A love to kill

2 Capítulo 2 - I'm a wolf and you're a beauty.


Notas iniciais
Espero que gostem :) Boa leitura ^^

Ontem foi definitivamente o dia do Scott. Houve almoço, houve lanche, houve jantar, tudo em honra do eterno conquistador do mundo. Hoje, nem uma alma se encontrava em casa. Minha mãe regressou ao trabalho depois de uma semana de férias, Adrian também voltou para o seu posto, reencarnando o grande xerife da cidade, e a coisa irritante -Scott — tinha saído com os amigos para o primeiro dia de farra em plena Califórnia. Sobrei eu e a casa.


Freneticamente eu andava de um lado para o outro arrumando a lixeira que tava o meu quarto, fazendo de tudo para não ouvir sermão da Dona Melissa, quando senti aquele cheiro. Estremeci.


Meu corpo gelou novamente e meu coração acelerou. Parei. Era incrível como só o cheiro me imobilizava. O cheiro dele. Rapidamente virei a cabeça em direção á janela do meu quarto, era puro instinto, pousei o pano laranja em cima da cama e fui abrir a janela. E lá estava ele. Derek.


Eu me sentia a maior das idiotas do mundo. A minha condição de loba estava controlada, eu me controlava, mas porquê que eu não conseguia simplesmente ficar quieta quando sentia a sua presença? Porque eu não conseguia controlar a vontade que eu tinha dele?


Mas havia uma pergunta que era a chave de todas: Porque eu não consigo odiá-lo?


O olhei. Ele estava lá. Como sempre estava. Encostado a uma árvore. Com os braços cruzados, me olhando de volta.


–Posso subir? -Perguntou quebrando o silencio. Pode.
–O que você quer? -Tentei ao máximo ser rude. Isso tinha se tornado o meu passatempo ultimamente.
–Falar com você.
–A gente não tem nada para falar. -O olhei, tentando transmitir raiva. Ele por sua vez, em um segundo subiu até a minha janela em um salto, me impedindo de a fechar. Recuei então uns passos permitindo a sua entrada. Entrada no meu quarto.
–Ally… -Ele começou a falar. Eu interrompi.
–Sai daqui, Derek. -Ordenei.
–Não adianta, eu não vou sair.
–Vai sim, nem que eu tenha que obrigar você a sair. -Ele riu.
–Então me obrigue, Ally. -Ally. Era demasiada a doçura com que ele chamava o meu nome. Era…demasiada. Era algo que chegava a doer ao ouvir.


Ficamos minutos nos encarando. Eu não deveria ter deixado ele entrar no meu quarto. Não devia sequer ter sentido o seu odor que tanto me perturba. Eu não deveria estar olhando aqueles olhos que eu sabia que me queriam, que imploravam por mim. Oh, Deus.


–Daqui a nada minha mãe chega Derek, vai embora.
–Vou sim. Mas só depois de saber o porquê de você estar me evitando.
–Te evitando? Eu não estou te evitando. Pronto, agora sai! -No meio da atrapalhação consegui ser agressiva. Ele avançou dois passos. Eu recuei um.
–Está sim Ally. Faz tempo que você tem fugido de mim. Não liga mais, não aparece na floresta. Na noite do confronto mal falou comigo. O que tá acontecendo com você? -Suspirei. Como eu queria contar…Fui ao encontro do seu olhar confuso, de novo. Ao faze-lo relembrei a primeira vez que vira aqueles olhos. Derek… Eu me sentia grata, apesar de tudo.


Derek é um lobo pertencente á minha matilha. Na verdade, eu é que pertenço á matilha dele pois eu me juntei a eles faz pouco tempo. É verdade, eu já fui humana, mas nem lembro mais de como é ser normal. Naquele fatídico dia eu estava voltando do colégio, a pé. Nesse dia minha mãe tinha se esquecido de me pegar e apesar da tremenda tempestade que estava se formando em Beacon, eu rumei até casa a pé. E essa foi a ultima caminhada que eu fiz como humana.


Rapidamente a chuva caiu e eu ainda estava em plena estrada, tentando chegar em casa. Na altura o colégio era longe pra caramba, mas eu arrisquei. E foi aí que um carro se descontrolou e bateu em mim. Aquela pancada me arrastou por um monte abaixo, essa foi a primeira vez que eu a vi, a floresta. A tão temida floresta. Ao cair, ouvi aquele carro pegar e seguir. Como se nada tivesse acontecido. A dor que eu tava sentindo foi uma coisa que não dá para explicar. Meu corpo rebolou até á floresta e eu nem conseguia perceber o que tinha acontecido. Tudo no meu corpo doía. Minhas pernas, minhas mãos, minha cabeça, meu tronco, tudo. E inevitavelmente eu vi sangue. O meu sangue. E não sei como, aí, tive a certeza que iria morrer. Imaginem, eu atropelada, caída na floresta, sozinha. O que mais poderia acontecer senão a morte? E eu estava certa, pois uma parte de mim tinha morrido naquele dia.


Eu lutei até quando pude. Tentei juntar todas as minhas forças e lutar contra algo que estava me fazendo ceder. E foi nesse momento por entre as arvores, que o vi. Diante de mim estava um lobo. Grande, preto e de olhos amarelos dourados. Agora sim, estou morta. Pensei.


O lobo veio até mim em passos brandos, sem nunca tirar seus olhos de mim. E de repente se ergueu, regressando á sua forma humana. A dor que se seguiu depois foi quase impossível de suportar. Uma dor que acabou com a minha vida simples e monótona, dando lugar a uma vida de loba, de besta. Aquela dor… A transformação.


–Tá tudo bem, Derek. Agora vai embora. -Parei de lembrar e olhei o chão, contendo possíveis lagrimas. Ele avançou mais dois passos. Eu recuei um. Meu coração excedeu o limite de velocidade.


Seus olhos castanhos voltaram á cor dourada. Ele avançou o mais possível. Eu recue….Puts, a parede. Senti seu cheiro mais perto que nunca. Acho que nunca tinha estado tão perto dele como agora. Tão perto do seu corpo, tao perto da sua boca. Tão perto que poderia morrer pela segunda vez.


Seus lábios vieram brutalmente contra os meus. Suas mãos ásperas se entrelaçaram entre minha cintura e me puxaram ainda mais para ele. Eu não tive reação. Estupidamente cedi ao beijo. E isso era tudo o que eu não queria. Eu não queria a sua presença, o seu cheiro, o seu gosto…eu não queria nada que meu corpo depois pudesse implorar. Derek, maldito.


–ME LARGA, DEREK! -Inesperadamente eu o afastei de mim. Afastei o mais que pude criando uma distância de segurança. -O que você pensa que está fazendo? -Em um ato maldoso e cruel levei minha mão direita até minha boca e…limpei aquele gosto.
–Eu… -Ele pareceu confuso com o meu ato. -Allison, eu te amo.

"Eu te amo"


–Mas eu não, Derek. -O fitei, revoltada. -Eu não sinto nada por você. Eu me afastei sim, me afastei porque simplesmente não quero continuar brincando de lobo com você.
–O que está…?
–Acabou. A amizade. Eu cansei de você, Derek. Cansei. -Seu olhar dourado se fortificou. Agora ele estava furioso. -Eu te odeio!


Você tem que acreditar, Derek…

Notas finais
:D