A outra face do mal
13 Parte II
21hs
–– Marvin, preciso te pedir algo! ––– Sai pela janela do quarto para evitar perguntas. Marvin já chegou se explicando.
—–– Elas me obrigaram cara, sério! Sei que você odeia seu aniversário, mas você não sabe como aquela baixinha consegue ser persuasiva. Ela me mete medo as vezes! –– tive que segurar o riso, vendo um cara daquele tamanho assumindo que tinha medo de uma garota com menos de 1,60.
—– Isso nos vemos depois, tenho algo importante para falar com você. ––– Ele ficou sério.
—–– Vou te pedir algo que você precisa jurar que fazer. Prometa! –– Ele acenou com a cabeça concordando. –– Minha relação com Melinda é diferente, ela me ama de uma forma diferente. ––
––– Cara, te entendo, meus pais as vezes também passam dos limites, querem controlar até o ar que respiro. ––– Ele falava de forma descontraída.
—– Não Marvin, ela me tem como uma posse dela, o amor dela não é como o dos seus pais. Quem me dera ela só quisesse controlar minha vida, mas é algo bem mais doentio que isso. Algo que me impede de viver uma vida normal como qualquer outra. –– Marvin agora me encarava sério e pensativo.
—– Só preciso que me ouça com atenção. Quero que namore a Emily. –– Vi os olhos de Marvin arregalarem, ele ia dizer algo, mas o interrompi.
—– Marvin, Emily está em perigo e a mãe dela também, preciso que confie em mim cara. Minha mãe é insana e vai eliminar qualquer garota que cruzar meu caminho, por isso disse a ela que Emily é sua namorada. Você precisa fazer de tudo para namora-la. ––– Marvin andava de um lado para o outro confuso, passando a mão nos cabelos.
—– Isso que está me pedindo é loucura. Você gost…. ––– o interrompi novamente.
—– Não importa o que eu sinto, só preciso deixa-la segura, Emily e Debora estão na mira da Melinda, até ela ter certeza de que falo a verdade. –– ele encostou no carro, deixando a cabeça cair para trás. –– Me prometa Marvin, você é o único em que posso confiar. –– ele fechou os olhos concordando.
—– Está bem, sei que não me pediria algo assim, se não fosse sério. –– Agora que Marvin concordou, posso focar em descobrir a verdade sobre meu pai. –– Mas suspeito que Emily compartilhe dos mesmos sentimentos que você. –– as palavras de Marvin me pegaram de surpresa, era impossível Emily partilhar dos mesmos sentimentos, eu só a fiz mal.
—– Não fala besteira, ela jamais sentiria algo por mim, eu só a fiz mal. –– não podia me dar ao luxo que acreditar naquilo, não posso criar esperanças. Não alguém como eu.
—– Não seja idiota, você é mais inteligente que isso Nikki. Você acha mesmo que ela teria deixado você dormir lá, se não sentisse nada? É! Eu sei que você dormiu na casa dela na noite em que pegamos Michael! –– as palavras de Marvin estavam começando a despertar algo dentro de mim. –– Acho que você só não quer admitir. ––
—– Mesmo que isso seja verdade, não posso me dar ao luxo de ter alguém. Minha mãe nunca permitiria. –– Marvin franziu o cenho confuso, mas não fez mais perguntas.
Contei a ele minhas suspeitas sobre a morte do meu pai, que ficou abismado com o que ouviu e se ofereceu para me ajudar, ele nunca perguntou muita coisa sobre minha mãe, no fundo sabia que tínhamos uma relação péssima. Sei que ele desconfiava de algo também, mas Marvin nunca foi invasivo, sempre me deixou à vontade para conversar. Não sei por que ainda não o contei sobre Melinda e minha relação com ela, talvez não esteja pronto para falar isso em voz alta, tenho medo de enlouquecer.
Nos despedimos e voltei para casa, entrei no quarto pela janela por onde sai, para que Melinda não desconfiasse de nada. Entrei sem fazer barulho, tirei a roupa e fui tomar banho, a água quente caia em meu corpo relaxando os músculos, fechei os olhos encostando a testa na cerâmica, mas a imagem dela estava lá, a garoto de cabelos ondulados, parada na minha frente de pijama com os braços cruzados, sua pele parecia ser tão macia, como queria tocar seus cabelos e sentir seu cheiro. Nuca poderei ter essa sensação com ninguém, Melinda jamais permitiria, lágrimas quentes correram pelo meu rosto, soquei a parede gelada, a sensação de nunca mais beija-la me enlouquecia, meu peito começou a ficar pequeno, a dor crescia tomando conta de tudo, me sufocando, em minha garganta um nó se formava, minha alma gritava. Por vezes pensei em tirar minha vida, a ideia não me parecia ruim, não hoje, meu primeiro dia de vida, poderia também ser o último, que irônico.
