A maldição do templo Shintõ e Shinden
2 O fantasma encapuzado
Notas iniciais
– KAORII!! – Uma voz feminina chamou a atenção das duas garotas que estavam perto da janela.
– Tomoe-chan, você chegou, que surpresa – Kaori disse se afastando um pouco de Mei. – Mei, essa é Tomoe-chan a amiga que te falei. Tomoe-chan essa é Mei.
– Olá, prazer em conhecê-la. Eu vim assim que soube que você tinha desmaiado no jardim. O que houve¿ — Tomoe disse se aproximando e preocupada com a mesma. Enquanto Mei apenas observava.
– Ah Calminha Tomoe-chan, eu estou bem. A Mei me ajudou, fique tranquila. Eu estou ótima, vê¿ — Kaori dizia sorrindo para a amiga que tinha os cabelos presos em um rabo de cavalo longo e roxo a sua frente.
– Ah a Mei-sama te salvou¿ Muito obrigada, não sabe como essa garotinha aqui da trabalho. Espero que ela não tenha incomodado. – Tomoe se curvava pedindo desculpava como se fosse a responsável pelas atitudes de Kaori.
– Não, esta tudo bem. Na verdade, ela que me salvou primeiro. Se não fosse por ela, talvez eu nem estivesse aqui hoje.
– Mei, por favor não exagere. Eu não fiz nada de mais.
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– Como ela escapou e ainda por cima derrotou você Hina¿
– Eu não sei Alfa, ela ficou mais forte. Por favor... Me ajude! Os ferimentos não cicatrizam. O meu braço dói! – A loira suplicava para a mulher de longos cabelos negros e máscara.
– Perdoe a minha insensibilidade. Deixe-me ajudá-la. – A mulher de Kimono negro se ajoelhou na frente daquela pobre criatura que sangrava e segurou em seu queixo.
– Alfa... – Ela dizia com uma voz um tanto doce ao estar tão próxima da sua líder. Seu coração estava descompassado.Os lábios da mulher de máscara se aproximaram da loira e os roçou suavemente, como um selinho. A mulher afastou o rosto e disse:
– Hina, você me decepcionou... Sabe que não gosto de falhas! Você sabe o que significa ela ficando viva! E não podemos nos dar ao luxo de perdê-la mais uma vez! – O rosto da loira estava sendo segurado pelas duas mãos da mascarada.
– Eu sei Alfa, eu sinto muito... Não vai se repetir... Eu prometo!
– Eu tenho certeza... De que não vai se repetir – Gritos foram ouvidos da garota loira nesse exato momento. A mascarada estava pressionando o dedo polegar contra o olho esquerdo da loira até o mesmo sangrar e ser arrancado pela mesma. A loira se encontrava chorando agora – você tem uma linda íris... Cor de esmeraldas... Seria uma pena perder outra não acha¿
– S-sim... Seria... – Ela balbuciava ao responder à mascarada.
– Então, da próxima vez não me decepcione! Ou já sabe o que irá acontecer – A moça de kimono levantou-se e jogou o olho da outra fora seguindo em direção a sua cadeira – Garra, trate dos ferimentos da Hina. E convoque aqui à ceifadora. Tenho um trabalho para ela.
– Sim Alfa – Respondeu uma menina de longos cabelos ruivos e de uma voz baixa e doce. O que chamava atenção nessa garota é que sua mão esquerda estava amputada e no lugar da mão haviam garras metálicas, daí seu nome garra.
– Ceifadora, A Alfa esta chamando-a no salão principal... – A ruiva dizia para uma criaturinha um tanto baixa encapuzada e repleta de ataduras pelo corpo.
– Sim. – Sua voz era arrastada, baixa e um tanto fria. Dava arrepios só de ouvir.
– Chamou Alfa¿ — A garota cujo nome era ceifadora estava na frente da mascarada naquele enorme salão macabro de cortinas negras, lustres a velas e um assoalho rústico com alguns carpetes envelhecidos negros.
– Sim! Eu tenho uma pequena missão para você – Disse sorrindo.
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“ Pétalas de Sakuras voavam sem parar, a brisa suave, a calmaria daquele lugar me transmitia uma certa paz.
– Sasa no ha sara-sara, Nokiba ni yureru. Ohoshi-sama kira-kira, Kin gin sunago.- eu cantarolava a minha canção em baixo da flor de cerejeira esperando a Mei chegar como sempre. Nossos pais sempre discutiam sobre assuntos ideológicos de como a Shinigami Enma estava sem almas o suficiente no seu templo e isso acarretaria um desequilíbrio no plano espiritual junto com o Jigoku. E durante vários e vários anos era sempre assim. E foi assim que conheci a Mei, filha de Enma. Eu me apaixonei perdidamente por ela assim que a vi. Ela estava impecável com aquele lindo kimono preto com branco. Seus longos cabelos azuis escuros e olhos também azuis. Ela usava uma fita preta no alto da cabeça, Sempre tão formosa.
– Kaori¿ No que estava pensando¿
– No dia que eu te encontrei pela primeira vez Mei.
– Também me lembro daquele dia como se fosse hoje. – Ficávamos sempre conversando em baixo daquela flor de cerejeira. Como eu amava a Mei. “
– Hã¿ — Kaori se sentou de súbito na cama sem entender o que ocorreu – Que sonhou foi esse¿ eu não consigo entender...
– ahh... – Barulhos eram ouvidos na outra parte da cama da Kaori. Parecia que alguém estava com muito frio.
