A lenda de Cyro: Entre Mundos (livro 3)
1 O Ínicio
Notas iniciais
–Está tudo de acordo com o que combinamos? -Ignitus estava tenso, pois nunca tinha feito algo semelhante.
–Acredito que sim... –Wendelin diz coçando as têmporas, pensativo.
–Hmpf... E eu pensar que depois de todo esse tempo, nada conseguiria o libertar de sua prisão. –Ignitus diz em sua mente, parecendo um pouco preocupado.
–Uh? –Wendelin retira a mão das têmporas e olha para o nada.
–Se lembra de Malefor?
–Hmmm... o dragão que quase conseguiu destruir Dragon Realms? –Wendelin pergunta ainda olhando para o mesmo ponto.
–Exatamente. Já se passaram 15 anos... e só agora eu descobri o paradeiro do seu subordinado...
–Ele é tão... idiota em pensar que pode dominar a todos...
–Infelizmente, é um idiota esperto... -Ignitus ainda não conseguia acreditar que Malefor estava agindo novamente, e isso colocava em risco não só Dragon Realms, mas a Terra também, pois ele pretendia tomar o controle dela depois que o mal prevalecesse sobre o planeta.
–Bem... como sabe... há chances de algum maluco querer lançar bombas atômicas quando a epidemia viral começar. Agora... têm certeza que o plano de evacuação funcionará?
–Meu amigo... não se preocupe! –Ignitus diz com uma pequena risadinha.
Wendelin levanta da poltrona de couro, suspirando. –Ok...
–Agora me diga: Quando o seu neto lhe encontrar, ele não irá suspeitar de nada? Pois desde aquele dia, sua aparência ficou mais jovial...
–Verdade... eu não pensei nisso. Hoje irá fazer um mês que a minha família acredita que eu estou viajando. Mas pode deixar, eu cuido dele. Agora... poderia me dizer outra vez os nomes deles? É que esqueci. -Um sorriso bobo se formou em sua face.
–Claro! Cyro e Labareda são namorados, assim como Tremor e Uta. Nita e Whedab ainda serão um casal.
–Até agora não consigo acreditar que Tremor e Uta namoram... mas tudo bem... quanto tempo falta exatamente para a epidemia começar?
–4 horas e 29 minutos. E Cyro e seus amigos já estão à caminho da Tundra de Dante.–Ignitus se despediu do seu amigo, pois precisava atender um pedido de ajuda enviado por um conhecido seu.
Depois da conversa, Wendelin voltou a fazer o que já era costume, monitorar o seu neto, a pedido de Ignitus, e tendo o conhecimento de que a epidemia começaria exatamente às 20:13.
–Onde está ele? -Wendelin, que estava na área principal do seu laboratório subterrâneo, sentou em sua poltrona, e fitou o grande telão de vidro a sua frente.
–Em sua casa. -Cortana diz e começa a localizar, via satélite e transmitir as imagens.
–Mhhh... A que horas a van escolar o coleta?
–Entre 18:25 e 18:35.
–E o que ele está fazendo atualmente?
–Se aprontando para o colégio. –A imagem em tempo real, mostrava com clareza a casa humilde por cima. -Ok... mantenha o foco nele.
–Sim senhor. (Cortana é uma IA, criada pelo governo americano, onde Wendelin teve a sorte de obter uma versão dela, para assim poder aprimorá-la. Isto aconteceu há 10 anos).
Ás 18:29 a van acabara de chegar. –Senhor, ele acabou de entrar na van escolar.
–Muito bem... o show começou.
O seu neto já estava sendo levado em direção ao colégio, onde estudou por quase sete anos e estava cursando seu terceiro ano no ensino médio.
Ele conhecia detalhadamente cada área desse colégio. As regras e os funcionários que trabalhavam ali. Mas mal sabia ele, que esse dia ficaria marcado para toda a sua vida.
–Mais uma noite... –Pensou ele olhando pela janela apoiado em seu braço. Chegou ao colégio às 18:55. Desceu da van e bufou devido tudo ser sempre a mesma coisa.
Subiu lentamente pela rua que dava acesso ao portão da escola, onde entregou sua carteirinha. Cumprimentou alguns amigos seus durante o corredor, e adentrou na sua sala, fitando os seu três amigos, que não eram tão amigos assim, conversando. Cumprimentou cada um deles.
–Chegou o cara que gosta de dragões! –Willian diz, Luiz e Jefferson somente riem.
–Haha... Muito engraçado! Vocês, garotas, não podem esquecer disso não? -Bruno diz revirando os olhos.
