A lenda de Cyro: Entre Mundos (livro 3)
2 Desespero
Notas iniciais
Bruno encontrou seu pais e seu irmão caídos no próprio sangue, com marcas de mordidas e partes do corpo simplesmente destroçadas.
Suas pernas ficaram bambas e desabou no chão, chorando. –POR QUE?? EU DEVERIA TER FEITO ALGO A TEMPO!!! –Fitando os corpos devorados, ouviu um grunhido. O som era proveniente do seu quarto.
Não pensou duas vezes e se levantou. Adentrando o seu próprio quarto, no meio da escuridão, estava um zumbi. Com fúria e lágrimas em seus olhos, rosnou, alertando o morto-vivo.
–VENHA AQUI DESGRAÇADO!!! –Com isso, o zumbi caminhou em sua direção, faminto por carne fresca.
Neste momento, os Dragões chegaram na casa, pousando no pátio.
–Espero que não tenha acontecido nada... –Cyro diz em voz baixa.
Caminharam rapidamente até a porta escancarada. Ao adentrarem, se depararam com Bruno esmagando a cabeça de um zumbi com as próprias mãos.
–Pelos ancestrais!!! –Labareda esconde seu rosto no pescoço de Cyro.
–Pelos.... Bruno! Calma! –Cyro diz cobrindo a cabeça de Labareda com a asa.
–SAIAM DAQUI! –Bruno diz ofegante, com raiva.
Wendelin conseguiu alcançar a casa do seu neto, com um veículo abandonado perto do colégio. Rapidamente saiu do carro, em direção a entrada da residência.
Quando viu a cena, arregalou os olhos. -Bruno! Se afaste dele!!! -Quando o seu avô disse isso, Bruno se levantou de cima do zumbi "morto", e caminhou para sua direção, posicionando o braço direito para trás, insinuando um ataque. Mas, com uma incrível rapidez, Wendelin segurou a mão direita do seu neto antes de atingi-lo, poucos centímetros de sua face.
–AGORA CHEGA!! -Ordenou Wendelin.
Os dragões arregalaram seus olhos. Tremor foi o primeiro a intervir, se colocando no meio dos dois. –Ei! Ei! Calma aí! –Tremor consegue separa-los.
–A CULPA É SUA!!! –Bruno tentou ir para cima de Wendelin outra vez, mas Cyro interveio, junto com Tremor.
–Calma Bruno! –Cyro começa a falar mas Whedab o interrompe, dando alguns passos adiante.
–Eu sei como é, Bruno! Meu pai foi morto também, mas, não devemos culpar ninguém. Ele queria te salvar! Não o culpe!
–Queria me salvar? Me salvar? E A MINHA FAMÍLIA?! VOCÊ VAI PAGAR! DE UM JEITO OU DE OUTRO! ISTO É UMA PROMESSA! –Com isso seus olhos se encheram de lágrimas e desabou a chorar, no chão, amargamente.
Cyro e Tremor, que estavam perto dele, colocaram uma pata em seu ombro. –Calma... — Cyro, hesitante, envolve suas asas em Bruno e coloca sua cabeça sobre o ombro dele. –Ninguém escolhe essas coisas!
Bruno estranhou o ato de Cyro, mas aceitou o abraço, retribuindo.
–Agora vamos! Aqui, definitivamente não é seguro! –Cyro diz e se separa dele.
Ficaram em pé e Wendelin percebeu que seu neto o olhava com fúria. Todos que estavam presentes se espantaram um pouco, exceto ele, pois sabia que a morte de sua família, parte da culpa lhe pertencia.
–Bruno? Estás bem? -Cyro pergunta olhando com a cabeça tombada.
Bruno responde em tom e seco. –Sim. Não se preocupe... –Sem desviar o olhar de seu avô.
Cyro engole em seco sabendo que tinha algo de errado com ele, mas se vira para Wendelin. –Vamos?
Wendelin estava olhando fixamente para Bruno, tentando imaginar o que estava acontecendo com ele e pensando. –Hmpf! Ignitus... As coisas estão indo de mal a pior... Será que iremos conseguir? –E então saiu do transe ao ouvir as palavras de Cyro. –Ahhh... Sim! Vamos!
–Ótimo! Preciso... ahhh... Precisamos que nos conte sobre... bem... tudo! –Cyro diz.
–Certo, certo. Irei sim, mas precisamos alcançar o meu esconderijo se quisermos fugir deste inferno.
Bruno olhou com desprezo para seu avô ao ouvir essas palavras e Wendelin percebeu.
Cyro e Tremor ficaram bem atentos, caso algo acontecesse com Bruno e ele decidir ir para cima de seu avô novamente.
Labareda não parava de olhar para o zumbi. Ela chega perto e cheira. Então enruga seu focinho e se afasta. –Ahhh! QUE HORRÍVEL!
