Notas iniciais
1- Acharam que eu tinha desistido desta história, uh? Acharam errado 2- Como todo mundo, eu poderia jurar que o poder do Viperion era de hipnose. Não sabemos se ele faz algo além do Second Chance, mas se não faz, perdoem meu erro. 3- Eu mudei o ativador, para quem achava que tinha spoiler. O Adrien jamais escolheria o ativador do Rhen. Na verdade, o Rhen não tem nada na cabeça em escolher aquele ativador 4- Roda o cap:

Marinette caminhava em silêncio ao lado de Luka, não conseguia deixar de pensar em Adrien por nem um segundo. Desde que se conheceram, no primeiro dia de aula na escola, ela já era apaixonada pelo garoto. Durante muito tempo, ela sofreu pensando não ser correspondida. No dia que ele contou que também a amava, ela pulou de alegria.

Juntos enfrentaram a ideia de que o pai dele era Hawkmoth. Ela sabia que isso abalara muito o rapaz e tudo que ela queria é que ele fosse feliz. Agora, ele a esquecera. Não só isso, a dor enorme que sentia ao seu lado impedia que fossem felizes juntos.

Sem suas lembranças dela, Marinette suava frio só de pensar em como ele estava levando aquilo de ser filho de Hawkmoth. Ela não poderia imaginar como era ter que se deitar sob o mesmo teto que seu inimigo. Pior que isso, saber que o pai que ele tanto amava era na verdade o inimigo. Ele não dividia a casa com o inimigo, o inimigo dividia o corpo com o pai dele. Devia ser traumatizante.

Porém, por mais que se preocupasse com ele, também estava triste por si mesma. Ela sentia que Adrien jamais se lembraria dela, que toda a sua felicidade havia sido arrancada. Ela não tinha nem mais o prazer de fazer seu toque e dizer um alegre “Zerou” depois de derrotarem um akumatizado. Ele ia embora logo, fugindo da dor.

Seu inconsciente tentava pensar no que poderia ser o ativador, mas nada lhe vinha à mente. Já tentaram de tudo no dia em que se beijaram e Adrien desmaiara de dor. Apesar de saber que ficar com Luka era o melhor para seu coração, ela não podia evitar de sentia falta de Adrien.

—Tudo bem, Marinette? — Luka olhava preocupado para a garota

Luka também gostava de Marinette desde que se encontraram a primeira vez, na casa-barco de sua mãe. Era o fia da Fête de la musique e não poderia haver dia melhor para conhecer aquela que se tornou sua amada. Era a trilha sonora perfeita para encontrar alguém de quem gostava tanto quanto música.

Naquele dia ele foi feliz, afinal havia conhecido o amor. Sentiu-se inspirado e criou diversas músicas para Marinette, músicas que ela jamais ouviu. Outro dia, ele foi convidado para ir com ela patinar no gelo, ele achou que a sorte estava a seu favor e era só questão de tempo para que eles fossem felizes juntos. Mas ele percebeu que havia outro.

Seu interesse pelo garoto chamado Adrien, o qual Luka apenas sabia que tocava teclado, era mais que evidente. O interesse dele por era também era bastante visível. Ele só podia se consolar no fato de que havia uma outra menina com eles, uma tal de Kagami. Ela também parecia ter interesse no garoto, talvez estivesse na mesma cituação que ele. Restava torcer para que a sorte estivesse para ambos. Porém não estava.

Ele não sabia o que ocorrera entre Marinette e Adrien, que pareciam estar juntos, felizes e se amando sempre. Todavia, não era difícil entender porque era tão doloroso para ela. Ela devia estar sentindo-se pior do que ele estava. E ele estava pensando que sua amada amava outro. Ela devia pensar que fora abandonada por seu amado, capaz de amar a qualquer outra, que não ela.

—Estou sim Luka – ela suspirou -É só que ainda não sei patinar bem... — ela forçou o riso, tentando tornar crível sua mentira

Marinette sentia-se mal em mentir para Luka, ele realmente se importava com ela. Não a esquecera nem a abandonara, diferente de certos gatinhos. Ela devia se deixar levar e apreciar a companhia de Luka. Tentar esquecer Adrien e o ativador que nunca aconteceria. Ela só queria conseguir esquecê-lo e passar a amar Luka.

—Eu sei que não é verdade, Marinette. — ele abraçou-a, tentando fazer toda a tristeza grudar em si e ir para longe dela

Naquele abraço, Marinette sentiu-se acolhida. Como quando Adrien a abraçava. Era uma sensação única e ela estava surpresa que ele conseguira replicá-la. Talvez isso fosse um sinal afinal, um sinal de que eles conseguiriam ficar juntos e felizes. Talvez Adrien ter aberto mão de suas memórias para protegê-la de seu pai tivesse sido a melhor coisa de sua vida.

Apesar de tudo, da possibilidade de dar tudo errado com Luka, de nunca mais ficar junto de Adrien por causar nele uma dor insuportável, ela perdoou o que fizera. Ele somente pensava em protegê-la de Hawkmoth, foi um último sacrifício por ela, um último ato de amor.