–Não, porque é inesquecível! Como estava escrito no Whatsapp mesmo? Ahhh sim! “Eu admiro os dragões, pois são criaturas mágicas que passam impressão de imponência...”. –Jefferson diz debochando e rindo dele, fazendo os outros dois rirem também.
–Bando de idiotas... –Pensou Bruno, indo para seu lugar com desânimo. Estava realmente perdendo a cabeça com eles. Sentou-se e, esperando, no meio da conversa alheia, olhando para fora, o professor chegar.
Depois de algum tempo aturando as bobagens, 22:20 chegara e a epidemia já estava se alastrando por toda a cidade, com noticias, imagens e vídeos sendo mostrados em todos os canais da TV. Faltavam apenas alguns quilômetros até a epidemia alcançar a rua do colégio.
Wendelin foi o primeiro a saber. -Hmpffffff... bem... preciso conversar com ele... por favor... não me interrompa!
–Sim Senhor.
Ele não sabia o porquê, mas sempre que Wendelin o chamava, era prontamente atendido.
–Do que precisa, velho amigo? –Ignitus diz fechando o livro que lia.
–O plano já está em execução. -Disse se aproximando do grande ser azul a sua frente.
–Eu sei. Está preparado?
–Creio que sim. Então... quando terei que buscar eles? -Indagou.
–Agora mesmo... –E então, Ignitus interrompe o link. Wendelin acorda meio zonzo, mas se recupera. –Cortana! Preciso que me ajude.
–Que tipo de ajuda necessitas, senhor? –Cortana pergunta em prontidão.
–Aérea! você irá monitorar as ruas por onde eu passar, me avisando sobre qualquer possível ameaça que possa aparecer, ok?
–Entendido, senhor! Wendelin pegou sua Nighthawk .45, vestiu seu terno com casaco longo, quase um sobre tudo, negro e andou rapidamente até o elevador. Depois, adentrou na sua Mercedez Benz SL55 preta e cantou pneu.
Faltavam quinhentos metros para os infectados alcançarem as ruas do colégio, quando no relógio bateu 22: 57. Ninguém esperava isso acontecer.
Bruno estava na sala, ouvindo a aula do professor de biologia, quando começou a escutar os piores sons de sua vida. Gritos de dor, clamando por socorro, junto com carros derrapando e batendo em postes e paredes.
Todos na sala ficaram espantados, inclusive Bruno. –O que... é... isso?!
Nesse exato momento ele começou a ouvir batidas no portão de ferro da escola. O professor pediu para que os alunos ficassem na sala, mas ninguém iria obedecer esta ordem naquele momento. Todos saíram correndo, com medo, não sabendo o que estava acontecendo por lá. Todos... exceto ele.
Bruno fechou os olhos e se concentrou na sua audição. — Não... pode ser! –Finalmente concluiu suas suspeitas. –Zumbis?!
Saiu da sala, andando rapidamente pelo corredor sem vida, em direção a cantina, com a intenção de encontrar algo que poderia servir como uma arma. Procurou por uma faca afiada e a encontrou.
–Calma... se lembre dos jogos Bruno... se lembre da porra do Resident Evil! -Falou para si mesmo, olhando freneticamente para os lados.
Após sair da cantina, começou a ir em direção ao muro ao lado oposto do portão que estava prestes a ser destruído. Porém, no meio do caminho, na quadra poliesportiva, sentiu um distúrbio estranho no ar.Ao se virar para a direita, próximo das traves do gol esquerdo, se deparou com algo.
Um vórtice roxo estava se formando entre as traves desse gol. Alunos e alunas estavam correndo desesperados clamando por ajuda, enquanto ele ficou ali imóvel, apenas presenciando o acontecimento.
Seu queixo desabou vendo aquilo. Quando pensou em se aproximar, seis criaturas saíram do vórtice, que se fechou instantaneamente. Ao focalizar sua visão, percebeu que eram seis dragões, alguns centímetros menor que ele. As pessoas se assustaram com eles, e Bruno ficou petrificado, os fitando com olhos arregalados.
–Mas... o que???!!! –Pensou ele.
Os seis jovens dragões, Cyro, Labareda, Tremor, Uta, Nita e Whedab, olharam muito desconfiados os seres em sua volta correndo desesperados. Então Cyro prestou atenção em um deles... parado.
–Gente... Eu... Eu acho que.... que esse é o bípede da minha visão! –Cyro diz olhando um pouco mais focalizado no rosto do ser imóvel a sua frente.
