Olhei apenas para confirmar de quem era aquela voz tão aconchegante aos meus ouvidos. A Sra. Debora tentava afastar o homem que me segurava, quase me tirando do chão, não demorei muito para saber quem ele era.

— FIQUE LONGE DA MINHA FILHA SEU MOLEQUE. —– o homem me segurava com tanta fúria que podia ouvir o tecido da minha roupa se rasgando com a força que ele me suspendia do chão.

— AGORA JÁ CHEGA MARCOS, DEIXA O NICOLAS EM PAZ.! — Debora agora falava enfurecida, o que a deixava muito parecida com Emily, o homem me soltou no mesmo instante. Essas mulheres realmente sabem como dominar um homem. O homem parecia ter voltado de um transe, ficando calmo na mesma hora, arrumei minha blusa, dando graças a Deus por conseguir colocar os pés totalmente no chão.

— Olha garoto, não me importa quem você é e de quem é filho. Não tenho medo de você e nem da sua família. Só quero que fique longe da minha filha. — via um homem enfurecido na minha frente agindo por impulso apenas para proteger a filha. Ele lembrava muito meu pai, suas roupas, seus traços, sei que ele não era daquele jeito, que não perdia o controle com facilidade a menos que as pessoas que amam estivessem em perigo.

— Já perdi um filho por causa de pessoas como você e não vou perder outro. —

As palavras daquele homem me acertaram em cheio, pessoas como eu? Ele já esteve em uma situação assim antes? Isso explica sua reação explosiva. A Sra. Debora me observava apreensiva, com um olhar amável, agora sei de onde Emily puxou esse jeito doce e amável de ser. Os seguranças do hospital já estavam na porta, acompanhados pela Dra. Ana Beatriz, que me olhava preocupada.

— Nikki você está bem? Ouvimos gritos —– acenei com a cabeça que sim, o pai de Emily me observava ainda com raiva, estava mais calmo. –— Ele machucou você? —– fiz um sinal negativo e a Dra. respirou aliviada.

— Eu prometo. —– disse ao homem a minha frente, deixando a Dra. Confusa, mas só uma pessoa naquela sala precisava entender do que estava falando, o pai de Emily saiu do quarto sendo escoltado pelos seguranças, deixando para trás sua esposa.

Debora aproximou-se me dando um abraço, de alguma forma ela sabia a verdade, ela nunca me viu como alguém ruim, sempre tão doce comigo e quase tirei sua única filha. Um nó se formou em minha garganta, coloquei minha cabeça em seu ombro, cansado. Só queria que isso tudo acabasse logo e ela parecia ler meus pensamentos.

— Tudo isso acabará logo querido, não se preocupe. —

Debora me deu um beijo no rosto e saiu do quarto em passos largos para alcançar o marido. A Dra. Ana Beatriz me ajudou a voltar para a cama, apesar de já não precisar de ajuda, mas ela insistiu. Ficou sentada comigo um tempo até Marvin chegar junto com Simon ambos preocupados.

— Você está bem cara? —– Marvin tomou a frente, seguido por Simon.

— Sim, nada fora do comum. — disse sarcástico e ambos se entreolharam.

— Desculpa Nikki, não sabia que o pai de Emily viria primeiro aqui, não devia ter deixado você sozinho, foi mal. – Marvin se desculpava nervoso e preocupado.

— Não aconteceu nada, estou bem. Se não tivesse levado ela embora, ele nos pegaria juntos e tudo poderia ter sido bem pior. — Simon estava perdido no meio da conversa, ele ainda não sabe ainda sobre mim e Emily.

— Marvin não quero que a traga mais aqui, não posso mais vê-la. — Marvin me olhava incrédulo, estava pronto para contestar. –— Você sabe que não é justo com ela, não sabemos o que vai acontecer comigo. Não quero que ela fique presa a alguém que só a faz mal. —

— A decisão é só sua Nikki. —

Marvin sabia que no fundo tinha razão, que não era justo com Emily, mas mesmo não concordando ele faria o que pedi. Depois de tudo o que aconteceu, quero me concentrar nas coisas que estão por vir. Emily seria só uma distração. Ela vai encontrar alguém melhor que eu, ninguém ama a mesma pessoa para o resto da vida, logo ela vai para a faculdade, vai conhecer outros caras e vai me esquecer.