A lenda de Lavender Town
3 Um vulto feminino.
Notas iniciais
– Então foi isto que aconteceu. – Silver terminou de explicar aos novos companheiros do que tivera acontecido.
– Puxa… Isso é muita coisa… — Ruby deixou escapar.
– E como você está, Obsidiana? – Sapphire ficou preocupada.
– Eu? Como é que acha? Minha mãe desapareceu… — Obsidiana começou a chorar.
– Oh, não fica assim! Vamos, vai ficar tudo bem. – Gold abraçou a amiga secando suas lágrimas.
– Gold… — Crystal chamou. – Pare de dar em cima de outras garotas!
– Não estou dando em cima dela! Bem… pelo menos agora não… Estou só tentando ser útil! – Gold defendeu-se.
– Sim, seja amiguinho dela e deixe sua namorada aqui de plantão! – Crystal estava ciumenta.
– Está com ciúme, menina Crystal? – Gold soltou a amiga para provocar a outra.
– Não! – Ela embirrou.
– Não precisa! – O rapaz abraçou-a rindo.
– O amor é tão lindo! – Leaf secou uma lágrima ao observar a cena.
– Eu não quero ser desmancha-prazeres. Mas não acham que ficar ai namorando enquanto uma pessoa pode estar em perigo de vida, não é um ato de egoísmo? – Silver entreviu entre os dois amados.
– Tem razão… A CULPA É DO GOLD! – Crystal defendeu-se soltando-se.
– Minha?! Não fui eu que fiquei com ciúme! – Gold também se defendeu.
– Mas eu não tinha ficado com ciúme se você não fosse confortar a Obsidiana! – Aquela acusação era forte.
– Ah, então você estava com ciúme! – O rapaz denunciou.
– Não! Não estava! – Tentou disfarçar.
– Parem com isso! – Green interrompeu. – Já é tarde. É melhor irmos dormir.
– O Green tem razão. Peguem nos sacos de cama. Hoje dormimos na sala. – Obsidiana constatou.
O grupo de amigos acabou por dormir na sala, lá fora, a música irritante de Lavender tocava continuamente sem pausas. Os ruídos de Pokémons fantasma eram comuns para a Obsidiana que os ouvia todas as noites, mas para seus companheiros não era bem assim. Muitos demoraram a adormecer com o barulho, mas só um foi incapacitado de dormir, o mais medroso do grupo; Red. O garoto dava voltas e voltas no saco de cama, fazendo de tudo para adormecer, mas em vão.
– Talvez só precise de apanhar um pouco de ar… — Red falou para si levantando-se e vestindo o seu casaco.
O menor dirigiu-se à varanda, ainda a tremer de medo, sentimento causado pelos gemidos vindos do além. Ao chegar à varanda, arrependeu-se de imediato, pois observou que a rondar a casa andava um bando de Gastys. Assustado, recuou um pouco, mas parou quando ouviu uma voz.
– Está ai alguém? – Uma voz fina e aguda deixou-se ser ouvida.
Red estava com medo, mas a curiosidade era muita, então perguntou:
– Quem disse isso?
Mas não obteve resposta… Respirou fundo e perguntou outra vez, mas nada… Estava prestes a desistir quando ouviu um grito de pânico, não pensou duas vezes, fechou a varanda e saiu a correr pela noite fora, só reparou no que tinha feito quando estava fora de casa… bem longe por sinal…
– Ok, ferrou… o que é que eu faço aqui? – Ele estava branco de medo.
Ruídos começaram a se ouvir, os arbustos mexiam em redor do menor, o que lhe causava suores frios.
– Q-quem está ai? – Perguntou com a voz trémula.
– R-Red? – Alguém perguntou.
– C-como sabe o meu nome?! – Assustou-se novamente, mas não obteve resposta à sua pergunta.
Sentiu algo tocar-lhe a perna, então olhou no momento, era penas uma Caterpi… suspirou de alívio, mas o sossego não durou, ouviu de novo os arbustos a mexer, o barulho estava cada vez mais próximo do rapaz de orbes vermelhas, ele termia com cada vez mais frequência, era agora, era agora que os fantasmas iriam aparecer.
– Por favor, senhor fantasma, não me faça mal! – O moço suplicou colocando-se de joelhos e baixando a cabeça.
