A lenda de Lavender Town
4 Mais um ser em casa.
Notas iniciais
– É Sexta treze, está um dia sombrio, são para ai quatro da manhã, ouvem-se imensos fantasmas… Oh, espera, é só o Gold a ressonar… — Red gravava os acontecimentos num gravador.
– Red, importa-se muito?! Ainda há gente a querer dormir! – Obsidiana resmungou colocando a cabeça por baixo do travesseiro.
– Cara, como conseguem dormir com todos estes ruídos assustadores? – Red constatou morrendo de medo e desligando o gravador.
– Você não tem jeito? Estamos aqui há imenso tempo e ainda não aconteceu nada! – Green acordou com o barulho.
– Então e a mãe de Obsidiana que desapareceu? – Red perguntou.
– Ainda não aconteceu nada que não possa ser explicado… — O moreno corrigiu-se. – Pensa, ela pode ter ido visitar alguém.
– A meio da noite?! – Red fez intender que era uma hipótese estúpida.
– Sim… — Green estava sem argumentos.
– Ei, rapazes, estejam calados… Não ouvem? – Obsidiana pediu aos amigos.
Os dois calaram-se, enquanto se ouviam passos no corredor da cozinha, em direção ao banheiro.
– Realmente… está algo ali… — Green engoliu em seco.
– Reparem, os ruídos dos fantasmas já não se ouvem… — Red disse a medo.
Os passos continuavam a ouvir-se, juntamente com o ruído de água a correr, depois, o som de algo a bater no chão, mas agora na cozinha.
– Na cozinha também? – Obsidiana achou estranho.
– Esperem, estou ouvindo um som suspeito neste quarto! – Red anunciou.
– Sério? Não oiço nada… — Green pôs-se à escuta.
– Mas oiço! É assim tipo… umas varas a bater e tremendo… Há um fantasma aqui! De certeza! – Red tremia batendo os dentes.
– Então pare de tremer a ver se o ruído para… — Obsidiana olhou para ele sem jeito e enraivecida com a estupidez do rapaz.
– Ok, mas não me parece que… — O garoto parou. – Oh! Resulta! Como fez isso, Obsidiana?!
– Você não tem jeito mesmo… — A morena levou uma mão à testa.
Um ruído de novo, mas agora, era evidente que estava algo ou alguém na cozinha e/ou no banheiro.
– São os fantasmas! De certeza que são! – Red entrou automaticamente em pânico.
– Não vamos tirar conclusões precipitadas! Pode ser um de nós! – Green lembrou.
– Você tem razão. – Obsidiana olhou os sacos de cama, mas todos aparentavam ter um ser humano dentro. – Mas… estamos todos nesta sala…
– Não vamos entrar em pânico! – Green ordenou.
Silêncio durante algum tempo, esperando mais algum sinal de que estariam ali sozinhos ou não, até que o som de duas facas a esfregarem uma na outra se faz ouvir.
– E agora, Green? Podemos entrar em pânico? – Red perguntou segurando o grito de pânico.
– Bem… Sim, agora podemos entrar em pânico… — Green ficou branco de medo sem se mexer.
– É hoje! É hoje! Vamos morrer! Vamos morrer todos! – Red começou aos berros pela sala.
– Cale-se, quer que saibam que estamos aqui? – Obsidiana perguntou tapando a boca do amigo.
– Acho melhor alguém ir lá ver… — Green propôs.
– Está de brincadeira, né? – Red constatou.
– Não, ele tem razão. Alguém devia lá ir. Deve ser um Pokémon fantasma revoltado, só temos de lá ir e ter uma batalha. – Obsidiana explicou.
– Bem, então vá você. – Red denunciou.
– Eu porquê eu?! – Obsidiana fingiu não estar assustada. – Eu sou uma menina…
– Você não diz que os Pokémons fantasma não fazem mal? Então vá lá e prove a inocência de seus prediletos, senhora treinadora fantasma! – Green ordenou.
– Mas você é que teve a ideia de lá ir! Vá você! – Obsidiana passou a bomba.
– Nem pense! O Red é que devia ir. Afinal, não é ele o corajoso e heroico campeão de Kanto? – Green lembrou.
– Não, Gold é que é! Não se lembram?! – Red tentou desviar as atenções.
– Bem, acho que é melhor decidirmos isto como adultos. – Obsidiana olhou séria para os colegas.