–Aiii... Pelos ancestrais!! –Labareda diz dando pequenos pulos olhando para o chão, com horror e nojo, não percebendo que Cyro estava a afastando de Bruno.
Bruno percebeu o ato dele, mas não se importou, caminhando em direção para fora.
Aproveitando a deixa, Cyro sussurrou aos amigos, mas Wendelin ouviu perfeitamente. –Estou... Desconfiado do Bruno. Ele está...... Estranho. Sei que acabou de perder os pais, mas... Temo algo dar errado.
Todos concordam e então saem caminhando para fora, vendo Bruno fitando o céu, cheio de estrelas.
–Me perdoe... -Sussurrou ele, com os olhos fechados.
Todos começam a andar devagar, olhando para ele.
Cyro olhou para ele, um pouco confuso. Ele passa ao lado de Bruno indo para o carro, junto com os outros.
Como Cyro e seus amigos eram quadrúpedes e em grande quantia, não conseguiriam entrar na Mercedes, mesmo se quisessem.
–Sigam o carro por cima. –Pediu Wendelin, apontando para o céu.
–Claro! Não ligamos para voar. –Cyro sorri batendo um pouco suas asas. Bruno suspirou se dirigindo ao carro, entrando pela porta de trás.
Cyro e os outros começaram a seguir o carro, primeiro andando, depois correndo e então voando.
Labareda olhava em volta, junto com Nita, espantada com tudo que ouvia. –Pelos ancestrais! Tantos gritos, pedidos de socorro... é... horrível!
Cyro olha em volta, estranhando muito tudo ao seu redor, destruído e se aproxima da janela do carro. –Seu mundo é... estranho!
Wendelin pensou que Bruno fosse responder, mas não o fez. –Antes meu mundo era mais vivo, tranquilo, harmonioso.
Cyro olha para Bruno e Wendelin conforme começam a falar, mantendo o voo normalmente.
–E o que causou tudo isso? -Pergunta Tremor.
–Uma doença. Doença da raiva, para ser exato. –Wendelin diz um pouco nervoso.
–E como... a doença da raiva, que possuí cura, conseguiu causar tudo isso? –Bruno perguntou, para a sua surpresa.
–Tudo começou na índia. Neste lugar a pobreza era extrema. Existia doenças e insetos contagiosos em todo canto. Tudo isso, com o passar dos anos, favoreceu o surgimento do vírus da raiva. Mas o tratamento não era eficaz, resultando na mutação da doença, deixando-o mais agressivo e rápido na hora de tomar o controle do hospedeiro. Foi quando aconteceu... BOOM! Praticamente todos contraíram a doença e a ser controlado por ela. Os sintomas da doença eu desconheço. A única que conheço, é que depois de infectado, a vítima se torna um deles em dez minutos. –Wendelin explicou.
–Em nosso mundo, muitas doenças são inofensivas... –Cyro diz e olha para frente. –Apesar de termos doenças mortais... mas, são extremamente raras...
Inesperadamente, Cortana começou a falar. –O senh... stá bem? Não est... eguindo conex... estável! Alguém po... me ouv....?
–Contana! Pode me ouvir?? Cortana? –Wendelin pergunta, posicionando a escuta em seu ouvido.
–S... hor Wend... in.Estrad... fech…! Car… s acidentados bloquean… o aces...!
–Estrada fechada? Acesso bloqueado? O que quer dizer?
Então Wendelin olhou para frente e percebeu um engarrafamento imenso na estrada. –Hunnf! Merda! –Pisou com tudo no freio, parando a tempo de não se chocar com os veículos abandonados na rua. –Droga! Não vamos conseguir passar por aqui!
–Não se preocupem! Tremor e eu iremos tirar esses..... veículos do caminho! Apenas... nos dê cobertura! –Cyro diz pousando na frente do carro de Wendelin.
Wendelin, antes de sair da Mercedes, abriu o porta luvas, revelando uma NightHawk igual ao que possuía. –Pegue isto! Espero que aprenda rápido a como usá-la! –Ele diz para Bruno.
Bruno assentiu e a pegou.
Faltavam apensas 700 metros até a sua residência. Além dos carros bloqueando o acesso, haviam dezenas de zumbis por entre eles, o que fazia o trabalho de Cyro e Tremor muito mais arriscado.
–Escutem! Não se aproximem demais deles! Usem seus elementos e foquem nas cabeças! PROTEJAM CYRO E.... TREMOR! –Wendelin diz e começa a atirar em alguns zumbis próximos.
Todos assentiram e Tremor soltou um míssil de terra em um zumbi.
–EM AÇÃO PESSOAL! –Cyro gritou lançando espinhos de gelo nos zumbis mais próximos.
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