A musa de olhos azuis-esverdeados
1 Capítulo 1
Notas iniciais

Yamanaka Ino sempre atendia todos os clientes com grande simpatia: escutava seus pedidos com atenção e buscava sempre chegar o mais perto daquilo que lhe fora solicitado. Então, não foi diferente naquele atendimento, mesmo que estivesse faltando alguns minutos para fechar, mesmo que o cliente mal a encarasse...
Ela o ajudou com as inúmeras tintas, entretanto, ele nunca parecia satisfeito com a escolha, sempre a refazendo... Até que o próprio se irritou consigo mesmo e fez com que ela pegasse os diversos tons de rosa que havia na loja.
— O senhor deseja mais alguma coisa? — a loira perguntou ao ajeitar as tintas. — Talvez pincéis extras para utilizar nessas novas cores? — sugeriu solicita.
O moreno finalmente a encarou pronto para ser rude, mas as palavras sumiram ao encontrar os olhos da loira: azuis-esverdeados tão singulares que ele apenas murmurou um "pode ser" que fez os olhos dela brilharem em contentação.
Uchiha Sasuke agiu no automático; concordou com o kit de pincéis que Ino lhe ofereceu, escutou ela informar o valor da compra e passou o cartão mal desviando os olhos dela.
Quando enfim chegou em seu apartamento, foi direto para o ateliê, não se preocupando em colocar um avental ou qualquer coisa que fosse para proteger as vestes. Removeu um quadro pronto de seu cavalete, colocou uma tela em branco e começou novos traços que, em algumas horas, ganharam a forma de dois olhos.
Foi tão fácil que ele ficou surpreso ao ver o rosto da loira ganhando forma. O esboço a mostrava apoiada no balcão da papelaria e mesmo havendo apenas os traços, ele tinha pressa em colorir e tornar aquilo o mais próximo do real. Entretanto, mesmo tendo uma memória fotográfica, a visão que tivera dela ainda fora pouca, principalmente para representar a cor dos singulares olhos dela.
O pintor grunhiu irritado consigo mesmo e mirou o quadro que precisava terminar primeiro. A atendente de olhos azuis-esverdeados teria que ficar para depois.
Então, dias depois, Sasuke se viu perdido em meio ao azul e ao verde. Sabia no seu interior que era apenas uma desculpa, mas teria que voltar à papelaria e comprar um novo frasco de tinta.
Ele ajeitou-se de maneira metódica tentando domar os fios rebeldes sem sucesso. Achou as roupas que vestia simples demais, porém, não ousou se trocar, já sabendo que chegaria possesso e desesperado para continuar a sua nova obra-prima.
Quando chegou na papelaria, o moreno a viu pendurando alguns enfeites de Halloween, como alguns itens para diversas fantasias e outros adereços, já que a data se aproximava e era bem popular por ali. Assim que ela o viu, deixou de lado as coisas que ajeitava e aproximou-se com um sorriso simpático.
— Boa tarde! Em que posso ajudá-lo? — indagou fazendo uma breve mensura.
O Uchiha se viu deslumbrado por um momento. Por conta daquele dia estar mais quente que o normal para um dia de outono — talvez o último antes de começar a vir o frio colossal do inverno que se aproximava —, a atendente usava um bonito vestido roxo que combinava perfeitamente com ela. Sasuke gravou a imagem na mente engolindo em seco, esquecendo completamente que viera atrás de tintas azuis e verdes.
— Senhor...? — Ino o chamou com um sorriso divertido.
— Ahm... — O pintor se viu perdido por um momento, porém, logo desviou o olhar e passou a olhar em volta, como se buscasse alguma escapatória. Os frascos de tintas mais ao fundo lhe chamaram a atenção, então ele forçou uma tosse antes de respondê-la: — Tintas... Vim atrás de novas tintas.
— Certo... — ela concordou dirigindo-se para as prateleiras. — Quais cores dessa vez? — perguntou.
Sasuke, que não costumava sentir-se tímido, trocou o peso de uma perna para outra ao perceber nas entrelinhas que ela se lembrava dele, olhando por um momento para a loira antes de voltar os olhos para o que havia solicitado, quase em dúvida do que pedir daquela vez.
