matassem; e a parte que vivia no Norte quase morreu na mão do pessoal de Tono que estavam com os nervos à flor da pele.
Os integrantes de seu grupo foram divididos em: suporte, investigação e proteção. Os que faziam suporte cuidavam e socorriam as vítimas; os de investigação procuravam e transmitiam informações entre eles; e o grupo de proteção defenderia as divindades e a família de Kyotsugo.
Quando todos se recuperaram, Kyotsugo ordenou que fossem escoltados até dentro das fronteiras do Clã Nura; pois a partir delas o Clã poderia pritegê-los sem problemas. Rihan ainda não estava em condições de ser transportado, assim como o pai de Tamazuki, então ambos permaneceriam um pouco mais com Kyotsugo e seu grupo.
.....................................................................
Atualmente no Clã Nura.
Já era a segunda semana do terceiro mês do último ano do milênio. Mesmo com a pressão para que respondessem para quem trabalhavam, as pessoas que estavam ‘a mais’ no Clã apenas diziam que tinham ordens para proteger todos eles com suas próprias vidas se necessário.
Em um dia uma das sacerdotisas que ali estava convocou um feitiço que fez aparecer duas macas no céu; aqueles que ali estavam presentes quase tiveram um ataque: nas macas estavam Rihan e o pai de Tamazuki. Junto das macas haviam medicações, ataduras e instruções médicas para o tratamento dos dois.
— Nosso empregador nos pediu para traze-los até aqui para ficar com vocês agora que suas vidas não correm mais perigo. – disse a sacerdotisa.
A divindade que era protegida por ela retirou de seu pescoço um colar com uma cruz personalizada, teve seu gesto acompanhado por muitos outros que ali estavam e disse:
— Nós somos a Ordem da Cruz de Kyo e os protegeremos até nossa cabeça nos mandar parar. – disse a divindade séria e confiante.
Logo em seguida todos guardaram suas cruzes e, mesmo sido mais uma vez bombardeados com perguntas, nada responderam. O que estava acontecendo ali? No momento não importava, pois, cuidar de Rihan e do Gyoubo Tanuki era mais importante.
As instruções de tratamento estavam impecáveis e Zen as seguiu à risca para cuidar deles. Yohime e Senba não aguentavam ver aquilo e trataram logo de curara os dois. Não demorou muito para ambos começarem a abrir seus olhos.
— Rihan! Ai meu deus! – Yohime automaticamente abraçou Rihan que mal havia se erguido da cama e ainda estava desnorteado.
— O que...? – ele estava completamente perdido.
— Tenha calma Rihan. É só sua mãe. – o Nurarihyon tentava acalmar seu filho – Nós também não sabemos ao certo o que está acontecendo.
— Rihan! – Wakana pulou em cima dele e lhe deu um beijo.
— Wakana!? – ele estava mais do que perdido.
Logo ao lado Tamazuki tentava ajudar seu pai a se sentar na cama e a entender a situação.
— Com licença. – Kana entrou na sala acompanhada de Rikuo.
— Rikuo? É você? Nossa você cresceu! – Rihan ainda estava com uma cara de quem não entendia a situação em nada.
— E você voltou a vida. – todos começaram a rir da conversa sem jeito que havia se iniciado e da expressão que Rihan fizera com a resposta de Rikuo – Eu vou explicar o que está acontecendo; ao menos a parte que sabemos até agora.
Tendo a atenção de seu pai e do pai de Tamazuki, Rikuo começou a explicar a situação. Os dois compreenderam que as coisas estavam complicadas e Rihan decidiu mudar a conversa para algo que o estava incomodando.
— Um momento. O que nos garante que esta Ordem ai não vai nos trair? – ele levantou o assunto que incomodava a todos.
— Esse é o outro problema! Nada nos garante isso a não ser as palavras deles. – disse Rikuo claramente preocupado com aquilo.
— Que ótimo. – o sarcasmo de Rihan foi definitivo para que ninguém ali se sentisse seguro com o que vinha ocorrendo.
Naquela noite, o Nurarihyon teve uma séria conversa com Rihan depois de o fazer ver com seus próprios olhos Rikuo agir como o líder do Clã durante o dia. Ele levou Rihan para vê-lo sentado sobre a cerejeira do clã perdido em pensamentos e questões.
Rikuo não sabia como era ter seu pai por perto, já que ele morreu quando ele era muito novo, e tudo que sempre teve foi seu avô e sua mãe. Rihan subiu no galho onde Rikuo estava o tirando de seus pensamentos. Ambos não sabiam o que fazer, mas o tempo em que ficaram em cima do galho foi suficiente para que tivessem uma descontraída conversa e se aproximassem um pouco. Kana estava assistindo tudo junto de Wakana, Yohime, Nurarihyon e seus amigos.
...............................................................
Na Cruz de Kyo.
Os integrantes do grupo corriam para cima e para baixo executando as ordens de Kyotsugo enquanto ele estava parado em frente a um mapa cheio de pontinhos que representavam os incidentes até o momento. Um membro do grupo o tirou de seus pensamentos.
— Kyotsugo-sama! Temos um problema! – ele se virou na hora para saber o que era.
Tremendo de medo e receio o membro do grupo entregou a Kyotsugo um pano com algo embrulhado dentro. Quando ele desdobrou o pano e viu o que tinha lá quase morreu de susto. Havia um pingente de uma espada cravada em um ponto de luz e fotos do mesmo desenho marcado com sangue na Vila Hanyou e nos outros locais.
— Deus! O Assassino! – as palavras de Kyotsugo paralisaram seus homens que se assustaram.
— Assassino, você quer dizer aquele Assassino!? – a mulher de cabelos prateados quis confirmar.
— Eu receio que sim, Megami. – suas palavras desconcertaram a moça e os outros membros do grupo – Espalhem a notícia para todos e tentem entrar em contado com a Ordem de Horan e dos Guardiões! Imediatamente! – sua ordem foi rapidamente respondida por seu subordinados.
........................................................
No Clã Nura.
Algumas das divindades ficaram apavoradas enquanto os monges, sacerdotisa, guardiões e o misterioso casal mais apreensivos do que nunca.
— O que está havendo aqui? – Hagoromo Kitsune cobrou satisfações e foi seguida pela aprovação dos outros líderes.
Novamente eles se recusaram a responder a real pergunta.
— Apenas recebemos novas informações. Nada de mais. – a curta resposta de um dos monges enfureceu Hagoromo que o teria matado se Rikuo não a impedisse (eles estavam no ano da virada, aquilo não podia acontecer).
Fale com o autor