A mentira tem perna curta

4 Capítulo 4: Em prática, parte 2.


Clark e Chloe permaneceram na cafeteria, trabalhando na próxima notícia. Como ele era o revisor do Tocha, costumava puxar a orelha dela sempre que algo precisava de mais provas. De fato, formavam uma boa equipe jornalística. No entanto, ela desejava que fossem uma boa equipe também em outras áreas.

O tempo passou sem que percebessem, pois estavam tão concentrados que, ao darem por si, haviam se passado duas horas. Assim que finalmente terminaram, ela soltou um suspiro satisfeito enquanto se recostava na cadeira.

Visto que já estava tarde, as luzes da cafeteria pareciam mais suaves e restavam apenas poucos clientes espalhados pelo salão. Enquanto isso, Lana começava a organizar as coisas, sinalizando que o horário de fechamento estava próximo.

— Já está tarde — observou Clark, ao conferir as horas em seu relógio de pulso.

— Pois é, hora de ir embora — concordou Chloe, enquanto juntava os papéis para guardá-los na bolsa. — Você quer uma carona? — perguntou, visto que haviam vindo no carro dela.

— Não precisa. Minha casa fica no lado oposto ao da sua.

Ela se preparava para argumentar, mas foi interrompida por Lana. Sua voz suave surpreendeu a ambos, fazendo com que a olhassem ao mesmo tempo.

— Se você quiser, eu posso te dar uma carona — ofereceu Lana, com um sorriso.

— É sério? — Clark perguntou, animado.

Debaixo da mesa, Chloe chutou a perna dele. Clark a encarou, confuso.

— Gentileza sua, Lana — Chloe respondeu, esboçando um sorriso forçado. — Mas eu quero passar mais tempo com o meu namorado. Você sabe… sem ser os jornalistas. Apenas como namorados.

Tudo bem que aquilo não fosse real, tudo bem que as chances de ela e Clark ficarem juntos de verdade fossem mínimas — quase inexistentes. Contudo, se tinha a oportunidade de passar mais tempo ao lado dele, ainda que fosse daquela forma e sabendo que sofreria no fim, por que não aproveitar?

— Ah, sim… claro. Me desculpe — pediu Lana, um pouco sem graça.

— Tudo bem — Chloe retrucou, mantendo o sorriso. — Vamos, Clark. — ela o chamou e levantou-se antes que ele pudesse protestar, saindo na frente.

Clark apenas pegou a mochila, despediu-se de Lana rapidamente e a seguiu.

Do lado de fora, ele permaneceu em absoluto silêncio enquanto caminhava até o carro, o que definitivamente não era do seu feitio.

— O que foi? — Chloe perguntou, destravando as portas.

— Por que você não deixou que eu simplesmente pegasse carona com Lana? — questionou ao tomar o banco do passageiro e bater a porta.

Ela balançou a cabeça e riu enquanto assumia o lado do motorista. O que Clark tinha de lindo, tinha de lerdo.

— Que tipo de namorada eu seria se deixasse o meu namorado ir embora com outra garota? — retrucou ela, ligando o carro.

— Não pensei que fosse do tipo ciumenta.

Ela o encarou, incrédula. Tudo bem, ela até era ciumenta, mas a questão ali não era essa — ou pelo menos não totalmente.

— Clark, você precisa lembrar qual é o seu objetivo aqui. Como pretende alcançá-lo ignorando a sua própria namorada?

Ele permaneceu em silêncio por alguns segundos, absorvendo as palavras dela, até soltar um suspiro.

— Tem razão.

— Confie em mim — ela concluiu, engatando a marcha. — Eu sei o que estou fazendo.

Então, acelerou e saíram dali.

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Ao chegarem ao rancho dos Kent, ambos desceram do carro e encostaram-se no veículo para observar as estrelas. O céu de Pequenópolis estava repleto de pontos brilhantes, enquanto o som suave dos grilos preenchia o silêncio entre eles.

O plano era esperar por Lana e garantir que ela os visse juntos. No entanto, enquanto ela não chegava, Chloe aproveitava cada segundo daquele momento a sós com Clark.

Mas, estar tão próxima dele, e ainda mais a sós, despertava nela certos desejos. Ela respirou fundo, cruzando os braços em uma tentativa de conter a vontade de se aproximar. Desejava encostar nele, apoiar a cabeça em seu ombro, sentir seu calor e abraçá-lo. Porém, sem a presença de Lana, não tinha uma desculpa para fazê-lo.

Por um instante, ela desviou o olhar do céu e observou Clark. Sua expressão era tranquila. E sem se dar conta, seus olhos desceram para os lábios dele, fazendo-a se perguntar como seria beijá-lo. Mas, suas divagações foram interrompidas pelo som de um carro se aproximando: Lana Lang, a vizinha de Clark, havia chegado.

Enquanto observava o carro parar, o motor desligar e a porta se abrir, Chloe pensou: quando teria aquela oportunidade de novo? Quando teria a desculpa perfeita?

Por isso, quando Lana desceu do carro e olhou na direção deles, Chloe segurou a camisa de Clark e o puxou para si. No instante em que seus lábios se tocaram, ela se esqueceu de tudo: da mentira, da presença de Lana, do mundo ao redor. Só existia aquele momento; o calor de Clark, seus lábios macios e o seu gosto doce. Ela só queria aproveitar o primeiro — e provavelmente último — beijo que daria em Clark Kent.

Contudo, quando ela pretendia aprofundar o beijo, Clark a afastou, encarando-a em choque.

— Lana já entrou — informou ele.

A realidade voltou como um balde de água fria.

— Ah... — ela murmurou, desviando o olhar para disfarçar a decepção. — Então, meu trabalho como sua namorada acabou por hoje — disse, dando a volta no carro para entrar — Tchau, Clark.

— Tchau, Chloe. Te vejo amanhã na escola.

Notas finais
É aqui que acabou os rascunhos da história para que eu pudesse participar do Evento. Agora a produção precisa retomar, então, a partir de agora os capítulos vão demorar.