A mentira tem perna curta
5 Capítulo 5: O trágico fim, parte 1.
Depois que Chloe foi embora, Clark permaneceu parado por alguns instantes, ainda tentando processar o que havia acabado de acontecer. Nunca tinha imaginado beijar sua melhor amiga. Mas, por alguma razão, achou bom.
Ele soltou um suspiro e lançou um olhar na direção da casa de Lana. O que será que ela sentiu ao vê-los daquela maneira? Balançou a cabeça para afastar aqueles pensamentos. Primeiro Lana, agora Chloe. Seus sentimentos, que antes pareciam claros, começavam a se tornar um verdadeiro emaranhado.
Caminhou até a porta de casa e entrou. O melhor naquele momento era descansar, deixar a cabeça esfriar. Amanhã teria tempo para analisar seus sentimentos em relação àquele gesto repentino de Chloe. Mas, antes que pudesse subir para o quarto, sua mão foi instintivamente até os lábios. A memória do beijo voltou com força: a proximidade entre eles, a surpresa que sentira no instante em que ela o beijara…
— Quer nos contar o que aconteceu lá fora? — perguntou sua mãe, arrancando-o de seus devaneios.
Seus pais estavam na cozinha, fitando-o com o ar de divertimento e de preocupação.
— Vocês viram? — perguntou, sentindo um pouco envergonhado.
Seu pai soltou uma risada abafada.
— Filho, vocês estavam bem na frente da casa. Era difícil não ver.
— Eu pensei que você gostasse de Lana. Então, confesso que foi uma surpresa vê-lo beijando a Chloe. — completou sua mãe.
Clark coçou a nuca. Como poderia explicar aquilo aos pais? Se dissesse que tudo tinha começado como uma tentativa de causar ciúmes em Lana, provavelmente receberia uma bronca sobre o quanto aquilo era infantil. Mas, decidiu se concentrar em outro aspecto daquela história. Algo que estava começando a mexer com ele.
— Vocês acham que é possível gostar de duas pessoas ao mesmo tempo? — perguntou.
Seus pais trocaram um olhar breve antes de voltarem a encará-lo.
— Gostar de duas pessoas? Sim, é possível — respondeu o pai. — Os sentimentos nem sempre são simples. Às vezes, levamos um tempo para entender exatamente o que estamos sentindo.
— Mas, nem todo carinho significa a mesma coisa. Você precisa descobrir o que sente por cada uma delas. — acrescentou a mãe.
— E, principalmente, ser honesto consigo mesmo. Porque, se não entender seus próprios sentimentos, pode acabar magoando as duas.
Ele concordou com a cabeça.
—Tá bom. Obrigado, mãe. Obrigado, pai.
Clark esboçou um sorriso e subiu as escadas em direção ao quarto. Assim que fechou a porta atrás de si, deixou-se cair na cama. Sua mente estava em um turbilhão, pensando nos seus sentimentos de tempos por Lana e no sentimento repentino por Chloe.
Suspirou e virou-se de lado. Fechou os olhos para tentar dormir, mas a única coisa que passava por sua cabeça era Chloe o surpreendendo com um beijo.
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No dia seguinte, na escola, Clark estava distraído. Sua mente ainda voltava repetidamente ao que havia acontecido na noite anterior. Pete logo percebeu que algo estava errado.
— Tá tudo bem, cara? — perguntou o amigo.
— Sim, claro — respondeu. — Por que a Chloe não veio com a gente hoje?
— Coisas do jornal. Ela disse que encontraria a gente na escola.
Por um lado, Clark agradeceu por aquele pequeno espaço. Estava completamente dividido e precisava de tempo para organizar os próprios pensamentos. Mas, conforme o dia avançava, aquele alívio começou a dar lugar à inquietação.
Desde que chegara à escola, não a tinha visto uma única vez. Nem nos corredores, nem na sala de jornal, nem durante o intervalo. Quando o fim das aulas se aproximou, também não a viu. Chloe estava o evitando?
— Pete — correu até o amigo na hora da saída — O que exatamente aconteceu com a Chloe?
O amigo ergueu as sobrancelhas e o encarou desconfiado.
— Olha, Clark, essa história de namoro de mentirinha está indo longe. Você está até parecendo o namorado dela.
Ele desviou o olhar. A frase “namorado dela” até fez o seu coração disparar. Mas ele ainda precisava resolver seus sentimentos.
— Ela é minha amiga e eu estou preocupado.
— Pesquisa — respondeu — Você sabe como ela é. Amanhã é provável que ela nos dê um relatório inteiro do que descobriu.
Ele não ficou satisfeito com a resposta, mas limitou-se a responder com um “ok”.
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Ao chegar em casa, Clark encontrou Lana parada diante da porta do celeiro. Vestindo uma calça jeans justa e com as mãos enfiadas nos bolsos, ela observava o céu de fim de tarde, como se estivesse esperando alguma coisa — ou alguém.
— Lana? — perguntou, chamando sua atenção.
Ela se virou e sorriu.
— Oi, Clark! Tudo bem?
— Tudo bem — sorriu e ajeitou a mochila nas costas — O que faz aqui?
— Eu estava te esperando — respirou fundo antes de continuar — Podemos conversar? — apontou para trás de si, indicando o celeiro.
— Claro.
Ambos entraram e subiram para o andar superior, onde ficava o telescópio de Clark. Aquele que via as estrelas, mas que passou mais noites observando Lana em sua casa.
Ele jogou a mochila em um canto e a encarou.
— E então?
Ela hesitou por um instante.
— Olha, eu nem sei se deveria estar dizendo isso. A verdade, é que eu nem sei porque estou fazendo isso — soltou uma pequena risada nervosa — Desde que o Whitney foi embora, tudo ficou muito confuso para mim. Mas depois de te ver no café ontem… — ela ergueu os olhos e encarou os seus — Eu acho que algumas coisas começaram a ficar mais claras. E eu precisava ter certeza.
— Sobre o que? — perguntou confuso.
Lana respirou fundo. Então deu um passo à frente. E outro. Antes que Clark pudesse entender suas intenções, ela se ergueu na ponta dos pés e pressionou seus lábios contra os dele.
Por um instante, o mundo pareceu parar. Lana Lang estava beijando-o! Quantas vezes não havia sonhado com aquele momento? Quantas vezes não havia ansiado por aquilo? Mas, por alguma razão, não sentiu o que imaginava que sentiria. Apenas uma estranha sensação de que algo não estava certo.
Gentilmente, ele a afastou.
Lana o olhou sem entender. Ambos ficaram se olhando por alguns segundos em completo silêncio. Até Clark tomar a iniciativa.
— Lana, olha, me desculpa… — começou, mas ela o interrompeu.
— Tudo bem. Eu que deveria pedir desculpas — disparou, passando uma das mãos pelos cabelos e dando meia volta — Clark, apenas esqueça que isso aconteceu — pediu, antes de ir embora.
Ele deveria ir atrás dela, mas seus pés simplesmente não se moveram. Ele não queria se mover.
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