A outra face do mal
17 Parte III
Melinda se aproximou do meu rosto e passou a língua em meus lábios, meus olhos estavam embaçados pelas lágrimas. Lagrimas de ódio, raiva, magoa, nojo, impotência.
—– Me beije, quero senti seu gosto. –– Ela puxou meu rosto para um beijo, mas puxei com brusquidão. Ela bufou me soltando e foi até Michael, que a segurou pela cintura e a beijou com vontade, Melinda gemeu quando ele beijou seu pescoço, ela estava tentando me causar ciúmes, mas só conseguia sentir nojo de tudo que via.
—— Então Michael me conte mais sobre seu acidente, por que mesmo que meu filho o torturou. — Melinda perguntava a Michael entre um beijo e outro, ela usava a palavra “filho” para me lembrar de onde eu vim e a quem pertencia. Ele estava beijando o limite do seu decote, parou para me encarar com um sorriso triunfante em seus olhos.
—— Por que dormi com a nerdzinha, sua protegida. —— Os olhos de Melinda brilhavam com um tom sombrio. Ela jamais aceitaria me ver com alguém.
—— Hummm! Agora me diga por que ele fez isso? —— Michael soltou a mulher e foi até Emily, segurando uma de suas mechas.
—— Por que ele sempre teve uma queda por ela, isso era nítido. Mesmo negando o obvio, ele a favorecia, sempre pegava mais leve com ela. —– Minha cabeça fervia, estava no limite de enlouquecer.
— Interessante —– Melinda ficou do lado esquerdo de Emily e apontou a arma para sua coxa.
— Isso é verdade Nicolas? ” – O ar faltou em meus pulmões, neguei balançando a cabeça, estava juntando forças para conseguir falar.
—— Ela é só um negócio, sempre fui benevolente com todos que me deviam. — Emily tremia, encarando o chão, suas lágrimas molhavam sua calça jeans, seu rosto estava completamente molhado, fazendo com que alguns fios ficassem presos em seu rosto.
—— Então não vai se importar seu eu fizer isso. —– Melinda atirou em sua coxa, Emily gritou de dor por debaixo da mordaça. Minhas pernas falharam e cai de joelhos, admitindo minha derrota.
—— NÃAAAAOOO!!! O QUE VOCÊ QUER DE MIM, MELINDA? —— Ela gargalhou alto, aquele maldito sorriso de vitória, que ouvi a vida toda, quando ela conseguia algo.
—— QUERO QUE DIGA A ELA QUE VOCÊ É MEU, QUE O SEU CORAÇÃO ME PERTENCE, QUE SOU EU QUE VOCÊ AMA. —— Ela caminhou até mim, abaixando para ficar no mesmo nível, segurou meu rosto me fazendo encara-la.
—— Diz que me ama e que nunca vai me deixar. —– uma lágrima caiu do meu olho esquerdo, nunca conseguiria fugir dessa mulher. Ela jamais ia me deixar ir. Me sentia derrotado, não importa o que faça, quantos aliados conquiste, nunca vou fugir de Melinda.
—— Sou seu e sempre serei seu. —– As palavras custaram a sair, estavam entaladas.
—— OUVIU ISSO VADIA? ELE É MEU!!!” — Melinda pressionou seus lábios nos meus, levantou e foi até Emily, dando um tapa em seu rosto. – “Agora que nos entendemos, quero que saiba Nicolas que até ter certeza que posso confiar em você de novo, Michael vai ficar à frente dos negócios. Agora Michael tire essa piranha daqui e a leve para o cais. Ela vai ser transportada com a próxima leva de garotas para o exterior, já que ela gosta tanto de provocar os garotos, vamos ver como se sai como prostituta. —
—Muito bem, esse é meu garoto. Você não é como o fraco do seu pai, aquele frouxo. —- Meus olhos arderam quando a ouvi falar do meu pai, ele não era fraco, eram um homem bom.
— NÃO OUSE FALAR DO MEU PAI, SUA VADIA DESGRAÇADA! — Gritei começando a levantar, mas parei no mesmo instante em que olhei para Michael.
— Melhor pensar bem no que vai fazer Nikki, não vai querer ver sua namoradinha se ferir, vai? —— Michael falava com a arma apontada para a cabeça de Emily, bateu em seu rosto com o cabo da arma, a fazendo gemer baixinho.