– Concordo. – Red disse.
– Prontos? – Green perguntou.
– Pedra-Papel-Tesoura! – Gritaram os três em coro.
Red jogou tesoura, enquanto Green e Obsidiana jogaram pedra. Isso significara uma coisa… Red seria o sacrificado…
– P-porquê eu…? — Red ficou paralisado de medo.
– Vamos, Red, foi o que decidimos, vi ter de ir. – Obsidiana declarou.
– Pois é, Red. Bem, gostei de o conhecer, amigo. – Green assustava o menor.
– Green, pare com isso! – O outro pediu.
Depois de Obsidiana ter dado um valente raspanete no Green para ele não assustar o amigo, Red dirigiu-se à cozinha.
– Porque é que é sempre o medroso que vai nestas coisas? – Red balbuciava.
Entrou na cozinha a medo, observou cada canto da divisão, sem detetar nada de suspeito. O menor queria recuar, mas a curiosidade tomou conta dele, fazendo com que entrasse inteiramente na divisão. Olhou para a mesa, observando que havia comida sobre ela, do lado da refeição, estavam duas facas, deviam ser as que ouvira anteriormente.
– Quem terá feito esta comida? – Red intrigou-se, dando uns paços para trás.
Acidentalmente, Red esbarrou de contra o poste, provocando um grande abanão no mesmo, então, algo caiu sobre as mãos de Red, era redondo e parecia pegajoso, como se tivesse sangue em volta daquilo…
– Oh, não! Uma cabeça! – Red gritou atirando aquilo para o chão repugnado e assustado.
O objeto caiu no chão fazendo o som de alumínio a embater em algum superfície, Red estranhou, apontando a lanterna que tinha com ele para observar melhor o objeto.
– Ah, é só uma panela por lavar… — O garoto suspirou aliviado.
Mas a intriga continuava no ar, se todos os seus amigos estavam na sala, e a maioria dormindo, quem fez aquela refeição? Enquanto caminhava de um lado para o outro ouviu um cantarolar vindo do banheiro.
– Cantarolar? Isso não é normal… — Estranhou o menor. – Algum foi no banheiro?
Red observou a hipótese, mas se algum tivesse ido no banheiro, tria-os ouvido a levantar-se, para além do mais que Obsidiana e Green estavam demasiado assustados para irem até ali.
Então, Red encheu-se de coragem, pegou na Pokébola de seu fiel amigo Pikachu e de uma faca, e caminhou de mansinho até à porta do banheiro, a voz cantarolava algo como:
“Adoro suas orbes vermelhas,
Lindas como sangue…”
Red assustou-se, ele próprio tinha orbes vermelhas, o fantasma saberia que ele estava ali? Mas, se falava… não podia ser um Pokémon… Tinha de ser um fantasma de um humano!
Mais uns versos se ouviram.
“Quando eu te possuir,
Respirar não vai conseguir…”
Red engoliu em seco, o fantasma estava a mandar-lhe grandes indiretas, aguentou firme para não desmaiar, tinha a segurança dele e de todos os seus amigos nas suas mãos. Maldita a hora em que jogou tesoura…
Por fim, o último verso fez o Red entrar em modo ataque.
“Red, você vai ser meu,
E seu coração também…”
Red entrou no banheiro de olhos fechados, ouvindo apenas o chuveiro a correr.
– Fantasma, eu não tenho medo de você! Você não vai levar minha vida, nem por sima do meu cadáver! – O moreno gritou soltando seu Pikachu da Pokébola, que logo ficou em posição de ataque e apontou a faca ao ser.
– R-Red? – Uma voz familiar perguntou.
– Hum? – O menor abriu os olhos, vendo o rosto que lhe era tão familiar. – Yellow? Que faz aqui…
– Eu… Eu vim tomar um banho… — Yellow respondeu corada tentando tapar-se.
Red não percebeu logo porque ela ficara tão envergonhada, mas logo reparou que ela estava completamente sem roupa dentro do chuveiro, em pé.
– AH! Gomen! – Red virou-se rapidamente. – Eu não queria incomodar…
– Hum… — Yellow apertou-se por baixo da água que caia sobre seu corpo.