–Tens certeza, Cyro? –Tremor franziu o cenho.
–Absoluta! –Cyro diz.
O portão, durante toda a confusão, já havia arrebentado e vários zumbis estavam vindo na direção deles. Cyro reconheceu os seres estranhos e gritou, apontando com a asa.
–ATRÁS DE VOCÊ! –Ele disse e deu um passo para frente, querendo atacar os zumbis.
Bruno, que estava embasbacado, ficou com o semblante sério. Antes que qualquer um pudesse fazer algo, ele se virou para trás com a faca na mão direita e acertou em cheio a cabeça de um zumbi. O outro estava se aproximando rapidamente, e só teve tempo de retirar a faca da cabeça do primeiro e acertar o outro com um chute no abdômen, fazendo-o cair para trás. Bruno correu e apoiou o joelho no peito do zumbi e o golpeou na cabeça com a faca.
Cyro engoliu em seco, olhando para os zumbis que adentravam mais e mais o portão. –Pessoal!! -Todos assentiram, usando seus elementos para atacar e se defender das criaturas.Bruno, se aproximou com receio para perto dos dragões, percebendo que estavam ali para lhe ajudar.
–Ufff!!! -Cyro quase foi mordido por um deles, mas contra-atacou, decepando a cabeça do zumbi. Então olhou em volta... e percebeu que não existia mais nenhum.
Bruno estava atrás deles, com cara de bobo. Os dragões, se viraram para sua direção, e Cyro disse:
–Oi? Qual o seu nome?
–Err... Bruno... e... é um... prazer... conhece-los...
–O prazer é meu! Meu nome é Cyro, filho de Spyro e Cynder. Esta é Labareda, filha de Chama e Brasa, e minha... companheira. -Labareda sorriu para ele.
–Tremor, filho de Brutus e Helen. E este é Uta, filho de Arbo e Rya, e o meu companheiro. -Bruno se assustou com a informação repentina, mas ficou quieto.
–Nita, filha de Ray e Cassandra. — Um sorriso amigável se formou em seu rosto.
–Err.. o meu nome é Whedab, e é tudo o que precisa saber...
Enquanto a conversa continuava, Wendelin estava indo a toda velocidade com a sua Mercedes, desviando o quanto pôde dos infectados. Cortana lhe explicou que o caminho estava livre, mas que precisava ser extremamente cauteloso. Faltava apenas cem metros quando contornou a rua do colégio, e o interior dele pode ser visto. Então reconheceu o seu neto e... dragões.
Concluiu que aqueles seriam os enviados por Ignitus, então adentrou, jogando zumbis para o ar, e derrapou puxando o freio de mão, parando perto deles e assustando-os.
Bruno focalizou sua visão em direção ao homem, e ficou surpreso. -Vovô??!! Por q... aqui?! -Começou a andar em direção a ele.
–Olá meu caro. -O seu avô fez o mesmo. Quando se aproximou o suficiente, se assustou, parando no lugar.
–Você o conhece? -Cyro pergunta se aproximando do jovem.
–Não sei... se o conheço mais. -Bruno estava analisando o homem a sua frente, confuso.
Wendelin não prestou atenção no comentário e logo perguntou. -Vocês foram enviados por Ignitus?
–Como o senhor o conh... -Cyro foi interrompido por ele. -É uma longa história. Sim ou Não?
–Sim! -Disseram em uníssono
–Muito bem. Aqui fora não é seguro. Por favor me sigam.
Os dragões assentiram, e Bruno se lembrou. — A minha família... MERDA!!! EU PRECISO VOLTAR!! — Se desesperou, indo em direção a Mercedes. Seu avô o segurou pelo braço, tentando impedi-lo.
–NÃO!! você não p... -O seu neto lhe aplicou um soco em seu braço, o soltando. -ME SOLTA!!! -Ligou o carro, e acelerou em direção a rua.
DROGA!!! a apresentação fica para depois. SIGAM ELE!!! Eu alcanço todos vocês!! -Ordenou.
–Tudo bem!!! Pessoal!! Vamos nessa! -Comandou Cyro, e eles levantaram voô.
Alguns minutos depois, Bruno conseguiu com sucesso alcançar o seu destino... sua casa. Parou e saiu do carro, abrindo o portão de ferro e correndo até a porta, que estava entreaberta. Adentrou, percebendo que tudo estava bagunçado e manchado de sangue. Quando chegou na cozinha, se deparou com algo que iria marcar sua vida para sempre...
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