A love to kill
3 Capítulo 3 - Scott e Malia.
Passei a tarde remoendo naquele beijo. Era difícil não pensar. E o medo, esse me perseguia. Não era medo dele, mas medo que ele voltasse, porque eu sei que ele volta. Eu o conheço melhor que ninguém.
–O Derek e alguns da matilha foram até outra cidade, só devem voltar amanhã. -Laura me acalmou.
–Tabom. Mas aconteceu alguma coisa?
–Não. Acho que foram só caçar. -Só caçar. Não era só caçar. Era um pretexto para fugir do meu odio.
–Tá, obrigada. Tchau. -Me despedi de Laura.
Mas era melhor assim, ele longe. Com ele perto tudo seria mais complicado e mais difícil de controlar. Abanei a cabeça, tentando não pensar em mais nada relacionado com aquele lobo.
–Filha, eu e o Adrian vamos sair. Você quer vir com a gente? -Minha mãe e Adrian estavam prontos para a noite.
–Não, eu fico por aqui.
–Tá, a gente não volta tarde.
–Tá. -Dei um beijo nela e fui para o quarto. O quarto.
Antes de entrar pude verificar que Scott ainda não se encontrava em casa. Mas onde é que aquele garoto anda? Provavelmente na farra. Como sempre. Nisto, meu celular toca. Vei, falando no diabo. Era Scott.
–Alô?
–Oi maninha linda. -Aquela não era a típica voz safada do Scott. Era só a voz safada do Scott mas com ligeiras alterações. Álcool.
–Você tá bêbado, Scott?
–Bêbado? Eu? EU NÃO TO BEBADO NÃO! -Pois claro que não.
–Scott, sua besta, venha para casa.
–Manina, vou não. Eu vou é naquele…naquele p-penhasco. EU QUERO SALTAR E SER FELIZ! -Penhasco, tá, se joga. Mal não faz.
Penhasco. Penhasco? PENHASCO?
–PENHASCO? QUE PENHASCO, SCOTT?
–pi pi pi..-A chamada caiu.
Puta que pariu. Aquele imbecil estava na floresta. Meu corpo gelou e eu entrei literalmente em pânico. Sem tempo a perder vesti um casaco quente e fui correndo para a floresta. Eu não corria, eu voava. Na minha cabeça só surgia a imagem do Scott perdido na floresta com uma matilha lá. Era morte certa.
Percorri todos aqueles montes que eu conhecia como a palma das minhas mãos. A noite estava linda, silenciosa. Silêncio. Sinal de perigo. E o cheiro… Eu sentia a presença deles. De lobos com sede de sangue, de carne. Parei. Os odores me levavam para o lado oposto do penhasco que Scott tinha falado. Me confundiu. Me baralhou os sentidos. Se Derek estivesse aqui…A matilha estava quase toda na outra cidade. Eu estava completamente sozinha.
–Auuuu. -Um uivo.
Senti o uivo. Merda. NORTE! É PARA NORTE! Eu tinha a certeza. E estava certa.
««
Corri em direção ao lobo castanho que estava quase em cima de Scott. Era dos grandes. Rapidamente nos envolvemos em um confronto com direito a tudo. Lutei feio e só fiquei verdadeiramente satisfeita quando cravei meus caninos afiados naquele pescoço e quando espetei minhas garras no seu peito. Rosnei, ganhei.
Um pouco atrás de mim estava Scott. Caído no chão. Completamente aterrorizado. O olhei, voltando á forma humana. Bem diante dele. Naquele momento não me importei com nada. Não me importei comigo, e muito menos no que ele ia pensar quando visse. Fui egoísta. Scott ficou mais aterrorizado ainda quando viu eu voltando a ser a “Allison”, com a boca e o corpo cobertos de sangue. Mais uma vez, fui egoísta.
–All-i-sson? -Ainda incrédulo, falou.
–Tá machucado? -Perguntei, me limpando.
–Você é…?
–Tá machucado, Scott? -Cheguei perto para ver se o safado se tinha machucado. Ele não se moveu. -Hum, vejo que não. Ainda bem né. -Falei.
–VOCÊ…
–Sim Scott, eu sou uma loba. -Falei, revirando os olhos e ironizando um pouco. Não sei se dizer aquelas palavras adiantava de alguma coisa, na verdade nem sei se ele as tinha escutado direito, ou entendido direito. O certo é que o safadinho não se conteu de tanta…emoção e…desmaiou. Pobre Scott.