—— Seu pai era um fraco sim, por isso sempre treinei você para ser melhor que ele. Sempre querendo melhorar o mundo, ser honesto, ajudar o próximo. Se não fosse por mim, estaríamos na lama, vivendo de esmolas. Graças a mim, você pode ter uma boa vida. Por isso nunca vou aceitar você seja fraco como ele. Você é igual a mim e não pode fugir disso. —— Meu coração doía a com cada palavra.
—— NUNCA VOU SER COMO VOCÊ, SUA VADIA MALDITA. —— Melinda gargalhou alto, ecoando pelo espaço vazio da fábrica.
—— Você já é! Acha que nunca percebi isso? Você adora estar no controle de tudo, mandando e desmandando, colocando medo nas pessoas. Deveria ficar feliz em ter herdado isso de mim, assim não precisaria elimina-lo como fiz com seu pai. —– suas últimas palavras foram como um soco em meu estômago.
Minha cabeça girava, de repente meus sentimentos foram embora, ficando somente o vazio, não sentia nada, conseguia ver tudo nitidamente, claro como o dia. Coloquei a mão no chão fazendo menção em levantar, Michael estava segurando o braço de Emily enquanto Melinda a desamarrava. Enfiei a mão direita no casaco, me apoiando no chão com a outra mão, curvando meu corpo para que ela não percebesse que estava armado. Saquei a arma atirando em Michael, um tiro certeiro que atravessou seu pescoço, ele caiu pressionando o ferimento com a mão, sufocando com seu próprio sangue, Melinda me encarou assustada, apontei a arma para minha cabeça a deixando em pânico.
— Não faça nada do qual vá se arrepender Nicolas! – Sua voz saiu tremula, o sangue sumiu de seu rosto.
—— Meu único arrependimento, foi não ter acabado com tudo isso antes. — só a morte pode me libertar.
—— Nikki, Nicolas querido, olha para a mamãe, não faça isso. — Conseguia ver o pânico nos olhos de Melinda. — Eu o amo, podemos resolver isso, prometo ser melhor para você. Juntos podemos ganhar o mundo, eu e você contra o mundo. — sorri com sarcasmo.
—— Não vou a lugar nenhum com você, sua vadia desgraçada. — Os olhos de Melinda estavam cheios de pânico e desespero.
—— Podemos sim, sempre fomos tão bons juntos, você este cego, foi envenenado por essa vadiazinha. —— Abaixei a arma e Melinda, relaxou os ombros.
—— Você tem razão mamãe. —— caminhei devagar em direção a ela, que deu alguns passos para trás cautelosa, me aproximei brindo os braços para abraça-la e ela fez o mesmo, sorrindo vitoriosa. Encostei minha cabeça em seu peito.
— Você só precisa eliminar o único obstáculo que nos impede de ficar juntos. — Melinda segurou meu rosto entre as mãos, intercalou o olhar entre mim e Emily, destilando seu veneno, de repente um só de tiro ecoou na fábrica vazia. O rosto de Melinda que antes carregava um falso olhar maternal, agora perdia a cor, suas falharam e ela caiu se apoiando em meus braços. Passou a mão em meu rosto, sussurrando.
— Por que? —— sua imagem ficou embaçada por conta das lagrimas que se formavam em meu rosto, a soltei e fui ao encontro de Emily a ajudando a se soltar das cordas, seu rosto estava bastante machucado, passei o polegar em sua bochecha tirando uma mecha que estava grudada.
— SE VOCÊ NÃO FOR MEU, NÃO SERÁ DE MAIS NINGUÉM! —— a voz de Melinda ecoou no espaço vazio, me fazendo tremer por dentro, me virei e a vi apontando a arma para Emily, me joguei na frente tentando protege-la, Melinda disparou um tiro em nossa direção, senti meu lado direito nas costas queimar, ficando pesado, minha boca ficou com gosto de sangue, ouvi outro disparo, Emily gritou meu nome, estava começando a perder meus sentidos.
Enquanto estava ali, ouvi sussurros e passos em minha direção, alguém agonizava de dor. Meu corpo todo doía, não tinha força para levantar, não por conta do tiro, mas pela impotência de não ter salvo a vida de Emily, meu coração doía tanto, que sentia que ia parar. Estava tudo girando, ficando sem foco. Alguém falou comigo, chamou meu nome, mas não conseguia entender, só queria morrer em paz. Então vi seu rosto, meigo e perfeito me encarando, sabia que aquilo era uma alucinação, Emily estava morta, ouvi quando Melinda atirou nela. Então tudo ficou escuro, finalmente poderia encontrar meu pai. Pelo menos Marvin estava seguro.
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