— Roxo — ele replicou simplesmente.
Ela o encarou com dúvida por um momento; existiam vários tons de roxo, então, por conta de ele não ter sido muito específico e lembrando-se da última vez que ele comprara diversas tintas rosas, a atendente selecionou vários tons e colocou no balcão. Porém, para a surpresa da loira, o moreno foi rápido em escolher o que queria, puxando o tom de roxo que ela mais gostava e era o mesmo tom do vestido que usava.
Ino o encarou surpresa por um momento, antes de abrir um sorriso discreto que foi retribuído de maneira mais discreta ainda.
— Apenas esse hoje? — perguntou após guardar os frascos que não foram escolhidos.
— Sim.
Então ela lhe informou o valor, ele pagou e agradeceu com uma breve mensura, sem desviar os olhos da estonteante loira — gravando qualquer detalhe que tenha passado despercebido de suas últimas observações — e foi embora.
Novamente, ao chegar em seu apartamento, foi direto para o ateliê e se viu perdido em meio ao roxo, chegando a conclusão de que a cor realmente combinava com ela. Porém, mesmo que tentasse misturar as cores que possuía, não conseguia chegar na tonalidade dos olhos azuis-esverdeados.
Praguejou sozinho, olhando a tela parcialmente em branco, concluindo que teria que fazer uma outra compra na papelaria. Novas tintas: uma desculpa a mais para dar uma espiada na sua musa. Sorriu sozinho para a pintura antes de dar uma pausa para comer...
A Yamanaka sempre gostou do Halloween. Desde pequena adorava se fantasiar e ia pedir doces aos vizinhos com os amigos, por isso, mesmo já sendo uma mulher adulta, não deixou de se fantasiar para atender aos clientes naquela data.
Temari havia ajudado-a com a fantasia da vez. Ino usava um vestido azul que destacava seus olhos, um avental branco por cima dele, meias brancas e sapatos pretos no estilo boneca. Os fios loiros estavam soltos, mas havia uma faixa preta com um laço em cima de sua cabeça, impedindo os fios caírem totalmente em seu rosto, porém, continuava com a costumeira franja lateral.
Alice no País das Maravilhas foi a escolha daquele ano, causando furor nos clientes mais assíduos que a elogiaram alegremente. E o dono lhe deu autorização para dar doces às crianças que viessem fantasiadas, o que trouxe mais movimento para a pequena papelaria e trabalho extra para a loira, porém ela não reclamou, afinal estava quase certa que contratariam outra pessoa para ajudá-la quando os donos — Sabaku no Temari e Kankuro — não estivessem por lá.
Sasuke, que andava um pouco no mundo da lua, surpreendeu-se ao chegar na papelaria e a encontrar com mais clientes do que costumava ter. Surpreendeu-se mais ainda ao ver algumas crianças fantasiadas, dando-se conta apenas naquele momento que era dia 31 de outubro.
Ele adentrou sorrateiramente pela porta, quase desistindo e pensando em voltar no dia seguinte, mas uma longa cabeleira loira solta lhe chamou a atenção e se pegou curioso com a visão dela de cabelos soltos, afinal, todas a vezes que estivera ali, a atendente sempre mantinha o cabelo preso num alto rabo de cavalo. Porém, o pintor não estava preparado para a visão de uma fofa Alice no País das Maravilhas rindo junto do que parecia ser a esposa do Frankenstein.
O Uchiha engoliu em seco desviando os olhos rapidamente para as crianças que passavam em sua frente, pedindo doces para as duas moças. O moreno escutou uma tosse forçada mais ao lado e se deparou com o dono do estabelecimento, Kankuro, que não via há meses.
— E aí, Sasuke? — ele cumprimentou com um sorriso travesso. — Quanto tempo, cara!
— Oi, quanto tempo mesmo... — o pintor concordou apertando a mão que lhe fora estendida. — Todas as vezes que vim comprar tintas aqui, você não estava... Quase achei que tinha desistido do ramo — comentou forçando um sorriso para o mais velho.
