A maldição do templo Shintõ e Shinden
3 A melodia das irmãs Gemini e Goumini
Notas iniciais
Algum tempo antes da Kaori abrir a porta cinza que dava direto para a cobertura. As duas garotas com foices estavam brigando.
– Zanpakuto número 1 alterar para Obiit Domina – Dizia a garota encapuzada transformando sua foice agora em instrumento de tortura.
– “impetum malignis” – Gritou Mei atacando a encapuzada fazendo uma luz brilhante aparecer novamente, chocando seu poder com o do dela. E nesse exato momento quando a luz diminuiu Mei estava no chão com os trajes todos rasgados e vários ferimentos espalhados pelo seu corpo.
– MEI!!! – Logo a porta cinza se abre revelando Kaori com uma expressão preocupada e chocada ao ver Mei no chão completamente ferida – Ah não Mei!
– Hã¿ Mas não é possível! Então de fato vocês se encontraram. – Dizia a garota baixa de manta preta. – Devo cumprir minha missão agora! – Quando a garota encapuzada ia atacar Kaori, Mei apareceu do nada defendendo o ataque dela empunhando a foice com uma mão. – Como ousa impedir o meu ataque¿ vamos ver por quanto tempo você aguenta se defender. – ela disse pressionando seu instrumento de tortura contra a foice de Mei que parecia pesar uma tonelada, devido o peso do instrumento.
– Kaori, Fuja! – Mei dizia bastante ferida.
– NÃO! Eu não vou deixar você! – Kaori correu pegando uma tora de madeira que havia caído no chão com a luta das duas. – Toma isso sua encapuzada! – Bateu nas costas da garota quebrando a tora e a mesma apenas empurrou Kaori para longe com um só golpe fazendo a mesma desmaiar.
– KAORIII!!!! – Mei gritou e conseguiu se livrar do peso do instrumento de tortura da garota a sua frente. – EU NÃO ACEITO QUE NINGUÉM MACHUQUE A KAORI! — “impetum malignis” – Ela atacou novamente a encapuzada, que tentou desviar de seus ataques, sendo acertada por alguns dos golpes.
– Ah... Mei... Eu voltarei. – A encapuzada flutuou no ar e desapareceu. Enquanto isso Mei correu até Kaori e a colocou em seus braços.
– Kaori, aguente firme! – Kaori estava ofegante nos braços da Mei, com os lábios semiabertos. Ela aliviou o laço que estava no pescoço de Kaori para que ela ficasse mais a vontade para respirar. – Kaori... Vamos abra os olhos, acorde. Por favor, eu preciso que você fique bem! – Kaori ainda estava desacordada, então Mei a beijou.
As garotas voltaram para o orfanato e Kaori estava novamente na ala da enfermaria. Para sua sorte não demorou muito para acordar. Quando abriu os olhos a madre do orfanato estava junto com a Mei.
– Kaori, Vejo que finalmente despertou minha filha. Como se sente¿
– Um pouco cansada e dolorida, Mas estou bem.
– Kaori e Mei, preciso falar com vocês duas. – A madre dizia fechando a porta daquele quarto. – Vocês precisam prestar muita atenção no que contarei para vocês.
– Sim. – Diziam as duas juntas.
– Vocês sabem sobre a lenda do templo Shintõ e Shinden certo¿ E das filhas deles.
– Sim Madre, a Mei também já ouviu falar sobre a lenda.
– Isso é ótimo. Agora o que vocês não sabem é a segunda parte. Poucas pessoas do vilarejo ouviram falar sobre a segunda parte dessa lenda. Quando o Deus Amaterasu e a Shinigami Enma amaldiçoaram suas filhas a reencarnarem sem parar por toda a eternidade, ocorreu um outro fato desconhecido por muitas pessoas. Os Shinigamis e até mesmo alguns deuses quando souberam dessa notícia se revoltaram, e ficaram contra o deus Amaterasu e a Shinigami Enma. Eles acharam que esse seria o momento para a queda dos templos Shintõ e Shinden. Sem as herdeiras, os templos ficariam frágeis e esse seria o momento exato para atacarem.
– Mas porque esta nos contando tudo isso Madre¿ — Kaori perguntava um tanto confusa. Enquanto Mei apenas escutava com atenção.
– Desde que o sétimo dia do sétimo mês segundo o calendário lunar... E com o aparecimento das estrelas Vega e Altair, vocês duas andaram sofrendo ataques inexplicáveis. Então só há uma explicação lógica para isso... – A madre que aparentava ter seus 35 anos trajava uma roupa preta que lembrava uma noviça.
