A lenda de Lavender Town
9 Diamond, Pearl e Platinum - Uma amizade condenadora
Notas iniciais
Nossos heróis seguiram Platinum, todos se mantinham calados e viam Platinum como a líder. Ao entrarem na torre todos estremeceram, estavam num local inimigo e sinistro, começando a sentir o frio do local. Platinum fez um gesto para que se baixassem e assim seguiram até uma zona mais ampla num corredor bem à frente na torre, sendo que já nenhum sabia o caminho de volta para a saída.
– Bem, pessoal, estamos chegando perto de Silver. Eu vou só ver se o caminho está livre. – Platinum disse deixando os “amigos” sozinhos.
Com a saída dela uma pequena conversa se formou entre os presentes.
– Hum… Estranho… — Red murmurou.
– Porque diz isso, Red? – Obsidiana estranhou o comentário do amigo.
– Eu já estive nesta torre antes e não conhecia este caminho… — Red comentou.
– Que quer dizer? – Leaf não via o que o vermelho queria dizer.
– Bem, eu não quero estar duvidando de Platinum, mas… Eu acho que ela nos está levando para uma armadilha. – Red explicou o seu ponto de vista.
– Você está doido? Platinum é nossa amiga! Ela não iria fazer isso. – Sapphire se indignou com a suspeita do maior.
– Eu sei, mas… Isto é muito suspeito… — Red pensava nos Pokémons de Sinnoh. Ela seria um dos seres de capuz do Centro Pokémon?
– Você faz demasiadas histórias em sua cabeça, Red! Você não vê que isso é o medo tomando conta de você? Acorde! Não suspeite de nossos amigos! – Gold reclamou chateado com o outro suspeitar de um aliado.
– Eu não estou inventando! Este caminho realmente não estava aqui! Green lembra, ele também cá veio antes! Né, Green? – Red perguntou ficando ofendido.
– Red tem razão, este caminho realmente não estava cá, – Green confirmou – mas nada garante que ele não tenha sido construído depois. Nós estivemos cá há muitos anos. Você está é com medo.
– Não estou! Green, você sabe tão bem como eu que está algo mal aqui. Então, por favor, pare de agir como se estivesse tudo certo! – Red indignava-se.
– Red, por favor, você está atrapalhando com essa birra. – Leaf chamava à atenção.
– Ouçam, eu quero tanto como vocês salvar Silver, mas tenho um sentimento terrível que isto é uma armadilha. Pessoal, por favor, vamos voltar para trás e esboçar um plano. – Red propôs.
Algum silêncio pairou na divisão, todos olhavam entre si e ponderavam a opção de Red. Então, Yellow passou para o lado de Red, colocando uma mão no seu ombro, como se lhe dissesse que concordava com ele. Crystal ao ver isto revoltou-se, querendo-se atirar ao dois, mas Gold a segurou.
– Traidores! Vocês estão com tanto medo que nem Silver querem salvar! Vocês nem se deviam considerar amigos dele! Para vocês eles podiam morrer, né?! – Crystal gritava revoltada.
– Se aclame, Crystal, se acalme. – Gold pedia.
– Nós não estamos contra Silver. Apenas veja os factos. Se Red diz que isto é suspeito é porque pode mesmo ser. – Yellow defendia o amigo.
Crystal estava pronta a insultar a amiga de novo, mas Green interveio na conversa.
– Não discutam. Não é a discutir que vamos ajudar Silver. Crystal, se Red acha que isto é uma emboscada, vamos deixa-lo fazer do seu jeito. – Green, a voz da razão, fez-se ouvir.
– Como assim, Green? – Ruby perguntou.
– Red, se você acha que deve ir, vá e salve Silver. Nos contacte quando o encontrar e se alguém quiser ir com você não o vou impedir. – Green explicou para o amigo.
Mais um momento de silêncio um pouco constrangedor pairou ali. Red olhava o chão um pouco duvidoso, mas ele tinha 99% de certezas que aquilo era uma emboscada, então, ageitou seu boné e anunciou para o grupo.
– Pessoal, não quero que pensem que eu vos estou a trair ou que não me importo com Silver, apenas acho que este não é o jeito de o salvar, então, eu vou seguir meu caminho. Quem quiser vir vem, quem não quiser… Boa sorte… — Red disse se virando e começando a andar na direção oposta ao seu grupo.
