A passagem do milênio
5 O golpe
Notas iniciais
A Cruz de Kyo estava a dois meses agindo desde que devolveram Rihan e o Gyoubo Tanuki ao Clã Nura. Os Clãs reunidos para a virada estavam apreensivos e em alerta naquela situação, porem os membros do grupo de Kyotsugo que ali estavam não deixavam uma informação sequer vazar.
O clima de desconfiança e tensão era inegável. Mas eles pareciam inabaláveis e intransponíveis. Suas lealdades não podiam ser questionadas! E os Clãs ali presentes tiveram que aceitar aquilo.
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Na Cruz de Kyo
Kyotsugo analisava o mapa e as informações constantes que lhe chegavam até tomar um enorme susto e chamar a atenção de sua organização. Ele ordenou que todos prestassem atenção, conectassem o resto do grupo a rede e lhe trouxessem canetas coloridas – mesmo estranhando a última parte todos o obedeceram de imediato.
Ele então começou a desenhar no mapa. Com a caneta amarela ele ligou os incidentes com Omyoujis até forma um heptagrama: o símbolo de Abe no Seimei. Com a caneta vermelha ele contornou os incidentes relacionados ao Clã Nura em particular e formou uma vasilha de chá com uma caveira no meio: o símbolo da Hyago Monogatari. Com uma caneta verde escura, uma verde clara, uma azul escura, uma azul clara e uma Laranja e ele conectou os incidentes relacionados com divindades nos territórios do Norte, Oeste, Sul, Leste e Centro respectivamente: estes formaram espirais. Depois ele pegou uma caneta marrom e ligou os incidentes relacionados com organizações a parte como Tono e a Vila Hanyou: eles formavam um asterisco de quatro linhas no mapa. E, por fim, com uma caneta preta ele ligou os incidentes relacionados a quatro das cinco grandes divindades Yohime, Sadahime, Miyakohime e Kokehime: e estes também formavam uma espiral.
— Que alguém nos ajude! O Assassino vai dar um golpe para matar o mundo inteiro! – o pior de tudo é que Kyotsugo estava certo em suas palavras.
Eles tinham que descobrir como ele se parecia fisicamente e onde estava escondido; mas tudo que sabiam era que ele deveria ter uma cicatriz única e grande em seu abdômen. Seria difícil e as coisas não só pioravam a cada segundo que passava.
Uma ligação de uma das divindades que estava na cede do Clã Nura abalou o coração de Kyotsugo. Ela disse que um homem de jovem aparência com um grave ferimento no abdômen apareceu e foi acolhido no Clã. A divindade também relatou que um pequeno grupo de pessoas desconhecidas veio desesperadamente procurara por ele do nada!
— Já chega! Se é para ser assim você vai ver só uma coisa! – a raiva de Kyotsugo afastou seus subordinados que sabiam o medo que ele dava quando estressado de verdade.
— O que quer que façamos? – Sore, um homem que aparentava ser normal e mais maduro se pronunciou.
— Vocês aguardaram minhas ordens e continuaram a agir na surdina como fizemos até agora; só que com mais intensidade e força. É para provocar? Então vamos ver quem perde a linha primeiro. Eu vou voltar para o Clã Nura e ficar por lá passando as ordens e vigiando esse homem. – tendo terminado ele teve suas ordens executadas e o apoio de sua organização.
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No Clã Nura
— Rikuo!!! Rikuo!!! – Kana gritava por seu marido e interrompeu uma reunião em andamento.
— Kana!? – a moça estava suando e ofegando – Calma. O que houve? – Rikuo levantou-se e foi até ela.
— É o Kyotsugo! Ele voltou! – ela foi direta em dar a notícia.
As expressões no salão mudaram na hora e gritos foram escutados.
— SEU MALUCO! DOIDO! SEM NOÇÃO! – era a voz de Maki e de repente os gritos de Kyotsugo puderam ser ouvidos no meio.
Os amigos pararam a reunião para ver o que se passava e quando chegaram ao jardim viram Kyotsugo espancado e sendo sacudido sem descanso por Maki que o xingava e dava bronca descontrolada. Foram necessários todos os amigos para fazer Maki soltar Kyotsugo; e quando ela o fez Rikuo pediu a Zen que cuidasse das feridas que Maki lhe fizera.
Estando melhor, Kyotsugo foi dar explicações a seus amigos em particular. A justificativa que usou foi, novamente, uma mentira e dessa vez não ficaria por isso!
— Não enrola cara! – Shima foi que começou a bronca.
— É verdade! – Maki o acompanhou.
— Sabemos que está mentindo! – Tori completou.
— Fale a verdade para nós, por favor! Somos todos amigos aqui, certo? – as palavras de Kana abalaram Kyotsugo que precisou se recompor.
— Mas é verdade caramba! – ele persistiu na mentira.
— Kyotsugo, o que aconteceu que você não confia mais em nós? – a pergunta de Rikuo foi a gota d’água pra estilhaçar o coração de Kyotsugo – Eu sei que também escondi a verdade de vocês sobre quem eu era por muito tempo, mas eu pensei que depois que acertamos tudo tínhamos prometido não fazer mais isso. – o coração de Kyotsugo não aguentava mais aquilo.
— Com licença. – Kyotsugo se levantou envergonhado e sem sequer olhar na cara de seus amigos para ir embora.
— Espere! – Yura tentou detê-lo, e funcionou, por apenas cinco segundos até ele realmente sair da sala onde estavam.
Na sala onde estavam uma porta se abriu a direita revelando os avós e os pais de Rikuo e alguns membros do Clã dele e da Yura.
— Ele vai insistir nisso até quando? – Kubinashi não teve como conter a pergunta.
— Acho que todos nós gostaríamos de saber a resposta. – as palavras de Rikuo e expressões de tristeza que ele e seus amigos fizeram deixaram todos sem saber o que dizer ou fazer.
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Kyotsugo andou pela casa inteira naquela semana, ficou o tempo todo discretamente vigilante sobre o misterioso grupo que havia sido acolhido no Clã. O clima entre ele e sua turma ainda estava pesado, mas ele tinha que ser forte e ficar firme para não colocar tudo a perder.
As ordens que enviava e eram executadas por sua organização não paravam; e ele reparou que quando seu grupo tinha êxito ou avançava o humor do grupo de estranhos se alterava. Aquele homem tinha que ser o Assassino.
Kyotsugo permaneceria alerta e comandando sua organização para, assim que ele agisse, ele o pegasse antes que sua família e amigos se envolvessem mais do que já estavam.
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