Agora ela sentia esperança, esperança de um recomeço ao lado de Luka. Esperança de que ficasse tudo bem com o seu gatinho. Esperança de que toda a dor que Hawkmoth causara finalmente chegara ao fim. Pegariam seu miraculous logo e tudo ficaria bem. Só precisavam de um plano melhor, e que o próximo que bebesse da poção do esquecimento avisasse qual ativador escolhera.

—Obrigada, Luka. — seu sorriso era verdadeiro agora –Vamos patinar! — ela era decidida, mal podia esperar para passar um tempo com Luka

Quando chegaram na pista de patinação, notaram que estava bem mais cheia do que da última vez. Por algum motivo, pensavam que ainda estaria vazia e seria só eles, como da última vez. Talvez fosse a forte vontade de estarem juntos a sós. Provavelmente a magia funcionaria melhor se fosse desse modo.

Mesmo assim estavam felizes pelo crescimento da pista de patinação, depois das lembranças as quais construíram lá, a última coisa que queriam era que o lugar se perdesse. Foi com um sorriso no rosto que viram a propaganda do Adrien atrair várias pessoas, impedindo que fosse construída uma academia no lugar.

Provavelmente a alta quantidade de pessoas não seria um grande empecilho para se divertirem juntos, de todo modo. Só precisavam focar um no outro e já parecia que eram só eles. Seriam boas lembranças, boas o suficiente para apagar todos os problemas com Adrien da cabeça de Marinette e fazê-la sorrir novamente.

Quando estava com Luka, sentia-se tão bem como quando estava com Adrien. Ela pensava que o segundo era o único motivo de não gaguejar diante do primeiro. Afinal, tinha todas as outras emoções de forma similar. Mesmo assim, sentia-se culpada de ficar comparando tudo o que sentia com o que sentia junto de Adrien. Talvez ela devesse ter tomado a poção, assim não pensaria em Adrien enquanto aproveitava a companhia de Luka.

—Não está dando certo... — disse deprimida -Faça alguma coisa, algo para que eu o esqueça e só pense em você — seu tom era desesperado

—Tem certeza? — perguntou duvidoso, como se o que tivesse em mente fosse fazê-la se arrepender depois

—Sim – ela respondeu enquanto Luka girava-a no ar

Só aquele ato era o suficiente para apagar o gatinho das memórias. Sentia-se tão bem e acolhida junto de Luka, sentia como se pudesse ficar assim para sempre. Ela sorriu, até que caiu no chão e ouviu diversos gritos vindos de todos os lados.

Os gritos logo se transformaram em rugidos e não demorou para perceber que era porque todos estavam transformando-se em Jaguatiricas. Ela temia ser atacada por alguma delas. Por não ver o Luka em nenhum lugar, percebeu que ser atacada por ele era uma ameaça iminente, já que ele estava de seu lado.

Ficou bastante surpresa quando viu uma das jaguatiricas chegar perto dela e ao invés de atacá-la, protegê-la das outras. Marinette fez carinho entre suas orelhas e agradeceu a Luka por ser tão bom para ela. Naquele momento, todos os seus pensamentos iam para ele. Até que ela já tinha fugido e não tinha mais risco de virar uma jaguatirica.

Com certeza estava acontecendo outro ataque de akumatizado e ela não sabia o que fazer. Só enfrenta um akumatizado desde que Chat Noir se esqueceu dela. Nesse ataque, ele se distanciou bastante dela. Era quase como se estivessem lutando independentemente. Ladybug temia que seu parceiro não aparecesse.

—Ele virá — assegurou Tikki, sua kwami, ao ler suas dúvidas em sua expressão -Por que não viria?

—Para não sentir a dor... — disse ela comigo

—Ele é fiel à causa e a você, mesmo sabendo que luta contra o próprio pai. Afinal, quem você acha que ele culpa por perder as memórias de seus momentos felizes com você e ainda sentir uma dor enorme quando está ao seu lado? — Marinette sorriu e se transformou

Ladybug não sabia que forma teria o akumatizado, ele seria também uma jaguatirica ou um humano? Ela subiu até o topo da Torre Eiffel para ter uma vista melhor e identificar o akumatizado. Não estava totalmente certa quanto a vinda de Chat Noir, mas decidiu confiar em Tikki.

—Ladybug! — ouviu uma voz familiar ao longe

—Chat Noir! Você veio! — ela pulou de alegria e se culpava por esperar uma traição infundada de seu parceiro

—Sim, eu... — ele parecia sério

—Veio desistir oficialmente do miraculous? — seu ânimo foi embora

—Não! — ele a corrigiu rapidamente –Eu vim pedir desculpa, falei com o Mestre Fu e...

—Ah, você falou com o Mestre... — sabia que as coisas ditas teriam uma séria influência e desanimou

—O que eu quis dizer é que eu fui cruel com você, gostaria de voltar atrás.

Marinette já podia perceber o que se passava, o ativador provavelmente aconteceu e agora ele se lembrava de tudo. Devia ter falado com o Mestre justo para fazer o ativador acontecer. Ele lembra-se dela, de todo o amor que tinham. Seus olhos brilharam de alegria.