— Tivemos um pequeno problema com meu pai e Gaara. Brigas de família, sabe!? — contou, fazendo uma careta. — Aí o marido da Temari sugeriu que chamássemos a Ino para tomar conta daqui enquanto a gente resolvia essa questão familiar — acrescentou voltando os olhos para as duas loiras fantasiadas que conversavam com as crianças. — No fim, ela tomou conta de tudo tão bem, que vamos abrir uma filial no centro! — exclamou animado.
— Uau, cara, parabéns! — Sasuke o saudou, correspondendo ao sorriso do Sabaku. — Vocês sempre souberam selecionar os melhores materiais, principalmente para pintura. É bom que tenham sucesso mesmo, pois assim nunca faltará tintas para mim — ele brincou arrancando uma risada do outro.
— Falando nisso, eu queria te encontrar mesmo para encomendar um quadro com paisagem de deserto, queremos colocar uma obra sua na filial, já que é um dos clientes mais antigos daqui e, ainda por cima, ajudamos na divulgação do seu trabalho. O que acha? — sugeriu ganhando um franzir de sobrancelhas do pintor.
— Nada que uma quantia extra de material não ajude a me convencer... — Sorriu dissimuladamente para Kankuro.
— Tô vendo que vou perder meu lucro todo para você, Uchiha — o Sabaku replicou numa falsa reclamação, cruzando os braços.
— É só manter Ino no posto, irmãozinho, que esse aí aparece aqui diariamente para comprar frascos de tinta — Temari falou entredentes, aproximando-se dos dois, enquanto a outra loira atendia algumas outras crianças fantasiadas.
Sasuke a encarou com uma expressão de poucos amigos, porém, ela sustentou o olhar dele fazendo com que um leve rubor surgisse nas bochechas do moreno e ele desviasse os olhos cruzando os braços emburrado. A Sabaku riu divertida e abraçou o irmão pelos ombros.
— Esqueceu que eu encaro o Gaara quase todos os dias, Sasuke? — ela o indagou divertindo-se. — Sua cara feia não chega nem perto daquele ruivo de pavio curto — replicou, ainda com a mesura de um sorriso. — Ino tagarelou que você sempre vem atrás de um ou dois frascos de tinta... Você não costumava comprar materiais picados quando era eu quem lhe atendia — comentou com um franzir de sobrancelhas desconfiado.
— Não tenho culpa se cada dia sinto falta de uma cor diferente. E vocês têm tantas opções que... — falou dando de ombros.
— Pfff, sei. — Ela ainda o olhava desconfiada. — O que vai ser dessa vez? — indagou.
— Verde... e azul, preciso chegar num azul-esverdeado único... — respondeu olhando disfarçadamente para a atendente que vestiu-se de Alice.
— Azul-esverdeado, hum? — Temari revidou seguindo o olhar dele. — O que está aprontando, Uchiha?
— Cores terrosas também para fazer a encomenda que seu irmão pediu — Sasuke desconversou. — Só vou finalizar o quadro que estou trabalhando e já começo o seu, Kankuro. — Encarou o outro moreno que parecia se divertir com a situação.
A Sabaku afastou-se para atender ao pedido do amigo e, mesmo que ainda estivesse desconfiada, não ia perder a chance de amolar um pouco a outra loira, que terminava de se despedir dos últimos clientes que havia atendido. Ela pediu a ajuda da Yamanaka para pegar todas as tintas que lhe foram solicitadas, optando por pegar quase todo o estoque de azul e verde, além de algumas cores quentes e terrosas, que claramente lembravam o deserto, lugar que era a origem da família Sabaku.
Elas dispuseram as cores sobre o balcão enquanto Kankuro contava o que queria do quadro. Sasuke anotava mentalmente as informações concentrando-se em gravar o pedido do amigo e acabou não reparando que as outras duas se aproximaram.
— Pronto! — Temari exclamou sentando-se na banqueta com Ino ao seu lado. — Isso deve ser suficiente — acrescentou, atraindo a atenção dos dois morenos.
