A love to kill

1 Capítulo 1 - Allison


Notas iniciais
Boa leitura :'D

A partir daquele momento, tudo mudou.
-Allison, você ouviu o que eu disse? – Irritada, minha mãe me trouxe de volta á realidade.
-Sim, mãe. O café tá ótimo. -Lentamente mastiguei as últimas migalhas de pão que restavam na minha boca, tentando fugir novamente para a noite passada. A noite passada… Tinha sido mais uma daquelas noites duras e violentas. Mais uma noite em que a morte e a guerra tinham sido protagonistas, mais uma vez. Mas era sempre assim. Sempre que havia um confronto entre matilhas eu ficava assim. Os confrontos era algo que me afetava mais do que aquilo que parecia. Me afetava ao ponto de pensar que eu já não era uma loba, mas sim uma assassina.
-Você não ouviu nada daquilo que eu te falei Ally. Está tudo bem, filha? -A encarei.


Era difícil encarar aquele ser, a minha mãe. No meio de tantas coisas que eu queria estava a vontade de lhe contar as coisas. As coisas que aconteciam na minha vida, os meus objetivos de vida, as minhas amizades, as minhas paixões, os meus amores, como uma adolescente normal. Mas isso era impossível. Talvez pelo simples fato de eu não ter nada de bom na minha vida para lhe contar.


-Desculpa mãe, eu dormi mal, apenas. -Menti. -Mas o que você estava dizendo mesmo?
-A Malia tá voltando para passar as férias connosco. -A Malia…
-Quando?
-Próxima semana. – Fazia tempo que eu não via minha mãe assim, entusiasmada. O seu rosto transmitia a felicidade de estar perto de voltar a reencontrar Malia, a filha que ela sempre quis ter. Malia é a minha irmã, filha do meu pai, somente.
-Hum. -Próxima semana…Engoli seco.
-Não tá feliz por rever a sua irmã? -Aquela pergunta ecoou na minha cabeça. A olhei.
-É claro que estou! -Não menti.


É verdade, não menti. Mas também não sei se era verdade, se estava feliz. Na verdade eu não sabia mais o que pensar. Minha cabeça estava transformada em um turbilhão de pensamentos que lutavam uns contra os outros, me fazendo perder a noção de tudo. Me fazendo perder a razão. Mas mesmo assim, isso ainda não era nada comparado ao estado em que estava o meu interior. Fisicamente eu estava cansada, magoada depois do confronto com os lobos. Mas interiormente, as feridas eram maiores.


A Malia estava voltando do Canadá. Voltando para trazer á tona tudo de ruim que eu tinha dentro de mim. Todos os pensamentos, todas as sensações, todas as culpas. Malia estava voltando, para ficar.


Lydia estava certa.
««
-Nossa, como você cresceu irmãzinha. -Puts. Incrivelmente eu esqueci.


E lá estava ele, bem diante de mim. Scott. O maldito Scott. Aquela figura ridícula de playboyzinho sem noção. O filho do marido da minha mãe. Aquele que também estava de volta da sua viagem pela europa. Como você foi esquecer?


-E você continua o mesmo. -Falei, irónica. Ele fez aquele sorriso safado e me presenteou com um “carinhoso” beijo na bochecha.


Fazia um ano que não via Scott, e de fato, ele estava mudado. Fisicamente. Toda aquela estrutura física de menininho tinha desaparecido e dado lugar a um tronco definido, ombros largos, cabelo sensual e cara de…safado. Isso era o que parecia continuar igual, a safadeza. Tudo naquele ser sempre foi safado. Os gestos, o tom de voz, os olhos, a boca, tudo. Era totalmente irritante. Sorri.


Rapidamente nos juntamos todos na mesa, prontos para iniciarmos o almoço. Minha mãe, Adrian, Scott, eu. Um retrato de uma família quase feliz. Todos rindo, conversando…Por breves momentos me senti enquadrada no mundo, e foi uma boa sensação. Apesar de ser por breves momentos.