—O ativador? — perguntou, sem conseguir conter-se

—Infelizmente não.

—E que voltar com o namoro?! Eu fui clara: Nem se o ativador...

—Eu desmaiaria cada vez que nos beijássemos! — ele cortou-a -Não se lembra? — disse irritado –Mas eu fui um péssimo parceiro, Ladybug. — seu tom era calmo e triste –Mestre Fu e você me falaram da nossa sincronia, eu posso aguentar a dor. Somos parceiros, temos que agir juntos. Doa a quem doer.

—Sabia que nunca trairia sua Lady – Ladybug disse sorrindo para ele antes de ir atrás do akumatizado, que já localizara

—Minha Lady, uh? — Chat Noir sorriu antes de ir atrás dela

O akumatizado era mesmo uma jaguatirica, porém não era um problema diferenciá-lo dos outros. Ele era uma jaguatirica maior do que as outras e exibia o objeto onde o akuma provavelmente estava em uma de suas patas. Uma pulseira, como outro akumatizado que enfrentaram, o Animan.

—Não parece tão difícil, posso capturá-lo com meu ioiô e você pega a pulseira. Ao contrário de Animan ele não pode virar outro animal – em poucas palavras explicou o caso ao ver a confusão na cara de seu parceiro, esquecera que ele não recordava de nada

—Ele pode nos transformar em jaguatiricas enquanto está preso. Então você não poderia usar seu ioio para prendê-lo e eu não poderia pegar a pulseira, — Ladybug podia ver a força que ele fazia para dizer aquilo, devia estar tonto de dor –My lady. — encerrar a frase com esse apelido bambeou as pernas da heroína

—Precisamos de cobertura, então. Talismã! — seu poder lhe deu um spray de pimenta

—O que vai fazer com isso? Steak au poivre?- ao ouvir isso, ela ficou feliz que ele estava voltando a ser ele mesmo -Não era má ideia, agora bateu uma fome...

—Seus olhos vão arder e ele vai atirar a esmo. Se for rápido pode pegar pulseira assim que eu o prender.

—Isso não vai machucá-lo?

—Quando eu jogar meu talismã para cima será como se ele nunca tivesse sido acertado.

Ao ter que explicar tudo isso para Chat Noir, Ladybug pensou em como suas lembranças foram alteradas. Em suas memórias sem ela ele tinha que se virar sozinho, sem contar que tudo voltaria ao normal depois. Ainda mais com o miraculous da destruição, ela morreria de medo de fazer algo irreversível.

Apesar de Chat Noir ter virado uma jaguatirica no processo, ainda assim ele foi capaz de quebrar o objeto com o akuma. Afinal, era só pisar em cima da pulseira. Por incrível que pareça, ele sentiu-se bem sendo uma jaguatirica. A dor que sentia em estar perto de sua parceira se fora. Ele só sentiu novamente quando o talismã foi para o alto e tudo voltou a ser o que era.

Ele foi até a garota e esticou o punho. Podia não se lembrar do toque, mas lembra-se de ter ouvido falar nele. Sabia que era o melhor jeito de se redimir com ela, o melhor jeito de dizer que tudo estaria perdoado, que tudo estaria bem. Ele só torcia para que não doesse tanto. Estava tão fraco que sentia como se fosse cair à qualquer momento.

—Zerou? — soou como um pedido de desculpas

—Tem certeza? — ela sabia que doeria muito se tocassem um no outro, todavia ele assentiu

—Zerou! — disseram juntos tocando os punhos

No mesmo instante Adrien desmaiou, assim como no dia em se beijaram. Ela sabia que não deveria ter feito o toque com ele, era por isso que terminaram afinal. E ela o culpava... Estava tão arrependida agora... Não sabia o que fazer, se chegasse perto atrasaria sua recuperação de sentidos. Se o deixasse ali estaria à mercê de todos.

Por fim decidiu-se, subiu até o telhado de um prédio e o deixou lá. Precisava ficar longe se quisesse sua recuperação e sabia que ele conseguiria sair dali depois.

Pouco tempo depois, ele acordou. Ladybug já estava longe, mas Adrien ainda podia vê-la, um pontinho vermelho distante.

Ele não sentia mais dor, talvez porque ela já estava longe. Ele admirava muito sua Lady, ela sempre priorizava os outros em detrimento de si mesma. Lembrou –se do dia do ataque de Volpina, onde estava disposta a entregar seus brincos para salvar cidade, e ele. Sentia-se sortudo em pensar que tinha uma garota dessas junto dele.

Ele lembrava-se de Volpina! E de Ladybug! Lembra-se de todo o resto que envolvia ela, do plano, do preço, do medo de esquecê-la. O ativador acontecera! Ele não sentiria mais dor ao lado de sua Lady, poderia voltar para ela! Estava tão feliz...

Agora lembrava-se do ativador. O toque, é claro. O que mais poderia indicar que tudo estava bem?

Notas finais
Obrigada por lerem até aqui, espero que tenham gostado, comentem o que acharam e até mais