A nova garota
39 Capítulo 39
Notas iniciais
Eu tentei ao máximo me concentrar nos detalhes do carro em que estava sentada: nos bancos, no cinto de segurança, na paisagem que eu podia ver passando pela janela... Tudo menos no fato de que faltavam uns dez segundos para que eu vomitasse.
Claro que não ajudava muito os bancos terem uma cor cinza doentia, o cinto de segurança ser na verdade uma enorme corrente enferrujada e a "paisagem" estar passando pela janela a mais de 200Km por hora.
Vespa, Tempestade e... E... Eu tenho que lembrar... Ira, isso. Vespa, Tempestade e Ira. Não sei qual delas era a motorista, mas esta com certeza não estava com o olho.
Puxa, que viagem empolgante.
O táxi fez uma curva de 90 graus e eu fui jogada contra o vidro do lado esquerdo. Uma única frase se repetia em minha mente: "Não vou vomitar. Não vou vomitar. Não vou vomitar."
— Tudo bem, garota? — Uma das Irmãs Cinzentas perguntou, com aquela voz estranha de sempre.
— Não. — Respondi, colocando a mão na boca.
— Você não serve para nada, Tempestade! — Uma outra gritou, batendo na que tinha falado comigo. — Não avisou a ela para colocar o cinto de segurança? Pois devria ter feito isso. — Ela olhou para mim. — Estas correntes servem como cinto de segurança, pode usá-las se se sentir desconfortável.
Meu olhar parou nas argolas enferrujadas. Eu não estava tão desesperada assim.
Certo. Duas curvas, um cruzamento e três quase-atropelamentos depois, eu decidi que estava sim desesperada. Joguei uma das correntes em cima de minha cintura e prendi frouxamente do outro lado.
— Seu tio realmente não é um bom deus. — Tempestade disse de repente.
— O quê? — Falei, confusa.
— Ainda não! — Disse a motorista, dando um tapa em Tempestade. Pude até ouvir o estalo da mão dela se chocando com o braço da outra. Deve ter doído.
— Parem com isso as duas, Vespa e Tempestade! — Falou a que devia ser Ira. — Ou agem como adultas ou eu fico com o dente por mais uma semana.
As outras duas ficaram caladas. Uau.
— Okay, mas... O que tinha dito? Sobre o meu tio? — Perguntei de novo, esperando que elas me dessem alguma pista.
Ira ficou irritada. (n/Aut: Quer dizer que ela ficou irada.) (n/Julie: Que trocadilho mais sem-noção!) (n/Aut: Eu sou sem-noção.) (n/Todos: Sabemos disso.)
— Nada. — Respondeu. — Seu tio não presta. Ponto final. Agora, chegamos. — Ela apontou para o enorme prédio à minha direita. Ainda pude ouvi-la resmungar: — Semideuses malditos, pedem ajuda e nunca retribuem. Aprenda isso, Tempestade, sua tola.
Depois de um segundo, consegui soltar a corrente. Desci deixando mais alguns dracmas no banco e parei em frente ao Empire State Building.
— Caramba. — Falei pra mim mesma. — É a segunda vez em menos de uma semana que eu apareço aqui para cobrar alguma coisa de Afrodite. Isso deve ser um recorde.
(n/Afrodite: Mas eu não fiz nada!) (n/Aut: Duvido muito disso.) (n/Julie: Vou ter que concordar.) (n/Aut: DEUSES! ELA CONCORDA COMIGO! FOGOS DE ARTIFÍCIO, POR FAVOR!)
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