Notas iniciais
Perdoem possíveis erros!

— NICOLAS GAREN? —

— Aqui lindinha!Gosto de ver a professora Missy irritada, ela sabe que odeio que me chamem pelo meu nome de verdade.

— É Senhorita Missy, senhor Nicolas! Você pode ser o maioral no seu grupinho de amigos, mas na minha sala é só um aluno como qualquer outro, que aliás se não melhorar suas notas, irá reprovar! —

— Óóóóóóo.......—

— Entendido senhorinha lindinha!provoquei fazendo um final de continência, essa vaca está achando que é quem, para me enfrentar na frente dos meus amigos?! Vou mostrar a ela quem manda nessa escola!

Encarei a turma com um olhar frio, fazendo todos se calaram imediatamente, a professora voltou a fazer a chamada. Todos sabem muito bem quem sou e as consequências de me desafiarem. Não vejo a hora dessa merda toda acabar, para nunca mais ter que olhar na cara de nenhum desses fracassados. Sim são todos um bando de fracassados, que acham que quando saírem daqui serão alguém na vida, ficam se matando para conseguirem uma bolsa, achando que vão conseguir chegar na faculdade, vão ter sorte se conseguirem um emprego de garçonete ou segurança de shopping.

Não preciso me preocupar com nada disso, minha mãe já planejou todo o meu futuro ao seu lado, darei continuidade aos negócios da família. Mesmo que quisesse ter alguma formação, ela jamais permitiria, jamais me deixaria ficar longe, tenho que cuidar das empresas Garen, fomos nós que construímos metade dos prédios desse buraco de cidade. Por isso sei que não adianta a professora Missy tentar ser durona, ela vai acabar cedendo como as outras, afinal minha mãe doa uma quantia generosa para a escola todo ano, o que me garante notas altas. Mesmo que não soubesse recitar o alfabeto, eles me passariam assim mesmo.

O sinal tocou para indicando o intervalo, todos guardam os materiais saindo da sala apressados, mas vou esperar até o final da aula, vou deixar um recado para essa professora. Mostrar quem manda aqui.

— VAMOS NICOLAZINHO, TEMOS CONTAS PARA ACERTAR! — Michael me agarrou pelo pescoço, esfregando minha cabeça com o punho fechado. O empurrei, fazendo ele se apoiar em Marvin. Odeio quando ele me chama assim.

— ISSO DOOOIIIII PORRA! — Ele deu uma risada de canto, satisfeito com meu comentário, esse miserável gostava de me causar dor. — VAMOS, ANTES QUE AQUELES NERDS DE MERDA SE ESCONDAM! HOJE ACORDEI COM SEDE DE SANGUE NERD! —— os garotos riram e mais uma vez fomos atormentar a vida dos nerds. Encontramos Jonas se escondendo atrás do campo. Ele acha mesmo que consegue escapar de mim?! Ninguém consegue! Michael socou o estômago do garoto, enquanto eu acendia um cigarro, encostado em um dos ferros de suspenção da arquibancada.

— Jonas, Jonas! Você sabe por que tem que me pagar?! — Jonas era um garoto franzino, de cabelos escuros e olhos negros. As vezes tinha a impressão que ele não comia direito, pois era sempre muito magro e suas roupas muito largas. Conheço pouco da família dele, sei que não tem muito dinheiro, mas que se foda, não posso ter pena de ninguém e nem favorecer nenhum deles, afinal tenho uma reputação a zelar.

— Simmm…—

Não estou te ouvindo? Michael, acho que ele precisa de um incentivo para falar! — Michael levantou Jonas e pressionou seu rosto contra as grades de ferro que cercavam o campo, Jonas estava vermelho e suando, do lado direito da sua boca escorria um pouco de sangue. Cheguei meu rosto bem perto do dele, esperando que me respondesse.

Por queeee...... o senhor me deixa estudar aqui......—— ouvir aquilo me fazia se sentir poderoso. Acenei para Michael soltar o garoto, que se mijaria a qualquer momento.

Agradeço por sua compreensão, espero que aproveite bem nossa instituição. Marvin me entregou o dinheiro que pegou de Jonas, R$ 15 reais, mixaria de merda. Devolvi para Michael que sorriu de canto em reprovação, ele sabia que nunca ficava com o dinheiro que tirávamos dos nerds. Faltava mais um nerd e aí esses animais me deixaria em paz por algumas horas. Chegamos à porta do banheiro das meninas, sabia que ela estaria lá, Emily, nossa última nerd do dia. Marvin ficou na porta de vigia, enquanto eu e Michael entravamos banheiro a dentro, sem se importar com quem estava lá, algumas garotas que usavam o banheiro saíram correndo vendo o trio. Michael jogou uns beijinhos, Marvin assobiou para algumas que saiam se esgueirando pelas paredes com medo.

Emilyyyyyyyy......— Caminhei abrindo porta por porta, sabia que ela estava lá, sempre estava. Emily era uma garota bonita, não me atrevo a dizer linda, seria demais para uma nerd. Digamos que ela fica no meio termo, com sua beleza própria. Cabelos ondulados, mas não volumosos em tons de castanho mel, o que eu mais gostava nela eram seus grandes olhos castanhos claro que faziam uma perfeita sincronia com seu pequeno nariz e seu tom de pele bronzeado natural. Não tive essa sorte, nasci loiro de olhos azuis e pele branca, quase chego a parecer um vampiro. A única diferença que não sou eterno e nem curto beber sangue, mas creio que minha alma já está condenada.

— Emiiiiiii, vamos lá eu sei que você está aqui! Não seja tímida! —

Michael estava inquieto, ele que sempre cuidava dos nerds, mas nesse caso, quando se tratava de Emily, eu ia pessoalmente. Michael era cruel e agressivo, os outros nerds eram todos garotos e ele batia neles sem dó, por isso não o deixava chegar perto dela, jamais bati em uma mulher, jamais deixaria Michael encostar nela e estragar seu rosto, ela era perfeita como está e quero que continue assim. Marvin me zoava dizendo que tinha uma queda, talvez tivesse, mas acredito que não, só não quero machucá-la.

Ela estava quieta demais hoje, ela sempre colocava as mãos na boca, tentando abafar sua respiração acelerada, isso a denunciava, mas hoje estava quieta demais, abri todas as portas, restando a última do canto, o que me deixou decepcionado, seria mais fácil para encurrala-la e Michael adorava isso. Poxa Emily, porque não ficou na primeira porta como das outras vezes? Droga! Mas vamos acabar logo com isso! Quando me aproximei da última porta, tive um pressentimento ruim, já senti isso antes, um frio gelado na espinha. Tinha algo errado.

Abri a porta devagar, vi a mochila dela no canto, algo estava segurando a porta, tive que fazer força para passar minha cabeça e depois o restante do corpo, antes de entrar por completo, me deparei com a nerd de cabelos castanhos, sentada com a cabeça quase toda dentro do vaso. Sua boca estava espumando. PUTA MERDA.