Desliguei o chuveiro, pegando a toalha e enrolei na cintura, sai do banheiro procurando no guarda roupa uma roupa qualquer, achei o moletom que usei na casa de Emily, novamente o nó se formava em minha garganta, precisava sair, o quarto estava se tornando pequeno e quente. Pulei a janela, caindo de mal jeito na grama machucando o tornozelo, fui a garagem pegar a moto, a empurrei até a saída e abri o portão devagar. Empurrei a moto até o final da esquina e subi nela, pilotei em alta velocidade pela cidade a fora, sem rumo, sem alegria, sem vida, apenas sentindo o vazio. Aquele nó na garganta segurava um grito nunca dado.
Queria vê-la pela última vez, antes de entrega-la por completo para Marvin, antes de me afundar de vez nas trevas de Melinda. Parei a moto na rua de cima, caminhei devagar até a casa de Emily, sentindo fisgadas no tornozelo, subi no muro e desci pela arvore que já conhecia, tendo cuidado para não machucar ainda mais o tornozelo. Fui até a janela de seu quarto e subi, bati no vidro. Ela acendeu a luz do abajur ainda desorientada pelo sono, olhou para a janela coçando os olhos e me encarrou com a testa franzida. Levantou da cama e veio em minha direção abrindo.
Ela estava com um short rosa, uma blusa de alça sem sutiã, os cabelos caídos sobre os ombros a deixava muito atraente, olhei cada centímetro do seu corpo, meu corpo reagia ao dela, pedindo para toca-la, a puxei devagar pela cintura e acariciei seu rosto. Emily franziu a testa confusa me encarando, ainda sonolenta. Encostei seu corpo pequeno no meu, a fazendo corar, mas não me impediu. Seus lábios estavam rosados e convidativos, me deixando hipnotizado, me aproximei esperando que ela me empurrasse, mas não aconteceu nada. Encostei meus lábios nos dela, devagar, sem pressa, esperando que ela visse o que estava fazendo e me mandasse embora. Eram tão macios, tão doces. Pedi mais espaço com os lábios e ela deu, aprofundei o beijo, o corpo dela reagia ao meu, como peças de quebra cabeça que ia se encaixando. Com um só movimento a tirei do chão a levando até a cama, parei o beijo a encarando, seus lábios estavam volumosos, sua respiração acelerada, passei a mão em seus cabelos, segurei seu rosto e devagar fui beijando-o até o pescoço. Beijei a linha do seu ombro, descendo devagar, até o limite da sua blusa, seus seios estavam excitados, sua respiração acelerada, passei o polegar em seu seio e ela se contorceu, desci mais um pouco levantando sua blusa, sua barriga tão perfeita a mostra, a beijei e ela gemeu baixinho tímida, desci até o short, beijei suas coxas e subi fazendo o mesmo trajeto, até sua boca. Emily tirou minha blusa, acariciando meu abdômen, segurei em sua bunda, por baixo do short, meu membro pulsava dentro da calça, como se fosse explodir. Não conseguiria segurar a onda, queria rasgar aquele pijama, senti-la. Respirei fundo na indecisão de continuar ou parar ali mesmo, por fim decidi ir embora, levantei da cama rápido, Emily era boa demais para alguém como eu, sabia disso.
—– Não posso! –– Fui a janela, deixando uma garota confusa e com cabelos desalinhados atrás de mim, mas a senti segurar meu braço, olhei e a vi me encarando ainda corada.
—– Fica, por favor! ––
Vê-la daquela forma, me pedindo para ficar, me desarmava completamente. Olhei para a janela, na indecisão, ficar seria um erro tenho certeza, mas Emily tinha um poder tão grande sobre mim, que faria qualquer coisa que me pedisse. Me virei a beijando agora devagar, sem pressa. Apenas balançando a cabeça que sim. Ela me puxou para a cama e nos beijamos novamente, ela deitou em meu peito, acariciei seus cabelos até que adormecesse, apaguei a luz do abajur, encarando o teto iluminado apenas pela luz da rua, ali era o único lugar no mundo onde meus pensamentos eram silenciados, um lugar que nunca seria meu. Beijei seus cabelos, como despedida, pois nunca mais a tocaria de novo.
Passei a noite em claro, planejando como manteria Emily e sua família segura, mesmo que isso me custasse tudo. Não cometeria com ela o mesmo erro que cometi com Samanta. O Sol já ia sair, levantei devagar para não acorda a garota que me fizera perder a noção do tempo, procurei uma caneta na escrivaninha e deixei um bilhete.
—– Não posso fazer isso, me desculpe! –– Aquele bilhete doeria mais em mim do que nela.
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