– Mei¿ — Ela falou baixinho preocupada com a garota de longos cabelos que trajava roupas ainda rasgadas de quando ela a encontrou. – Ela deve esta com muito frio. Eu sabia que ela ia ficar com frio, mas não quis me escutar. Preciso trocar a roupa dela. – Kaori pegou uma longa camisa branca que ela tinha guardado no seu guarda-roupa e começou a tirar lentamente e com cuidado os trajes da garota sem memórias. “Como ela fica linda dormindo, com esses lábios semiabertos... Que pele macia e quente.” Kaori pensava.
– Ahn¿ Kaori... Isso é meio ousado não acha¿ — Mei falava com uma voz sonolentamente sexy e com os olhos preguiçosos.
– N-n-não... É... Na-nada disso que você esta pensando Mei... Eu só queria trocar suas roupas, porque essas estavam rasgadas de mais e você estava com frio – Kaori dizia ruborizada e balbuciando sem parar.
– Esta tudo bem Kaori, pode continuar com o que estava fazendo. – Ela então ajudou Kaori a trocar a roupa e vestiu a camisa longa. E voltaram a se deitar.
– Você parecia esta com tanto frio...
– Aparentei¿ Não queria ter te incomodado.
– Não incomoda. Você chegou a poucas horas e já fez tanta coisa por mim. E eu me preocupei com o seu bem estar, apenas. – Kaori dizia.
– Porque acordou a essa hora da madrugada¿ Teve algum sonho ruim¿
– Não... Eu sonhei com algo que não entendi e nem me recordo direito.
– Ah... É uma pena que não se lembre do sonho. Adoraria saber o que era. Mas você deve descansar.
– Eu sei... Boa noite Mei...
– Boa noite Kaori.
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– KAORII, KAORI¿ Hã¿ onde você esta¿
– Ah Tomoe-chan, você chegou!
– Hã¿ Você já esta acordada¿ Mas... Como¿ Você só acorda quando eu te acordo.
– Ah... Deve ser porque eu estou acostumada a acordar cedo e ela acordou junto comigo, sinto muito se atrapalhei alguma coisa – Dizia Mei usando um uniforme da escolar Kawago, deixando-a extremamente sensual e marcando seus seios e curvas. Enquanto ajeitava a fita preta na sua cabeça.
– Ah não se preocupe. Você vai estudar com a gente é isso¿
– Sim Tomoe-chan, a Madre conseguiu uma bolsa para a Mei hoje de manhã. E como eu tenho mais de um uniforme eu emprestei o meu para ela. Agora podemos ir todas juntas para a aula. – As meninas seguiram o caminho para a escola Kawago, o dia aparentava esta tudo bem. Quando enfim chegaram na sala, Mei foi apresentada para todos.
– Olá, Meu nome é Mei, por favor cuidem de mim. – Alguns garotos e até garotas gritaram coisas do gênero “Como ela é linda” “ Casa comigo Mei-sama” e a mesma foi sentar na carteira atrás de Kaori.
– Como ela fez sucesso rápido não é Kaori-chan¿ – Dizia Tomoe para sua amiga, enquanto isso algumas outras meninas da turma conversavam sobre um novo boato.
– Ah você ficou sabendo¿ Há rumores de dois estudantes desaparecidos e o outro não se sabe – Uma garota comentava para outra.
– Não... O que estão dizendo¿
– Eu não sei ao certo, Mas estão dizendo que na cobertura do colégio no final da tarde, aparece uma garota encapuzada e ela carrega uma espécie de objeto em mãos... Como uma arma. Até parece uma maldição aqui no colégio. – A garota contava para as outras.
– Gente e o que essa garota quer¿
– Ninguém sabe, mas há boatos de que ela suga a vida das pessoas para si!
– AHHHH QUE MEDOO! – diziam gritando – Não quero ter minha alma roubada!!!
– Garotas por favor façam silêncio. Estou tentando dar aula aqui. – dizia o sensei.
– Essas garotas sempre conversam bobagens – Tomoe falou baixo para Mei e Kaori.
– Mas alguém já viu essa tal garota Tomoe-chan¿
– Dizem que ela já foi vista. E a pessoa agora esta no hospital. Mas com toda certeza não é algo sobrenatural. Essas garotas estão só aumentando a história. Seja quem for vai ser preso e entregue para a justiça!
Não demorou muito e o intervalo foi se aproximando.
– Tomoe-chan você viu a Mei¿ Eu não consigo acha-la...
– Eu acho que ela foi para a cobertura... Não sei ao certo Kaori-chan. Porque esse interesse todo¿ Ela é bem grandinha e pode sair perambulando por ai.
– Ela só não conhece o colégio direito Tomoe-chan. Acho melhor acompanha-la. Eu vou procura-la.
– Quer que eu vá com você¿
– Não precisa. Você tem treino agora! Eu vou encontra-la, Tchau Tomoe-chan! – Kaori saiu correndo em direção à cobertura do colégio “Mei, eu só espero que você esteja bem de verdade”
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Enquanto isso na cobertura da escola Kawago. Havia duas garotas no terraço e uma delas estava encapuzada com uma manta preta que balançava conforme o vento. Ela também possuía uma foice enorme. A outra estava com a sua foice também e seus cabelos azuis escuros balançavam.
– Quem é você e o que faz aqui assustando esses jovens colegiais¿ — Mei perguntava apontando a foice para garota encapuzada. Não se podia ver o rosto da garota só se sabia que ela possuía algumas ataduras, porque seu corpo estava repleto por elas.
– Eu vim cumprir minha missão. – ela disse com o tom de voz frio.
– E qual seria a missão¿
– Matar... A traidora!
Não muito longe dali Kaori subia correndo a cada lance de escadas em busca da Mei.
– MEI! – ela disse abrindo com tudo a porta cinza que dava na cobertura. – Ahh Não, MEI!
( Legenda – Jigoku, em japonês faz referência ao inferno )
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