– Ei, espere! – Yellow se apressou a ir atrás do amigo.
– Yellow? Você não tem de vir. Você pode ficar com eles. – Red disse meio frio para a loira que ia atrás dele.
– Eu sei, mas… Eu prefiro ir com você. – Yellow admitiu.
– Ok, então me siga. – Red continuou a andar enquanto Yellow o seguia.
Os dois se iam distanciando do grupo de amigos que esperavam Platinum, iam em direção a um corredor escuro, do mesmo local por onde tinham entrado ali. Faces neutras e de negação olhavam para eles, sendo a de Crystal a mais revoltada, afinal, o seu grande ofício era salvar Silver e nunca tivera pensado que Red e Yellow os abandonariam naquela busca.
– Traidores… — Crystal acentuou com desprezo, agarrada ao casaco de Silver, enquanto os outros saiam da sala.
Após isso, Platinum apareceu dizendo que o caminho estava livre, mas também pareceu estranhar a falta de dois membros.
– Hey, Red e Yellow? – Platinum questionou “preocupada”.
– Eles nos traíram. – Sapphire disse ao passar na frente da amiga.
– Puxa, que se passou? – Platinum estava a tentar perceber.
– Red e Yellow… Decidiram abandonar Silver pelo medo de vir… — Gold olhava para o chão desiludido.
– Sério? – Platinum fez uma expressão de espantada.
– Não foi bem isso! Eles só disseram que iriam descobrir outro modo de encontrar Silver. – Obsidiana tentou salvar a honra dos amigos.
– E você acredita nisso?! Obsidiana, eles são duas criaturas medrosas que nem aqui queriam entrar! É óbvio que isto foi tudo uma manobra de diversão para eles fugirem! Eles não querem saber de Silver, apenas querem salvar suas peles. – Ruby estava revoltado.
Platinum esboçou um rápido sorriso de troça. O seu plano estava a resultar tal e qual como ela queria. Platinum sabia muito bem que Red e Green já tinham estado antes na Torre de Lavender e que pelo menos um deles se iria lembrar que aquele caminho não existia antes. Assim aconteceu e Red implantou a desordem e desconfiança no grupo de amigos inseparáveis, sendo que, agora era mais fácil separá-los e convertê-los. A profecia iria cumprir-se.
– Bem, amigos, vão andando, é sempre em frente, eu já vos apanho, vou só atar aqui minha bota. – Platinum informou.
– Ok, nós estamos indo então. – Green respondeu liderando o grupo até ao fim do corredor.
Já estando fora de vista do grupo que desaparecia no escuro corredor, Platinum pegou no seu Dex Nave e fez uma ligação com Diamond.
– Estou, D? Onde vocês estão? – Platinum perguntou para o eletrónico.
– Oi, P! Estamos no refeitório, porquê? – Diamond respondeu mastigando uma peça de fruta.
– Vão já para o corredor que leva aos calabouços, Red e Yellow estão lá. Apanhem-nos e os prendam nas catacumbas. – Platinum ordenou.
– Ok, P. Estamos indo para lá. – Platinum ouviu a voz de Pearl antes de desligar.
Com um sorriso maquiavélico no rosto, Platinum voltou a andar na direção dos nossos heróis que caiam diretamente no esquema de Platinum. Enquanto isso, Pearl e Diamond preparavam-se para ir na direção de Red e Yellow. Os dois seguidores de Platinum nem sabiam muito bem porque faziam aquilo, eles apenas faziam porque Platinum o pedia. Na verdade, eles foram hipnotizados por Pérola exatamente pela razão de ambos terem uma grande admiração pela amiga. Para conhecermos essa história temos de recuar algum tempo atrás, umas semanas antes de todo este enredo acontecer. Foi numa noite escura e de tempestade, como na maioria das noites em Lavender Town. Dois seres aleatórios transportavam três seres para o meio de uma sala na torre, onde uma mulher esbelta de cabelos obsidiana e olhos pérola os olhava de um trono alto.
– Ora, ora, o que temos aqui? Será que são Platinum, Pearl e Diamond? Uns amigos de minha filha? O que voz trás a Kanto, crianças? – A senhora fazia-se de desentendida com uma voz manhosa.
– Dona Pérola, no que está pensando?! Se ressuscitar os AG o mundo vai voltar a viver num inferno! – Platinum enfrentava a senhora enquanto era segura por dois seguidores de Dona Pérola.