Assim, um vulto feminino saiu de trás dos arbustos, o que fez Red levantar-se e não desmaiou com o susto com muita, muita sorte.
– RED-KUN! – Uma voz feminina gritou quando o reconheceu.
A tal pessoa misteriosa era Yellow, o que ela fazia em Lavender era um mistério, mas isso não impediu que ela salta-se para cima de Red quando o viu, esfregando os seus seios fartos na face do menor.
– Yellow, o que está a fazer aqui? Ia-me dando um ataque de coração! – Red afastou a amiga limpando o suor que crescera na sua face.
– Desculpe, mas eu não sabia que você era você, julguei que fosse um Gengar! – A loira riu.
– O que faz aqui? – O outro mudou o assunto.
– Bem, lembra que eu saí numa jornada, certo? É que eu… perdi-me… — Corou com vergonha.
– Sério… Bem, é perigoso estar em Lavender à noite, é melhor ficar com a gente. – Red sugeriu.
– “Com a gente”? – Yellow estranhou.
– Está cá a galera toda. Green, Leaf, Obsidiana, Gold, Silver, Crystal, Sapphire e Ruby. – O rapaz explicou.
– Ena, parece que vieram para uma festa! – A garota sorriu animada.
– De certa forma… Bem, venha, vou-te levar até casa da Obsidiana. – O garoto colocou as mãos nos bolsos e fez um gesto com a cabeça para a outra o seguir.
……
– Oh, galera! Abre a porta! – Red batia energicamente à porta, para que os outros acordassem.
– Obsidiana, está alguém à porta, vai ver quem é. – Ruby pedia.
– Porque tenho de ir eu? – Obsidiana indignou-se.
– Porque a casa é sua, oras! – Gold respondeu.
– Ok, ok… — Obsidiana levantou-se a custo e foi à porta.
Abriu a porta e deparou-se com Red e Yellow.
– Red o que está fazendo na rua? Yellow? – Obsidiana estava confusa.
– Eu ouvi uns barulhos cá fora e decidi vir ver o que era… — Red explicou. – Então encontrei a Yellow.
– Obsidiana, desculpe o incómodo, mas eu podia ficar cá a dormir? É que eu… estou perdida… — Yellow tentou explicar a sua situação.
– Pode, isto aqui já parece mais a casa da tia Joana, mais um não vai fazer a diferença. – Obsidiana abriu a porta para os dois entrarem, com um ar de indiferença e sono enormes.
– Obrigado, Obsidiana-chan! – Yellow envolveu a colega num abraço muito apertado.
– Vamos, largue logo. – Pediu a morena.
– Que barulheira é essa? — Leaf acordou com o barulho dos três. – Yellow?
– OI! – A loira cumprimentou.
– Que faz aqui? – Perguntou Silver que também acordara.
– Eu perdi-me… — Yellow corava sempre com vergonha quando dizia isto.
– Hum? Yellow? – Ruby acordou e reparou no novo ser. — Oh, por favor! Porque está todo mundo em Lavender? E a seguir? White e Black também?
– Você não tem muito que falar, você também apareceu aqui do nada! – Crystal reclamou, pois foi acordada pela conversa dos outros. – E não dê ideias, se não eles aparecem para ai!
– Pessoal, podemos voltar a dormir? – Pediu Gold tapando a cara com um travesseiro. – Procuramos a mãe de Obsidiana amanhã.
– Mas ninguém estava falando disso. – Leaf comentou.
– Ok, então não a vamos procurar e deixamo-la ai com esses Pokémons fantasma revoltados. – Gold completou.
– Sabe, ele tem razão, é melhor irmos à procura da senhora Pérola amanhã. – Ruby encarou.
– Tem razão… — Leaf concordou com o outro.
Todos voltaram a dormir, Yellow estendeu o seu saco de cama num local onde arranjou uma brecha de espaço, juntando-se assim ao grupo de pessoas que dormia no chão da casa da Obsidiana.
E é assim que a nossa história vai começar, pois até agora foi só conversa fiada… A partir de agora, nada será como antes, pois eles irão procurar por toda a cidade de Lavender, incluindo a torre fantasma… Na noite de sexta-feira treze…
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