Red ficou com a cara da cor dos seus olhos, lembrando da silhueta de Yellow tal e qual ela veio ao mundo, o seu corpo estava com restos de espuma espalhados por todo ele, o cabelo comprido estava encharcado e colado ao corpo e a sua face estava rubra, ela parecia envergonhada, mas aquele jeito tímido que ela tinha criava alguma excitação no menor, então sentiu algo crescer na sua calça.
– Oh, por favor, não é hora para isso! – Red disse olhando para baixo tentando controlar-se.
– Passa-se alguma coisa, Red? – A loira perguntou preocupada e constrangida ao mesmo tempo.
– N-não é nada… é só que… — Aí, lembrou-se do porquê de ter entrado ali, o fantasma. – Yellow, vista algo depressa, por favor! – Red virou-se encarando a menor de novo.
– Porquê? Que se passa? Está cá com uma cara… — Yellow estranhou o tom de voz do amigo.
Depois de inspecionar os cantos da divisão e não ter encontrado vestígios de nenhum ser maligno olhou o corpo despido de sua amiga novamente que estava quase cem porcento exposto aos seus olhos, deixando o seu nariz sangrar um pouco.
– Bem, é que há um fantasma nesta divisão! Como não o ouviu? Ele estava aqui ainda agora. – Red abanou a cabeça limpando o sangue que escorria de seu nariz, ficando a olhar o chão.
– Fantasma? Mas só eu é que estou aqui… É que… me levantei com fome então fui preparar comida, mas acabei fazendo sujeira e tive de vir tomar um banho… — Yellow explicou.
– Ah, então foi você… Mas seu saco de cama parece ter você dormindo lá. – Red constatou.
– Deve ser porque deixei lá a minha Pikachu, ela gosta de dormir à larga. – Yellow explicou.
– Estou vendo… Mas não ouviu mesmo o fantasma cantarolar? Ele dizia algo como que me queria possuir e tirar o coração. – Red perguntou, de certeza que o fantasma estava ali.
– Não era um fantasma… era eu que estava cantarolando… — Yellow explicou.
– O quê?! Você quer me matar?! – Red assustou-se.
– Não seu baka! Entendeu tudo errado! Eu estava cantarolando uma canção assim:
“Adoro suas orbes vermelhas,
Lindas como sangue
Olhando minhas orbes dobradas
Brilhantes como as estrelas.
Então deixe o amor fluir
Quando eu te possuir,
Respirar não vai conseguir
Com os beijos que te vou roubar.
Red, você vai ser meu,
E seu coração também
Então eu serei sua
E meu coração também” – Yellow cantarolou para o amigo ficando muito envergonhada.
– Ena, que música… Quem a escreveu? – Red perguntou, completamente alheio dos sentimentos da menor.
– Fui eu… Dediquei-a a você… — Yellow encarou o chão, começando a vestir-se.
– Então… não há nenhum fantasma aqui? – Red perguntou constrangido pela menor se estar a vestir na sua frente.
– Não, só eu mesmo. – Yellow sorriu.
– Bem, sendo assim, acho que vou indo. – Red virou-se para ir embora.
– Espere…! Red, você percebeu o sentido da música? Percebeu porque é para você? – Yellow queria ter a certeza.
– Claro! É porque nós somos amigos, né? – Red respondeu.
– Amigos… Sim, é por isso… — Yellow desanimou.
– Ok, então até mais. – Red saiu.
Yellow estava desanimada, não havia meio de o garoto perceber que ela o amava, ela basicamente se declarara na frente dele, e ele não persebera…
……
– Então, Red? O fantasma? – Green perguntou vendo o amigo voltar.
– Não há fantasma nenhum, era só a Yellow tomando banho… — Red explicou.
– Sério? A gente aqui morrendo de medo porque a Yellow foi tomar banho?! Então quem está deitado ali? – Obsidiana apontou para o saco da amiga.
– É a Pikachu dela. – Red explicou.
– Oh bem, acho melhor irmos dormir, mesmo… — Green estava farto daquela história.
Enquanto se encaminhavam para os sacos de cama, um estrondo fez-se ouvir na porta, acordando todos os presentes na sala.
– Que foi isto?! – Sapphire assustou-se ao acordar.
– Eu, eu não sei… — Red respondeu.
Outro estrondo ouviu-se, mas este foi o estrondo da porta a cair, os fantasmas que andavam à solta em Lavender… tinham entrado…
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