– Viver num inferno? Minha querida Platinum, minha avó viveu num inferno depois de lhe matarem os pais! Ela teve de viver todos os momentos com a dor de seus pais serem mortos e ainda ser mal tratada. E você me vem falar de inferno? Querida, o mundo vai sentir a ira que os Ghosts andam a sentir desde há muito! – A senhora falava com raiva na voz.
– A senhora nunca vai conseguir. Não enquanto eu respirar! Eu iriei impedir você de os ressuscitar! – Platinum demonstrava a sua raiva.
– Enquanto você respirar, você diz? – Pérola desceu os degraus do seu alto trono até ao chão.
Chegada ao chão se colocou frente a frente com Platinum que estava junto ao chão, depois se debruçou para dizer algo à menor.
– Isso se pode resolver. – Ela disse sádica.
Dona Pérola levantou o seu bastão aos céus e logo uma nuvem negra se formou em seu redor. Parecia uma nuvem bem obscura e maléfica, o que assustou Platinum e os seus dois amigos.
– Platinum, você irá morrer! – A senhora agitou o bastão, pronta a acertar em Platinum.
– Espere! Não faça mal à Platinum! – Pearl berrou.
– Pois, a deixe em paz, o faça antes a nós. – Diamond propôs.
Dona Pérola examinou o pedido dos dois garotos, sorrindo e baixando o bastão.
– Vocês são dois garotinhos que estão dispostos a fazer tudo pela vossa amiga, não é? – A senhora passou a mão pela face de Pearl. – Leve os três para a sala do Hipno, eles podem ser-me bastante uteis.
E foi assim que os três se juntaram ao lado do mal. E enquanto eu contava esta história, Red e Yellow se perdiam na escuridão da torre.
– Red, acha que eles nos consideram uns traidores? – Yellow perguntou preocupada e agarrada ao braço de Red com medo que algo saltasse do escuro.
– Provavelmente. – Red foi frio e imparcial.
– Mas… Nós só queremos ajudar… — Yellow pareceu desanimar.
– Pois é, Yellow, e eles vão perceber isso, não se preocupe. – Red tentou acalmar a menor que acabou por sorrir.
Ao andarem chocaram com duas superfícies que estavam no caminho.
– Mas o que raio é isto?! Não estava aqui parede nenhuma! – Red resmunga ao bater com a cabeça.
Assim, uma faísca se ilumina na escuridão, iluminando dois corpos, Diamond e Pearl, bem na frente dos dois.
– Diamond, Pearl? O que fazem aqui em Lavender? – Red estava surpreendido pelos ver.
– Ora, Red, Yellow… Se separaram do grupo? – Pearl mencionou com um ar sádico.
– Ah… Pearl? – Red achou estranha a disposição do seu amigo.
– Vamos, meus lindos, não vos faremos mal. – Diamond se aproximou dos dois com uma venda e uma mordaça.
– Red… O que se passa? – Yellow perguntou se escondendo por trás do corpo de Red.
– Isso queria eu saber… Que se passa com vocês? Comeram alguma coisa estragada?! – Red estava confuso.
– Apanhe-os! – Diamond disse para Pearl, prendendo Red e o vendando.
– Cuidado, Yellow! – Red precaveu, mas Pearl já a tinha pego e preso também.
Red se sentiu atraiçoado e humilhado pelo ato dos dois “amigos”, sendo que mandou um chute sego na tentativa de acertar Pearl, mas para seu azar, ele se desviou e Red acabou por acertar Yellow.
– Ai! – Yellow berrou de dor tendo seu berro abafado pela mordaça.
– Yellow! – Red apercebeu-se que tinha machucado a amiga.
– Vamos! Calado, seu fala-barato! – Diamond ordenou amordaçando o vermelho.
Red e Yellow foram conduzidos às segas por corredores imensos, Diamond e Pearl os levavam para as catacumbas, tal e qual Platinum os ordenara, os largando numa sela vazia, os trancando e saindo do recinto. Ao se sentir sozinho, Red retirou a venda e a mordaça, ajudando Yellow a fazer o mesmo.
– Oh, meu lendário Palkia, você está bem? – Red perguntou preocupado com a amiga.
– Au… Meu peito… Você me chutou com muita força… — Yellow tinha dificuldades em se mover.
– Me explique, Yellow. Está dorido, está doendo… Me explique por favor. – Red pedia encostando a garota na parede e a ajudando a sentar-se.