– Acha que somos as responsáveis por isso¿ — Kaori dizia assustada.
– Não Kaori, não exatamente. – A madre disse.
– Ela acha que somos reencarnações das filhas banidas dos templos Shintõ e Shinden – A garota sem memórias dizia com os olhos fechados e seus braços cruzados, enquanto Kaori ficava estética com a notícia.
– O QUÊEE¿ nós somos o que¿ — Kaori falava incrédula.
– Ousa Kaori, há motivos para você não acreditar em mim... Mas tudo indica que vocês duas são as filhas de Amaterasu e Enma. As escrituras previam algo assim.
– Mas como eu posso ser a reencarnação da filha de um deus¿ Eu preciso da ajuda da Tomoe-chan para acordar! Não há lógica para isso! Eu acho a lenda bonitinha mais não acredito que eu, Kaori Mikoto seja tão importante assim.
– Kaori eu sei que esta com medo, Mas independente se for verdade ou não, eu estarei aqui para te proteger – Mei dizia para ela com um sorriso cúmplice no rosto. Logo a garota de cabelo rosa ficou um tanto mais aliviada.
– Bom, vou deixar vocês descansarem mais um pouco. – A madre então saiu daquele aposento.
– Precisamos seguir pistas daquelas garotas. Eu não sei quem elas são, Mas elas nos querem mortas! E como a madre falou, talvez elas tenham a ver com a lenda. – Mei sentava na cama ao lado de Kaori que só fazia prestar atenção no que ela dizia e logo falou.
– Por favor Mei, Não vamos falar disso agora. Estamos vivendo um dia mais turbulento do que o outro. Pode só ficar comigo¿
– Claro, Kaori. – As garotas do orfanato descansaram e estavam decididas que depois da aula iriam procurar mais pistas. E descobrir o que fosse possível sobre essa lenda e saber quem estava por trás desses ataques.
Logo um novo dia surgiu. Sendo iluminado pelos gloriosos raios quentes solares. Enquanto nossas jovens estavam se dirigindo para a escola. Em outra parte do vilarejo.
– Como foi o plano Ceifadora¿ — A mulher mascarada falava despreocupada para a encapuzada a sua frente.
– Saiu conforme o plano Alfa. Com a exceção de que eu não consegui almas o suficiente.
– Era de se esperar. Nesse pequeno vilarejo as notícias correm rápido. Saber onde aquela jovem estudava foi muito simples. Eu vou te fornecer uma ajudinha ou melhor... Duas ajudinhas. Gemini e Goumini apareçam! – Da parte mais escura daquele salão apareceu duas garotas idênticas, gêmeas. O que diferenciava era a cor de seus cabelos, uma com cabelos longos brancos e a outra com cabelos longos pretos. Ambas possuíam olhos vermelhos e vestidos no estilo Lolita. – Elas irão auxiliar você no meu plano HÁ-HÁ-HÁ-HÁ-HÁ-HÁ.
– O que devemos fazer Nyah¿ — Dizia a de cabelos pretos que possuía um semblante mais gentil do que a sua outra irmã.
– Tudo ao seu tempo minha doce e delicada Gemini – A mulher de cabelos longos e pretos acariciava o rosto da menor a sua frente, fazendo a de cabelos brancos fazer um barulho baixo de incomodo, enquanto estreitava seus olhos. – Ora, não seja uma criança tola e egoísta Goumini. Sua irmã pertence a você. Mas nada me impede de acha-la bonita. – A de cabelos brancos nada respondeu a não ser fechar os olhos e cruzar seus braços.
– Então essas são as minhas ajudas¿ — Dizia a ceifadora.
– Sim, as Irmãs Gemini e Goumini são donas de um talento descomunal. Elas são as responsáveis de guiar as almas com a sua melodia. Chamada... – A mulher mascarada foi interrompida pela de cabelos brancos como a neve.
– Lullaby. – Diz com uma voz serena.
– Hum... Mal posso esperar para ouvir a doce melodia das irmãs Shinigamis – A encapuzada dizia.
– Alfa, perdoe-me pela interrupção, Hina esta aqui. – A ruivinha de olhos cor de âmbar pronunciava a sua líder a entrada da loira de longos cabelos.
– Mande-a entrar Garra.
– Sim, Ojousama – Dizia a ruivinha reverenciando-a.
E com um braço ortopédico, um tapa olho preto no rosto, Hina entrou naquele salão com um semblante perdido.
