A lenda de Spyro: A nova era (Livro 1)
1 O dia depois do fim.
Notas iniciais
Algumas horas após o ocorrido no covil do Mestre das Trevas, Spyro abre, lentamente, seus olhos. Ele levanta a cabeça do chão e sente uma dor intensa correr sua espinha o fazendo fechar os olhos e tentar resistir a dor. Ao abri-los novamente o dragão roxo olha para o próprio corpo, percebendo várias feridas do qual o sangue já não brotava mais, exceto uma. Abaixo de cada ferida havia um rastro vermelho correndo de seu corpo até o chão, onde tinha uma grande poça de sangue, que tingia sua barriga, antes amarela ouro, agora de vermelho vivo.
Horrorizado por perder tanto sangue, ele lambe duas vezes a ferida que continuava a sangrar, franzindo o focinho devido a dor da sua língua massageando a ferida. Ela sessa o sangramento com isso, então olha em volta. Estava em uma gigante planície, sem árvores, lagos ou cavernas. Havia um bando de cervos adiante, o que não deixava a paisagem tão "morta".
Spyro arregala os olhos e começa a olhar em todo lugar freneticamente, procurando por Cynder, a achando à alguns metros atrás dele, deitada inconsciente.
—CYNDER! -Grita ele enquanto tentava se levantar, mas seus músculos não o sustentavam.
Após a terceira tentativa mal sucedida de se levantar, decide então se arrastar até o corpo de Cynder, deixando um rastro de sangue na grama por onde passava.
Minutos se passam até que Spyro chegasse no corpo de Cynder. Ao chegar perto o suficiente, ele coloca a cabeça no peito dela e suspira de alívio ao ouvir seu coração pulsando.
Ele sabia que não seria capaz de acordá-la, então decide ficar deitado lá até que ela acordasse. Ao fazer isso, sente um frio na barriga, o que o faz se afastar e perceber uma poça de sangue gigante que brotava de baixo de Cynder, antes não percebida por sua atenção em simplesmente chegar perto dela.
—Ela continua sangrando!? Quanto sangue... Se ela perder mais uma pouco... -Nisso ele sacode a cabeça expulsando tais pensamentos. Então contorna Cynder e fica de frente para ela.
Todas as feridas, nas patas, braço, tórax, pescoço e cabeça, estavam sangrando lentamente.
Spyro se aproxima mais e começa a lamber, delicadamente, cada ferida. Devido a quantidade, demora mais de meia hora para que ele fizesse todas as feridas pararem de sangrar e o gosto de ferrugem do sangue ficava predominante em sua boca. Ao acabar olha ao longo do corpo dela para ver se havia alguma outra ferida sangrando.
Quando ele olha para a cabeça de Cynder, porém, uma gota de água cai na ponta de seu focinho, chamando sua atenção para cima. –Ótimo! Tudo o que eu queria agora! -Procura algum lugar para se esconder, mas não encontra nada além de grama e mais grama. -Excelente!
A chuva aperta e passa de chuva para tempestade em minutos. Spyro tentava cobrir Cynder com as asas, mas a água estava vindo na direção do rosto dela, impedindo-a de respirar, o que fazia ele usar uma asa para proteger o nariz dela e a outra para o resto todo do corpo.
—Assim ela vai ficar doente! —Pensa. -Preciso cobrir ela inteira... -Nesse momento lhe ocorre uma ideia.
Como já havia passado horas, ele se levanta lentamente e com as pernas bambas, prontas para se partir. Ele atravessa uma pata dianteira por cima de Cynder e a aterrissa do outro lado. Ao se sentir firme, faz o mesmo com a outra pata. Estando de atravessado sobre Cynder, ele se deita, carinhosamente, em cima dela, abre completamente as asas e repousa sua cabeça nas patas dianteiras. Desse modo, Cynder ficando completamente coberta por suas asas.
Ele tremia de frio descontroladamente, mas se mantinha lá. Não parava de pensar nas palavras de Cynder no covil de Malefor: "Eu te amo.".
Após quarenta minutos de tempestade incessante, quando as poças de sangue já haviam sido lavadas, a dragonesa finalmente abre seus olhos verde-esmeralda.
Ela não sente Spyro em cima dela até recobrar totalmente seus sentidos. Antes ela percebe a dor das feridas, o lugar em que estava e a tempestade. Ao não sentir a água em seu corpo, ela estranha e olha para cima, percebendo a asa de Spyro a cobrindo. Ela então olha para sua costela e vê a barriga de Spyro deitada sobre ela.
—S... Spyro? -Gagueja ela devido a dor que sentia, de forma bem baixa e fraca.
—Cynder! -Ele a olha por baixo da asa. -Você acordou! -Ele estava completamente encharcado.
As luas já iluminavam o céu e refletiam a água nas escamas roxas de Spyro, deixando-o incrível para Cynder.