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–ACORDA, SCOTT! -Berrei, atirando com um jarro de água fria na cara dele. Com sorte conseguimos chegar antes que os pais.
–AI MEU DEUS! ONDE EU TOU? -Ele acordou com o choque térmico.
–Tá em casa. -Ele me olhou.
–Meu deus. -Ele levou aos mãos á cara, esfregando os olhos. -Acho que tive um sonho muito estranho. -Suspirei.
–Não foi um sonho, Scott. -Falei.
–É QUE FOI UM SONHO MUITO MAS MESMO MUITO ESTRANHO…EU TAVA NA…E…VOCÊ…ERA….UMA…-Ele parou, me olhando. -Uma…
–Loba. -Completei. Ele ficou estático.
–Não foi um sonho. –Ele finalmente entendeu.
–Não.
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–Tá sóbrio? -Quebrei o silêncio.
–Sóbrio demais.
–Vá, Scott. Vamos descomplicar a situação.
–Descomplicar? Ontem quase fui devorado por um lobo que mais parecia duzentos elefantes juntos e para completar a noite, sou salvo por uma loba, que por sinal é nada mais nada menos QUE A FILHA DA MULHER DO MEU PAI. Como faço para descomplicar isso?
–Scott, você não vai contar isto para ninguém. Ninguém daqui sabe. Nem a minha mãe.
–Mas como…? Como é que você é uma loba?-Tantas perguntas…
–Tá, faz um tempo que eu tive um acidente e fui brutalmente atropelada perto da floresta. Na altura já havia esses rumores que haviam lobos, mas não era nada de significativo, então eu estava quase morrendo quando um…lobo…me salvou.
–Te salvou?
–Eu estava morrendo. E ele…me mordeu e me salvou.
–Nossa, isso é…-Ele parou para pensar. -MUITO BOM!
–Não, Scott, não é muito bom não. Agora você vai fechar essa boca e não vai contar para ninguém. E repito, Ninguém!
–Tá tá, eu não conto. Mas e aí, não quer me morder? -Modo safado on.
–Idiota. Eu te avisei para não ir lá. Seu pai te avisou. O que te deu ontem hein? Que inconsequente!
–Eu bebi demais, pronto. Mas e você?
–Eu o quê?
–Não tá machucada?
–Um pouco, nada demais. -Menti.
–Desculpe.
–Porquê?
–Por você se ter machucado por minha causa.
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–Alô, Malia. -Pensei em como atender aquela chamada, mas como Lydia havia dito uma vez, eu não podia evitar as coisas.
–Oi, loba. -Idiota.
–Oi. Como você está?
–Bem. E você?
–Estou bem. -Menti.
–Sua mãe te contou?
–Sim.
–Nossa, que entusiasmo, minha irmã. -É, eu era fácil de mostrar meus sentimentos, mesmo que não quisesse.
–Idiota. -Suspirei.
–Finalmente estou quase voltando. Não vejo a hora de colocar meus pés em Beacon Hills.
–Eu sei. -Eu sabia. Eu sentia. Ela tava doida por voltar. Não era a cidade que ela queria, nem a família que a estava esperando. Era outra coisa.
–E…O Derek, está bom?
Uma parte de mim não suportava nem ouvir a voz da Malia ultimamente. Era como se eu tivesse deixado de ter algum tipo de afeto pela minha irmã. Isso me matava por dentro. A Malia estava louca por voltar porque ia conhecer Derek. Algo que eu lhe tinha prometido faz muito tempo. Bem no fundo eu sentia que lhe devia isso, na verdade eu lhe devia tudo. Malia também é uma loba. Tal como o sangue de Darek corre em mim, o meu sangue corre nela. Sim, eu a mordi. Em um momento de fúria descontrolada, eu a mordi. A transformei em uma besta e aquela doce e frágil menina nunca me cobrou isso. Isso era o que mais me irritava. Malia se conformou no primeiro minuto como loba de que era uma…loba, e que nada mudaria isso. Então se conformou e aprendeu a viver uma vida dupla, sem nunca me culpar. E um dia, quando dei conta, Malia guardou todas aquelas conversas que eu tinha com ela sobre Derek, e inevitavelmente, se apaixonou. Se apaixonou pela ideia, pela figura. E apartir desse momento, tudo mudou.
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