A outra face do mal
3 Parte III
Acendi um cigarro enquanto esperava encostado na escada, sei que isso vai me matar um dia, mas fumar me acalma. Michael e Marvin vinha caminhando bem colados em Jéssica, uma garota com a língua felina, a maior fofoqueira da escola. Seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo mal feito, deixando vários fios escaparem dando um aspecto de bagunçado, sua pele é extremamente branca, a única coisa que trazia cor para seu rosto eram suas bochechas rosadas, ela usava óculos fundo de garrafa e esse conjunto a deixava com uma imagem de bruxa má, mas o que me irritava nela, eram suas mentiras. Estava sempre destilando veneno pela escola, o que de fato nunca me afetou, mas por alguma razão, falar da Nerdizinha me deixou bastante irritado Jéssica estava sempre procurando algo para falar de Emily, procurando uma falha na garota, mas a nerd sempre teve uma boa conduta.
Jéssica usava uma saia jeans com um babado na borda, que deixavam suas pernas brancas a mostra, um tênis florescente e o uniforme da escola. Suas mãos seguravam com tanta força o caderno, que o sangue sumiu entre seus dedos, suas pernas tremiam, dava para ver o suor escorrendo de sua testa.
— Jéssicaaa! Doce e meiga, Jéssica. AH! Espera! Vou achar uma definição melhor para você. Feia e venenosa Jéssica! O que acham rapazes? Se encaixa melhor com ela, não é?! — os meninos riram, enquanto eu passava a mão em seus cabelos loiros. — Então Jessi, posso chama-la assim? — Jéssica assentiu assustada — Fiquei sabendo de algo que me deixou muito, mas muito irritado! —— parei de frente para ela, juntando as mãos e esperando que me dissesse algo. Ela fez menção em falar, mas olhei para Michael que puxou o seu cabelo, virando sua cabeça para trás. Ela gritou de dor e a puxei pelo braço a encostando na parede com força. Segurei suas bochechas rosadas apertando até ela fazer um bico, a essa altura lágrimas escorriam de seu rosto. Michael e Marvin se entreolharam confusos, eles sabiam que não era violento com garotas. Estava começando a perder meu autocontrole. Por que Emily me afetava tanto? Soltei o rosto de Jéssica, que ficou com as marcas dos meus dedos, ela chorava e soluçava, mas não me comovia.
Fiz um sinal para Michael, que sorriu com frieza, seus olhos mostraram um brilho felino e isso me preocupava as vezes. Michael era cruel com qualquer pessoa, mas na frente de seu pai, era um garoto doce e amável, suas atitudes eram questionáveis, pois ele nunca teve nenhum motivo na vida para ser assim, tão cruel. Teve tudo que sempre quis, do bom e do melhor, mas machucar os outros era o que te dava prazer, ele só não passava dos limites, por que não o permitia. Michael segurou a menina pelo braço a virando bruscamente contra a parede, pressionando seu rosto contra os tijolos, segurou seu cabelo com força e colou seu corpo no dela, começou a deslizar a mão, apertando seu seio e depois enfiando a mão por debaixo de sua saia. Marvin saiu de perto, ele não gostava de ver Michael em ação e eu odiava quando ele passava dos limites, era só para dar um susto na garota. Cretino pervertido.
— CHEGA MICHAEL, LARGA ELA! — Gritei, antes que ele fosse longe demais, ele me olhou relutante, mas a soltou bufando frustrado.
— Por que nunca me deixa se divertir?! —
Ele me olhava frio e com ódio, os punhos semicerrados. O encarei a altura o que o fez baixar a guarda, não confiava em Michael, mas ele era um dos poucos aliados que poderia ter na escola. Marvin gostava de andar com os caras maus, mais por diversão, tédio ou por que isso atraia mais garotas, não me importo. Sei que posso confiar nele, a lealdade é algo marcante em sua personalidade, mesmo que ele não tenha nada a ver com a situação, nunca me deixou sozinho no meio dos problemas. Confio a ele a administração dos negócios da escola e algumas coisas particulares, menos meus segredos obscuros. Marvin sempre acalmava os ânimos entre mim e Michael, como estava fazendo nesse momento.
— Ok! Ok! Se os dois pombinhos já terminaram de namorar, vamos terminar logo com isso! — Marvin falava colocando os braços por cima dos meus ombros e dos de Michael. Voltamos nossa atenção a menina encolhida no chão abraçando seus joelhos e chorando. Caminhei até ela, que se encolheu tentando cobrir o máximo de pele que podia.
— Espero nunca mais ouvir qualquer palavra sua sobre Emily! — Segurei uma mecha de seu cabelo bagunçado em minhas mãos. Ela estava com o rosto molhado e o nariz escorrendo e apenas balançou a cabeça confirmando. Dava para ouvir seus gemidos abafados. –— Boa garota! Saiba que cuido muito bem dos meus nerds e não aceito que ninguém tente tomar meu lugar, seja como for! Entendido? —– ela balançou a cabeça trêmula e sorri satisfeito. Michael não perdeu a oportunidade e foi até ela e cochichou algo em seu ouvido, o que fez a garota se mijar. Provavelmente algo insano.
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