A lenda de Lavender Town
8 Os prisioneiros de Dona Pérola.
Notas iniciais
A noite já estava a terminar, já deviam ser umas seis da manhã, não tinham dormido toda a noite, os nossos heróis nem estavam a dar pelo tempo passar naquela sexta-feira treze… Enquanto nossos heróis se aventuravam a entrar na Torre Fantasma, certos seres já o tinham feito antes, e esses, estavam bastante ocupados.
– Mestre, os Pokémons estão curados. – O vulto feminino de outrora declarara a uma senhora que se sentava num cadeirão com a cara tapada.
– Muito obrigada, Platinum… Me diz, como estão os meus prisioneiros? – A senhora perguntou, brincando com um bastão cumprido com uma esfera negra na extremidade superior.
A garota retirou o capuz, mostrando os seus lindos e brilhantes cabelos azuis e seus frios olhos platina, os dois garotos também retiraram o capuz, sendo que o garoto que se identificava por P expôs seu cabelo louro, penteando a franja e o garoto que se identificava por D, expôs sua boina vermelha que cobria seu cabelo negro.
– Eles estão confinados nas catacumbas, quer que lá vá ver como estão? – A garota perguntou educadamente.
– Por favor, Platinum, e leva Pearl e Diamond contigo. – A senhora pediu com vaidade na voz.
– Com certeza, senhora. – A garota curvou-se perante tal ser da autoridade.
Pearl e Diamond também se curvaram, seguindo Platinum, um de cada lado, ligeiramente atrás da mesma. Os três seguiram por um corredor escuro da torre, tão escuro, que depois de um tempo Platinum teve de pegar numa tocha e acender a mesma. Desceram por umas escadas em espiral que pareciam infinitas, degrau a degrau numa escuridão imensa até chegarem a uma divisão da torre bem gelada e húmida, todas as paredes eram de pedra e todas tinham problemas de humidade.
– Chegamos. – Platinum anunciou para seus dois seguidores.
Platinum colocou a tocha numa das paredes, entrando no corredor um pouco mais iluminado onde se encontravam uma celas, umas com prisioneiros, outras vazias e outras com esqueletos… Em frente a uma, um garoto, com o cabelo moreno, falava com uma garota de cabelo idêntico que estava presa dentro da cela.
– Black, por favor, não vê que vai estragar a sua vida assim?! – A garota berrava dentro da cela, com lágrimas nos olhos, agarrada às grades.
– Estragar o quê? Eu sou o herdeiro dos AG, e vou cumprir o meu destino como a dona Pérola diz! E não é uma garotinha que diz me conhecer há anos que me vai impedir disso. – O garoto dizia frio.
– Mas não se lembra de mim?! Sou eu, White! Eu sempre brinquei com você quando estávamos naquele orfanato… Eu sou sua melhor amiga! Black, por favor… Me tire daqui e vamos os dois fugir, vamos voltar para Unova, o local onde ambos fomos felizes. – A garota que dizia se chamar White implorou.
– Eu não te conheço! Para de dizer besteira! Eu sou o filho legítimo da senhora Pérola, descendente direto dos AG! É meu dever ressuscitá-los e você será o sacrifício! Não me tente enganar com suas fantasias! – O garoto pedia frio.
– Por favor, Black… Se lembra… — A garota estava visivelmente abatida, pois ela dizia a verdade e ele não acreditava.
– Passa-se alguma coisa, senhor Black? – Platinum perguntou reparando na interação com o prisioneiro.
– Não, senhora P, apenas um percalço de tempo. – O garoto explicou.
– A dona Pérola não gosta que você se fique dando com os prisioneiros, você devia estar lá em cima estudando os feitiços para a profecia. – Platinum explicava.
– Eu sei, mas… Há algo neste andar que me faz descer cá de vez em quando… — Black sentia-se um pouco estranho naquele lugar.
– Filho, isso é fome! Já tentou comer alguma coisa, mestre Black? – Diamond estragou o clima.
– Diamond, calado! Está na presensa de mestre Black! Tenha respeito! – Platinum exigiu.
Enquanto Platinum reclamava com o colega, Black pensava: Porque se sentia tão estranho perto daquela garota que estava presa? Por vezes, ponderava se o que ela dizia era verdade, mas sempre que o fazia, seu cérebro entrava em curto-circuito e sua cabeça doía, voltando a despreza-la em seguida.
– Desculpe o comportamento de meu seguidor, não volta a acontecer – Platinum se curvou perante o mestre – Dona Pérola o está esperando lá em cima.
– Muito obrigado, Platinum. Eu vou lá ter com ela. – Black olhou de lado para a garota da cela, decidindo ignorá-la e seguindo em frente.
Após Black se aposentar da sala, Platinum lançou um olhar frio e mortal sobre a garota prisioneira que estremeceu. Platinum se aproximou dela, fazendo com que a outra estremecesse, mas manteve-se no mesmo local.
– Eu já não lhe disse para não confraternizar com o mestre Black? – Platinum disse sendo fria e autoritária.