– O que deseja minha cara Hina¿
– Há alguma missão para mim¿
– Por enquanto não. Vamos apenas observar os movimentos das irmãs junto com a ceifadora. Meus planos estão saindo conforme o planejado. Não quero que você coloque tudo a perder novamente!
– Sim ojousama – dizia a loirinha curvada com a cabeça baixa, fitando o assoalho antigo daquele lugar.
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– Hã¿ Vocês querem sair com a Mei¿ — Duas meninas e alguns garotos estavam formando uma rodinha em volta da Kaori e Tomoe.
– Sim, Ela é tão incrível, tão linda... AHHHH KAWAI – Dizia uma garota toda eufórica.
– Sem falar nas curvas e naqueles belos par de seios enormes! – Um garoto irritante falava sem pudores do corpo da Mei.
– Olha ela... “Eu preciso pensar rápido, não acho que essas pessoas serão certas para a Mei. Sem falar nesse garoto pervertido” Kaori pensava sem uma desculpa aparente.
– O que estão fazendo todos reunidos¿ — Perguntou Mei ficando do lado da Kaori.
– Er... Nós queríamos saber se você gostaria de sair conosco... – Perguntava uma garota peituda que parecia bem assanhada.
– Elas querem saber Mei-sama, se você esta em um relacionamento com alguém. – Dizia Tomoe de forma simples e natural. Enquanto as garotas atrás ficavam ruborizadas.
– Não, eu não estou em um relacionamento.
– AHHHHHHH QUE BOM! – As garotas diziam todas em um coral.
– Mas não estou disponível, Eu tenho uma missão e ela é proteger sempre a Kaori. Acima de qualquer coisa.
– Mas... Mas... Quer dizer que não pode nem sair¿ — dizia uma das “fãs” Da Mei Ichigo.
– Mei, por favor, não tem que me proteger sempre e sempre. Você pode sair com alguém e curtir. Isso será bom para você, conhecer a cidade. “O que estou fazendo¿” Kaori pensou.
– Se assim deseja a Kaori. Então sairei com uma delas.
Nesse exato momento vinha uma menina desajeitada correndo com longos cabelos cor de esmeraldas e olhos da mesma tonalidade.
– AHHH – ela quase ia caindo quando Mei a segurou impedindo o mesmo. – Arigatōgozaimasu – Ela dizia desajeitadamente tímida.
– Não há de que.
– Por favor Mei-sama, saia comigo – A menina dizia timidamente baixando sua cabeça.
– AHHHHHHH como ela ousa furar fila, eu cheguei primeiro – Varias falavam reclamando da menina tímida de cabelos verdes.
– Eu... Eu não sei – Mei respondeu de forma gentil, mas sem alterar o semblante sereno. Ela olha para Kaori que a fitava.
– AHH Entendo! Se decidir algo eu passarei onde você mora.
– Mas como você sabe onde ela mora¿ — Tomoe tomava a fala.
– Sim, Ela mora com vocês no orfanato da Madre Mizuno. – Tomoe olhou com cara de “ela realmente investigou tudo”.
Enquanto isso no intervalo...
– Você viu a Kaori, Sakurada-san¿ — Mei se dirigia para Tomoe.
– Ela deve esta na cobertura do colégio Mei-sama.
– Obrigada.
Kaori estava sentada no chão fitando o céu e pensando se fez a coisa certa em dizer que Mei deveria sair com outra garota.
– Ai esta você, Porque sumiu de repente¿ trouxe onigiri para você – Mei falava trazendo um bentou para Kaori e sentando ao seu lado.
– eu apenas queria ficar sozinha e pensar.
– Se passa algo¿
– Desde que chegou você tem apenas me protegido e me livrado de todos os ataques sinistros. E eu sou um fardo que tem que ser salva sempre e ainda por cima você abre mão de relacionamentos por minha causa. – Kaori dizia triste e fitando o chão.
– Eu gosto de proteger você e abriria mão de qualquer coisa para passar esse tempo com você. Mas isso esta te causando algum problema... Desde que eu cheguei sua vida corre perigo com mais frequência. Eu sinto muito, devo me afastar.
– Não quis dizer isso, Não é assim. Estou falando que você não se diverte por minha causa. Desde que chegou aqui não me sinto tão só, você me entende e gosta das coisas estranhas que eu gosto. Eu desfruto do tempo que passo com você.
– Mas...
– Mei... Você realmente é maravilhosa e forte. É como a Deusa que a madre falou.
