Soquei o parapeito da janela com tanta força que o sangue correu entre meus dedos, meus olhos queimavam de raiva, as lágrimas ardiam em meus olhos de ódio. Soquei mais uma vez a janela, senti alguém me puxar pelo braço, olhei e vi Emily assustada. –– Vou mata-lo! –– sussurrei, ela estava assustada, segurou minha mão preocupada e viu o sangue escorrendo, pulei a janela em um só movimento a deixando para trás confusa. Não sei como cheguei até meu carro do outro lado da rua, estava cego, olhei no celular e tinham cinco chamadas de Marvin.

—– Onde ele está Marvin? ––– Ele demorou um pouco para responder, pois conhecia meu tom de voz.

—– Ainda está no hoka, mas Nikki você tem certeza que quer fazer isso hoje?! ––– Não faria pelos negócios, faria por Emily.

—– Sim! De hoje ele não passa, faça como combinamos. ––– Marvin confirmou e desliguei o celular. Cheguei ao Hoka e não entrei, ficamos do lado de fora esperando Michael sair, quando ele nos viu, arregalou os olhos ficando apreensivo. O tratei normal como sempre fazia, o fazendo relaxar e ele veio com aquela marra, tirando onda e me zoando como sempre faz. Bebemos bastante, dei a ele uma dose de uísque que estava com Marvin, coloquei nos copos e sugeri um brinde aos negócios, ele tomou com um sorriso sarcástico, eu e Marvin continuamos segurando nossos copos sem beber um gole. Michael começou a ficar tonto perdendo sua coordenação motora, já não falava com coerência, em alguns segundos apagou. O Colocamos dentro do carro de Marvin e o levamos para um dos galpões do porto, onde sei que nunca aparece ninguém, Marvin me ajudou a amarra-lo em uma cadeira e então esperamos que acordasse, queria fazer isso sozinho.

—– Marvin, pode ir. Deixa que eu resolvo isso. –– Marvin me encarou desconfiado, enquanto eu colocava um soco inglês na mão.

—– Nikki onde você esteve, antes de ir me encontrar? Porque raios você sumiu? Parece que saiu de uma briga, sua boca esta cortada, suas mãos estão machucadas. Você foi ver a Emily ou foi fazer outra coisa? Você sabe que não resolvemos assuntos dos negócios sozinhos cara! –– Revirei os olhos, não queria ouvir nada, nem ninguém, queria apenas acabar com Michael.

—– FUI VER A NERDZINHA, PORRA! ––– Ele me encarou desconfiado. ––– Se não acredita, pergunte para ela amanhã, afinal de contas você já conseguiu a confiança dela, são amiguinhos agora. ––– Sentia ciúmes por Marvin conseguir se aproximar dela e eu não, mas quando Emily soube que ele ia ao hospital quase todos os dias para ter notícias dela, autorizou a entrada dele no quarto.

—– Certo e foi lá que conseguiu esse corte na boca e uma mão machucada? ––– Ele ainda me encarava, sem acreditar.

—–– Ah! Não pode esquecer de mencionar a pancada na cabeça que a amiga dela Amanda, me deu com uma vassoura. Porque você me disse que ela estaria sozinha e adivinha, descobri da pior forma que não estava. ––– Ele deu um sorrisinho de canto, o que me deixou bem mais irritado, mas descontaria minha raiva em Michael.

—– Nossa cara, elas não aliviaram para você! Essas garotas estão cada dia mais perigosas. –­– Ele falava passando a mão na cabeça, tentando segurar o riso. ––– Mas seja lá o que aconteceu lá, não vou deixa-lo sozinho aqui, não adianta insistir, me ameaçar, ou sei lá o que está pensando. –– Por essas e outras razões que odeio o Marvin as vezes, ele sempre sabe o que estou pensando. Respirei fundo e apenas balancei a cabeça me dando por vencido.

Peguei uma jarra de água e joguei em Michael, que acordou assustado ao sentir a água gelada, ainda meio sonolento. Ele demorou um tempo para entender o que estava acontecendo, pude ver o medo em seus olhos quando me viu parado a sua frente.

–– Acorda bela adormecida! Espero que tenha dormido bem, pois vai precisar estar acordado para me falar do seu novo negócio, afinal de contas isso é motivo de comemoração, não é Marvin? Um amigo abrindo um negócio é algo muito importante. “– Caminhei até ele e abaixei para encara-lo de frente, meus olhos estavam queimando, queria que ele visse o ódio neles. — “Fiquei sabendo que você está abrindo um negócio por aí, o que me deixou bem chateado, já que você não compartilhou a novidade comigo. ––

—– Nikki cara, o que está acontecendo? Por que estou aqui amarrado? Não sei do que está falando. –– Dava para ver o pânico em seus olhos, Michael sempre foi medroso, ele só se aproveita dos mais fracos, mas sozinho não passava de um bundão.

—– Me explica o que você estava fazendo no Hoka hoje então, conversando com o Marcos. ––– Ele estava desnorteado ainda.

—–– Nikki seja lá o que for, não é o que você está pensando cara? Eu ia te contar, mas no momento certo. Somos amigos, jamais deixaria de te falar. ––– Dei um soco em seu estômago com tanta força, que ele grunhiu de dor, ficando sem fôlego. Marvin permanecia quieto, de braços cruzados encostado em uma mesa de ferro.

—– Nik...... ki.... Me desculpa cara...... não é isso que você está pensando, me deixa explicar. –– Fiquei ao lado dele com a mão do lado do ouvido, esperando que ele começasse a fala. –– Eu só queria uma renda extra, cara.... Não ia roubar seus clientes... –– Soquei seu rosto, fazendo com que sangue espirrasse pela sua boca, o deixando zonzo.

—– Não era nada demais eu juro... Só estava vendendo cocaína para ele, nunca quis roubar ele de você cara, eu juro, somos amigos.... Posso explicar, por favor... ––– dei outro soco, mas do outro lado do rosto agora, ele cuspiu sangue e um dente, tentava se explicar.

—–– Foi sua mãe que me pediu cara.... ––– Parei por um instante tentando absorver o que acabará de ouvir, por que minha mãe pediria para Michael vender drogas para os meus clientes? Ele estava mentindo com certeza, soquei seu estômago, o fazendo cuspir mais sangue. Esperei alguns minutos para que se recuperasse.

–– Ju...ro pela minha vida que só fiz isso porque sua mãe pediu.... ela me prometeu um cargo na empresa dela...... uma carga está chegando, uma carga grande e ela queria alguém como eu para receber...... alguém que soubesse lidar com estrangeiros cara.... só isso. –– Quanto mais ele falava mais raiva sentia.

—– Certo, vamos dizer que esteja falando a verdade, vou descobrir depois com minha mãe. Por hoje é só, espero não o ver mais vendendo drogas para os meus clientes. Deixa ele amarrado aí, amanhã soltamos. ––– Peguei um pano e o amordacei. Marvin me olhou desconfiado, mas não questionou minha ordem, ele não gostava muito de Michael, então não diria nada. Saímos do galpão deixando Michael para trás, amarrado e com frio.