– Platinum, o que lhe fizeram? Ele não se lembra de nada de seu passado! O que é que lhe vão fazer?! – White disse desesperada.
– Ao mestre Black? Bem, nada de mais… Ele apenas foi o escolhido para ser o herdeiro dos Assassins Ghosts e como o seu passado podia atrapalhar o seu desempenho, fizemos com que ele se esquecesse de você. – Platinum esplicou sendo fria, direta e tendo um ponta de autoridade na sa voz.
– Platinum, você realmente não presta… Nós eramos amigas! E o que você faz? Me trai a mim e Black? Me prende para ser um sacrifício e ainda zoa de mim? Platinum, o que te fizeram? – White sabia que também deviam ter feito alguma coisa à amiga, mas não sabia o quê.
– A mim? Ahahah! White, eu posso não prestar mas é você que está prestes a servir de sacrifício! Seja como for, tenho uma novidade para a minha “querida amiga”. – Ela disse num tom irónico.
White a olhou com raiva, ela meio que sabia o que ela ia dizer, e sabia que era uma provocação.
– Eu e Black vamos casar. – Platinum fez que estão de dizer devagar para que a outra saboreasse aquelas palavras dolorosas.
– Cabra! – White cuspiu na sua cara.
–Ahahah! Diga o que quiser linda, mas enquanto você estiver ardendo na fogueira eu estarei beijando os lábios de seu “fiel” amigo Black! Ahahah! – Platinum riu da cara da outra se virando.
Quando Platinum se virou, Pearl e Diamond logo se chegaram à frente, dando uma espécie de papa à prisioneira, sem sequer trocar uma palavra com a mesma. White jogou a comida para um canto, se recusando a comer.
– Coma, querida… Você tem de se manter viva até à cerimónia… — Platinum troçava de costas voltadas para a outra.
White esboçou um rosto de raiva. Entretanto, uma voz soou de uma cela vizinha.
– Platinum? Diamond? Pearl? O que fazem aqui? E porque eu estou amarrado? – Um ser ruivo perguntava.
– Ora, ora, ora! O nosso cabeça de tomate acordou! Então, dormiu bem? – Platinum desviou a sua atenção para ele em tom de ironia.
– Hum? – Tentou mover-se, mas seu braço doía – Ah… Meu braço…
Silver olhou seu braço, tinha um garfo espetado que lhe chegava ao osso, em seu redor estava uma imensa possa de sangue e a dor que aquilo transmitia era aguda e desconfortável.
– Ahahah, Silver, querido, eu se fosse a você não me mexia, ou sua ferida vai abrir mais. – Platinum ria com um ar superior.
– Platinum? Que se passa com você? Você está diferente… — Silver estranhou o comportamento da amiga.
– Eu não tenho de lhe dar explicações, senhor cabeça de tomate. Você perceberá com o tempo. Agora, relaxe, seus amigos já devem estar vindo procurar você. Assim, poderão todos morrer juntos. Ahahahahah! – Platinum ria, saindo da sala, sendo seguida pelos seus dois seguidores que nada diziam.
Após Platinum, Pearl e Diamond saírem da sala, o silêncio pairou no ar por um bocado, até White começar a desabafar em voz alta.
– Aquela Platinum… Devem ter-lhe feito uma enorme lavagem cerebral… — White queixava-se.
– White? Me diz. O que se passa? – Silver perguntava, terrivelmente confuso.
– Bem… É uma longa história… — White começou a contar a história com todos os pormenores a Silver.
White contou-lhe que a Dona Pérola, mãe de Obsidiana, estava a recrutar pessoas para refazer o exército dos Assassins Ghosts, sendo que, um dia, chegara ao orfanato de Unova, adotando Black, dizendo que ele era o garoto ideal. Ela suspeitou de suas palavras, então, acabou pesquisando sobre a mulher, descobrindo os seus objetivos. Desesperada, fugiu do orfanato na esperança de salvar Black, mas quando chegou, ele havia mudado… Numa de suas tentativas de o resgatar, fora capturada por Platinum, a primeira oficial da dona Pérola e estava alié desde então. Em algumas de suas pesquisas, descobriu que dona Pérola possuia um Hipno, que usava o ataque Hypnosis nos seus seguidores, forçando Platinum, Pearl, Diamond e Black em seus escravos.
– Uau… Essa história é bem… Ah… — Silver não tinha palavras para descrever aquilo – Mas porque Dona Pérola não usou hypnosis em nós?
– Isso eu não sei, Silver… Talvez não precise de nós, ou apenas nos queira fazer sofrer… — White tentou arranjar uma explicação.
Silver relaxou seu corpo que estava amarrado ao teto por umas correntes. Fitou o chão pensativo, logo depois, interrogando White.
– E… O que farão de nós agora? – Silver teve medo de questionar.
– Bem, provávelmente, iremos morrer os dois como sacrifício. Não há modo de fugir daqui… Há muitos guardas espalhados pela torre, e as probabilidades de Platinum e seus capangas nos captarem são muitas. – White disse vencida.