– Não é verdade... – ela disse fechando os olhos – Não é.
“hã¿ Ela parece tão triste de repente... O que será que ela esta pensando¿”
– Achei vocês! – Tomoe dizia entrando na cobertura – Hum... Até que aqui é um bom local para se almoçar. Pensou se vai sair com aquela garota Mei-sama¿
– Ainda não sei. Mas eu e a Kaori temos assuntos pare resolver depois da aula.
– Tipo o que¿
– Temos que da uma saída apenas Tomoe-chan, não se preocupe.
– Não se meta em encrenca Kaori-chan.
– HAY!!
Não demorou muito para as aulas terminarem. Como foi prometido Kaori e Mei saíram em busca de algumas pistas. Decidiram vasculhar por arquivos na antiga biblioteca do vilarejo.
– É tão difícil ver jovens se interessando por assuntos de lendas locais. Hoje em dia só querem aproveitar a vida. Fico feliz em ajuda-las. – Dizia um senhor com uma barba fina e branca. Seu cabelo estava preso em um coque e seu kimono era branco. – Venham por aqui. Esta é a ala de assuntos locais.
– Senhor Kazuma, sabe nos dizer se há algo mais por trás da lenda dos templos Shintõ e Shinden¿ — Kaori perguntava.
– Para ser mais exata depois da expulsão das filhas deles.
– Deixe-me ver... – O velho massageava o queixo coçando a barba em gesto de reflexão. – Bom, Isso não esta previsto nas escrituras. Mas foi uma história contada pelo meu tataravô e que foi seguindo de geração em geração. A última vez que as estrelas Vega e Altair se encontraram a terra passou sete dias em pleno caos. Esse vilarejo já passou por esse caos a muitos anos atrás. Poucos se lembram, porque não tiveram ligações com o ocorrido. Mas eu ainda me lembro... Porque eu vi. Vou contar para vocês antes que me esqueça desse ocorrido de vez. Sinto que aos poucos as lembranças somem! Eu era muito novo, mas ocorria uma guerra entre o bem e o mau por este mundo. Meu pai foi chamado de louco e internado em um hospício, ele morreu e ninguém nunca acreditou no que ele viu. Eu nunca contei para ninguém, até agora. Havia monstros inimagináveis, daqueles que você ver em filme ou que só existe no mundo dos mangás. O céu ficou vermelho como sangue e as duas estrelas pareciam se fundir em uma. Jovens, há uma razão de eu ter revelado isso a vocês e se vocês tem uma missão a cumprir que a execute com perfeição, vocês são a cha... – O velho parou de falar tendo sua alma sugada ao ouvir o som de um violão Cello e uma voz feminina cantarolando.
– Mas o que¿ — Mei e Kaori correram para fora da biblioteca se deparando no alto de um prédio duas mulheres idênticas, uma cantando e a outra tocando um violão Cello magnificamente. E do lado delas a encapuzada planava no ar.
– Eu disse que você me veria novamente Mei! Meninas, comecem com o quinto movimento, Lullaby.
– Sim Nyah! – Dizia a mais fofa, enquanto a outra apenas confirmava com a cabeça. Então a de cabelos longos e brancos começou a tocar em seu cello ( https://www.youtube.com/watch?v=aRqHTeKcHPA ), enquanto sua irmã de cabelos pretos acompanhava com a voz (https://www.youtube.com/watch?v=_eqVlxjbUpY )
– Uhhhh uhhhh uhhhh uhhh uuuuuuuuh.... Uhhhh, uhhhhhh, uhhhh uuuuuh. Ahhhhh, aahhhh, ahhhh, aaaaaah. – Cantarolava a de cabelos negros. Varias pessoas pareciam estar em transe com a música, porque acompanhavam a melodia e suas almas eram sugadas para dentro do corpo da encapuzada.
– Isso! – Ela dizia.
– Kaori é perigoso ficar aqui! Você tem que sair.
– Não vou deixar você aqui!
– O que vamos fazer¿ Essas pessoas, temos que fazer algo! “acutam” – Mei falou e rapidamente surgiu em sua mão direita a foice. “preciso manter a Kaori a salva” ela pensava. O que de fato acontecerá com as almas sugadas pela garota encapuzada¿
( Legenda: Para quem não sabe, Ojousama é uma forma em japonês de dizer moça, senhorita. Arigatōgozaimasu: significa obrigado. Onigiri é uma espécie de bolinho de arroz com alga. )
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