Kankuro riu baixinho do exagero da irmã enquanto Sasuke olhava para as cores com um ar de dúvida. Ino observava com curiosidade, perguntando-se mentalmente o que aquele artista estava pintando. Os olhos do Uchiha vacilaram por um momento na Yamanaka, que sorriu de maneira afetuosa e fez uma mesura em cumprimento.
— Ino Yamanaka, Sasuke Uchiha — a Sabaku apresentou-os brevemente, fingindo-se desinteressada com a situação.
— Finalmente um nome! — Ino exclamou alegremente estendendo a mão para o moreno. — Devemos ter o quê? A mesma idade? Chamá-lo de senhor faz com que eu me sinta uma velha... — ela comentou num revirar de olhos, de maneira brincalhona.
Sasuke abriu um fino sorriso para ela enquanto apertava-lhe a mão macia, aproveitando-se momentaneamente para gravar mentalmente a bela expressão animada dela.
— Mas vocês são velhos, ou acham que trinta anos é coisa de gente novinha? — Temari provocou a amiga, vendo-a olhá-la de maneira mortal, o que apenas lhe causou uma gargalhada divertida.
— Se sou velha, você é uma anciã, Temari! — a Yamanaka replicou colocando as mãos na cintura e fazendo cena.
— Eu estou na flor da idade, Ino-chan — a Sabaku revidou ainda rindo.
Kankuro revirou os olhos dando uma pequena risada, antes de se dirigir para o amigo.
— Deixe essas duas. É melhor você escolher o que veio pegar, ou então elas acabarão metendo você nessa discussão boba. É perigoso! — alertou o moreno.
Sasuke ainda as observou discutindo sobre as idades por um momento, rindo brevemente da indignação da loira mais nova. Porém, logo focou os olhos nas cores de tintas aproveitando-se momentaneamente para observar a atendente que, mesmo irritada, era uma musa. Aproveitando também a proximidade dela, selecionou as cores que mais se assemelhavam aos olhos azuis-esverdeados vibrantes.
O Uchiha ainda levou mais cores do que viera buscar, comprando também mais algumas telas e fazendo um rabisco rápido em uma sulfite, para mostrar a Kankuro o que havia imaginado para o pedido do amigo.
Ele despediu-se gentilmente dos três, o que causou outro olhar duvidoso de Temari, uma risadinha breve de Kankuro e um sorriso amável de Ino, que o pintor aproveitou para arquivar aquela expressão em sua mente.
Alguns dias depois, Sasuke retornou à papelaria. Sua obra-prima estava quase terminada, mas ele ainda se via perdido em meio às cores azuis e verdes, precisando de um novo vislumbre de sua "musa".
O moreno aproximou-se da loja encontrando o estabelecimento, agora com uma decoração natalina... "Quanto tempo mesmo havia se passado desde o Halloween?" Ele havia se perdido em meio a sua inspiração, não conseguindo sossegar enquanto não terminava o quadro daquela que dominava seus pensamentos. Mesmo que precisasse trabalhar algumas horas na empresa de design gráfico da família, sua mente estava focada em terminar aquela pintura e... ''O que fazer depois?'', ele se perguntou ao observar a loira por trás do vidro da loja.
Ino usava um gorro de Papai Noel e atendia uma moça que parecia indecisa sobre qual papel de presente levar. "Presente?", será que ela acharia muita ousadia da parte dele se ele lhe desse o quadro? Mais ainda: será que ele teria coragem de mostrar o que vinha fazendo há semanas, com tanta dedicação, para a causadora de toda a sua inspiração?
Ele engoliu em seco vendo a cliente se despedir e se adiantar para a saída da papelaria, resolvendo enfim adentrar o estabelecimento, procurando a sessão de tintas com o olhar.
— Sasuke! — a Yamanaka o saudou alegremente, fazendo com que o Uchiha lhe desse um mínimo sorriso em resposta. — Eu já estava me perguntando quando você viria novamente atrás de alguma coisa — ela brincou com uma risadinha.
— Ahm, infelizmente não vivo só de pintar, tenho que dar alguma assistência na parte criativa da empresa da família às vezes — ele explicou dando de ombros.