Silver riu de lado, agora com uma cara confiante, rindo com o ego elevado.
– Puxa, Silver, como consegue rir numa altura destas? – White estranhou a confiança do outro.
– White, você pensa que eu estou sozinho? Red, Leaf, Green, Obsidiana, Gold… Todo mundo está lá fora, e por esta altura, já devem saber que eu estou aqui! Eles nos virão salvar! Tenho a certeza! Vai ficar tudo bem, e no futuro, ainda vamos rir desta história toda. – Silver disse confiante.
White o encarou, o rapaz estava tão confiante que parecia erradiar uma luz imensaa de sua face, seus olhos prateados brilhavam com esperança e seu sorriso era tão confiante que chegava a ser inspirador. White não percebia como ele estava tão certo, afinal, passar por Platinum era quase impossível e a dona Pérola tinha aquele poder… Mas, a confiança dele era tão forte que ela teve medo de estragar as esperanças do outro, então, apenas disse:
– Esperemos que você esteja certo… — Ela forçou um sorriso.
– Estou certo sim… Eles virão… — Silver sorriu olhando para um dos cantos do teto, pensando onde seus amigos estariam naquele momento.
É certo e sabido que nossos herós já se encontravam em busca de Silver, apenas, ainda não estavam bem organizados…
– Muito bem, devíamos entrar agora… — Gold engoliu em seco encarando a porta da torre.
– Ah… E se esperássemos um pouquinho ainda? Ham? Vá lá, quais são as probabilidades do Silver estar a morrer, hum? – Red sentia medo em entrar ali.
–Red… Pare de ser um medricas… — Green pediu.
Red colocou uma cara de desmascarado e ofendido ao mesmo tempo, provocando riso na Yellow.
– Bem, constatando esta aplicação do celular, os gemidos de fantasmas nesta zona estão normais… Não há nada de muito sobrenatural aqui. – Green confirmou olhando a tela do celular.
– Mas… será seguro entrar ali dentro? – Leaf questionou recuando um pouco.
Crystal, que ainda transportava o blusão do amigo desaparecido, abraçou o casaco com força, deixando escapar uma lágrima.
– Silver pode estar ali… Nós precisamos de o salvar… — Crystal insistia.
Gold colocou um braço pelos ombros da outra, tentando consola-la. Todos olharam uns para os outros, esperando que alguém fizesse um daqueles discursos inspiradores que lhes desse coragem para entrar naquela torre, mas ninguém tivera coragem de o fazer. Então, como obra do destino, um ser que parecia arrasado saiu de dentro da torre, a sua roupa estava em muito mau estado e o ser praticamente rastejava.
– Socorro… Ajuda… — O ser pedia entre lamentos.
Os nossos heróis demoraram um pouco a identificar o ser, mas logo repararam que o corpo que pedia ajuda pertencia à sua velha amiga Platinum. Os nossos heróis, completamente alheios do que ela se tornara, correram ao seu auxílio.
– O Palkia! Platinum, você está bem? – Sapphire perguntou ajudando a “amiga” a levantar-se.
– Silver… Em perigo… Dentro da torre… — Platinum respondeu ignorando a pergunta.
– Silver está lá dentro?! Pessoal, temos de o salvar! – Ruby se exaltou.
– Onde ele está, Platinum? Pode nos dizer? – Leaf perguntou-lhe sendo passiva.
– Ele está sendo prisioneiro… Eu consegui fugir… Mas não entrem ali, vocês não vão sobreviver! – Platinum avisou.
– Platinum, isto não é uma razão de viver ou não, se Silver está ali, nós vamos salvá-lo! Pois somos amigos. Agora, se você quer vir connosco ou não, é consigo. – Gold disse o seu discurso inspirador.
Platinum baixou a cabeça, esboçando um sorriso de lado cheio de ego, eles estavam caindo direitinho na sua armadilha! Com eles presos, nada iria interferir com o plano de dona Pérola, e quem sabe, talvez um deles a ajudasse na invocação… Ao olhar ligeiramente para cima, viu Obsidiana, e claro, sua mestre ia adorar ter a filha por perto… Platinum voltou a colocar uma face desgraçada, olhando para cima.
– Vocês… Vão mesmo entrar ali por Silver? – Platinum se fingiu surpresa.
– Claro! Não temos medo de uns fantasminhas! – Ruby exclamou.
– Fala por ti! – Red teve de estragar o momento inspirador.
– Red! – Yellow embirrou com o outro.
– Que foi? – Red se sentiu ofendido, não tendo resposta.
– Então… Eu entrarei com vocês… Silver também é meu amigo… Eu vos levarei até ele… — Platinum fingiu se levantar com dificuldade, se dirigindo à torre.
Logo, nossos heróis a seguiram, completamente alheios das verdadeiras intenções de Platinum.
“Será que eles vão reparar que ela agora é do mal?”
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