-E então filho, me conte tudo! -Adrian não se continha de tanta felicidade ao ver o filho junto de si.
-Calma, calma. Terei muito tempo para contar tudo. -Mal minha mãe serviu Scott, ele atacou o prato, completamente faminto. -Tenho que admitir, Senhora Melissa, que seus dotes culinários estão cada vez melhores.
-Obrigada, querido. Coma bastante. Você está muito magro, Scott. -Minha mãe sempre exagerando.
-Magro mãe? Olha bem para ele, tá um obeso quase.-Brinquei.
-Engraçadinha, Ally. Você é que deveria, não sei, fazer um pouco de exercício.
-Tá me chamando de gorda?
-Gorda nada maninha, tá perfeitinha. -Scott me lançou um olhar sedutor.
-Scott, pare de tentar seduzir a minha filha.
-Amor, eles faziam um belo casal, você não acha? -Adrian e as suas benditas frases.
-Adrian, coloca o volume do televisor no máximo! Tá começando o noticiário. -Minha mãe quase berrou, saltando na mesa. Adrian aumentou o volume do televisor, chamando a atenção de todos.
-Bom dia, iniciamos este noticiário com uma notícia de última hora, foi encontrado mais um corpo na floresta de Beacon Hills. A vítima era um caçador local e a causa da morte ainda está por apurar, mas existe fortes suspeitas que tenha sido mais um ataque de lobos.


Ataque de lobos, que ridículo. Pensei.


-Lobos? Mas ainda tem lobos aqui? -Scott perguntou, admirado.
-Infelizmente tem. Esses animais deveriam ser todos mortos. Mas ninguém faz nada nesta cidade. -Adrian é o típico homem com ideias machistas e muito rebuscadas. Magoei, Adrian.
-São animais. -Falei, mesmo sabendo que a opinião deles sobre os lobos não era a melhor.
-São bestas, Alison. Quantas pessoas já foram mortas na floresta este ano?


Verdade.


-Nem tudo o que acontece nesta cidade é culpa dos lobos. Também existem assassinos aqui, sádicos, psicopatas, não apenas lobos. -Muitas vezes, muitos dias, muitas noites, eu odiava aquela tinha virado a minha raça, mas por muito que eu lutasse nada mudaria o fato de eu ser uma deles, e por isso, a todo o custo, eu os defendia e tentava justificar as minhas ideias. Em vão.
-Mesmo assim, quero vocês dois bem longe daquela floresta.-Como eu poderia ficar longe do meu lar?
-Não é aquela floresta que tem um penhasco enorme, bom pra dar uns mergulhos? -Todo o mundo parou de comer, até eu, e encaramos Scott. Aquela cara de “mergulhos, penhasco”. Scott tava querendo.
-Não, não é Scott. Pode tirar qualquer ideia que tiver na sua cabeça relacionada com a floresta. -Adrian falou, quase furioso.
-Seu pai tem razão. A floresta não é segura.-Inconscientemente falei.
-Mas você acabou de dizer o contrário.
-Não, eu não disse o contrário. O que eu disse foi que não podemos culpar os animais por tudo o que acontece no mundo. Mas de fato, a floresta não é segura. Pois continuam havendo assassinos e sádicos por ai.
-Mas…-Ele ia tentar argumentar.
-Mas nada Scott. Continue comendo. -Adrian, autoritário.


A insistência de Scott me preocupou. Ele sempre foi assim, radical, doido e de ideias fixas. Mas aquela ideia…não era nada boa ideia. A floresta era segura, para mim, para Derek, para a alcateia, e até para Malia, mas para os humanos poderia ser perigoso nesta altura. Uma nova matilha pousou aqui em Beacon Hills. No início pensamos que iria ser uma mistura cordial, mas não. Depois dessa nova matilha ter chegado aqui muitas mortes ocorreram. Mortes de humanos, de inocentes. Mortes desnecessárias que poderíamos ter evitado. E é por isso que agora, com a guerra das matilhas, não é bom ninguém pisar a floresta.

Notas finais
=D