—Spyro... -Ela não conseguia falar por achar que Spyro estava incrível, apesar das feridas. Depois ela finalmente se recompõe. -As minhas feridas... Estão grandes! Era para estarem... -Ela cheira uma e sente o aroma de Spyro nela. -Oh! Spyro, eu... -Ela sorri para ele. -Obrigada!
Spyro sorri e alivia seu peso para ela poder se ajeitar. então se deita novamente após isso. –Não estou lhe machucando, estou? -Pergunta ele, receoso.
—Não, não! Está simplesmente... -Ela hesita por um momento. -Perfeito. -Fecha os olhos sentindo o calor de Spyro. -Então ela finalmente percebe que ele estava tremendo. –Spyro! Você vai ficar doente! Não precisa fazer isso!
Ele olha nos olhos dela e diz, com um doce sorriso. –Não há nada nesse mundo que me impeça de lhe proteger, Cynder!
Ela sente as bochechas queimarem. Como ela não fala nada, ele continua.
—Eu ouvi o que você disse no covil de Malefor! E eu... Eu também te amo...
Surpresa, Cynder abre sua boca ao ouvir aquelas palavras e arregala os olhos, com as bochechas coradas.
Sem aviso, Spyro aproxima seu rosto do dela e pressiona seus lábios nos dela, sorrindo.
A dragonesa fica paralisada, mas aos poucos vai se rendendo, fechando seus olhos e o beijando em resposta.
Cynder sentia o sabor de sangue na boca de Spyro, mas não se importava. Na verdade, isso a deixava mais contente, pois sabia que aquele era seu próprio sangue, isso significava que Spyro realmente se importava com ela.
Um calor intenso estava dentro de Cynder, fazendo-a ousar e entrelaçar as línguas, e Spyro parecendo gostar, pois no instante que as línguas se entrelaçaram, Cynder sentiu a cauda dele enrolar na sua.
Ficando assim por um minuto inteiro, a água da chuva escorria do focinho de Spyro para o de Cynder. O primeiro a separar o beijo fora Spyro.
—... Por toda eternidade! -Ele lambe carinhosamente a testa de Cynder e ouve, pelo o que lembra ser a primeira vez, Cynder dar um risinho.
—Ahh... Spyro. Eu te amo tanto! -Diz após um suspiro.
Spyro olha para as luas e percebe que a tempestade tinha se tornado chuva novamente, abrandando.
—Durma Cynder! Você está muito ferida. Mais que eu! Perdeu muito sangue...
—É por isso que a sua barriga está vermelha? -Interrompe ela.
—Sim e não...
—Como assim? -Cynder entorta a cabeça, confusa.
—Quando eu acordei eu estava deitado na poça do meu sangue, mas não estava mais sangrando. Más você ainda estava!
—E você estancou o sangue...
—Uhum...
—Obrigada! -Ela lambe o focinho de Spyro.
Spyro sorri para ela. –Pois bem... Durma um pouco! Te manterei aquecida.
—Mas você está fraco! Não pode lançar fog... -Cynder sente um calor vindo de Spyro e começa a ronronar. -Mhhh... O que é isso?
—Posso não ter forças, mas o calor do fogo flui em meu sangue. Posso aquecer qualquer parte do meu corpo que tenha sangue. -Spyro sente as pernas fraquejarem e deita mais seu corpo em Cynder. –Minhas pernas! ARG! Estou te machucando?
—Não se preocupe, Spyro. A curva da sua barriga não deixa me machucar. -Ela coloca a cabeça nas patas dianteiras e boceja.
—Durma bem que quando eu estiver melhor vou caçar dois cervos que eu vi para nós comermos!
—Mhhh... Cervo! Amo cervo! -Ela fecha os olhos e dorme quase que instantaneamente devido o sangue que havia perdido.
Spyro fica com seu focinho rente com o dela, olhando para os olhos fechados dela.
—Finalmente tudo acabou! Podemos viver uma vida só nossa agora, Cynder! Construir uma família! Mal acredito que Malefor se foi para sempre! -Pensa ele. -Finalmente, depois de anos de lutas, sangue, guerras... Perdas... -Lágrimas se formam nos olhos de Spyro ao se lembrar de Ignitus. Ele olha para o céu. -Agora que tudo acabou e você poderia viver em paz novamente, você está morto... Por que o mundo tem que ser assim? Por que os bons são os que mais morrem? Ahhh... Ignitus... Faz apenas dois dias, mas parece uma eternidade. Estou com tantas saudades! Queria você aqui! -Ele olha para Cynder novamente. -Estou seguindo meu coração, como você disse... Obrigado por tudo, Ignitus... Meu querido pai... -Uma única lágrima cai do olho de Spyro quando ele finalmente se rende ao sono, junto a Cynder.
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