– Red, está doendo muito… E está muito dorido… Eu acho que vai ficar um hematoma… — Yellow dizia com lágrimas nos olhos.
Red sentiu culpa pela amiga estar assim. Se ele não tivesse falhado o chute eles tinham fugido e Yellow não estaria machucada. Red se aproximou da menor, repousando a cabeça no seu peito.
– Red… Por que chora? – Yellow estranhou.
– Você está nesse estado por minha causa. Eu não consegui proteger-te. – Red explicava.
– Red, não tem mal. Você tentou. E já agora… Você agiu como um herói… — Yellow o abraçou de encontro ao seu peito.
– Yellow… Desculpe… — Red se desculpou abraçando também a menor.
Yellow não respondeu, apenas começou a acariciar os cabelos que estavam de fora do boné de Red e começou a cantarolar uma música já conhecida…
– “Adoro suas orbes vermelhas, Lindas como sangue…” – Yellow cantarolava para Red.
– Essa música… É aquela que você fez para mim, né? – Red sorriu se lembrando do momento em que ela cantou para ele na casa de Obsidiana.
– “Olhando minhas orbes dobradas, brilhantes como as estrelas.” – Ela continuou, apenas acenando que sim para Red.
Red olhou para ela sorrindo, ela cantava olhando diretamente para ele enquanto acariciava seus cabelos negros.
– “Então deixe o amor fluir, quando eu te possuir…” – Yellow continuava a cantar, trocando olhares com Red que os devolvia, começando a formar um clima amoroso.
Red se sentou na frente de Yellow, apenas a ouvindo cantar. A voz doce da loira o hipnotizava e aquele olhar não o deixava desviar o seu. Ele estava hipnotizado pelos encantos da amiga.
– “Respirar não vai conseguir, com os beijos que te vou roubar…” – Yellow começou a aproximar sua face da de Red que se mantinha imóvel, apenas olhando para ela.
Red via Yellow aproximar-se, mas não se desviava. Ele estava como num tranze… Ele sabia o que podia acontecer, mas não lhe importava… Ao ouvir aquela música, por momentos, não se sentiu prezo naquela prisão em Lavender, nem mesmo se sentia em Lavender. Sentia-se em casa, com Yellow, como faziam em crianças. Ele se perguntava quando Yellow tinha ficado tão bonita. Ela sempre fora assim? O que ele andava perdendo…
– “Red, você vai ser meu, e seu coração também…” – Yellow se tinha aproximado muito e estava com o seu nariz colado ao de Red, uma distância muito perigosa. Red mantinha o seu sorriso bobo, olhando nas orbes amarelas da amiga.
Red nem tinha reparado que Yellow estava tão próxima, se sentia tão confortável… Em pouco tempo deu conta que sentia a respiração dela na sua face e a pequena tinha a face corada, mas feliz, bem junta à sua, com apenas um dedo de distância a separar os seus lábios.
– “Então eu serei sua, e meu coração também.” – Yellow terminou de cantar, acabando com a distância entre os dois.
Assim Red acordou do tranze. Tinha sua amiga lhe beijando os lábios! Ele não sabia o que fazer. Eles eram amigos, porque ela fez aquilo? Mas logo ele juntou as peças do puzzle… Yellow gostava dele, e agora que pensava bem nisso, sempre gostara… Ele se sentia um estúpido por nunca ter reparado. Os lábios de Yellow eram bem docinhos e a próximidade do corpo dela era bem confortável. Red não conseguiu desvia-la. Apenas tomou o controlo do beijo a puxando para mais junto de si. Tinha acabado de perceber que a grande amizade que sentia por Yellow era mais que uma grande amizade, era amor. Acabado o beijo mantiveram-se abraçados. Yellow se enroscou no peito do maior enquanto Red a abraçava bem forte contra ele. Eles não precisavam de trocar palavras para se intenderem. Ambos sabiam o que estava a acontecer, eles eram namorados agora. Se sentiam um pouco egoístas por estar tanta desgraça a acontecer à sua volta e eles estarem ali tão no seu mundo, mas eles não ligavam. Aquele era o momento deles. Não queriam saber de AG, de Pearls e Diamonds traidores e muito menos de que Silver andava desaparecido.
“Naquele momento, tudo à volta era adereço, eles é que realmente importavam.”
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