— Oh, família, sei como é — Ino falou, dessa vez com a expressão se tornando um tanto nostálgica. — Eu ajudava na floricultura dos meus pais antes de eles faleceram, e isso tornou as coisas bem mais corridas... Então, resolvi vender o lugar e procurar alguma coisa menos dolorosa para fazer... Não que as lembranças sejam ruins, mas sentir falta deles todos os dias estava acabando comigo — tagarelou enquanto apoiava o cotovelo no balcão e o rosto em uma das mãos, encarando Sasuke com profundidade.
O moreno apenas correspondeu ao olhar intenso dela, mergulhado naquele mar dolorido de azul e verde, antes de agitar a cabeça em concordância.
— Sinto muito pelas suas perdas — murmurou levemente sem jeito.
Ela lhe abriu um sorriso triste.
— Já faz alguns bons anos, mas ainda sim é complicado... Sou grata por Shika e Temari terem me dado abrigo quando finalmente resolvi viver de novo. São como os irmãos que nunca tive — comentou, dessa vez abrindo um sorriso mais alegre. — Mas chega de tagarelar, vamos ao trabalho! — A loira arrumou a postura tornando-se enérgica novamente, causando um breve sorriso em Sasuke. — O que o senhor Uchiha deseja hoje? — gracejou.
Ele riu novamente, antes de respondê-la também fazendo uma gracinha.
— Ganha um doce se adivinhar.
Foi a vez de ela soltar uma risadinha, escondendo-a com a mão.
— Tintas? — sugeriu fingindo-se em dúvida.
— Bingo!
— Ah, me deve um doce! Vou cobrar! — exclamou rindo, guiando-o para as prateleiras, dando espaço para ele ir além do balcão.
— Trarei algo na próxima vez, prometo — ele replicou antes de concentrar-se nas tintas.
Além de inspiração, Ino também lhe trazia leveza e Sasuke agradecia por aquilo; precisava de um pouco de calmaria após o caos que passou nas últimas semanas na empresa. Os dois discutiram brevemente sobre algumas cores e a mistura que o Uchiha gostava de fazer com elas, antes da Yamanaka perguntar algo que fez com que o moreno engolisse em seco.
— Quando vai trazer alguma pintura sua para eu ver? — indagou-o. — Eu te vejo quase semanalmente comprando itens para pintar, mas até agora nunca vi nada feito por você — comentou encarando-o de maneira curiosa.
— Eu-eu... — ele começou gaguejante, limpando a garganta, antes de continuar: — Tenho trabalhado num quadro essas semanas, talvez... eu o traga para você — concluiu com um leve rubor tomando-lhe as bochechas.
Os olhos de Ino brilharam em felicidade e entusiasmo. Ela sorriu abertamente com a ideia, animada de uma forma que o moreno nunca vira antes.
— Isso seria muito legal da sua parte, Sasuke! — exclamou alegremente. — Preciso mesmo de alguma coisa para colocar na sala do meu novo apartamento! — comentou. — Eu me mudo na semana que vem, achei um lugar vago na Nabilera House, dizem que a vizinhança é discreta e sofisticada — contou vendo os ônix dele se arregalaram minimamente.
— Eu moro nesse prédio — o Uchiha disse para a surpresa da Yamanaka, que brevemente abriu a boca em "o".
— Sério? — indagou descrente, recebendo um breve agitar afirmativo. — Não acredito que vamos ser vizinhos! Isso é muito legal! — ela comemorou agitando-se animadamente.
— Para qual andar vai se mudar?
E assim conversaram sobre o prédio, síndico, vizinhança, áreas de lazer, pets e o ateliê que Sasuke tinha em um dos cômodos de seu apartamento. E foi justamente isso que causou mais curiosidade na loira: ela insistiu em dar uma olhada no apartamento dele um dia desses, principalmente no ateliê que ele comentou sobre com um brilho anormal nos olhos — que fez com que parecessem duas pedras preciosas.
E foi quando um novo cliente, depois de quase uma hora de papo dos dois, entrou na papelaria. Ela enfim encerrou a conta de Sasuke, anotando rapidamente seu número de celular no verso da notinha e lhe dando uma piscadinha marota que o fez corar ligeiramente.
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